ELA NÃO É MINHA COMPANHEIRA

ELA NÃO É MINHA COMPANHEIRA

Rinna Rinnaa · Atualizando · 124.3k Palavras

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Introdução

ELA NÃO É MINHA COMPANHEIRA
"Ela é humana", desta vez seu pai falou.
"EU SEI DISSO", o puro poder e a dominância de sua aura me fizeram ajoelhar. Seu corpo estava tenso como uma mola ferida pronta para estourar.
"Ela não vai ser minha companheira, apenas minha reprodutora", ele continuou.

"Reprodutora?", meus olhos agora estavam do tamanho de pires. Eu sabia o que ele queria dizer. Sexo, não amor, e se eu der à luz, serei inútil para ele.

Capítulo 1

PONTO DE VISTA DE ELENA

— Entra na formação direito! — a voz de Justin ecoou pelo campo de treinamento. — Você tá muito lenta, Elena! — Ele disparou mais um comentário negativo contra mim, pela centésima vez naquela noite. Eu estava me saindo melhor que a maioria, mas ele continuava criticando cada movimento que eu fazia. A raiva pulsava no meu corpo enquanto eu me esforçava pra ir mais rápido, mas não conseguia.

— Mais rápido, Elena! — Ele continuou gritando enquanto eu corria, e dessa vez me arrependi de ter entrado nessa. Eu só decidi correr por causa da minha melhor amiga, Cassie. Ela era modelo e fazia isso toda noite. Sempre corria com pessoas diferentes no campo pra se manter em forma. Como amiga, eu sempre acompanhava ela, fazia os treinos, e até aí tudo bem. Mas hoje, tarde demais, descobri que o meu ex-namorado, Justin, era quem estava atuando como nosso técnico.

Tentei correr de novo, embora ouvisse sussurros e risadinhas atrás de mim. Todo mundo se perguntava por que ele só gritava comigo. Ninguém sabia que ele era meu ex. "Droga, cansei disso", pensei, me dando um tapa mental na testa quando ouvi ele gritar comigo de novo. Eu nem trabalhava em uma agência de modelos, então tudo isso era inútil pra mim.

— Chega de correr — murmurei, decidida a não aguentar mais essa palhaçada. Pelo menos não daquele idiota. Era óbvio que ele estava pegando no meu pé só porque eu terminei com ele. Parei de repente, sem ousar olhar pro rosto dele, e comecei a sair do campo. — ELENA! — A voz dele soou cheia de raiva, mas eu não tava nem aí. Já tinha dado. Eu vim em paz, mas agora as coisas tinham azedado.

Antes que eu conseguisse sair do campo, vi Cassie, minha melhor amiga, vindo rápido na minha direção. — Elena! — ela me chamou alto, tentando me alcançar. — Desculpa, eu não sabia que ele ia ajudar o técnico Peter — explicou, ofegante, enquanto recuperava o fôlego. — Tudo bem, tá tarde, vamos pra casa — respondi, sem interesse.

— Vamos, mas o John vai dormir lá em casa — disse ela, enquanto ia pro vestiário. — Não me importo — dei de ombros. John era o namorado dela, e eu não ligava. Saindo do campo, tomei um banho rápido e fui pra cama, deixando espaço pra Cassie e o namorado dela. Eu já tava exausta e precisava descansar.


— John, aí, caramba! — gemi e rolei pro outro lado da cama. Tentei dormir de novo, mas os gemidos ficaram ainda mais altos. — Sim, eu vou gozar, tô gozando... — Os gritos ficaram mais intensos. — Puta que pariu, meu Deus! — Achando insuportável, finalmente pulei da cama. Meu sono já tinha ido pro espaço.

Saí do quarto rápido e fui pra cozinha, mas ainda dava pra ouvir os gemidos. Fechei a porta da cozinha e tentei me convencer que era normal minha colega de quarto e o namorado dela transando, mas mesmo assim era insuportável. — Tá bem, tá bem, tudo certo — murmurei pra mim mesma antes de beber um copo d’água.

Depois de colocar o copo na bancada, fui e me sentei no canto da cozinha. Com a minha situação atual, era melhor ficar com uma pessoa intrometida do que dormir nas ruas frias. Eu não tinha dinheiro pra alugar meu próprio apartamento, então agora tinha que aguentar os barulhos de sexo deles.

Sentada no chão, tentei não dormir, mas enquanto pensamentos sobre minha vida passavam pela minha cabeça, senti o sono me dominando aos poucos. Eu sabia que de manhã acordaria com o pescoço doendo, mas não ligava. Era melhor que minha vida anterior. Eu costumava dormir em chão de cimento frio até que Cassie, minha colega de quarto, teve pena de mim e me chamou pra morar com ela.


A manhã chegou rápido demais e, assim que a luz entrou pela janela da cozinha, levantei do chão de uma vez. — Ai! — Estiquei o pescoço e subi as escadas. Ao entrar no quarto, fui direto pro banheiro e tomei um banho rápido. Depois de me secar, vesti minha calça jeans de cintura baixa e uma camiseta preta. Elas eram tão velhas que até a estampa na frente tinha sumido completamente.

Saí do banheiro com tudo pronto, mas, ao caminhar direto para a sala de estar, meus olhos se fixaram nos pombinhos apaixonados. Eles estavam abraçados no sofá, sussurrando um para o outro em tons baixos e sorrindo. Vê-los assim trouxe uma pontada no meu peito. Não era por ciúmes. Eu só queria encontrar alguém carinhoso como a Cassie encontrou, mas, infelizmente, o amor não parece ser pra mim. Todos os caras simplesmente me ignoram.

— Tá precisando de algo, Elena? — A voz da Cassie me tirou dos meus pensamentos enquanto eu estava perdida neles.

— Vocês podiam ter se segurado um pouco antes de partirem pra isso até eu sair — retruquei, fingindo estar brava. Ela não era só minha colega de quarto, mas também minha melhor amiga, então eu não me importava de vê-la curtindo a vida.

— Eu tentei, Elena, juro, mas as conversas picantes me deixaram toda arrepiada — ela ronronou, e eu fingi um nojo.

— Argh, que tipo de melhor amiga é essa? Logo, logo eu arrumo um namorado também — respondi, e ela me mostrou a língua em resposta.

— Para de duvidar de si mesma. Aliás, o café da manhã já tá na cozinha — retruquei.

— Tenha um bom dia — ela acenou pra mim, e então eu saí de casa bufando.

Fora de casa, segui até a rua pra pegar o ônibus no horário. Depois de embarcar, tirei o celular do bolso e comecei a rolar a tela, olhando algumas músicas românticas lentas. Escolhi uma da Selena Gomez, encostei a cabeça no assento e relaxei. Durante todo o trajeto, fiquei em silêncio, olhando pela janela enquanto ouvia a música.

Continuei observando as diferentes pessoas e árvores que passavam borradas enquanto o ônibus avançava. Havia alguns caras bonitões que eu até gostava, mas, infelizmente, eu não era nada pra eles. Quando o ônibus parou, desci rapidamente e segui em direção à empresa Evervess. Caminhei mais depressa até a fila de segurança, mostrei meu crachá e entrei apressada.

Peguei o elevador até o segundo andar e fui ao banheiro. Troquei de roupa rapidamente, vestindo uma camisa branca e uma saia lápis preta que terminava logo acima dos joelhos. Eu tinha conseguido um emprego na empresa Evervess recentemente e, por algum motivo, adorava trabalhar lá.

Me olhei no espelho, respirei fundo e corri pro meu lugar atrás da mesa.

— Atrasada de novo? — Assim que me sentei, a voz da minha chefe cortou o silêncio do corredor.

— É, só acordei pras mesmas rotinas matinais de sempre — respondi, enquanto caminhava até o escritório dela. Fui sem medo, porque Rachel, minha chefe, era uma boa amiga. Eu trabalhava como assistente dela há quase cinco meses, e ela confiava em mim. Não ganhava muito, mas ainda assim gostava do emprego.

— Bom dia — cumprimentei assim que entrei no escritório dela, que exalava luxo.

— Bom dia também — ela me deu um leve aceno com a cabeça e fez um gesto pra eu me sentar. Sentei com cuidado enquanto a observava falar com alguém ao telefone. Ela conversou por um bom tempo até que se virou pra mim com uma expressão frustrada.

— Qual é o problema, dona Rachel? — perguntei em voz baixa.

— Preciso de um favor, Elena — ela disse, também em tom baixo.

— Claro, pode falar — respondi, prestando atenção.

— Você sabe que nosso chefe, o Sr. Spencer, vai se aposentar. Ontem, na reunião, ele nos informou que o filho mais velho dele, Nelly, vai ser o novo CEO — ela explicou.

— Que legal — respondi com um sorriso no rosto, porque isso não me incomodava.

— Não é nada legal. Ele vai chegar aqui em uma hora, e você vai ser a assistente pessoal dele — Meus olhos se arregalaram ao ouvir isso. — Ele é bem duro, pra ser sincera, mas você foi a primeira assistente que me veio à mente — ela continuou, e minha boca se abriu de incredulidade.

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