Capítulo 6 Beije rapidamente, Jenny não pode esperar
O sofá estava vazio. Edward não estava em lugar nenhum.
Então… ele tinha carregado Jenna até a cama?
Isso queria dizer que ele realmente tinha aceitado dividir a cama com ela?
Com a cabeça cheia de perguntas, Jenna saiu do quarto. Quando chegou ao andar de baixo, viu que só Samantha estava lá. Samantha explicou que Edward tinha saído cedo para resolver uma urgência no escritório.
Um leve arco amargo se desenhou nos lábios de Jenna. Urgência? Soava mais como ele tinha corrido para ficar com Jennifer.
No momento em que ela voltou, Edward não quis saber de mais nada, nem mesmo da saúde de Samantha.
E, ainda assim, Samantha tinha feito Jenna prometer que não contaria nada a ele.
Com medo de Samantha notar algo estranho na expressão dela, Jenna terminou o café da manhã rapidamente e pediu licença.
Assim que saiu, o celular dela tocou. Era Becky. Era aniversário dela, e ela tinha convidado Jenna para jantar naquela noite.
Às sete, Jenna chegou ao Hotel Opal Moon.
Além de Becky, vários amigos antigos dos tempos de modelo já tinham se reunido.
No instante em que Jenna entrou no salão, aqueles rostos familiares vieram correndo até ela.
“Jenna! Quanto tempo! Ouvi dizer que você largou a carreira pra casar? Que pena, você era a que tinha mais potencial de todas naquela época!”
“É sério! Se você tivesse continuado, já era supermodelo internacional!”
As vozes zumbiam ao redor dela. Jenna respondeu com um sorriso educado, mas, por dentro, sentiu um vazio.
“É… Se eu não tivesse me casado com o Edward, o que eu seria hoje?”
Talvez ainda estivesse brilhando na passarela. Talvez estivesse vivendo o sonho.
Em vez disso, estava presa a um casamento sem amor, vivendo uma vida que parecia quase ridícula.
“Jenna, você tá bem? Você tá pálida.” A voz de Becky estava cheia de preocupação.
“Eu tô bem. Só cansada.” Jenna balançou a cabeça. “Vamos, vamos cortar o bolo.”
O jantar em si foi animado o suficiente.
As amigas fofocavam sobre o meio, reclamavam de clientes difíceis, riam alto.
Jenna ria junto, mas, por dentro, um peso apertava o peito dela.
Ela não conseguia evitar se perguntar o que Edward estaria fazendo naquele exato momento.
Ele estava com Jennifer? Sentado entre amigos, erguendo a taça em comemoração, sorrindo enquanto recebia as felicitações?
Ela repetiu mil vezes para si mesma que precisava deixar isso pra lá. Mas aquela dor sufocante não ia embora.
Com medo de estragar a comemoração do aniversário da Becky, Jenna se desculpou e foi ao banheiro, esperando que um pouco de ar ajudasse.
Ela jogou água fria no rosto, encarando o próprio reflexo por um longo tempo. Mas a sensação de vazio não sumiu.
Percebendo que tinha ficado tempo demais fora, decidiu voltar.
Ainda distraída, ela empurrou uma porta e congelou.
Música alta enchia o ambiente, quase ensurdecedora. Um coro de vozes se ergueu junto, empolgado.
“Beija! Beija! Beija!”
Jenna não estava prestando atenção. Tinha entrado na sala errada.
“Desculpa”, ela começou, recuando para sair.
Mas então o olhar dela varreu o lugar, e a respiração travou.
No centro do lounge privativo, Edward estava de braço em volta da cintura de Jennifer.
Ele se inclinava na direção dela.
“Vai, Edward! Você perdeu a aposta, então nada de arregão agora!”
“É! A Jenny tá esperando!”
“Beija! Beija!”
O coro ficou mais alto.
Edward soltou uma risadinha baixa, com a expressão tranquila, e se aproximou ainda mais.
Quando os lábios dele estavam prestes a roçar os de Jennifer, os olhos dele piscaram na direção da porta e pararam em Jenna.
Ele interrompeu o movimento na hora.
Jennifer se virou. Quando viu Jenna, foi depressa até ela e segurou a mão dela.
—Jenna? O que você está fazendo aqui? Não entende mal… a gente estava só brincando de Verdade ou Desafio. O Edward perdeu, então essa é a punição dele. É só uma brincadeira. Por favor, não leva pro lado errado.
Jenna puxou a mão de volta, com os olhos cravados em Edward.
—Então um jogo significa que dá pra esquecer quem você é? Esquecer limites?
Jennifer deu um passo à frente, apressada.
—Jenna, você entendeu tudo errado. Eu sempre fui tranquila assim, sabe? Tipo, parceira da galera. Eles nem me veem como mulher. Por favor, não fica chateada.
Jenna analisou Jennifer de cima a baixo devagar e, em seguida, soltou uma risada fria.
—Senhorita Garcia, você é linda. Seu corpo é impecável. E mesmo assim você insiste em dizer que “não é mulher”. Me diz: é porque você passou tantos anos fora e voltou com uma visão mais aberta? Ou você só usa esse teatrinho de “moleca despreocupada” como desculpa pra curtir ser admirada pelos homens?
Os olhos de Jennifer se encheram de lágrimas na hora.
—Jenna… como você pode pensar isso de mim?
O rosto de Edward se fechou.
—Jenna, chega! Você também é mulher, como pode ser tão cruel?
“Então ele sabe que eu sou uma mulher.”
Então por que ele conseguia se colocar no lugar de qualquer outra mulher, menos no dela?
Claro. Porque ele não a amava. Quando não havia amor, nada mais importava.
O coração de Jenna esfriou.
Jennifer ainda fungava.
—Edward, por favor, não briga por minha causa. A culpa é minha. Eu… eu não devia ter imposto minhas ideias aos outros.
Ela se virou para Jenna e, de repente, fez uma reverência profunda.
—Me desculpa. A culpa é toda minha. De agora em diante, eu vou me afastar do Edward. Por favor, não briguem mais por minha causa.
Edward segurou o pulso de Jennifer e a puxou para cima.
—Por que você está pedindo desculpas pra ela? Você não fez nada de errado. —Ele lançou um olhar gelado para Jenna.— Já acabou? Você aparece do nada só pra estragar a festa de boas-vindas da Jenny? Eu te convidei e você recusou. Agora vem atrás de mim até aqui. Admite: você está com ciúme.
—Ciúme? —Jenna riu baixo.— Você não vale o meu ciúme.
—Jenna! —Edward avançou, ríspido.— Vou deixar bem claro: eu e a Jenny não fizemos nada de errado. Não joga em cima da gente esses seus pensamentos nojentos!
Sem aviso, Jenna pegou uma taça de vinho tinto da mesa de centro e arremessou direto nos dois.
Edward instintivamente protegeu Jennifer, mas o vinho espirrou em ambos, encharcando cabelo e roupa.
—Jenna…
Antes que Edward terminasse, Jenna levantou a mão e deu um tapa forte no rosto dele.
A sala inteira ficou em silêncio.
Todos encaravam, chocados, sem conseguir reagir.
Era a mesma mulher que sempre fora quieta e obediente. Ela tinha mesmo perdido o controle?
—Edward, você sabe de uma coisa? —A voz de Jenna ficou estranhamente calma, quase assustadora.— Por cinco anos, eu achei que você não tinha interesse por sexo. Eu até me perguntei se talvez eu não fosse boa o bastante. Talvez fosse por isso que você não me tocava.
Uma onda de murmúrios chocados se espalhou pela sala.
A maioria ali era amiga de Edward. Alguns não gostavam de Jenna abertamente.
Mas, ouvindo aquela verdade dita em voz alta, ninguém conseguiu evitar trocar olhares estarrecidos.
Tá, a Jenna já não estava mais com corpo de modelo. Mas todos lembravam de como ela era quando se casou com Edward—linda demais, de tirar o fôlego.
Até quem não gostava dela não podia negar isso.
“Será que o Edward aguentou mesmo todos esses anos?”
—Até aquele dia, quando eu fiquei do lado de fora do seu escritório…
O rosto de Edward perdeu a cor. Ele avançou.
—Jenna! Para de falar!
Jenna se esquivou para não ser agarrada e então elevou a voz, para que todos ouvissem com clareza.
—Eu te ouvi gemendo. E te ouvi chamando o nome da Jenny. De novo e de novo. Edward, me diz: o que foi aquilo? Era brincadeira também?
