Capítulo 3: Brinquedos sexuais, assine o recibo
Charlotte entrou no carro de aplicativo e, imediatamente, bloqueou George em todas as plataformas.
— 46 Crimson Avenue, por favor.
Desire Den.
A maior sex shop da cidade.
No instante em que Charlotte apareceu na entrada, chamou a atenção do atendente lá dentro.
O rapaz deixou o celular cair e saiu, parando nos degraus enquanto olhava Charlotte de cima a baixo. Cobriu a boca, lutando para esconder um sorriso divertido.
— Veio arrumar um “namorado” elétrico?
Charlotte inclinou a cabeça na direção da loja e sorriu de um jeito ambíguo.
— Vim arrumar uma “namorada” para o meu marido.
— O quê?
O atendente congelou.
Charlotte já tinha passado por ele e entrado na loja.
Diante da vitrine deslumbrante de brinquedos sexuais, ela se virou para o atendente, que ainda estava atônito.
— Embala um de cada coisa que um homem poderia usar.
— Tá.
O atendente saiu do transe e correu para ajudá-la a separar e embalar.
Charlotte achou uma caneta e um papel e anotou um endereço.
— Mande entregar tudo neste endereço assim que estiver embalado.
Enquanto isso…
George não teve muita reação depois que Charlotte foi embora.
Ele achou que ela só estava fazendo birra. Assim que esfriasse a cabeça, voltaria. Mas, ainda assim…
George encarou as meias, com a testa franzida.
Ele não podia, de jeito nenhum, deixar que ela saísse por aí falando e manchasse a reputação de Jennifer.
George olhou para Jennifer com ternura.
— Vai descansar. Preciso ir ao escritório.
Jennifer se jogou em seus braços, abraçando a cintura dele com força.
Ergueu o olhar, com os olhos úmidos e suplicantes.
— Eu não quero te deixar. Estou com tanto medo.
Sentindo o corpo dela tremer, George teve uma pontada de compaixão.
Mas, no fim, ainda assim afastou Jennifer.
— Eu preciso ir explicar as coisas para a Charlotte. Não posso deixar ela falar besteira e destruir a sua reputação.
— Mas…
Antes que Jennifer respondesse, o celular de George vibrou com uma notificação.
Ele deu uma olhada sem grande interesse.
Então franziu a testa com força.
Brinquedos sexuais?
Antes que pudesse ler direito, veio uma sequência de notificações de compra.
Tudo brinquedo sexual?
Charlotte!
Para que ela estava comprando aquela porra toda?
George apertou o celular com tanta força que as veias saltaram no dorso da mão.
— O que foi? — Jennifer perguntou, cautelosa.
George engoliu a raiva, balançou a cabeça e forçou um sorriso fraco.
— Nada. Tem uma coisa no escritório que preciso resolver. Vou para lá agora. Descansa bem.
Com isso, ele se virou e saiu sem olhar para trás.
Vendo a saída apressada dele, Jennifer franziu o cenho; em seguida, um lampejo de malícia cruzou seus olhos.
Depois de entrar no carro, George tentou ligar para Charlotte imediatamente.
Mas, ligação após ligação, dava “não foi possível completar”.
Mesmo depois de chegar ao escritório, George ainda não conseguia falar com Charlotte.
Ele arremessou o celular no chão; a tela apagou.
Ergueu o olhar para o assistente, David Park.
— Me dá o seu celular.
Assim que pegou o aparelho, George abriu o teclado de discagem depressa, mas parou no instante seguinte.
Confusão passou por seus olhos.
— Qual é o número da Charlotte?
Ao ouvir isso, David se surpreendeu e, então, entendeu.
George nunca dava muita atenção a Charlotte, então não saber o número dela parecia bem normal.
David encontrou o contato de Charlotte e devolveu o telefone a George.
Logo a chamada foi atendida, e a voz suave de Charlotte soou do outro lado.
— David, aconteceu alguma coisa?
— Charlotte! — George rosnou o nome dela, entre dentes.
Ao reconhecer a voz de George, Charlotte fez uma breve pausa, e seu tom esfriou.
— O que você quer?
George apertou as têmporas doloridas e perguntou com a voz rouca:
— Por que você comprou tantos brinquedos sexuais?
Charlotte soltou uma risada fria.
— Você vai descobrir em breve. Da próxima vez que o sr. Summers me ligar, espero que seja só para me dizer quando devo comparecer ao tribunal.
Ela desligou de novo.
Ele ficou olhando para o celular, sem reação.
Charlotte tinha bloqueado o número dele?
Um pânico sem precedentes surgiu do fundo do seu coração e foi tomando conta dele aos poucos.
Não, Charlotte devia estar apenas se fazendo de difícil.
Ela tinha tramado tanto para se casar com ele; como poderia se divorciar com tanta facilidade!
Sentindo-se um pouco mais tranquilo, George devolveu o celular a David.
— Mande o pessoal das relações públicas monitorar constantemente as redes sociais da Charlotte. Se aparecer qualquer coisa sobre Jennifer, tirem do ar imediatamente.
David assentiu.
Percebendo o cenho franzido de George, David tomou coragem para falar:
— Sr. Summers, a sra. Summers sempre se importou com o senhor. Acho que pode ter havido algum mal-entendido no que aconteceu mais cedo. Não deveríamos investigar primeiro?
— David. — George pronunciou o nome dele friamente, e suas palavras carregavam um aviso silencioso. — Eu sei exatamente que tipo de pessoa ela é.
Uma mulher daquele tipo, que tinha armado tudo para se casar com ele, era completamente falsa; como poderia se importar de verdade com ele?
Ela só queria arrancar mais benefícios dele.
— Vá fazer o seu trabalho — George o lembrou mais uma vez.
David suspirou e saiu obedientemente.
Uma hora depois, um entregador apareceu no Grupo Summers com uma caixa.
Como não podia entrar sem agendamento, o entregador seguiu as instruções do cliente: se fosse barrado, todo o pedido deveria ser lido em voz alta. Ele tirou a lista e começou a ler na frente de todo mundo que entrava e saía.
— Esta é uma compra do sr. Summers. O pedido inclui masturbadores, bonecas sexuais e conjuntos de lingerie.
O rosto do entregador já estava vermelho vivo, mas ele continuou, gaguejando.
O elevador apitou, e George saiu acompanhado de vários executivos.
David tinha acabado de receber a notícia da recepção. Ele olhou na direção do saguão e então correu para interceptar George.
— Sr. Summers, acabei de me lembrar de que o senhor tem uma reunião daqui a pouco. Talvez devêssemos voltar para terminar essa reunião antes de sair.
Assim que terminou de falar, a voz do entregador soou de novo.
— O sr. Summers também encomendou algemas ajustáveis e velas de baixa temperatura.
Sr. Summers?
Ele estava falando dele?
O rosto de George escureceu quando ele olhou para o entregador.
As expressões dos executivos atrás dele eram ainda mais estranhas.
Não muito longe dali, as garotas que até um minuto atrás admiravam George agora sentiam o coração se partir em silêncio.
— Eu sempre achei o sr. Summers frio demais. Ouvi dizer que o desempenho dele na cama não é grande coisa. Pelo visto, é verdade.
— Espalha: o sr. Summers não dá conta.
— O sr. Summers comprou uma caixa inteira de brinquedos sexuais de uma vez. Ele é frígido ou realmente tem problemas de desempenho?
George ficou em silêncio.
Maldita Charlotte!
Sentindo a aura opressiva que emanava dele, David se pronunciou:
— Vou tirar esse homem daqui agora mesmo.
David foi até o entregador, tentando dispensá-lo.
O rosto do entregador estava tão vermelho que parecia prestes a sangrar, e ele olhou para David com constrangimento.
— Será que pelo menos o sr. Summers poderia assinar o recebimento primeiro?
Na mesma hora, David sentiu o couro cabeludo formigar.
— Me dê isso. Eu assino.
Ele rapidamente assinou o próprio nome no formulário.
O entregador lhe passou a caixa e foi embora às pressas, deixando David sozinho, segurando uma caixa de brinquedos sexuais enquanto suportava os olhares de todos.
George lançou a David um olhar sombrio e, em seguida, se virou rapidamente e voltou para o elevador.
