Capítulo 220 Entre o Silêncio e o DesejoEu estava ali, em frente a Isaías, na mesa onde acabávamos de compartilhar uma refeição simples, mas que, de alguma forma, nos uniu de uma maneira tão profunda que eu ainda não sabia como explicar. Os olhares trocados, o silêncio preenchido por uma tensão que não podia mais ser disfarçada, uma intensidade sutil que parecia crescer a cada segundo. Nossas carícias, nossos beijos estavam nos levando a algo mais. Era como se o ar tivesse ficado mais quente, e eu me dei conta de que não era só a comida que estava sendo digerida ali, mas algo mais profundo. Algo que ambos sentíamos, mas que até então não ousávamos dizer em palavras. Ele estava ali, tão perto de mim, os olhos fixos nos meus. Tudo o que eu precisava estava bem diante de mim: ele. E, naquele instante, foi como se o tempo tivesse desacelerado. Não havia mais nada ao nosso redor, a casa, a mesa, o jantar. Nada disso importava. Foi então que ele se aproximou ainda mais, seu movimento calmo, mas decidido. Eu podia sentir a tensão crescente entre nós, como uma corda prestes a estourar, mas algo em mim, no fundo, queria que isso acontecesse. Queria sentir o calor de sua pele, o toque de suas mãos, a suavidade de seus lábios. O desejo crescia, e eu sabia que ele também sentia isso. Era inevitável. Ele estendeu a mão até meu rosto, tocando minha pele com gentileza, como se quisesse se certificar de que eu estava realmente ali, com ele, naquele momento. Seus dedos deslizaram por meu pescoço, um toque suave, mas que incendiava minha pele. Eu fechei os olhos, sentindo a proximidade, ouvindo a batida acelerada do meu coração. Quando abri os olhos novamente, os dele estavam tão perto dos meus que eu podia ver cada detalhe, cada nuance daquele olhar que já me conhecia melhor do que eu mesma. — Alby... — a voz dele era grave, baixa, quase um sussurro, mas cheia de uma necessidade silenciosa que só nos dois entendíamos. Eu não disse nada. Não era necessário. Minha boca já estava em busca da dele. A conexão foi imediata. Nossos lábios se encontraram com urgência, mas também com uma suavidade inesperada, como se fôssemos dois corações que finalmente se reconheciam. O gosto dele era doce, e ao mesmo tempo, a tensão entre nós aumentava, se tornando palpável, quase insuportável. Ele me puxou para mais perto, suas mãos firmes, mas cuidadosas, me envolvendo pela cintura, me trazendo para seu corpo. Senti o calor dele, o seu cheiro, tudo o que era ele, agora tão próximo de mim, e isso me fez perder qualquer noção de tempo. Eu queria mais, queria sentir mais, queria me perder naquela sensação. Ele me deixou guiar o movimento, o ritmo de nossos corpos se encontrando de maneira natural, mas também cheia de uma urgência que não podíamos ignorar. Era como se o mundo inteiro tivesse desaparecido. Eu não sabia mais onde estava. Só sabia que estava com ele, e isso era tudo o que importava. O toque de suas mãos nos meus cabelos, o jeito como ele me puxava para mais perto, como se não quisesse me deixar ir, me fez sentir uma segurança que nunca imaginei sentir em outra pessoa. Os beijos se tornaram mais intensos, mais profundos, e eu não conseguia mais pensar em nada, apenas em como ele me fazia sentir viva, desejada, inteira. E quando suas mãos desceram, tocando minha pele de forma mais audaciosa, um arrepio percorreu minha espinha. Eu senti meu corpo inteiro reagir ao toque dele, cada fibra de mim respondendo a ele. Aquele momento, que parecia simples, se tornou tudo o que eu queria. Ele não precisava de palavras para me mostrar o que sentia. O calor, o desejo, a necessidade estavam em cada gesto, em cada suspiro. E, ao sentir seu toque, seu corpo, sua respiração, tudo o que eu queria era me perder ali, sem questionar, sem medos, sem reservas. Mas o tempo parecia continuar seu curso, e com isso, eu sabia que não poderíamos mais adiar o que já estava acontecendo entre nós. Não havia mais volta. E no fundo, eu sabia que era isso que eu queria. Era isso o que nós dois precisávamos. E, naquele instante, não havia mais dúvidas. Eu sabia que, por mais que o desejo estivesse em cada toque, em cada beijo, havia algo mais profundo ali. Algo que nos conectava de uma forma que não podia ser explicada. Algo que, de alguma forma, já estava escrito para nós. E, ao final, quando finalmente nos afastamos, ofegantes, as palavras ainda estavam longe. Não precisava delas. Eu sabia que tudo o que importava estava ali, entre nós, naquele momento. A paixão, o desejo, a entrega... E, mais do que isso, o começo de algo novo, algo que, mais cedo ou mais tarde, se tornaria muito mais do que apenas um momento de calor. Algo que se transformaria em algo real. Algo que ambos já sabíamos, mas que ainda não estávamos prontos para nomear.

Eu estava ali, em frente a Isaías, na mesa onde acabávamos de compartilhar uma refeição simples, mas que, de alguma forma, nos uniu de uma maneira tão profunda que eu ainda não sabia como explicar.

Os olhares trocados, o silêncio preenchido por uma tensão que não podia mais ser disfarçada, uma in...

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