
Fúria Invisível
K. DeVera · Atualizando · 177.5k Palavras
Introdução
Capítulo 1
Ariya
— Melhor você contar logo o que a gente quer saber.
— Nunca! — disse o homem, amarrado pelas mãos e pelos pés a uma cadeira.
— Qual é, Tex. Não precisa piorar as coisas pra você. A gente vai conseguir o que quer de você. É só questão de tempo.
— Vocês não vão tirar nada de mim! — Tex cuspiu.
— Ah, é? Engraçado. Porque, pelo visto, você não faz ideia de como isso funciona. Quer dizer… nunca ouviu os boatos?
Tex se mexeu, inquieto.
— Então deixa eu esclarecer. Não importa se você desviar o olhar. Não importa se você se debater. Não importa se você desmaiar com a tortura. A única coisa que importa é você morrer. E a gente não vai deixar isso acontecer. Afinal, você tem uma informação que a gente precisa. E nós? Bom… nós temos uma Switch.
Tex empalideceu. Ele sempre ouvira dizer que o governo tinha uma arma secreta pra fazer as pessoas falarem. Era isso que chamavam de Switch. A maioria das pessoas tinha algum tipo de dom. Uma espécie de característica de linhagem, passada de geração em geração. As Switches conseguiam fazer qualquer um contar tudo o que elas precisavam saber. Bom… quase qualquer um. Só uma linhagem específica conseguia bloquear isso, mas ela tinha desaparecido fazia muito tempo.
— Essa é a sua última chance, Tex. Conta pra gente o que a gente quer saber. Ou… — Uma mulher de vestido vermelho e longos cabelos castanhos saiu de trás das sombras. Havia um brilho de empolgação nos olhos dela. — …a gente deixa ela cuidar de você.
Tex engoliu em seco. Ele sabia que aquela mulher era a Switch. Que tudo o que ela teria de fazer era fazer as perguntas, e ele seria obrigado a responder, incapaz de se impedir.
— Faz — eu disse para a Switch, saindo de lado.
Ela sorriu, pegou um cassetete elétrico e enfiou o choque na barriga de Tex. Enquanto Tex gritava de dor, os olhos dela ficaram brancos e, num instante, a conexão se fez — e o “interruptor” foi acionado dentro do cérebro de Tex.
— Agora — ela sussurrou, com doçura — me conta o que aconteceu ontem à noite.
— Tinha um cara. Ele tava agindo estranho, por isso eu reparei. Ficava olhando pros lados, como se tivesse procurando alguém. Aí um sujeito aparece do nada e tenta atacar ele. Era uma daquelas coisas metamorfos, mas parecia mais um bicho. O cara não tava esperando por aquele metamorfo, então o metamorfo tava com vantagem. Eu fui ajudar quando apareceu outro cara. Ele agarrou o atacante pelo pescoço e quebrou o pescoço dele. Assim, na hora. O atacante morreu. Aí ele olhou pra mim. Eu vi os olhos dele. Os olhos dele eram os olhos do Navi. Eu não consegui me mexer. Eu fiquei travado. Ele olhou pro cara, o que tinha sido atacado, mandou ele encontrar ela. Nem deu nome. Mas ele assentiu e saiu correndo. Aí ele olhou pra mim de novo e disse: “Foi mal, Tex, você não era pra ter descoberto nada disso.”
— Por que não contou isso logo no começo? — perguntou a mulher.
— Porque eu sabia quem ele era. Pelo menos eu achava que sabia. Eu achei que ele era meu amigo. A gente morava porta a porta.
— Qual era o nome dele?
— Drake — disse Tex, e eu congelei.
— Bom trabalho. Descubra onde ele mora. Depois vê o que mais dá pra arrancar dele — falei para o Switch, enquanto saía da sala para falar com o Chefe.
— Então… o Drake Navi ainda está vivo. Hum, isso é interessante... O que você acha disso, Ariya? — o Chefe me perguntou.
— Não tem como. Os Navi já sumiram faz tempo. Não apareceu um único rastro de nenhum deles em catorze anos — eu disse.
— Uma avaliação justa. Mas só porque a gente não ouviu nem viu nada acontecendo não quer dizer que eles não estejam por aí. Lembre-se: Drake é um Blood Born. A linhagem dele é a última e a única linhagem conhecida que restou entre os Navi que são Blood Born. Blood Born são ardilosos, especialmente o Drake. Se ele está procurando alguém, tem que ser da linhagem dele. Isso significa que há dois Navi Blood Born aqui. Eles precisam ser encontrados e mortos. São os únicos que podem ficar no nosso caminho e impedir os Switches. E não só isso: são monstros que precisam ser destruídos! — o Chefe gritou.
— Entendido — eu disse.
— Vá pra casa, Ariya. Durma um pouco com o que descobrimos até agora. Amanhã a gente recomeça do zero.
— Sim, senhor.
Eu não conseguia parar de pensar em tudo o que estava acontecendo. Não tinha a menor chance de eu conseguir dormir, mas também não tinha como eu descobrir o que fazer. Fui para casa o mais rápido que pude.
— Caleb, a gente precisa conversar. Eu preciso que você volte ao normal — eu disse a ele. Caleb fingia ser meu cachorro na maior parte do tempo. Por ser um licano, Caleb podia ficar na forma de lobo quando quisesse. A verdade é que Caleb foi meu guardião quando eu era criança, quando a gente acabou se separando. Agora, ele ainda cuida de mim, mas quase sempre na forma de lobo, para passar despercebido.
— O que foi, Ariya? Você está bem? É por causa dos Navi? — perguntou Caleb. Os olhos dele ainda estavam amarelos, mas iam voltando aos poucos para o castanho de sempre quando ele estava na forma humana.
Eu assenti. — Drake está vivo.
— E quem disse isso? — Caleb perguntou, cauteloso.
— Um cara chamado Tex que pegaram hoje. Eu tive que interrogar ele, e você sabe como isso geralmente termina — eu disse, andando de um lado para o outro, inquieta.
— Sei… vocês usando o Switch pra arrancar todas as respostas verdadeiras de uma pessoa. Você sabe o que isso significa, né?
— Que eles vão ficar procurando Navi em tudo quanto é lugar pelos próximos anos — eu disse, ainda andando de um lado para o outro.
— Não… quer dizer, sim, mas também não. Ariya, isso significa que o Drake está… — Caleb começou devagar e foi perdendo a voz.
Eu parei e encarei ele. — Eu sei, Caleb. Significa que o Drake está me procurando.
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