O estilista do Mafia Don

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Mercy Moses · Atualizando · 94.9k Palavras

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Introdução

Anastasia, uma estilista em ascensão, recebe uma oferta que muda sua vida: um contrato de dez milhões de dólares para vestir Luciano Roberto, um CEO com um segredo perigoso. Desde o toque sutil de suas mãos até os olhares eletrizantes trocados, a atração entre eles é inegável. Aventure-se por encontros ameaçadores para desvendar mistérios, o mundo de Anastasia vira de cabeça para baixo.

Com o perigo à espreita em cada esquina, será que ela consegue resistir ao magnetismo do olhar de Luciano?

Capítulo 1

Acordei num sobressalto com o apito insistente do meu despertador, aquele som estridente cortando os últimos fiapos de sono. Resmungando de irritação, enfiei o rosto ainda mais fundo na maciez do travesseiro, me agarrando ao calor que restava dos meus sonhos.

Por um instante, pensei em simplesmente ignorar.

Mas a realidade nunca teve paciência comigo.

Com um suspiro contrariado, me obriguei a sair da cama, deixando o conforto do meu casulo para trás, e corri para o banheiro. O toque frio da água na pele espantou a sonolência e, quando terminei de escovar os dentes e tomar um banho rápido e revigorante, eu já me sentia quase gente de novo.

Me vesti depressa e fui para o único lugar que sempre parecia casa: o Night Cafe.

Pertencente à Lilian e ao marido dela, Greg, o Night Cafe tinha um charme que luxo moderno nenhum conseguia imitar. O espaço era pequeno, quase modesto, mas carregava um acolhimento que envolvia todo mundo que entrava. Luzes âmbar suaves brilhavam contra as paredes de madeira escura, e o aroma marcante de grãos de café e de pães e doces recém-assados ficava no ar como um abraço.

Era o tipo de lugar em que as pessoas esqueciam quem eram do lado de fora daquelas portas.

Os ricos se sentavam ao lado de quem estava na luta, os poderosos ao lado de gente comum — todo mundo sem títulos nem pose, diante de xícaras fumegantes de café e pratos quentinhos. Lilian e Greg sempre rejeitaram a ideia de reformas extravagantes. Diziam que a alma do café morava na simplicidade e, sinceramente, eles estavam certos.

No instante em que entrei na cozinha, o cheiro de manteiga e ovos me recebeu.

— Bom dia, Lilian — eu disse animada, envolvendo-a num abraço rápido e carinhoso.

Ela se virou para mim, ainda mexendo uma panela de ovos, o cabelo loiro preso de qualquer jeito, os olhos castanhos brilhantes com aquela energia jovem que parecia nunca abandoná-la.

— Bom dia, meu amor — ela respondeu, calorosa. — Como foi a sua noite?

— Foi boa — respondi, olhando ao redor da cozinha movimentada. — Cadê o Greg? Achei que ele já estaria aqui.

A expressão dela suavizou quando desligou o fogão e começou a colocar os ovos mexidos no prato.

— Ele já era pra ter voltado. Saiu pra buscar uns grãos de café fresquinhos.

Assenti, entendendo, e saí da cozinha bem na hora em que Tom entrou no café carregando duas sacolas de compras.

Um sorriso apareceu na minha boca na mesma hora.

— Bom dia, Tom — cumprimentei, alegre, por hábito, e depois ri baixinho de mim mesma.

Tom ergueu os olhos e abriu um sorriso, os olhos cinzentos brilhando de diversão.

— Bom dia, Ana.

Ele largou as sacolas numa mesa ali perto com um suspiro cansado.

— Tom, eu já te disse mil vezes pra não ficar carregando coisa tão pesada — reclamei, fazendo uma cara feia de brincadeira.

Ele fez um gesto como quem me dispensava. — Tá, tá. Já vi que você tá indo pro escritório, então vamos parar de fazer a rainha da moda esperar.

Parei por um instante e, então, concordei.

Ele tinha razão.

Eu gostava de chegar cedo aonde fosse. Isso me fazia sentir que eu tinha controle.

— Certo, te vejo mais tarde. Se cuida e, por favor, diz pro Greg que um dia desses eu apareço pra jantar.

— Pode deixar, eu aviso.

Dei um beijinho de leve na bochecha do Tom antes de sair do café.

O ar da manhã estava fresco quando entrei no carro e dirigi direto para o meu escritório.

Mesmo depois de tudo, ver aquele prédio ainda mexia comigo.

Ele se erguia diante de mim como um monumento a cada noite sem dormir, a cada sacrifício, a cada momento em que eu duvidei de mim.

Anastasia Designs.

O nome estava escrito em letras grandes na fachada do prédio de dois andares, elegante e impossível de ignorar.

Meu.

Eu tinha construído aquilo.

Ao passar pela recepção, meus funcionários me cumprimentaram com cordialidade.

— Bom dia, senhorita Fisher.

— Bom dia, senhora.

Eu respondi com um sorriso, mas não diminui o passo enquanto seguia para o elevador.

Eu amava meu negócio com todas as forças, e todo mundo que trabalhava comigo sabia de uma coisa: eu não brincava em serviço.

Quando as portas do elevador estavam prestes a se fechar, minha assistente, Clara Brooks, entrou correndo, ofegante, com a cabeça baixa, como se evitasse encarar meus olhos.

Suspirei.

— Clara, você está atrasada de novo.

Minha voz saiu mais dura do que eu pretendia.

Ela torceu nervosamente a barra do vestido preto florido antes de erguer os olhos para mim, castanhos e arregalados, fazendo-a parecer um cervo pego pelos faróis.

Eu gostava da Clara.

Ela era excelente no trabalho, mas tinha um talento infeliz para o caos.

O cabelo preto e comprido emoldurava o rosto dela com uma beleza natural, e havia algo de ousado na maneira como ela se portava, mesmo em momentos como aquele. Ela me lembrava a mulher que eu nunca tinha sido na idade dela — destemida, expressiva, viva.

— Me desculpa, senhorita Fisher. Não vai acontecer de novo. Eu prometo.

Observei Clara por um instante antes de assentir, a contragosto.

Trabalho era a minha vida.

Todo mundo naquele prédio sabia que amizade, proximidade ou intimidade não significavam nada quando os negócios começavam.

Fizemos o resto do caminho em silêncio.

No instante em que pisamos no meu andar, o dia me engoliu inteira.

Reuniões.

Ajustes na agenda.

Ligações de clientes.

Revisões de contrato.

Tinha sido assim nos últimos dias e, se eu fosse sincera, aquela correria repentina ainda me surpreendia.

Dei um gole no café e me recostei na cadeira.

— Certo. O que mais a gente tem hoje?

Clara deu uma olhada no iPod.

— Você tem uma reunião até às onze com o Valentino e, às duas, com a Prada, sobre seus últimos designs.

Soltei um suspiro de alívio.

— Ótimo. Prepare a sala de reunião e avise a equipe. Alguns dos nossos clientes são extremamente exigentes com o que querem nos intervalos do café, então precisa estar tudo perfeito. Me ligue no instante em que eles chegarem.

— Sim, senhora.

Ela se virou para sair, mas eu a interrompi.

Por algum motivo, eu estava com vontade de mais cafeína.

— Clara, por favor, traga outro café pra mim.

— Claro, senhorita Fisher. Mais alguma coisa?

— Sim. Avise a Mia que eu quero falar com ela.

Assim que Clara saiu, voltei para o notebook, respondendo e-mails e passando os olhos pelos contratos.

Ouvi uma batidinha leve na porta antes que ela se abrisse.

— Ana, sério? Você tá viajando de novo. O que foi?

A voz da Mia me puxou dos meus pensamentos.

Ela entrou carregando dois copos de café e deixou um na minha frente, antes de se sentar na cadeira do outro lado da mesa.

Eu sorri, calorosa.

— Nada demais. Eu só estava pensando em como eu sou sortuda por ter você como minha melhor amiga.

Ela revirou os olhos, embora um rubor subisse pelo rosto.

— Isso foi enjoativamente fofo. Por que você tá toda emotiva? Você sabe que eu odeio essas coisas.

Eu fiz uma careta, fingindo nojo.

— Você devia agradecer que eu tô de bom humor. Aproveita, porque você não vai ouvir isso de mim de novo.

Ela riu baixinho.

Dei mais um gole no café.

— Então, depois da reunião com a Prada, o que você acha que a gente devia fazer?

Mia se inclinou para a frente, com um brilho de empolgação nos olhos.

— Tem uma boate nova chamada Dream. Abriu faz mais ou menos um mês e, pelo que dizem, é incrível. O que você acha?

Um sorriso se abriu no meu rosto.

— Fechado. Hoje a gente vai encher a cara.

Ela caiu na gargalhada, exibindo os dentes perfeitos.

Meu Deus, como eu tinha sentido falta disso.

— Eu sinto falta dessa versão sua — disse Mia, baixinho. — Graças a Deus ela finalmente tá aparecendo de novo.

Olhei para ela por cima da borda do copo.

— Ela não foi a lugar nenhum. Eu só estava ocupada. Mas eu voltei, e a gente vai sair de verdade. Só não vou prometer hoje ainda. Preciso checar minha agenda. Se não der hoje, a gente remarca.

— Pra mim, qualquer dia serve. Desde que você vá. — Eu sorri, e passamos as horas seguintes trabalhando e conversando.

Então o clima mudou.

A porta se abriu outra vez, e Clara entrou.

Algo na tensão do rosto dela me deixou em alerta na mesma hora.

— Senhorita Fisher… — começou ela, com a voz instável. — Tem clientes aqui para ver a senhora.

Franzi a testa.

— Outro cliente? Eu não me lembro de ter marcado mais ninguém hoje.

A ideia dos meus planos para a noite escapando por entre os dedos me irritou na hora.

Clara engoliu em seco.

— Me desculpe, mas esses clientes são… importantes. Muito importantes. Eles insistiram em esperar.

Uma sensação estranha se enroscou no fundo do meu estômago.

Não era medo.

Ainda não.

Mas algo mais frio.

Algo instintivo.

De repente, o ar da sala pareceu mais pesado, mais escuro, como se as próprias sombras tivessem se inclinado para ouvir.

Meus dedos se apertaram em torno do copo de café quente.

Quem quer que fossem, não tinham vindo ali por acaso.

E alguma coisa me dizia que aquela reunião estava prestes a mudar tudo.

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