E Se Eu Te Beijar?

E Se Eu Te Beijar?

nalva40martins · Concluído · 230.9k Palavras

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Introdução

Cristopher Ávila é o filho mais velho de Daniel Ávila e ainda muito jovem sofreu a sua primeira decepção amorosa. Isso o fez tomar a decisão de ir estudar fora do país e mesmo após se formar, Cris decidiu morar de vez nos EUA. Contudo, ele não contava em conhecer a Jennifer Reinhold, uma jovem estudante de medicina a quele ele deverá monitorar durante o seu curso.
Jenny apesar de muito jovem tem um passado difícil e ela usa o seu curso e as várias horas de trabalho apenas para ocupar a sua mente. Entretanto a moça é um tanto destrambelhada e costuma tropeçar em tudo que ver pela frente.
Ele é determinado, inteligente e lindo.
Ela é insegura, imatura e divertida.
Ele precisa curar o seu coração e ela só precisa de um pouco de carinho e autoestima.
Entre provocações, situações hilárias, momentos de ternura e uma atração impossível de ignorar, as barreiras de Chris começam a ruir. E, enquanto ele aprende a abrir o coração novamente, Jenny descobre que talvez seja digna de ser amada exatamente como é.
Mas duas pessoas tão diferentes conseguem transformar suas feridas em um amor capaz de durar?
Um romance dramático, divertido e quente, onde cada página prova que o amor pode encontrar você mesmo quando você já desistiu dele.

Capítulo 1

Jenny

Conhecendo meu chefe.

— E não se esqueça, Jenny, você é uma garota linda, é muito gostosa e maravilhosa. Ah, e tem que arrumar um homem para você. O hospital Mont Sinai é o melhor lugar para fazer isso. — Amber resmunga um tanto animada enquanto arruma o laço da minha blusa cor de rosa.

— Amber, pelo amor de Deus, é meu primeiro dia no hospital e eu estou atrasada! E você está me dando conselhos amorosos? Isso não cai bem! — rosno exasperada, mas ela acha graça.

— Não se preocupe, vai dar tudo certo, amiga! — Ela fala tranquila, porém, suspiro e me viro para sair do quarto. Na sequência bato bruscamente na quina da minha cama.

— Ai, droga! — rosno com um gemido dolorido. — Eu não tenho tanta certeza disso — retruco malcriada. — Foi por causa desse meu jeito atravessado que fui expulsa do projeto do outro hospital, se lembra? — reclamo alisando o local da pancada que deixou minha pele avermelhada e saio do quarto em seguida.

— Bom, eu vou ficar bem aqui torcendo por você. — Minha amiga fala, fazendo figuinha com os dedos. Contudo, resolvo não a contestar.

— Eu te amo! — Solto um beijo no ar para ela e saio do nosso apartamento apressada.

Amber Parker é uma boa amiga. Na verdade, ela é maravilhosa. Nos conhecemos há cerca de três anos aqui mesmo na faculdade, embora pareça que nos conhecemos desde sempre. Ela estuda medicina fetal e eu faço pediatria obstetrícia. Já no primeiro dia de aula essa garota se aproximou de mim e do nada começou a falar pelos cotovelos, e desde então, não nos largamos mais. Hoje dividimos um apartamento pequeno, porém, aconchegante, mas devo dizer que amo o nosso espaço. Vamos voltar para a Amber. Ela é uma garota exuberante, é bem sexy e muito linda também. Perto dela me sinto como o Patinho Feio da história infantil. Sem falar que ela é tão alta que me faz sentir uma anã perto dela.

— Bom dia, coisa linda!

— Bom dia, Senhor Marck! — digo para o porteiro e vou direito para a garagem do meu prédio.

Oh, só pra você saber, eu tenho algumas manias e uma delas é colocar nomes nas coisas. Então não se assuste se ouvir chamar o meu Mustang, um carro da década de 60 pelo seu nome de batismo. Na verdade, ele pertenceu ao meu avô e passou para o meu pai, e agora é todinho meu. Penso satisfeita, abrindo a porta do motorista para me acomodar no banco do motorista. No ato, largo a minha bolsa no banco do carona e levo a chave na ignição. Respiro fundo e me preparo para ouvir o ronco do seu motor, mas ele se engasga logo na primeira tentativa.

Relaxe, isso é normal.

Todos os dias o Kinder-Ovo, como costumo chamá-lo carinhosamente tem sempre uma surpresa para mim. Portanto, apenas bufo e tento outra vez.

E voilá!

— Droga, você está com quase dez minutos de atraso, Jenny e esse trânsito não está ajudando muito! — ralho para ninguém em especial e fito a imensa fila de carros parados na minha frente. No entanto, resolvo repassar a minha lista de recomendações repetidas vezes dentro da minha cabeça.

Por favor, não tropece, não fale asneiras, mantenha o foco e não durma durante o trabalho. Jen, pelo amor de Deus não durma no trabalho!

— Ok, estou surtando! — ralho soltando uma respiração alta e para não sufocar nos meus anseios, abro a janela do carro e permito o vento passar. — Que droga, eu sabia que não devia ter saído na noite passada para comemorar com a Amber. Agora estou aqui ponderando dormir em algum momento do meu serviço e isso quer dizer que posso ser expulsa de mais um projeto hospitalar em tempo recorde. Um dia de trabalho. Um dia...  — rosno, porém, sou despertada pelo som estridente das buzinas atrás de mim, só então percebo que o sinal vermelho já está verde e que a fila de carros na minha frente já sumiu de vista.

Puxo outra respiração e meto o pé no acelerador.

Entretanto, antes que eu consiga sair do lugar um motorista atrevido passa por mim, xingando toda a sorte de palavrões. Nervosa, apenas bufo alto e corro para o Mont Sinai, o hospital-escola onde faço algumas aulas práticas do meu curso.


— Meia hora de atraso! Meia hora de atraso! — repito, enquanto ando com passos largos para dentro do hall. — Isso é tão absurdo, Jenny Reinhold! Logo no seu primeiro dia? — ralho em um misto de nervosa e ansiosa, e paro bruscamente no meio do imenso salão movimentado sem saber exatamente para onde ir.

— Está procurando a sala dos novatos? — Alguém inquire do meu lado.

— Ah, sim.

— Fica atrás das portas largas de vidros, mas se eu fosse você corria, pois eles já começaram.

— Ah, ok! Obrigada! — Apresso os meus passos outra vez, passado pelas portas e encontro alguns residentes devidamente fardados e recebendo algumas instruções para o dia. — Com licença! — peço baixo, mas um tanto exasperada, tentando me encaixar entre eles e finalmente consigo respirar aliviada.

—Jennifer Reinhold? — Escuto o instrutor chamar o meu nome e ergo a mão para ele. — Você trabalhará com o doutor Christopher Ávila. — Ele informa chamando o próximo aluno e eu assinto, arrastando os olhos entre as pessoas a procura tal Ávila. Assim que a chamada é encerrada, todos se espalham por todos os lados, porém, continuo parada no meu lugar como uma patativa sem saber realmente o que fazer e nem para onde ir.

— O que está fazendo aqui ainda, Reinhold?

— Ah, é que... eu não... — gaguejo olhando para todas as direções e depois para ele. — Desculpa, você é?

— Sou o doutor John Thompson e você ainda não me disse por que ainda está aqui?

— Claro, é que eu... enfim. É a primeira vez que eu estou aqui e eu... ah, eu... eu não sei para onde ir e... e... não faço ideia de quem é o doutor Ávila... — Paro de falar bruscamente quando vejo alguém andar com passos firmes na nossa direção e o meu cérebro praticamente grita:

O quê que é isso?

Sério, mesmo com passos tão firmes o homem parece não pisar no chão. Puxo a respiração, porém, não consigo soltá-la, pois ela ficou retida dentro dos meus pulmões.

Céus, ele é tão... imponente e tão seguro de si, e ele é... lindo, muito lindo!

Céus outra vez. Como posso descrevê-lo? Vejamos.

Lindo, muito lindo, mas acho que já falei isso. Ah e ele é... alto, é moreno e... forte, muito forte. Não, ele é másculo, isso ele é másculo. Deu para perceber isso mesmo usando um jaleco branco. O médico tem o corpo malhado, gente e ele é... delicioso! Avidamente os meus olhos correm para os seus cabelos.

Ai, ai!

Que vontade de tocar nesses fios escuros e lisos, caídos em sua testa apenas para arrumá-los no seu devido lugar. Suspiro. Eles devem ser macios e sedosos. Ai, minha virgem santinha! Rogo quando o homem ergue a sua cabeça e me deparo com lindos olhos puxados e escuros. No fim, ele abre um sorriso do tipo que ensopa as calcinhas alheias. É, eu sei por que a minha acabou de ficar assim, totalmente estragada. Contudo, retribuo o seu gesto abrindo um sorriso largo para ele, mas acabo descobrindo que esse sorriso não foi direcionado a mim exatamente.

— Bom dia, John! — O médico diz, soltando um som voz grave e levemente rouco na voz, apertando a mão do seu amigo.

— Bom dia, Chris!

Cris?

— Estou procurando pela minha residente, ela não apareceu no setor e eu tenho um atendimento de emergência agora. — Ele diz e o doutor John aponta para mim com certo descaso, interrompendo o seu amigo.

Oh, esse é o tal Ávila? Oh céus, estou lascada!

Penso quando descubro de uma forma desconcertante que o tal gostosão em pé na minha frente será o meu instrutor. Ou seja, ele é o meu chefe. Em resposta, o doutor Ávila fica sério e me encara duramente. Então percebo que ainda estou sorrindo para ele feito uma louca alucinada, praticamente babando no gostosão... digo, no meu instrutor e rapidamente me forço a engolir o meu sorriso.

— Senhorita Jennifer Reinhold? — Faço sim para ele. — Ótimo, eu sou o doutor Christopher Ávila.

— É... um prazer, doutor! — Lhe estendo a minha mão. — Eu me chamo Jennifer Reinhold e serei a sua... residente.

Que droga, Jenny você está repetindo o que ele acabou de falar, sua estúpida!

Rosno mentalmente e para a minha frustração não ganho um aperto de mãos, porque ele simplesmente ignorou a minha mão estendida e olhou para o relógio no seu pulso.

— Você está com quarenta e cinco minutos de atraso, senhorita Reinhold — Ele cobra, mas não de um jeito rude ou algo assim. De alguma forma isso me deixa confortável.

— Me desculpe, é que o trânsito estava horrível! — falo tentando alcançar os seus passos largos.

— Tente sair mais cedo de casa, Senhorita Reinhold, estamos aqui para salvar vidas e o tempo não para nesse lugar.

— Claro, doutor Ávila! — O médico aperta o botão do elevador e logo estamos dentro dele.

— Venha, temos muito trabalho pela frente. — Ele diz assim que as portas se abrem e um corredor largo, e movimentado se projeta na minha frente. Respiro fundo e repito a mesma ladainha mental de sempre.

Não tropece, Jenny, não tropece, por favor!

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