Grávida do Meu Obsessor

Grávida do Meu Obsessor

Ully Kety · Atualizando · 94.3k Palavras

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Introdução

"Por favor!" - imploro, praticamente me jogando aos seus pés. - "Você não pode me tratar assim, não depois de saber que estou grávida."

Ele se inclina na minha direção, tão perto que posso sentir as notas picantes do seu perfume. Então, um sorriso sombrio surge em seus lábios.

"E você quer que eu acredite que você, uma pobre menina rica, era inocente." Ele faz uma pausa dramática e sorri como se eu tivesse contado uma piada muito engraçada. "Você não parecia uma virgem quando eu te fodi."

Foi minha culpa, minha culpa por acreditar nele, por me apaixonar pelo meu inimigo, por realmente acreditar que ele algum dia me amaria. Agora eu estava grávida e sozinha.

"Eu te odeio!" Digo isso com toda a força que tenho em mim.

Seu maxilar se contraiu e ele parecia querer quebrar meu pescoço, exatamente como da primeira vez. Mas agora algo brilhava em seus olhos, algo diferente. Ele estava incerto das acusações que havia feito, e o pior de tudo. Ele sabia que eu estava falando sério. Ele sabia que eu nunca voltaria atrás.

Capítulo 1

Prólogo

Onze anos antes

Eu estava sentada na beirada da cama do meu pai. O homem que antes era tão ativo agora vivia quase sempre sedado. Eu, na verdade, preferia assim. Pelo menos ele não me assustava, como quando começava a gemer e gritar à noite por causa da dor. Ele usava uma máscara de oxigênio para ajudar na respiração, os braços conectados a um acesso que levava a medicação ao corpo, e havia também monitores que apitavam o tempo todo. Eu ainda não entendia muito bem tudo aquilo, o que eu sabia era que ele estava muito doente.

— Eu sei que você vai ficar bem, pai — falei, enquanto beijava sua bochecha.

Peguei meu ursinho de pelúcia e deitei ao lado dele, encolhida. Eu vestia uma jaqueta de bolinhas que ia até minhas canelas, e meu cabelo descia pelas costas. Acabei pegando no sono por um momento e acordei com a tosse seca dele.

Não.

Não.

Não.

Eu não aguentava, ele estava claramente sofrendo. Cadê a Clarissa? Ela costumava ser uma enfermeira atenciosa, mas eu podia ver claramente que ela não cuidava mais do meu pai com o mesmo carinho. “Talvez ela tenha desistido”, pensei, enquanto soluçava baixinho na beirada da cama. Senti a mão dele pousar devagar nas minhas costas.

— Nicole? — ele disse com a voz rouca, soltando outra tosse.

— Sim, pai. — Levantei devagar e me sentei ao lado dele.

— Não chora, minha pequena — ele falou com dificuldade. — Você foi a melhor coisa que já aconteceu comigo, eu te amo tanto.

Fechei os olhos enquanto o papai passava a mão no meu rosto, enxugando minhas lágrimas.

— Você merece todo o amor do mundo. — Tosse. — Um dia, alguém vai te amar tanto. E vai ser tão perfeito... Tão puro. — Tosse.

— Por favor, pai, para de falar, isso não tá te fazendo bem.

— Estar com você sempre me faz bem. Desculpa eu não ter estado mais presente.

— Tá tudo bem. — Tentei forçar um sorriso pra deixá-lo mais à vontade.

— Não tá, minha filha. Me desculpa... Me desculpa. — Ele se agitou e então engasgou com força. O monitor começou a apitar.

Levantei e corri pra chamar a Clarissa. Ao descer da cama, esbarrei nela, que passou apressada por mim e começou a mexer nos medicamentos. Era como se o tempo passasse em câmera lenta. Eu via ela gritando, mas não entendia nada. Tentei sair, mas meus pés pareciam grudados no chão. Meu rosto congelou. Meu olhar voltou pro meu pai. Ele estava pálido, os olhos abertos, e havia sangue na boca. Papai começou a tossir sangue.

— O que tá acontecendo? Pai! — gritei, enquanto chorava.

— Tira ela daqui! Tira ela daqui!

Não lembro quem me puxou pra fora, se eu dormi ou desmaiei. Só não lembro.

Acordei de manhã e ainda estava com as mesmas roupas de antes. Minha cabeça doía. Olhei pro criado-mudo, havia umas roupas pretas arrumadas em cima. Levantei e fui direto pro quarto do meu pai. Empurrei a porta. Tudo estava limpo. Ele não estava lá. A cama estava arrumada com um lençol branco. Não havia mais monitores, nada. O cheiro de água sanitária era tão forte que ardia meu nariz. Dei alguns passos pra trás e esbarrei numa mulher de uns vinte e cinco anos, loira, bonita.

— Oi, eu sou a Summer — ela disse, estendendo a mão pra mim.

— Oi, Summer — respondi, sem graça. Não apertei a mão dela. — Cadê o meu pai? — Ela fechou a boca numa expressão séria, pouco amigável, e depois sorriu. — Cadê a Clarissa? — perguntei, olhando ao redor atrás dela.

— Não vamos mais precisar dos cuidados dela.

— Mas ela tava cuidando do meu pai.

— Seu pai também não vai precisar mais de cuidados.

— Por quê? Cadê o meu pai?

— Você tá muito agitada, mocinha. Preciso que você troque de roupa. A gente precisa ir embora — ela disse com gentileza, mas sem deixar espaço pra discussão.

Saí dali, fui pro meu quarto e troquei de roupa.

Horas depois, estávamos caminhando por um jardim que eu não conhecia. Achava tudo muito estranho. Cadê todo mundo? Cadê a Madeleine? Matthew, Summer e eu seguimos atrás de um homem desconhecido. Ele lia palavras que eu não entendia direito. Eu me sentia angustiada, sem saber por quê. Meu coração começou a doer. Eu só queria ir embora.

Senti mãos frias repousando nos meus ombros. Olhei para cima e lá estava Summer, com o mesmo sorriso acolhedor.

  • Desculpe, querida, está na hora de se despedir.

Olhei para ela; era óbvio que algo tinha acontecido com o papai, mas por que ninguém estava falando nada? Ela pegou minha mão. Instintivamente, eu não queria ir, não parecia certo. Ela me puxou, e eu balancei a cabeça em negação.

  • Vamos, querida, por favor! - Ela me encarou.

Desisti e cedi. Caminhei atrás do senhor que acabara de falar, e meus olhos correram para o meu pai. Ele estava deitado em um caixão preto, os olhos fechados. Seu rosto estava sereno, sem sangue ou dor.

  • Papai - chamei em voz baixa, quase um sussurro. - Papai... - chamei de novo, sem ter certeza se minha voz saiu dessa vez.

  • Você só precisa se despedir, meu amor. - Summer me olhou com seus grandes olhos castanhos.

  • Eu não quero me despedir. - Olhei para ela, implorando.

  • Não torne isso mais difícil. - Ele apertou os lábios em uma linha fina, claramente perdendo a paciência.

  • Não! - gritei, fazendo algumas pessoas ao meu redor se virarem para mim. - Papai, acorda! Vamos pra casa! - Tentei sacudi-lo. Minhas mãos foram bloqueadas. - Me solta! - Olhei para cima, enquanto Matthew me segurava. - Por favor, Matthew! - Implorei. Lágrimas escorriam pelo meu rosto.

  • Desculpe, Nicole. - Ele nem sequer olhou nos meus olhos. Começaram a baixar o caixão. Entrei em pânico. Como puderam colocá-lo ali? - Papai! Sai daí! Papai, por favor, levanta!

Consegui me soltar e alcançar o caixão. Soluços saíram da minha boca. Matthew me agarrou de novo e me colocou nos ombros dele. Eu o bati. Gritei, mas não adiantou, ele estava me levando para longe do meu pai.

  • Por favor, Matthew, chama a Madeleine! Ela vai tirar meu pai dali!

  • Desculpe, Nicole - ouvi ele sussurrar. - Desculpe mesmo.

  • Você está muito agitada, mocinha. Preciso que você se troque. Temos que ir embora - falei com gentileza, mas sem deixar espaço para discussão.

Saí, entrei no meu quarto e troquei de roupa.

Horas depois, estávamos caminhando por um jardim que eu não conhecia. Achava aquilo estranho. Onde estava todo mundo? Onde estava Madeleine? Matthew, Summer e eu seguimos um senhor desconhecido. Ele lia palavras que eu não entendia muito bem. Eu me sentia angustiada, sem saber o motivo. Meu coração começou a doer. Eu só queria ir embora.

Senti mãos frias repousando nos meus ombros. Olhei para cima e lá estava Summer, com o mesmo sorriso acolhedor.

  • Desculpe, querida, está na hora de se despedir.

Olhei para ela; era óbvio que algo tinha acontecido com o papai, mas por que ninguém estava falando nada? Ela pegou minha mão. Instintivamente, eu não queria ir, não parecia certo. Ela me puxou, e eu balancei a cabeça em negação.

  • Vamos, querida, por favor! - Ela me encarou.

Desisti e cedi. Caminhei atrás do senhor que acabara de falar, e meus olhos correram para o meu pai. Ele estava deitado em um caixão preto, os olhos fechados. Seu rosto estava sereno, sem sangue ou dor.

  • Papai - chamei em voz baixa, quase um sussurro. - Papai... - chamei de novo, sem ter certeza se minha voz saiu dessa vez.

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  • Não! - gritei, fazendo algumas pessoas ao meu redor se virarem para mim. - Papai, acorda! Vamos pra casa! - Tentei sacudi-lo. Minhas mãos foram bloqueadas. - Me solta! - Olhei para cima, enquanto Matthew me segurava. - Por favor, Matthew! - Implorei. Lágrimas escorriam pelo meu rosto.

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Consegui me soltar e alcançar o caixão. Soluços saíram da minha boca. Matthew me agarrou de novo e me colocou nos ombros dele. Eu o bati. Gritei, mas não adiantou, ele estava me levando para longe do meu pai.

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