Capítulo 9: Ela pensa nele assim?

O coração de George se apertou de repente.

Ele viu Charlotte lutando para se manter em equilíbrio, o sangue vermelho-vivo se espalhando devagar do ferimento na panturrilha para dentro da água do mar.

O cheiro de sangue atrairia tubarões!

—George… —a voz de Jennifer tremeu. Quando George estava prestes a alcançá-la, ela se lançou para a frente e agarrou o braço dele com força, com as duas mãos. —Eu tô com tanto medo.

O olhar de George alternou rápido entre Charlotte e Jennifer.

Charlotte sabia mergulhar. Ela deveria conseguir se safar.

—Vem comigo!

No fim, ele cerrou os dentes, passou o braço pela cintura de Jennifer e nadou com ela em direção à praia.

Charlotte observou as duas figuras se afastando com determinação, e uma dor aguda atravessou seu peito.

Como era de se esperar, quando se tratava de vida ou morte, a escolha dele nunca seria ela.

Nesse instante, um tubarão já havia nadado até ficar a uns nove metros dela.

Ela chegou a ver com clareza a enorme silhueta cinzenta sob a superfície da água.

O medo deixou seu corpo rígido, e até a respiração parou por um momento.

—Charlotte! Sai da frente! —Sarah gritou na praia, com toda a força dos pulmões.

Aquele grito a trouxe de volta à realidade.

Não, ela não podia morrer ali!

Quando recobrou os sentidos, Charlotte mergulhou.

A visibilidade debaixo d’água era turva, mas ela sentia o tubarão se aproximando.

Ela nadou desesperadamente para o lado, e o ferimento na perna lançava uma dor lancinante conforme a água do mar o irritava.

Ela nadava cada vez mais rápido, e o ar em seus pulmões se esgotava na mesma velocidade.

Quando estava prestes a não aguentar mais, o ronco de um motor se aproximou à distância.

Jack chegou bem a tempo num iate, com um agente de segurança a bordo usando uma vara de pesca para afastar o tubarão.

—Me dá a mão! —Jack estendeu a mão para ela.

Charlotte usou as últimas forças para segurá-la.

Assim que foi puxada para dentro do barco, desabou no convés, tossindo com violência.

—Charlotte! —assim que o iate atracou, Sarah correu até ela, a voz ainda carregando o medo. —Você quase me matou do coração! Como pode ter tubarões num lugar desses?

Charlotte olhou para o tubarão, que ia se afastando aos poucos pela superfície da água, e seus olhos ficaram frios.

Aquela área era uma zona segura. A aparição do tubarão definitivamente não tinha sido coincidência.

Não muito longe, Jennifer observava Charlotte com os olhos cheios de ressentimento.

Aquela vadia tinha mesmo sorte. Depois de tudo isso, ainda não tinha morrido.

George olhou para Charlotte no iate e soltou um suspiro de alívio.

Ele estava prestes a soltar o braço de Jennifer quando ela o agarrou de repente.

Jennifer o encarou com os olhos marejados. —George, eu tô me sentindo péssima. Não consigo respirar.

Ela apertou o peito, o rosto tomado de dor.

George desviou o olhar depressa, tornou a pegá-la no colo e saiu correndo em direção ao hospital.

—Vou te levar pro hospital agora. Vai ficar tudo bem.

Quando Charlotte olhou para o lado, por acaso viu uma figura se afastando às pressas.

Ela baixou os olhos e riu de si mesma, com escárnio.

No canto mais escondido do seu coração… ela ainda guardava um fiapo de esperança em relação a George?

—Charlotte! —a voz chorosa de Sarah conseguiu puxar seus pensamentos de volta.

—Charlotte, você tá ferida!

A exclamação repentina de Sarah ecoou nos ouvidos dela. Charlotte olhou para baixo, para a panturrilha ainda sangrando.

Jack falou, lembrando: —Parece que o tubarão deve ter vindo por causa do cheiro de sangue.

Charlotte não deu muita atenção ao ferimento na panturrilha, mas Sarah ao lado estava tão aflita que os olhos ficaram vermelhos.

—Só pode ter sido aquela vadia da Jennifer. Vamos pro hospital primeiro e depois eu arranjo alguém pra expor eles. O George, aquele desgraçado, não gosta de você mas mesmo assim casou, e depois de casar não te dá valor. Os dois são doentes. Que nojo.

Ouvindo o desabafo, a expressão de Charlotte permaneceu indiferente.

—Depois me ajuda a descobrir por que tem tubarões aqui. Vamos primeiro pro hospital.

Se o ferimento infeccionasse, no fim das contas quem sofreria seria ela.

No hospital, Sarah pediu que Jack ficasse com Charlotte enquanto ia buscar os remédios.

Logo Sarah voltou esbaforida, com os remédios na mão.

— Só faltava essa… Dei de cara com aquele par de idiotas no caminho.

Olhando para Sarah, que estava inflada como um baiacu, Charlotte se manteve bem calma.

— Só tem um hospital na ilha. Não é normal esbarrar neles?

— Normal coisa nenhuma. — Sarah continuou reclamando. — A Jennifer não é o tesourinho precioso do George? Numa hora dessas, ele devia estar usando o jato particular pra levar a Jennifer de volta e colocar a melhor equipe médica à disposição. O que ele tá fazendo aqui, sendo tão nojento?

Charlotte sorriu, com desdém.

— Talvez ele queira ver se eu morri. Afinal, se eu morresse, ele não precisaria pagar indenização de divórcio e poderia ficar com a Jennifer abertamente. Que beleza.

Do lado de fora da porta.

Os lábios de George estavam apertados, as sobrancelhas franzidas, a expressão um tanto desagradável.

Quando soube que Charlotte também tinha sido trazida para lá, ele quis vir vê-la. Não esperava ouvir aquilo.

Então, no coração dela, ele era esse tipo de pessoa desprezível?

George se sentiu muito mal. Uma irritação indescritível subiu, embaralhando seus pensamentos.

Ele empurrou a porta e entrou no quarto do hospital, impassível.

As pessoas lá dentro olharam na direção da porta ao ouvir o barulho.

Ao ver que era George, Sarah franziu a testa, o rosto mostrando desagrado.

— O que você tá fazendo aqui?

George foi direto até Charlotte.

— A saúde da Jennifer não tá boa. Você sabe mergulhar. Eu achei que você podia nadar de volta até a costa.

Charlotte soltou uma risada de deboche e o interrompeu.

— Senhor Summers, não faça teatro na minha frente. A Jennifer sequestrou a Sarah pra me atrair até lá e depois me empurrou no mar. Isso é um fato incontestável.

George olhou para o ferimento na panturrilha dela e não disse nada por um bom tempo.

Charlotte cobriu o ferimento com a mão e disse friamente:

— Se o senhor Summers não tem mais nada a dizer, por favor, vá embora.

— Charlotte! — o rosto de George se fechou, a expressão deixando clara a irritação.

Sarah se colocou imediatamente na frente de Charlotte, com as mãos na cintura, encarando George de modo agressivo.

— Por que você tá gritando com a Charlotte? George, você é mesmo sangue-frio! A Charlotte foi empurrada no mar pela Jennifer. Você tá passando pano pro crime dela.

O olhar de George permaneceu no rosto de Charlotte.

Vendo que ela não lhe dava sequer um olhar, George ficou ainda mais irritado.

Não devia ser assim.

Antes, ela corria chorando até ele por causa de um arranhãozinho; agora, com um ferimento tão grande, não tinha nada a dizer?

— Eu nunca quis que você morresse — disse George.

Assim que as palavras saíram, ele mesmo se surpreendeu um pouco.

Por que estava dizendo aquilo para Charlotte?

Charlotte ergueu a cabeça, os olhos cheios de escárnio.

Ela lançou um olhar para George e logo desviou.

— E a Jennifer? Ela também quer que eu continue viva?

Ao ver o deboche no olhar dela ao mencionar Jennifer, George voltou a explicar:

— A situação da Jennifer é um pouco especial. Ela só quis te assustar um pouco. Ela de jeito nenhum queria que você morresse. Não pense sempre no pior.

— Cala a boca!

O ódio explodiu nos olhos de Charlotte.

Ela apontou para a porta.

— Saia.

— Charlotte! Eu tô tentando conversar direito com você. Dá pra parar de ser tão sem noção? — George também elevou a voz.

Será que toda a gentileza dela no passado era só atuação?

George, sem perceber, passou o dedo no relógio, as sobrancelhas arqueadas, mal conseguindo conter a irritação no peito.

— A Jennifer, ela—

— George! — Jason veio correndo, aflito. — A depressão da Jennifer piorou. Ela tá exigindo ver você. Você precisa ir depressa.

Ao ouvir isso, George instintivamente observou a expressão de Charlotte.

— Eu volto depois pra ver como você está.

Dito isso, ele saiu sem olhar para trás.

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