Capítulo 5
Eileen
O nome roncou no peito dele, mais rosnado do que palavra, vibrando contra meus lábios quando ele tomou a minha boca.
Era pra eu estar apavorada. Era pra eu ter lutado.
Mas no momento em que os lábios dele tocaram os meus, todo o resto desapareceu — o desprezo frio do Derek, a risada daquelas meninas, a noite inteira miserável. Só existia isso. Só ele.
Minhas mãos foram pros ombros dele. Não pra afastar. Eu o puxava pra mais perto antes mesmo de perceber o que estava fazendo, e quando a língua dele invadiu minha boca, eu me abri pra ele, provando de volta.
O som que eu fiz não foi de medo. Foi de necessidade.
A mão dele apertou no meu cabelo, inclinando minha cabeça, e algo quente floresceu no meu peito. Ele não estava pedindo permissão. Ele estava só... tomando. Como se eu fosse algo que ele quisesse o bastante pra reivindicar sem hesitar.
Quando é que alguém já tinha me desejado assim?
— Espera... — eu arquejei quando a boca dele desceu pra minha mandíbula, mas mesmo enquanto eu falava, minha cabeça já se inclinava pra trás. — Eu não...
Os dentes dele rasparam na minha garganta e as palavras se dissolveram num gemido. As mãos dele acharam a barra da minha blusa e eu arqueei no toque, ajudando a tirar, porque parar parecia impossível e eu não queria que fosse possível.
O ar fresco da noite tocou minha pele por um instante antes de o calor dele me envolver de novo. A boca dele traçou minha clavícula, o vão da garganta, mais abaixo, e eu não conseguia pensar através a névoa de sensação.
Era bom demais. Certo demais. Como se algo em mim estivesse esperando exatamente por isso.
Quando a última barreira de roupa sumiu, a realidade tentou emergir — isso é loucura, você nem sabe o nome dele—
Mas aí a mão dele deslizou entre minhas coxas, e eu parei de me importar.
— Tão molhada — ele rosnou contra minha pele, a voz áspera, quase não humana. — Tão perfeita.
A palavra fez um arrepio atravessar meu corpo. Perfeita. Não inútil. Não uma piada. Não a aposta de alguém.
Eu gemi manhosa, meus quadris se arqueando contra o toque dele sem que eu pensasse, correndo atrás daquela sensação, daquela validação que eu vinha implorando por dentro.
Ele se moveu, me pressionando contra o musgo, o peso dele se encaixando entre minhas coxas. Eu o senti ali — quente e duro — e o pânico cortou a névoa.
— Eu nunca... — As palavras saíram quebradas, mal coerentes.
Algo brilhou nos olhos dele. A mão subiu pra segurar meu rosto, o polegar acariciando minha bochecha.
Então as pupilas se dilataram de vez, engolindo o azul-gelo, e ele avançou.
O estiramento queimou. Meu corpo se retesou instintivamente, e ele soltou um som grave na garganta — meio rosnado, meio gemido — o corpo inteiro tremendo.
— Deixa eu entrar — ele sussurrou no meu ouvido, e o desespero rouco na voz fez algo dentro de mim derreter.
Ele não estava tomando. Ele estava pedindo. Do jeito dele.
Eu puxei o ar num fôlego trêmulo e tentei relaxar, tentei deixar ele...
Ele se mexeu. Investidas rasas, cuidadosas, que acendiam faíscas estranhas pelo meu corpo. A queimação começou a ceder, substituída por pressão, por preenchimento, por algo que parecia quase...
— Ah...
Prazer, súbito, inesperado, subiu pela minha coluna. Eu gemi, e em vez da vergonha que senti em todas as outras vezes em que me humilhei naquela noite, tudo que eu sentia era mais. Mais disso. Mais dele. Mais dessa sensação se espalhando pelo meu peito como calor.
Ele gemeu em resposta e entrou mais fundo, e meus quadris se ergueram pra encontrar os dele puro instinto.
A mão dele achou o meu clitóris, circulando com uma precisão devastadora, e eu solucei — não de dor, mas de tanto que aquilo estava bom. Tão completamente diferente de todo o resto daquela noite.
— Por favor... — Eu nem sabia pelo quê estava implorando. Só sabia que precisava.
— Deixa eu entrar — ele rosnou de novo, a voz destruída. — Toda você—
Ele afundou fundo, acertando um ponto dentro de mim que fez estrelas explodirem, e eu me despedaçei.
O orgasmo rasgou meu corpo como um raio. Meu corpo se contorceu, o prazer irradiando em ondas tão intensas que eu não sabia se estava chorando ou gritando. Tudo que eu sabia era que aquele momento — estar completamente dominada, sentir a necessidade desesperada dele, o jeito como ele me segurava como se eu importasse — estava lavando embora todas as coisas horríveis que tinham acontecido naquela noite.
Por baixo do prazer físico, algo mais profundo floresceu. Uma conexão que eu não sabia nomear, mas conseguia sentir, como um fio se entrelaçando entre nós.
— Minha — ele rosnou contra a minha garganta, os dentes roçando a pele sensível. — Diz isso —
— Sua — solucei, e naquele momento eu falava sério. Porque ali, agora, com o corpo dele reivindicando o meu, com aquele sentimento abafando todo o resto — eu era. — Sua, eu sou sua —
Os dentes dele afundaram na minha garganta.
Uma dor aguda, imediatamente engolida por outra onda de prazer tão intensa que eu perdi qualquer noção de limites. A mordida parecia uma marca em brasa, um selo, como se algo fundamental estivesse se encaixando no lugar.
Gozei de novo, mais forte, meu corpo arqueando enquanto ele se derramava dentro de mim. O calor inundou meu centro e o vínculo — o vínculo de pares — se fechou com uma ressonância que ecoou pelos meus ossos.
A última coisa que senti antes da escuridão me puxar para baixo foram os braços dele se enrolando ao meu redor, me puxando para perto.
Segura. Desejada. Dele.
Acordei com a luz do amanhecer e o peso suave de um braço sobre a minha cintura.
Por um longo momento, fiquei imóvel, sentindo o peito dele subir e descer contra minhas costas, a respiração quente no meu pescoço. Sentindo-o ainda dentro de mim, a prova do que tínhamos feito escorrendo aos poucos.
A marca de mordida na minha garganta latejava.
A realidade despencou sobre mim em ondas geladas.
O que foi que eu fiz?
Ontem à noite, pega no calor de tudo aquilo, tinha parecido salvação. Como finalmente importar para alguém.
Mas na luz pálida da manhã, eu conseguia ver claramente. Eu tinha me entregado a um completo desconhecido. Deixado que ele me marcasse para sempre. Porque, por alguns momentos desesperados, eu precisava mais me sentir desejada do que pensar direito.
Virei a cabeça com cuidado, estudando o rosto dele. Lindo. Perigoso. Desconhecido.
O vínculo de pares pulsava entre nós. Através dele, eu conseguia sentir as emoções dele mesmo dormindo — satisfação, possessividade, contentamento.
Enquanto eu me sentia oca. Como se a euforia tivesse escorrido, deixando só as consequências.
Uma mordida de acasalamento era tão óbvia. Todo lobisomem sentiria o cheiro da reivindicação dele. E, de acordo com a lei da alcateia, depois de mordida, eu pertencia a ele.
O que ia acontecer quando ele acordasse? Será que ele ia se lembrar direito? Ou ia olhar pra mim como o Derek tinha olhado — percebendo que tinha se ligado por engano a alguém que não valia nada?
Meu estômago se contraiu.
Eu precisava ir embora. Precisava voltar antes que alguém notasse. Precisava descobrir como sobreviver ao que eu tinha acabado de fazer.
Com cuidado, me soltei do abraço dele. Ele murmurou no sono, o braço apertando ao meu redor por reflexo, e a dor atravessou meu peito quando o vínculo protestou.
Mordi o lábio com força e continuei me mexendo.
Minhas roupas estavam espalhadas pela clareira. Recolhi tudo com as mãos trêmulas, tentando não olhar para ele. Tentando não lembrar de como ele tinha me feito sentir na noite passada.
Mas eu olhei mesmo assim. Só mais uma vez.
A mão dele procurou o lugar onde eu tinha estado, e algo dentro do meu peito se partiu.
Então eu corri.
Só parei quando já estava trancada no banheiro do meu dormitório, com a água pelando queimando minha pele enquanto eu esfregava e esfregava o cheiro de cedro e menta.
Não adiantou. Mesmo depois de usar todos os sabonetes que a gente tinha, eu ainda conseguia sentir o cheiro dele. Na minha pele. No meu cabelo. Em mim.
Encarei meu reflexo no espelho — nua, cheia de marcas, marcada.
A garota que me encarava de volta tinha estado tão desesperada para se sentir desejada que entregou tudo em troca de uma noite sem se sentir um lixo.
Agora eu tinha que viver com isso.
Me arrastei até a cama, puxei o cobertor por cima da cabeça e finalmente me deixei chorar.
