Capítulo 3 Perguntas sem respostas

Dante Tavares

O céu acinzentado de Serra das Águas parecia anunciar o caos que meu dia já havia se tornado. Meu jatinho particular fora desviado por causa de uma tempestade e o aeroporto de Belo Horizonte estava um pandemônio. Acionei minha equipe, pedi silêncio, discrição e uma reserva em algum lugar que me permitisse respirar longe dos Tavares, pelo menos por essa noite. A última coisa que eu queria era lidar com as chantagens emocionais da minha cunhada ou com as cobranças veladas do meu irmão mais velho.

O nome do hotel era Golden View Boutique, na parte mais alta da cidade. Luxuoso, silencioso, elegante, do jeito que eu gostava. Entrei de óculos escuros, camisa preta semiaberta no peito. O cansaço dos últimos dias estava me esmagando as costas. Negócios em São Paulo, uma crise envolvendo meu nome em uma fusão mal explicada, escândalos que precisavam ser abafados. Eu só precisava de uma noite. Uma cama, um banho quente e silêncio.

A recepcionista me olhou com aquele ar profissional demais, como se quisesse disfarçar um julgamento implícito. Me entregou o cartão-chave do quarto sem sequer me desejar boa noite. Estranhei o desprezo gratuito. Mas ignorei.

Subi. O corredor do décimo segundo andar estava mergulhado numa penumbra elegante. Tapetes grossos, aroma de lavanda e madeira no ar. O quarto 1207 era amplo, com uma cama king-size, lençóis perfeitamente esticados, luzes de cabeceira acesas em tom âmbar. Eu estava pronto para me jogar naquela cama e esquecer que o sobrenome Tavares pesava tanto.

Mas, assim que abri a porta, escutei a voz.

— Apaga a luz...

A voz era feminina, suave, arranhada por um tremor perceptível. Um som baixo, mas que reverberou diretamente na minha espinha. Fiquei parado na entrada por um segundo, a mão ainda sobre a maçaneta metálica, tentando entender se aquilo era um trote, uma armadilha armada pela concorrência ou só o meu cansaço me pregando peças. Não vi seu rosto. Só vi suas costas. Ela estava postada a poucos passos, os cabelos negros ondulados descendo em ondas selvagens até a cintura, o corpo envolto por um sobretudo preto cujos botões já estavam soltos, prestes a cair.

— Você...?

— Por favor, não diz nada, só... — ela pediu, cortando minha fala com um suspiro fundo, quase desesperado.

A voz dela tinha um perfume de urgência que fisgou meu estômago. A curiosidade e o perigo sempre andaram juntos na minha vida, mas ali, na escuridão parcial daquele quarto, o perigo parecia ter curvas. Tranquei a porta atrás de mim. Pressionei o interruptor.

A escuridão tomou conta do espaço, deixando apenas uma névoa amena de luz vinda de fora das cortinas.

O que se seguiu não foi apenas uma cena erótica, foi um incêndio premeditado. Um celular ao fundo começou a tocar uma música lenta, um ritmo grave, sensual, com batidas pesadas que pareciam ditar a frequência do meu próprio sangue. O som do tecido deslizando rompeu o silêncio: ela deixou o sobretudo cair no chão com um baque surdo.

E o que se revelou diante dos meus olhos na penumbra foi uma tentação indecente.

A saia de couro vermelho mal cobria o meio de suas coxas, colada como uma segunda pele, moldando um quadril desenhado para ser segurado com força. O decote profundo da blusa mergulhava sem pudor entre seios fartos, erguidos pela respiração desordenada dela. A pele branquinha contrastava de forma covarde com a escuridão do quarto.

Ela começou a dançar. De olhos fechados, como se estivesse em um transe particular.

Seus movimentos eram lentos, provocantes, banhados por uma coragem artificial que me deixou fascinado. Ela passou as mãos trêmulas pelos próprios cabelos, jogando os cachos negros para o lado, e desceu os dedos pela garganta, deslizando pelo decote, contornando a curva dos seios até agarrar a própria cintura. Os quadris dela rebolavam em círculos lentos, desenhando o ar, exibindo a curva perfeita da bunda ajustada naquele couro provocante.

A cada movimento, o cheiro dela atingia meu olfato: uma mistura embriagadora de cerveja gelada, perfume doce e pele quente. Aquele quarto virou um santuário de pecado privado. Eu exausto, estressado, com a cabeça fervendo de problemas, fui completamente paralisado por aquela mulher desconhecida. Sentei-me na poltrona ao fundo, o corpo rígido, o peito subindo e descendo devagar, assistindo ao espetáculo.

Ela me percebeu ali. O vulto alto, largo. Com passos de uma leoa calculista, ela caminhou na minha direção. Cada passo dela era uma promessa de ruína.

Sem hesitar, ela montou no meu colo. O tecido da saia dela roçou no meu calça social e o impacto do corpo dela contra o meu foi elétrico. O calor da sua virilha pressionou diretamente a minha ereção que desperta instantaneamente, dura e faminta sob o pano grosso. Ela encaixou os quadris e começou a se mover, roçando devagar, sentindo meu volume crescer e pulsar contra ela.

— Você tá gostando...? — ela murmurou bem perto da minha orelha, a voz sendo apenas um sopro quente que fez todos os pelos do meu braço se arrepiarem.

— Hm... — o gemido baixo e rouco escapou do fundo da minha garganta. Eu não devia. Eu não sabia quem ela era. Mas meu corpo respondeu antes da minha razão.

As mãos pequenas e macias dela invadiram minha camisa. Com uma urgência deliciosa, os dedos dela foram abrindo botão por botão, expondo meu peitoral. Ela afundou as unhas na minha pele, puxou meus cabelos na nuca com uma firmeza surpreendente e escorregou os lábios pelo meu maxilar.

Ela me beijou ali. Não na boca, mas na pele do pescoço. Sugou com força, mordeu com a ponta dos dentes e depois passou a língua quente sobre a marca. Eu trinquei os dentes, a cabeça pendendo para trás no encosto da poltrona. Um arrepio violento rasgou minha espinha. A safada sabia exatamente onde tocar. Ela roçava o quadril no meu membro ereto enquanto me devorava o pescoço.

— Não... hoje sou eu quem mando — ela sussurrou de repente, bloqueando minhas mãos quando tentei segurar seu quadril.

Ela escorregou do meu colo como água. Ajeitou-se entre as minhas pernas, ajoelhando-se no tapete macio, bem diante da minha virilha. Na penumbra, vi o brilho dos olhos dela fixos na minha calça. O som do zíper sendo baixado devagar ecoou no quarto como um tiro.

Quando ela libertou meu pau para fora da cueca, senti o ar frio do quarto atingir a cabeça sensível e pulsante do meu membro. Ela soltou um pequeno suspiro, um engolir em seco que revelou sua surpresa com o tamanho. Mas não recuou.

Ela se curvou. A língua dela, quente e incrivelmente molhada, passou pela cabeça do meu pau, colhendo a primeira gota de pré-gozo. Eu travei as mãos nos braços da poltrona, os nós dos dedos ficando brancos. Ela começou a lamber de baixo para cima, segurando a base com uma das mãos enquanto a boca envolvia a glande, sugando com uma pressão deliciosa.

— Porra... — rascunhei um xingamento baixo, a voz rasgada pelo tesão.

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