
Equilíbrio de Luz e Sombra
Chandrea · Atualizando · 279.7k Palavras
Introdução
Mal sabia ela o quanto ambos os mundos precisam dela para trazer paz e verdadeira liberdade.
Capítulo 1
Ponto de vista da Heroína/Renegada
— Tiros!
Murmurei por entre os dentes quando os disparos distantes ecoaram pelas árvores. As folhas farfalharam acima de mim. Eu estava agachada em um galho, escondida no meio da copa. Podem ter me forçado a abandonar a matilha anos atrás, mas eles ainda são a minha família. Ainda são inocentes. Bom, a maioria.
Quando fugi pro mundo humano, treinei sem parar. Não pra atacar. Não pra defender. Só pra sobreviver. Mas, ao ouvir rumores de um Rei Alfa reivindicando o trono, o primeiro em duzentos anos, voltei pra avaliar a situação eu mesma.
Observo soldados de preto se movendo como sombras em direção ao complexo da matilha.
— Eles chegaram — sussurrei, apertando o cabo da minha lâmina. — Já não era sem tempo.
— Eles vão invadir o complexo — ouvi um dos membros da matilha Lua de Sangue dizer lá embaixo. — Ordem direta do Rei Alfa.
Dei um meio sorriso.
— Então o Rei finalmente se cansou de esperar convite.
Os soldados se espalharam, oito ficando do lado de fora enquanto um esquadrão entrava na casa da matilha. Desci sem fazer barulho, caindo em silêncio no chão, agachada atrás deles, com a lâmina pronta.
Crack. Um a menos. Tum. Dois a menos.
— Inimig—!
Tarde demais.
Girei, dei um chute, desviei de um soco desajeitado e enfiei o joelho na virilha dele. Caiu duro, como pedra.
— Lobos idiotas — murmurei. — Só músculo, nenhuma estratégia.
— Agarrem ela! — um rosnou.
Três vieram pra cima de mim. Dei um mortal pra trás por cima do primeiro, aterrissei em pé, varri as pernas do segundo, acertei o terceiro com a cotovelada.
— Caramba, a vira-lata é rápida!
Mais um avançou.
— Vocês não aprendem mesmo, né, garotos? — falei, abaixando do golpe dele e acertando um chute limpo na cabeça.
Então uma voz ecoou por todo o complexo.
— TODOS OS SOLDADOS, RECUEM.
Eles congelaram. Assim, na hora. Obediência enfiada no osso.
Fiquei ereta, com os olhos fixos na figura que surgia em meio ao caos.
Ele tinha presença. Comando. Um poder que parecia entortar o ar enquanto a voz dele ecoava como trovão.
— Eu sou o Rei Alfa Conrad. Esta matilha está sob investigação por maus-tratos e violação da Lei de Direitos dos Lobisomens. O Alfa Blake e a família dele serão levados para a matilha Lua Real e julgados por esses crimes.
Blake estava de joelhos, algemado com prata, ao lado da sua Luna e dos filhos. O lábio dele se curvou num meio rosnado quando me viu.
O rosto do Rei Alfa suavizou, e um pequeno sorriso passou pelos lábios dele.
— Isso foi bem impressionante. Então, quem é você?
— Ela é só uma cadela renegada qualquer — cuspiu Blake.
Crack. Um soldado deu um soco tão forte que a cabeça dele virou pro lado. Blake se encolheu no chão, choramingando.
Eu ri baixo.
— Ele não tá errado.
Os olhos de Conrad se estreitaram.
— Você lutou como uma guerreira treinada. Qual é o seu nome?
— Não ouviu? — dei de ombros. — Só uma cadela renegada.
O maxilar dele travou.
— Renegados não defendem matilhas. Eles as destroem pra ganhar poder e controle.
— Ah, é? — arqueei a sobrancelha. — Então por que você tá aqui?
— Eu vim pra proteger — ele disse, firme. — Trouxemos atendimento médico, comida. A sua matilha vai ser registrada e cuidada. Se não for encontrado um Alfa adequado…
— Você vai escolher um a dedo, obediente a você? — cortei.
— Eu não quero obediência — ele retrucou. — Eu quero estabilidade. Segurança.
— Pra lobos como a gente? — ri, gelada. — A gente nunca teve direitos. Não vem falar da sua lei preciosa pra mim.
Ele deu um passo lento na minha direção.
— Qual é o seu nome?
Rosnei de volta:
— Não tô interessada em criar laço, Vossa Majestade.
— Não tô aqui pra te dominar.
— Não? — provoquei. — Então por que se chama de Rei? Reis exigem obediência, não é?
A voz dele desceu de tom.
— Reis de verdade só querem lealdade e respeito.
Encarei-o sem recuar.
— Isso se conquista. Não se exige.
Uma rajada de vento passou por mim, carregando o meu cheiro direto até ele.
As narinas dele se alargaram. As pupilas se dilataram. O lobo dele veio à tona, brilhando no olhar dourado.
Ele cambaleou meio passo pra trás.
— Companheira.
Congelei.
Não. Nem ferrando.
Ele deu um passo à frente.
— Você… você é…
— Nem. Pensar. — rosnando, girei e disparei em direção às árvores.
— Espera!
Eu não esperei.
Subi num tronco num salto e fui de galho em galho, selvagem e rápida.
— Rastreiem ela! — ele gritou. — Não percam ela de vista!
Eu ouvi o pânico na voz dele, o comando de Alfa por trás das palavras.
Mas eu não estava ouvindo.
Eu não era dele.
Eu não era de ninguém.
E nunca mais seria prisioneira de ninguém.
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