Capítulo 5: Little Wolf
Ponto de vista de Damien
Nos braços de Damien, Meredith se sentia como um filhote recém-nascido — macia, frágil e inteiramente dependente dele. Só de pensar que teria de dividir sua companheira, sua Luna, com Xavier e Magnus, ele rangia os dentes. Mas a Deusa da Lua havia escolhido esse caminho para eles e, embora seus instintos quisessem reivindicá-la por completo, só para si, ele sabia no fundo que isso era melhor do que não ter nada. Afinal, eles eram irmãos em tudo, menos no sangue, e, se tinha de dividir, ao menos seria com eles.
Um grito agudo arrancou Damien dos próprios pensamentos. Ele sentiu uma onda de necessidade primitiva subir por dentro. Seu pau latejava, dolorido, e ele não queria nada além de rasgar os últimos restos de roupa dela, de possuí-la ali mesmo, no chão frio e duro, de marcá-la de todas as formas possíveis. Mas Damien não era um selvagem. Era um Alfa, e esse título vinha com a responsabilidade do autocontrole. O aperto em torno dela se intensificou, mas ele se obrigou a manter o domínio.
Não hoje, lembrou a si mesmo.
Após um momento de silêncio tenso, Damien chamou Xavier.
Xavier deu um passo à frente, posicionando-se atrás de Meredith, que ainda tremia nos braços de Damien. Com um gesto suave, porém possessivo, Xavier juntou o cabelo sedoso dela na mão, puxando-o para trás o suficiente para expor a curva delicada do pescoço. Seu hálito quente queimou contra a pele dela quando ele se inclinou. Sem hesitar, cravou os dentes na carne macia logo abaixo da orelha, deixando sua marca ao lado da de Damien.
O grito de Meredith cortou a escuridão, agudo e cru. O som atravessou Damien como um choque; ele sentiu a agonia dela como se fosse sua. Agora, a dor dela era a dor dele — e era insuportável.
Movido pelo instinto, a mão de Damien deslizou pelo corpo dela. A palma quente encontrou a parte inferior do tronco, subindo devagar até alcançar o peito. Ele envolveu um dos mamilos inchados, os dedos roçando a carne sensível. O cheiro da pele suada, a maneira como o corpo dela respondia ao toque — era intoxicante. O gemido reprimido foi tão doce que fez Damien vibrar por inteiro.
Ele conseguia sentir o desejo de Xavier atrás dela, a forma como as mãos dele foram tomar o outro lado do peito, espelhando os movimentos de Damien.
Xavier se aproximou do ouvido dela. “Esse é um dos nossos serviços que você pode pedir à vontade”, murmurou. “Você não gosta?”
O corpo de Meredith se retesou. O gemido dela, embora abafado, foi toda a resposta de que Xavier precisava. Damien sentiu o coração dela martelando contra seu peito, a batida acelerada ecoando a dele. Era como se as almas começassem a se entrelaçar, e as sensações compartilhadas agora corressem por todos eles.
— Magnus — chamou Damien, rouco. — Sua vez...
Magnus hesitou por um instante, os olhos presos à forma trêmula de Meredith. Deu um passo à frente, cuidadoso nos movimentos ao se aproximar do lado dela.
— Só confia na gente — ele sussurrou, tentando aliviar a dor estampada no rosto dela. Seus lábios roçaram a têmpora de Meredith, enquanto seus dedos seguiam a curva de sua barriga exposta, oferecendo o pouco de conforto que podia. — Você nunca mais vai ficar sozinha.
Damien e Xavier deram um passo para trás, dando a Magnus o espaço de que ele precisava. Embora fosse o mais jovem entre eles, o menos experiente, havia nele uma crueldade que às vezes lutava para controlar. A fera dentro dele rosnou, mas Magnus foi cauteloso. Tinha medo da própria força. Suas presas já haviam aparecido.
Ainda assim, apesar do impulso primitivo de reivindicá-la, Magnus hesitou. Meredith era frágil, apenas uma humana. Era a companheira deles, sim, mas também era vulnerável. Marcá-la naquele estado debilitado talvez fosse demais para ela suportar.
Damien, percebendo a hesitação de Magnus, sustentou seu olhar e assentiu devagar, num gesto tranquilizador. Xavier fez o mesmo, oferecendo incentivo em silêncio. Todos conheciam as consequências de adiar a marca final. Isso tornaria o vínculo instável, incompleto. Magnus precisava terminar o que haviam começado, mesmo que doesse fazer aquilo.
Respirando fundo, Magnus se inclinou sobre Meredith, o coração martelando no peito. Ele sentia o tremor dela sob seu toque. A contragosto, pressionou os lábios do outro lado do pescoço dela, no ponto em que sua marca completaria a tríade.
— Me desculpa — Magnus sussurrou, antes de suas presas afundarem na carne macia dela.
Meredith arquejou; a fisgada aguda da mordida lançou choques eletrizantes por todo o seu corpo. Mal teve tempo de processar a dor quando Damien capturou seus lábios num beijo apaixonado, abafando o grito que ameaçava escapar. Seus olhos, semicerrados e cheios de confusão, encontraram os de Damien.
Quando Magnus retirou as presas, selou rapidamente o ferimento com uma lambida suave, completando o vínculo.
— Me desculpa — Magnus repetiu ao recuar, o coração pesado com o peso do que tinham feito. Ele a havia marcado, assim como Damien e Xavier, mas a culpa permaneceu. Queria protegê-la, poupá-la de mais dor, mas sabia que não havia volta agora.
Meredith ficou nos braços de Damien, respirando em arquejos curtos.
— Você é oficialmente nossa agora, Meredith — Xavier sussurrou contra os cabelos dela. — E vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para manter você segura, por quaisquer meios necessários.
O corpo desfalecido de Meredith pendia, mole, nos braços musculosos de Damien. O coração dele se apertou ao encarar o rosto pálido dela, os olhos fechados, o peito subindo e descendo em respirações rasas.
— Precisamos nos mexer — murmurou Xavier, quebrando o silêncio pesado enquanto seus olhos vasculhavam o entorno em busca de qualquer ameaça imediata.
— Ela está pegando fogo — acrescentou Damien.
Magnus assentiu, cauteloso.
— Parece que a transição finalmente começou.
Damien ajeitou Meredith nos braços.
— Vamos levá-la até o rio Musk — disse ele. — Limpar ela antes de voltarmos.
Magnus se aproximou. “Eu vou carregá-la, Alfa…” Sua voz era suave, quase suplicante, como se precisasse se redimir pela dor que havia causado a ela.
Por um instante, Damien hesitou. Então passou Meredith com cuidado para Magnus, que a acolheu nos braços como se ela fosse a coisa mais delicada do mundo.
Os três homens seguiram em direção ao Rio Musk, com os sentidos em alerta e os instintos guiando-os pela mata fechada. O murmúrio suave do rio chegou aos ouvidos deles antes mesmo de a água entrar em seu campo de visão. A luz da lua se filtrava entre as árvores, dançando na superfície.
Magnus deitou Meredith com cuidado na grama macia ao lado da margem, o corpo dela ainda tremendo com o calor da transformação iminente. As roupas estavam rasgadas, manchadas de sangue e lama.
— Rápido — Damien insistiu, ajoelhando-se ao lado dela. Ele sentia o calor irradiando do corpo de Meredith, o rubor febril que se espalhara por suas bochechas. A transição estava acontecendo mais depressa do que qualquer um deles tinha previsto, e precisavam agir rápido.
Xavier se juntou a Damien e, juntos, retiraram com delicadeza os restos das roupas rasgadas. Magnus entrou no rio, juntando água fria nas mãos em concha antes de voltar para o lado de Meredith. Com cuidado, começaram a lavar a sujeira e o sangue, as mãos se movendo o mais suavemente que conseguiam.
Meredith se mexeu um pouco, e um gemido baixo escapou de seus lábios. O coração de Damien se apertou ao vê-la, com os instintos rugindo para protegê-la, para poupá-la de qualquer dor.
— Ela vai ficar bem — murmurou Xavier, mais para se tranquilizar do que a qualquer outro. A mão dele passou pelos cabelos castanhos de Meredith.
Damien assentiu, embora seus olhos não deixassem o rosto dela.
— Precisamos mantê-la fresca. O rio deve ajudar nisso. — Ele pegou mais água, espalhando-a com cuidado sobre ela.
Os momentos se passaram em silêncio, e os únicos sons eram o respingo suave da água e o farfalhar das folhas ao vento. Os três trabalharam juntos, concentrados inteiramente em Meredith.
Depois de limpá-la o melhor que puderam, Magnus rasgou a camisa de Meredith e a colocou sobre ela, cobrindo seu corpo nu. Damien notou o brilho tênue das marcas na pele dela. Sabia que a transformação logo estaria completa e que ela se tornaria uma deles.
— Precisamos voltar para a clareira — disse Damien, erguendo-se. — A carruagem vai estar esperando.
Xavier concordou com a cabeça, e Magnus ergueu Meredith nos braços outra vez, aninhando-a contra o peito enquanto começavam a caminhada de volta pela floresta.
As sombras se adensaram à medida que se afastavam do rio. De repente, os instintos de Damien se acenderam, e ele captou o mais leve rastro de algo fétido. Parou de supetão, erguendo a mão para sinalizar aos outros que parassem.
Xavier e Magnus se retesaram, os olhos se estreitando enquanto vasculhavam os arredores.
— Renegados — sibilou Damien.
O fedor agora era inconfundível — o cheiro de bestas selvagens que haviam perdido a própria humanidade.
Furtivamente, os renegados emergiram da escuridão, com os olhos brilhando de fome feroz. Cercaram os três homens, seus rosnados ecoando entre as árvores. Mas não era Damien, Xavier ou Magnus que eles queriam. Toda a atenção deles estava voltada para Meredith, o cheiro de sua transformação atraindo-os como mariposas para a chama. Eles podiam sentir sua fraqueza, e isso os enfurecia.
— Eles estão atrás dela — sussurrou Magnus, apertando Meredith com mais força e protegendo-a com seu corpo imenso enquanto os renegados se aproximavam lentamente.
Os olhos de Damien flamejaram quando seu lobo veio à tona.
— Eles não vão tocar nela — rosnou. — Nunca.
Xavier deu um passo à frente, o corpo tenso e pronto para lutar.
— Vamos acabar com eles. — Ele sorriu de lado. — Sem piedade.
As mandíbulas dos renegados estalaram quando eles avançaram, mas Damien, Xavier e Magnus estavam prontos, com instintos afiados por anos de batalha. A floresta explodiu em caos quando a luta começou.
As garras de Damien rasgavam a carne, despedaçando qualquer renegado que ousasse se aproximar de sua Luna. Xavier se movia com rapidez.
— Seus merdas sem cérebro…
Enquanto isso, Magnus permaneceu logo atrás, envolvendo Meredith por completo para protegê-la. Mas os renegados eram implacáveis. Arranhavam e mordiam, forçando passagem desesperadamente. Mais deles emergiam das sombras, os olhos fixos em Meredith.
Damien sabia que eles não conseguiriam resistir para sempre — não com tantos inimigos, não com Meredith ainda inconsciente e com os três já exaustos.
— Temos que tirá-la daqui! Agora! — gritou Damien.
Xavier assentiu.
— Eu vou cobrir vocês. Levem ela para um lugar seguro!
Magnus não precisou ouvir duas vezes. Apertou Meredith nos braços e disparou em direção à clareira. Damien e Xavier bloquearam o caminho dos renegados com seus corpos enormes.
Magnus sentia o corpo de Meredith ficar cada vez mais quente em seus braços, sua respiração fraca e superficial. Mas eles estavam perto. A carruagem já estava ao alcance. Com uma última explosão de velocidade, Magnus rompeu por entre as árvores e chegou à clareira.
Ele correu até a carruagem, abriu a porta e colocou Meredith lá dentro com cuidado. Meredith estava encharcada de suor. Magnus afastou uma mecha de cabelo do rosto dela com dedos trêmulos.
— Estamos quase lá, Lobinha — sussurrou.
Um rosnado repentino rasgou a noite. Magnus se virou num movimento rápido e viu um renegado saltando em sua direção, mas, antes que pudesse alcançá-lo, um borrão de movimento o lançou contra o chão.
Damien ficou de pé sobre o renegado caído, o peito arfando.
— Entre na carruagem, Magnus — ordenou.
Magnus assentiu e entrou rapidamente, acomodando-se ao lado de Meredith. Damien e Xavier, machucados e cobertos de hematomas, vieram logo em seguida.
Assim que todos entraram, a carruagem arrancou para a frente, com os cavalos galopando em velocidade máxima. Magnus, Damien e Xavier soltaram suspiros enquanto os uivos dos renegados desapareciam à distância.
