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Joy a encarou. "É um demônio feminino que ataca homens durante o sexo."
Brinley sorriu. "Mas as vítimas eram todas mulheres."
"Mesma coisa."
"Incrível. Me conte mais." Brinley disse. Distraidamente, ela esfregou a palma da mão direita.
Joy sorriu de excitação.
Brinley vagou entre as muitas estantes.
"Você sabe o que está procurando?" Joy apareceu na frente da amiga.
"Jesus," Brinley levou a mão ao peito.
"Assustada?" Joy ergueu as sobrancelhas.
"Você está estranhamente feliz com tudo isso, Joy. Por que está tão feliz?"
"Eu tenho meus interesses, Brinley. Além disso, qual é a pior coisa que poderia acontecer?"
"Um súcubo poderia nos devorar."
"Verdade, mas não seja tão pessimista. Não vai doer procurar, talvez a gente encontre algo para seu trabalho de conclusão. Dois coelhos, uma cajadada só."
Relutantemente, Brinley concordou. "Ok, você tem razão. Qual é a pior coisa que poderia acontecer," ela repetiu as palavras de Joy. As duas garotas se separaram para cobrir mais terreno e, momentos depois, com uma pilha de livros, sentaram-se à mesa.
"Tem uma coisa que me incomoda em tudo isso," Brinley olhou para cima de um tomo empoeirado.
"O que é?" Joy manteve o nariz no livro.
"Bem, se Maggie é um súcubo, por que haveria tanto sangue?"
Joy coçou o queixo pensativa. "Não sei. Nunca vi um de verdade antes. Talvez haja algo no sangue dos vivos que ajude o espírito a se manifestar. Como você se sentiu quando Maggie estava perto de você?"
Brinley engoliu a ansiedade que subia pela garganta. "No começo, parecia tudo bem, especialmente quando estávamos do lado de fora, mas uma vez dentro, a sensação de não conseguir respirar se instalou no meu peito. Mesmo relembrando esse momento, ainda sinto como se estivesse sufocando."
"Desculpe por isso ter acontecido com você, Brin. Eu queria que você tivesse me esperado."
"Quantas vezes você vai trazer isso à tona?"
Joy pigarreou. "Desculpe," ela murmurou.
Brinley suspirou. "Não é você, Joy. Não quis ser grossa com você."
Joy sorriu fracamente. "Acho que encontrei algo." Joy mudou de assunto. "E se Maggie não for um súcubo, mas um Moroi?"
"Um o quê?" Brinley se inclinou para ler as palavras no livro.
"Um moroi. É um tipo de vampiro do folclore romeno."
"O que mais diz?"
"Nada que faça sentido para nós." Joy fechou o livro. "Por que você está me olhando assim?" Joy se mexeu na cadeira de plástico duro.
"Eu nunca soube que você sabia tanto sobre tudo isso. Toda vez que eu falava sobre o paranormal, você agia com medo, mas agora..."
"Eu tenho medo. Olha, eu só estava tentando te ajudar. Se você não quer minha ajuda," Joy se levantou.
"Não, não, espera. Por favor, não vá. Desculpe. Me conte mais sobre esse moroi?"
Joy encarou Brinley por alguns momentos antes de se sentar novamente. "A única coisa que este livro diz é que eles já foram humanos."
"Então, como um vampiro comum, eles têm uma tumba para se esconder enquanto descansam, certo?"
"Eu suponho que sim. Talvez essa seja a tarefa de William. Ele tem que proteger Maggie enquanto ela dorme, e depois ele traz almas para ela se alimentar."
"Faz sentido. Eles devem estar ligados à propriedade porque, se não, essa cidade estaria morta." Joy coçou a cabeça. "Que inferno, você deve estar certa. Talvez William não tenha matado a esposa afinal."
Brinley encostou a testa na mesa de madeira fria. "Isso tudo é uma loucura." Ela balançou a cabeça de um lado para o outro.
"Nem me fale," Joy concordou. "Você acha que deveríamos ir até lá?"
Brinley levantou a cabeça. "Você quer ir até lá?"
"Qual é a pior coisa que poderia acontecer?" Joy riu.
"Com certeza."
"Juntas então," Joy estendeu a mão.
"Juntas." Brinley apertou a mão da amiga.
Brinley encarou sua amiga. "Não acredito que você faria isso comigo."
Joy piscou. "É o que amigas fazem, mas..." ela apontou para Brinley, "se eu virar um zumbi ou algo assim, vou te matar." Joy tentou manter a cara séria. "Aqui," ela jogou um livro sobre demônios no colo de Brinley. "É melhor lermos." As mulheres saíram da biblioteca pouco antes do anoitecer.
"Podemos ir com meu carro. É mais confiável." Joy tirou as chaves da bolsa.
"Não acho que o carro importe. É tudo sobre energia. Talvez devêssemos estacionar mais longe, caso precisemos fugir rápido."
"Certo," Joy lançou um olhar para Brinley. "Eles não vão conseguir sugar a energia do carro. Boa ideia." Rapidamente, as duas mulheres caminharam até o carro de Joy. Em um minuto, estavam a caminho do destino. Joy estacionou na beira da estrada, longe do tráfego. "Isso é um pouco assustador, né?" Joy encarou Brinley.
"Não precisamos ir a lugar nenhum. Podemos simplesmente voltar para casa."
"Não," Joy balançou a cabeça. "Quero ver com meus próprios olhos."
"Ok," Brinley concordou. "Vamos." Brinley abriu a porta do carro e saiu para o ar fresco da noite. Brinley atravessou a rua e seguiu pela entrada da casa.
"Ele não é nojento, né?"
Brinley riu. "Não."
"Aqui estamos." Joy encarou a grande casa.
"Vamos dar uma olhada mais de perto." Brinley empurrou os portões de ferro.
"Essas são as flores?" Joy se abaixou para cheirar o botão florescente.
"Sim. Estou surpresa que ainda estejam florescendo."
"Talvez ela tenha levado mais da sua essência do que você percebe."
"Isso é possível, mas olha, a casa está apagada enquanto essas rosas permanecem frescas."
"Saudações, doce Brinley. Vejo que trouxe uma convidada." A voz de William veio de trás de Joy.
Joy gritou. "Você me assustou pra caramba." Ela apertou o peito.
"Perdoe-me." William deslizou na frente das mulheres. "Estou surpreso em vê-la novamente."
"Por que, porque você tentou matá-la?" Joy murmurou.
"Joy," Brinley sibilou.
"Desculpe."
"Sua amiga está certa. Eu permiti que Maggie roubasse sua essência." William abaixou a cabeça.
"Mas você também me salvou, William." Brinley interveio.
"Sim, por que você a salvou?" Joy se aproximou de Brinley.
"Eu não a salvei. Ela se salvou. O que traz vocês duas aqui?" William ignorou Joy.
"Eu precisava vê-lo novamente."
"Oh, é mesmo?" William circulou as mulheres. "Por quê?"
"Eu queria ver se você era real." Brinley sorriu.
William flutuou atrás de Brinley. "Qual é sua conclusão?"
Brinley lançou um olhar por cima do ombro para ele. "Eu não estou louca."
William riu. "Não, minha doce Brinley, você não está louca. Estou bastante divertido em vê-la novamente, e quem é sua amiga?" William encarou Joy. "Eu a conheço?"
"Não, você não me conhece." Joy resmungou.
Brinley cutucou a amiga.
"Ok, ok," Joy levantou as mãos. "Perdoe-me, não é todo dia que uma garota vê um fantasma." Joy esfregou a ponta do nariz.
William se inclinou em direção a Joy. "Tem certeza de que não nos conhecemos?"
"Sim, tenho certeza."
"Você preferiria que eu fosse todo deformado e nojento?"
"Não, assim está ótimo, obrigado." Joy levantou a mão para tocar William, mas imediatamente retirou a mão. "Você é tão frio." Joy esfregou as mãos para aquecê-las.
William pigarreou. "Espíritos criam pontos frios." William circulou Joy. "Qual é o seu nome?"
