Capítulo 4 Você é extremamente nojento
Jenna recuou, puxando a mão de volta como se tivesse se queimado. Uma onda de repulsa a invadiu.
— Eu já te falei... eu não vou. Vocês dois se divirtam. Não se preocupem comigo.
— Jenna! — a voz de Edward subiu, cortante. — Não força. A Jennifer veio até aqui só pra te convidar pessoalmente. É assim que você responde?
— Que nobre da sua parte. — Os lábios de Jenna se retorceram num sorriso amargo. — Me diz uma coisa, Edward. Coloca a mão no peito e me responde com sinceridade: ela veio mesmo aqui só pra me convidar? Ou você só precisava de uma desculpa conveniente pra esfregar ela na minha cara?
— Tá bom! Então não vem! — Edward não tinha nenhum interesse em continuar aquela discussão.
— Edward, espera... — Jennifer segurou a manga dele quando ele virou pra sair.
Ela deu um passo à frente, com uma expressão de desculpa dócil ao encarar Jenna.
— Jenna, eu sei que você pode ter alguns... mal-entendidos sobre mim. Mas eu e o Edward somos só amigos muito próximos. A gente cresceu junto — só isso. Eu voltei porque eu realmente quero que a gente se dê bem.
Ela estendeu uma caixinha de presente.
— Ontem, no hospital, eu acabei fazendo besteira. O presente foi meio de última hora. Então hoje eu fui lá e escolhi um colar pra você. Você gostou?
Jenna não pegou.
— Senhorita Garcia, não precisa tentar me agradar. Seja lá o que você e o Edward são um pro outro? Eu não me importo.
Ela se virou para Edward — o homem que ela tinha amado por cinco anos. Agora, ele parecia apenas um estranho. Uma piada.
Se ele nunca tinha amado ela, por que continuar fingindo?
— Edward — disse ela, calma — vamos nos divorciar.
A raiva no rosto de Edward congelou. Ele encarou Jenna, incrédulo.
— O que foi que você disse?
— Eu disse: vamos nos divorciar. — Jenna repetiu devagar. — Esses cinco anos... pra mim, deu. Eu tô exausta. Eu não quero continuar vivendo nessa casca vazia de casamento.
A expressão de Edward escureceu como uma nuvem carregada.
— Jenna, você acha que casamento é brincadeira? Acha que dá pra entrar e sair quando der na telha?
— Não é exatamente isso? — Jenna riu, seco, sem humor. — Pra você, esse casamento sempre foi uma obrigação que você foi forçado a cumprir. Você casou comigo porque sua mãe mandou. Agora eu tô te libertando. Você não deveria ficar feliz?
— Você... — o rosto de Edward ficou vermelho de fúria.
Ele nunca tinha imaginado que a Jenna doce e obediente pudesse ser tão afiada.
Jennifer se apressou em intervir, colocando uma mão no braço de Edward. A voz dela saiu baixa, apaziguadora.
— Edward, não fica nervoso. Tenho certeza de que a Jenna só tá falando com raiva.
Então ela alcançou a mão de Jenna, tentando puxá-la na direção de Edward.
— Jenna, casamento não é fácil. Por favor, não toma nenhuma decisão precipitada.
Jenna a encarou, gelada. Instantes atrás, quando ela tinha falado em divórcio, os olhos de Jennifer tinham brilhado de satisfação. Agora ela fazia aquele teatro meloso e enjoativo. Dava nojo.
Jenna tentou puxar a mão de volta.
Jennifer continuou, com a voz escorrendo de uma sinceridade falsa:
— Claro, eu sou só de fora. Isso é entre vocês dois. Eu não devia me meter. Eu vou embora... ai!
De repente, Jennifer cambaleou para trás, o tornozelo virando no salto alto. Ela caiu com força, indo ao chão com um grito agudo.
— Jenny! — Edward se lançou à frente, segurando-a antes que ela se espatifasse por completo no chão. Mesmo assim, Jennifer acabou sentada de um jeito desajeitado, com o joelho ralado, já ficando vermelho.
— Ai... — Lágrimas se juntaram nos olhos de Jennifer quando ela olhou para Jenna, a voz tremendo, magoada. — Jenna... eu sei que você não gosta de mim, mas... você não precisava me empurrar...
Jenna ficou paralisada.
Empurrar?
Jennifer tinha agarrado a mão dela primeiro. Jenna só tinha tentado se soltar — ela nem tinha feito força ainda.
— Eu não te empurrei — Jenna disse, fria.
— Jenna! — Edward explodiu.
Ele se agachou, ajudou Jennifer a se levantar e examinou com cuidado o joelho ralado. Quando olhou de volta para Jenna, os olhos dele ardiam de ódio.
— Eu nunca pensei que você descesse a esse nível. Ciúme, manipulação — e agora agressão? Olha pra você. Você é patética. Nojenta.
— “O que foi que você acabou de dizer?!” A raiva de Jenna explodiu, incandescente. “Você é cego? Eu não empurrei ela! Edward, aos seus olhos eu não acerto nunca, né? Pra você, eu sou só uma interesseira calculista que se enfiou nesta família usando a culpa da sua mãe. Não é isso que você pensa?”
— “E não é verdade?” Edward retrucou, frio. “Se não fosse pela dívida que eu tenho com a sua mãe, por que diabos eu teria me casado com você? Eu te dei o sobrenome Russell. Eu te dei uma vida de luxo. O que mais você quer? Agora a Jennifer voltou, e você fica tão ameaçada que começa com essas palhaçadas — me ameaçando com divórcio? Jenna, você me dá nojo.”
Mesmo já tendo enxergado quem ele era, o coração de Jenna ainda se retorceu de dor.
Então era isso que o casamento deles tinha sido. Caridade. Um favor que ele tinha feito pra ela.
Tudo o que ela tinha sacrificado. Tudo o que tinha aguentado. Todo o amor dela — pra ele, não passava de manipulação.
Jenna fechou os olhos e puxou um ar fundo, tentando se firmar, empurrando pra baixo a dor que arranhava o peito.
— “Edward”, ela disse baixo, escolhendo cada palavra, “você não precisa se decepcionar. Porque eu estou muito mais decepcionada comigo mesma.”
Ela endireitou as costas; a voz virou gelo.
— “Eu me decepciono por ter sido burra o bastante pra te amar por tantos anos. Eu me decepciono por, mesmo depois de ver a verdade, ainda ter me agarrado a uma fantasia ridícula. Mas acabou.”
Ela apontou com firmeza para a porta.
— “Você não me quer no seu mundo? Ótimo. Mas você não é bem-vindo no meu. Agora pega a sua amiguinha e cai fora da minha casa.”
Edward encarou Jenna, atônito.
Ele nunca tinha visto esse lado dela.
Não mais submissa. Não mais obediente. Jenna parecia um ouriço, toda eriçada — e, de algum jeito, aquilo doeu.
— “Sua casa?” Ele riu, amargo. “A família Russell não pagou por—”
— “Esta casa”, Jenna o cortou, seca, “foi deixada pra mim pela minha mãe. Então sai. Agora. Ou eu chamo a polícia.”
As palavras de Edward morreram na garganta.
Ela estava expulsando ele? Ameaçando chamar a polícia?
Por um instante, ele se perguntou de verdade se ela tinha enlouquecido.
Jennifer se apoiou em Edward, escondendo um sorriso presunçoso.
Que idiota, pensou ela. Quanto mais ela agir assim, mais ele vai odiá-la.
Jennifer puxou de leve a manga dele.
— “Por favor, não briguem por minha causa. Eu vou embora—”
— “Jenny!” Edward apertou o braço em torno dela por instinto. “Você se machucou. Eu vou te levar pro hospital.”
Ele amparou Jennifer com cuidado enquanto os dois seguiam até a porta.
Então ele parou. Virou-se e, com uma voz fria e definitiva, disse:
— “Sobre o divórcio... não vem chorando depois quando se arrepender.”
Jenna observou os dois saírem — tão próximos, tão íntimos — e não sentiu nada além de vazio.
Os lábios dela se curvaram num sorriso silencioso e amargo.
Só uma idiota se arrependeria disso.
Edward não olhou para trás. Conduziu Jennifer com cuidado até a porta.
Então o celular dele tocou.
Era a mãe dele.
Ele parou, franzindo a testa, e atendeu:
— “Mãe? Aconteceu alguma coisa?”
A voz de Samantha veio pelo telefone, calorosa e animada.
— “Edward, querido, traz a Jenna pra jantar aqui hoje. Pedi pra Mary fazer aquela sopa que vocês dois adoram. Faz tempo demais que vocês não aparecem.”
A testa de Edward se franziu ainda mais. Ele olhou de relance para Jenna.
— “Mãe, por que esse convite do nada?”
— “Ah, seu bobo”, Samantha riu. “Eu sinto falta de vocês dois. Eu preciso de motivo pra ver meu próprio filho e minha nora?”
— “Não, é que...” Edward hesitou. “O momento tá meio... conveniente.”
Enquanto dizia isso, os olhos dele se cravaram em Jenna — acusadores, desconfiados.
— “Você contou pra ela, não contou? Você tá usando a minha mãe pra me manipular.”
Jenna viu a acusação no olhar dele e sentiu uma nova onda de náusea.
Ele realmente achava que ela tinha corrido pra Samantha. Que estava usando a mãe dele como moeda de troca pra forçar ele a voltar atrás.
Inacreditável.
— “Tá bom”, Edward disse ao telefone. “A gente vai hoje à noite. Não se esforça demais, tá?”
Ele desligou e virou de novo para Jenna, a expressão pingando desprezo.
— “Feliz agora?” ele zombou. “Fala bonito sobre divórcio e depois corre chorando pra minha mãe no segundo em que eu não faço o que você quer. Tá usando ela pra me chantagear, é isso? Jenna, esse seu ciúme, essa sua manipulação — é ridículo. Você me enjoa.”
