O Executor

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Caelum Cayden · Concluído · 293.5k Palavras

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Introdução

—Só pra você saber —Seline arfou, se agarrando aos ombros dele como se a vida dependesse disso. —EU TE ODEIO.

O olhar de Kade escureceu e, num movimento rápido, ele investiu nela. Forte e rápido.

—Eu.
Investida.
—Odeio.
Investida.
—Você.
Investida.
—Também.
Investida. —Tanto pra caralho que, se não fosse por essa boceta, eu já teria te matado faz tempo.

Ela abriu um sorrisinho de canto. —O sentimento é recíproco.

Um casamento arranjado. Um acordo de paz entre duas famílias poderosas. O que pode dar errado?

Tudo. Porque eles se odeiam. A ponto de não estarem nem aí pro acordo. Foi ódio à primeira vista. O sangue nunca vai parar de correr. Só tem um problema. Tesão.

Num mundo moldado por sangue e lealdade, uma trégua frágil une dois clãs rivais da máfia —Marcellus e Dufort. Como parte do pacto de paz, Seline Dufort deveria se casar com Luca Marcellus. Mas, depois do desaparecimento misterioso dele, ela foi entregue ao primo de Luca, Kade Marcellus, um chefão implacável conhecido por enterrar os inimigos no silêncio.

Pra ele, ela é uma garota muda, dócil —fácil de controlar, fácil de esquecer.

Mas Seline não é nada disso. Ela fala. Ela se lembra de tudo. E tem um único objetivo: destruir o homem que um dia arruinou a vida dela.

Só que a vingança se complica quando o ódio vira obsessão… e o homem que ela deveria destruir começa a parecer o único que realmente a enxergou.

O que acontece quando a garota que jurou vingança vira a mulher que ele não consegue largar, e o silêncio entre os dois é mais perigoso do que qualquer guerra?

Capítulo 1

SELINE

Fixei o olhar em Satan, parado imponente no fim do corredor, a silhueta emoldurada pela expectativa contida da multidão. Através da névoa suave do meu véu rosa-claro, captei o fogo nos olhos dele, cor de mel. Ele não baixou o olhar nem um centímetro abaixo do meu pescoço — afiados, inflexíveis, cravados em mim como se eu fosse, ao mesmo tempo, uma maldição e um desafio. Mesmo com os seis metros que nos separavam, eu vi o tique na mandíbula dele, o jeito como os punhos se fechavam com força ao lado do corpo.

Eu sorri de canto.

Eu mal podia esperar para me casar com ele — só para poder destruí-lo.

Antes que meu tio Cillian pudesse me conduzir até a frente, eu dei, de propósito, um passo sozinha. A multidão explodiu em aplausos, confundindo minha ousadia com ansiedade para me tornar a noiva de Satan. Ah, sim. Eu estava ansiosa. Porque de que outro jeito eu poderia transformar a vida dele num inferno, se não como esposa?

Ninguém naquela capela questionou a estranheza de uma noiva coberta de rosa-claro em vez de branco. Ninguém se importou.

Ninguém, exceto ele.

E isso bastava.

Meu futuro marido, Kade Marcellous, o executor do clã Marcellous e o futuro don, detestava rosa. Ele odiava como se a própria cor tivesse feito alguma coisa contra ele. E é exatamente por isso que, quando eu amarrar a vida dele à minha, vou fazer isso envolta em rosa.

As palavras do padre passaram por mim sem sentido, como o refrão de uma música que eu nunca tive intenção de aprender. Meus olhos continuaram presos aos de Satan, e meu sorriso de canto não vacilou.

Quando chegou a hora, ele respondeu primeiro.

— Eu aceito — disse ele, a voz macia como seda, mas carregada de veneno, como se aquelas duas palavras fossem uma sentença de morte.

A multidão suspirou, encantada. Idiotas.

Então foi a minha vez.

Eu assenti, um pouco ansiosa demais para alguém que odeia o noivo e esse casamento.

As palmas ribombaram pela capela, fazendo as rosas e as fitas tremerem.

E então veio o beijo.

Ele se inclinou, o hálito roçando meus lábios, o olhar incandescente de ódio disfarçado de paixão. Os convidados se inclinaram também, famintos pelo conto de fadas. Em vez disso, o sussurro dele se enfiou entre nós, afiado como uma lâmina.

— Eu juro transformar a sua vida num inferno. Te odiar até o meu último suspiro.

Eu deixei meus lábios se curvarem devagar, saboreando o amargor. Em vez de responder em voz alta, ergui as mãos entre nós, delicada e precisa. Meus dedos se moveram na língua fluida do silêncio, uma que só eu queria que ele entendesse:

Eu juro retribuir. Te odiar na mesma medida. Não deixar você respirar sem eu assombrar cada fôlego.

O público ofegou, encantado. Eles acharam que era uma declaração de amor suave e secreta. Um poema particular de devoção, partilhado só entre noiva e noivo.

E quando nossos lábios finalmente se tocaram, eles rugiram de alegria, cegos para a guerra que acabara de ser declarada em rosa.

Aviso de Conteúdo

Esta história contém menções a:

Abuso infantil

Experimentação humana

Abuso físico da protagonista

Esses elementos estão presentes, mas não são descritos de forma gráfica. Esta não é uma história centrada em um relacionamento abusivo ou em sofrimento sem fim. Embora temas sombrios apareçam, a narrativa explora resiliência, laços distorcidos e disputas de poder, em vez de tormento gratuito.

Recomenda-se discrição ao leitor.

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"Shh," ele sussurrou em seu ouvido, "não vou te machucar, deixe-me te amar."


Quando ele caiu, um lobo negro estava no lugar do humano na névoa, era tão negro quanto a meia-noite, com uma pelagem brilhante que reluzia no escuro. A cicatriz no rosto do homem era exatamente igual à do lobo, seus olhos eram de um preto profundo com um toque de dourado que brilhava conforme seus sentimentos. Sua pata bateu no chão com um movimento forte, mas firme.


Sua memória voltou, e ele era Alexander de Luca II. O Alfa da matilha mais forte e respeitada, com o conselho de líderes mais poderoso. Sua matilha. A Matilha De Luca, onde a honra vem em primeiro lugar.


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