Capítulo 2: Moonlit Pack

Ponto de vista de Damien

Damien Ravenscroft estava parado diante das grandes janelas da Casa da Alcateia, o brilho suave da lua cheia projetando sombras no chão sob seus pés. A Alcateia ao Luar chamava aquele lugar de lar havia gerações e, como seu Alfa, era dever dele garantir que o legado continuasse. Mas, para isso, ele precisava de uma companheira — uma Luna forte, nascida lobo, que ficasse ao seu lado e liderasse a alcateia rumo ao futuro.

Aquilo o vinha pressionando havia semanas e, naquela noite, tudo chegaria ao fim.

A Purga Anual era mais do que uma tradição. Era um rito de passagem, um tempo em que os lobos mais fortes reivindicavam suas companheiras e garantiam o futuro de suas alcateias. Damien sabia que as apostas eram altas — não só para ele, mas para toda a Alcateia ao Luar.

Ele respirou fundo. Estava na hora.

Damien atravessou a Casa da Alcateia, seus passos ecoando pelos corredores silenciosos. Os outros membros já haviam se reunido do lado de fora, aguardando sua chegada. Quando ele saiu para a ampla clareira, a lua cheia iluminou as figuras à espera do Beta Xavier Caldwell e do seu terceiro no comando, o Gamma Magnus Langley. Ambos eram tão musculosos e imponentes quanto o próprio Damien, os olhos brilhando com a antecipação da caçada.

Naquele ano, eles também se juntariam a ele na Purga, cada um buscando uma companheira para fortalecer a alcateia.

— Prontos? — perguntou Damien.

Xavier assentiu, um sorriso confiante se abrindo em seu rosto. — Sempre, Damien. A alcateia precisa de sangue forte e, esta noite, nós vamos encontrá-lo.

Magnus cerrou os punhos, o olhar fixo no horizonte. — A Deusa da Lua vai nos guiar até nossas companheiras. Pelo futuro da alcateia.

Damien lhes deu um aceno curto, o fogo no peito espelhando o clarão da lua cheia lá em cima. — Então não vamos deixá-las esperando, vamos?

Sem dizer mais nada, os três começaram a se transformar, os corpos mudando para as formas de lobo. Damien sentiu a conhecida onda de poder quando seus sentidos se aguçaram, seus músculos se expandindo sob o pelo. O chão pareceu tremer sob eles quando concluíram a transformação — três lobos enormes ocupando o lugar onde, momentos antes, havia homens.

A euforia da caça correu pelas veias deles.

Damien lançou um olhar para Xavier e Magnus; as formas deles eram grandes e inegavelmente prontas. Chegara a hora de reivindicar o que era de direito.

Com um impulso poderoso, Damien se lançou à frente, as patas cavando a terra enquanto disparava. Xavier e Magnus vieram logo atrás, seus uivos rasgando o ar da noite. A floresta virou um borrão ao redor deles enquanto corriam, o frenesi da perseguição acendendo seus instintos.

Naquela noite, Damien encontraria sua Luna, a reivindicaria e a marcaria como somente dele.

Os três lobos gigantescos dispararam pela floresta densa, o ritmo das passadas potentes acompanhando as batidas de seus corações. As mentes deles estavam ligadas pelo Elo da Alcateia, uma conexão telepática que lhes permitia se comunicar mesmo em forma de lobo.

“Mas e se ela não estiver aqui?”, a voz de Xavier ecoou na mente de Damien, tingida de uma dúvida rara. “E se a sua Luna não estiver entre a colheita?”

Damien se esforçou ainda mais. “Ela está por aí”, respondeu. “Tem que estar.”

Magnus, sempre realista, entrou na conversa. “E se não estiver? E se ela estiver morta? Ou pior — reivindicada por outro?”

O pensamento fez um frio cortar Damien. A possibilidade de sua Luna já estar perdida — ou de ela nunca ter existido — era algo que ele não suportava sequer considerar. Aos vinte e cinco anos, ele sabia que o tempo estava escapando por entre os dedos. Xavier era só um ano mais novo e até Magnus, com vinte e dois, podia sentir o peso disso.

Eles eram fortes, mas força não significava nada sem um futuro.

“Não podemos deixar isso acontecer”, Damien rosnou pelo Elo da Alcateia. “Eu preciso de um herdeiro, e preciso de um logo. A alcateia precisa de uma Luna — alguém para ficar ao meu lado e dar à luz filhotes que continuem nossa linhagem.”

A voz de Xavier agora estava mais baixa, quase resignada. “Mas e se nenhum de nós encontrar a companheira esta noite? E então? A gente não está ficando mais jovem, Damien.”

As palavras pairaram pesadas entre eles. Os anos tinham passado depressa, cada caçada terminando em decepção, cada estação escorrendo sem a promessa de uma companheira. Eles temiam que o legado da alcateia se apagasse com eles.

“Não temos escolha”, disse Magnus, firme. “Temos que continuar procurando. A alcateia depende de nós para encontrar nossas companheiras. Se falharmos…”

Damien não deixou que ele terminasse.

— Não vamos falhar — rosnou, embora a dúvida ainda se retorcesse em seu estômago. — Não esta noite. A Deusa da Lua nos guiou até aqui... ela não vai nos abandonar agora.

Mas, mesmo enquanto dizia isso, Damien conhecia a incerteza que agarrava a todos. Eles tinham de encontrar suas companheiras — não apenas por si mesmos, mas por toda a Matilha do Luar. Sem uma Luna, sem herdeiros, o futuro da matilha estava em risco.

Ele não podia decepcionar a matilha. Não ia.

— Mantenham os olhos abertos — Damien incentivou, acelerando o passo quando o cheiro de algo desconhecido lhe chamou a atenção. — Não vamos voltar de mãos vazias. Não podemos.

A floresta pareceu se fechar ao redor deles enquanto corriam, as sombras se adensando sob a luz da lua cheia. A caçada havia começado, e falhar não era uma opção.

“Damien”, a voz de Xavier cortou o silêncio em suas mentes. — Você sempre odiou essas Expurgos Anuais. Você se recusou a participar por anos. Por que agora?

O rosnado de Damien ribombou pelo vínculo, uma mistura de frustração e resignação.

— Você sabe por quê, Xavier. Isso não é mais só sobre mim. É sobre um legado que atravessa séculos, uma linhagem de sangue puro que remonta ao próprio começo.

Magnus permaneceu em silêncio, mas Damien sentia o peso da curiosidade e da preocupação do companheiro mais jovem.

Xavier, porém, nunca foi do tipo que recua diante do que importa, especialmente quando o assunto era Damien.

— Você sempre disse que estava destinado a encontrar sua companheira — Xavier continuou. — Que não precisaria participar dessas caçadas, não precisaria procurar em outro lugar nem se contentar com menos. Além disso, você é o Alfa. Por que deveria ceder?

Damien forçou ainda mais, o vento chicoteando seu pelo.

— Porque destino não é algo que você fica sentado esperando, Xavier — respondeu. — Fui criado acreditando que, quando chegasse a hora certa, a Deusa da Lua traria minha companheira até mim. Mas os anos passaram, e nada mudou. Estou cansado de esperar.

Houve um breve silêncio.

Então Xavier falou de novo, mais baixo dessa vez.

— Sabe, Damien... eu te conheço desde que éramos filhotes. Crescemos juntos. Eu vi o quanto isso pesa em você, o quanto você sacrificou pela matilha. Mas também sei que você foi ensinado a não se contentar, a honrar a Deusa da Lua e esperar pelo momento perfeito.

O coração de Damien se apertou com as palavras de Xavier.

— Foi isso que me ensinaram — admitiu. — Mas também me ensinaram a proteger a matilha, a garantir a sobrevivência dela a qualquer custo. E, a cada ano que passa sem uma Luna, sem um herdeiro, essa sobrevivência fica menos certa.

Magnus, que vinha escutando com atenção, enfim se pronunciou.

— Mas o Xavier tem razão, Alfa. Você sempre esteve acima dessas caçadas, acima dessa necessidade de provar alguma coisa. Você mesmo já disse: nossa linhagem é pura, forte. Por que agora?

Os olhos de Damien se estreitaram enquanto ponderava as palavras deles.

— Porque a matilha não pode esperar para sempre — disse ele. — Eu sempre acreditei na Deusa da Lua, no tempo dela. Mas e se o tempo dela for agora? E se esta for a noite em que tudo muda?

Xavier hesitou, então falou. Havia algo na voz dele que Damien não ouvia havia muito tempo: esperança.

— Ou... e se você esteve certo o tempo todo, Damien? E se a sua companheira estiver por aí, esperando por você? Não na caçada, mas em algum lugar onde você nunca pensou em procurar?

Damien suspirou, a frustração crescendo no peito.

— E se ela não estiver? E se eu estiver errado todos esses anos, esperando por um sinal que nunca vai chegar? Eu não posso deixar a matilha sofrer por causa das minhas crenças. Não posso decepcioná-los.

Xavier ficou em silêncio por um momento. Afinal, ele era filho de uma humana transformada em lobisomem, um fato que sempre o diferenciara. A transformação da mãe era um lembrete constante de que o destino nem sempre era puro, nem sempre era limpo.

— Sabe — Xavier começou —, eu nunca tive o luxo de esperar o destino vir até mim. Minha mãe era humana antes de se transformar e, por causa disso, eu sempre soube que, às vezes, você precisa fazer o seu próprio caminho. Talvez seja isso que você precise fazer, Damien.

— Talvez — Damien admitiu. — Talvez esteja na hora de eu parar de esperar. Mas que eu seja amaldiçoado se eu me contentar com menos. Se eu a encontrar, ela será tudo o que a Matilha do Luar precisa. Forte. Pura. Uma verdadeira Luna.

A voz de Magnus foi firme ao ecoar o sentimento.

— Então vamos encontrá-la, Alfa. Esta noite. Chega de esperar.

Damien avançou mais uma vez, conduzindo a matilha pela floresta. Ele honraria a Deusa da Lua, mas também honraria a Matilha do Luar.

Esta noite seria a noite, de um jeito ou de outro.

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