Lobos não perguntam duas vezes

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S.J Calloway. · Atualizando · 138.1k Palavras

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Introdução

Ela foi criada para obedecer. Prometida ao filho dourado do Alfa. Pura, perfeita, intocada.
Mas o destino não se curva à tradição.
Ele é o selvagem—o príncipe rebelde que abandonou o trono, o vínculo de companheiro e o reino que o traiu. Até que ele sente o cheiro dela. Sua companheira. Escondida à vista de todos.
Ela deveria ter sentido. O vínculo. O fogo. A dor.
Mas algo está errado.
Um feitiço. Uma mentira. Uma maldição colocada nela por aqueles que a criaram—destinada a cegá-la para o chamado do único homem que a libertaria.
Agora é tarde demais.
Porque ele a encontrou.
E lobos não pedem duas vezes.

Capítulo 1

O vapor subia ao redor da banheira de mármore enquanto pétalas de rosa flutuavam preguiçosamente pela superfície. Eira estava imóvel, coluna ereta, cabelo longo caindo pelas costas como fogo líquido. A água morna lambia suas clavículas, sua pele ruborizada pelo calor. Ao seu redor, três Ômegas se moviam silenciosamente, lavando seus membros com panos perfumados de lavanda e murmurando bênçãos destinadas a purificá-la.

Ela odiava essa parte.

"Você será uma Luna tão radiante," sussurrou uma das Ômegas, acariciando reverentemente a mão de Eira. "A própria Deusa deve ter te esculpido com a luz da lua."

Eira deu um sorriso suave. Ensaiado. Educado. Vazio.

Ela havia sido criada para isso—mimada, protegida, prometida. A primeira filha nascida sob uma lua de sangue em duas gerações. A criança da profecia. O presente. A futura Luna da matilha mais poderosa do norte.

Prometida a Alder.

O filho dourado do Alfa Thorne. Perfeito em postura e princípio. Ele havia beijado sua mão uma vez na reunião do solstício de verão. Seus lábios eram frios, seus olhos mais frios ainda.

Ela seria dele em seis dias.

As Ômegas começaram a entoar um hino ritual, a melodia suave fazendo sua pele arrepiar. Ela olhou para seus pulsos, pálidos e nus, em breve marcados pela reivindicação de Alder. Uma parte dela queria gritar. Outra parte—uma parte mais escura e faminta—desejava algo completamente diferente. Algo selvagem. Algo errado.

Mas isso não era permitido. Não para ela.

Então ela ficou parada, deixando que terminassem sua adoração.

Mais tarde naquela noite, quando os corredores estavam silenciosos e as velas queimavam baixas, Eira estava na janela da sua varanda com a luz da lua pintando-a de prata. Ela pressionou as palmas das mãos no parapeito de pedra fria e deixou sua respiração embaçar o ar da noite.

Ela não estava fugindo. Nunca esteve. Ela era a boa menina. A criança dourada. Mas às vezes—apenas às vezes—ela precisava desaparecer. Escorregar quando ninguém estava olhando. Ser invisível.

A porta do seu quarto permaneceu fechada atrás dela. Ninguém se mexeu. Ninguém a vigiou.

Ela vestiu um manto simples, puxou o capuz sobre a cabeça e caminhou suavemente pelo corredor escondido dos servos, seus pés descalços não fazendo som algum.

Lá fora, o ar noturno mordia sua pele, afiado e limpo. O cheiro de pinho e terra úmida enchia seus pulmões, acalmando-a. Ela cruzou a borda da aldeia despercebida e encontrou a trilha estreita que levava às árvores. Um caminho que ela havia percorrido uma dúzia de vezes sob a luz da lua.

Não para fugir.

Para respirar.

A floresta era seu único refúgio. O único lugar onde ninguém a seguia.

Ela se movia lentamente, dedos deslizando pela casca das árvores antigas, o coração desacelerando a cada passo. O musgo crescia espesso ao longo das rochas, e pequenas flores brancas floresciam em clareiras secretas como os sussurros da floresta guardados apenas para ela.

Aqui, ela não era a futura Luna.

Ela era apenas Eira.

Ela chegou à clareira—um pequeno círculo de grama macia cercado por bétulas e cedros. Um lugar que ela havia encontrado quando criança e nunca contou a ninguém. A luz da lua derramava-se como uma bênção através das brechas no dossel, transformando o ar em prata.

Ela se sentou no centro da grama e inclinou a cabeça para trás para olhar as estrelas. Seus dedos cavaram no solo ao seu lado. Ela sussurrou os nomes das constelações sob sua respiração.

Seu corpo vinha agindo de forma estranha ultimamente. Quente. Inquieto. Ela dizia a si mesma que eram os nervos. Ansiedade pré-casamento. Mas havia momentos—geralmente em sonhos—em que ela acordava ofegante, coxas contraídas, pele úmida de suor, e a sensação de que alguém a havia tocado persistia.

Alguém que ela nunca tinha visto.

Alguém que sua alma lembrava, mesmo que sua mente não.

Ela havia parado de contar à sacerdotisa sobre esses sonhos semanas atrás.

Agora, ela os mantinha trancados dentro de si. Sagrados. Vergonhosos.

Seus dedos se fecharam em torno de uma pequena pedra ao lado de seu joelho, buscando se ancorar. O vento mudou.

Ela parou.

Prendeu a respiração, não de medo—mas por aquela estranha sensação vibrante. Como se algo antigo roçasse suas costelas. Como se algo além das árvores tivesse aberto os olhos.

Ela sacudiu a cabeça, dizendo a si mesma que não era nada. Apenas o vento. Apenas a noite.

Mesmo assim, ela não foi embora. Ficou. Até a lua subir alto e o frio penetrar em seus ossos. Só então ela se levantou, limpou as folhas de sua capa e voltou silenciosamente para casa.

Inconsciente de que, muito além das árvores, algo havia se mexido.

Algo antigo.

Algo à espera.

De volta aos seus aposentos, Eira acendeu uma única vela e sentou-se diante do espelho, encarando seu reflexo. Suas bochechas estavam coradas, suas pupilas ainda dilatadas pelo toque da floresta. Ela pressionou os dedos contra os lábios como se pudesse encontrar uma resposta ali, no tremor de sua respiração ou na secura de sua boca.

Ela não entendia o que estava acontecendo com ela. A sacerdotisa havia falado sobre uniões sagradas, sobre tornar-se uma só com seu parceiro, sobre rendição. Mas nada disso correspondia ao que ela sentia.

O que ela sentia era fome.

Não por Alder.

Não por segurança ou status ou pelo futuro que lhe haviam prometido.

Mas por algo indomado. Por algo que a destruiria antes de salvá-la.

Ela prendeu uma mecha solta de cabelo atrás da orelha e sussurrou um nome que não conhecia.

Ainda não.

Mas seus ossos conheciam. Seu sangue conhecia.

E a floresta, silenciosa e observadora, também conhecia.

Eira não dormiu. Ela deitou de lado na cama, os lençóis finos enroscados em suas pernas, sua pele arrepiada com a memória. Ainda sentia a grama sob seus joelhos, o sussurro das árvores acima, o pulso da terra pressionado contra suas palmas. A quietude ali—dentro das paredes de pedra e tetos esculpidos—parecia uma prisão em comparação.

Uma única mariposa batia suas asas contra o vidro da janela de seu quarto. Ela a observava, hipnotizada. Atraída pela forma como ansiava pela luz. Frágil. Desesperada. Imprudente.

Ela conhecia esse tipo de desejo.

Quando finalmente fechou os olhos, sonhou novamente. Mas desta vez o sonho foi mais claro. Nenhuma sombra sem rosto. Nenhuma dor vaga.

Ele estava lá.

Um homem parado na clareira que ela amava. Alto. De peito nu. O brilho do luar delineava seu corpo em prata. Seus olhos não brilhavam, mas seguravam os dela como se queimassem. Ele não disse nada. Apenas estendeu a mão para ela.

E ela foi até ele.

Ela acordou com os lábios entreabertos e o som mais suave escapando de sua garganta. Não um nome. Não uma palavra.

Um gemido.

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