Rejeitada pelo Meu Companheiro, Retornei como a Rainha Lunar

Rejeitada pelo Meu Companheiro, Retornei como a Rainha Lunar

dove48998 · Atualizando · 224.3k Palavras

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Introdução

Meu nome é Mira. Sou a princesa da Matilha Nightwood e, ainda assim, vivo como uma escrava.

Todos acreditam que eu fui a causa da morte da minha mãe. Meu pai, o Alfa, me odeia por isso. Enquanto minha irmã gêmea é amada, mimada e tratada como uma princesa, eu sou punida, humilhada e obrigada a sofrer dentro da casa do meu próprio pai.

Na noite do nosso décimo oitavo aniversário, Alfas de diferentes matilhas chegaram para celebrar o Festival da Lua de Sangue. Foi naquela noite que encontrei meu companheiro, Ashur, o Alfa mais forte que já existiu. Eu finalmente fui feliz. Acreditei que meu sofrimento tinha acabado.

Naquela mesma noite, eu me entreguei a ele, e compartilhamos um vínculo de uma única noite.

Mas, pela manhã, tudo mudou.

Depois que meu pai encheu a cabeça de Asher com mentiras, me chamando de uma maldição, Asher me rejeitou publicamente diante de toda a matilha. Como se aquela dor não bastasse, ele escolheu minha irmã gêmea como sua Luna e me deixou destruída.

Semanas depois, descobri que estava grávida do filho de Asher.

Então um velho mago apareceu com uma profecia terrível:
a criança que crescia dentro de mim um dia mataria minha irmã e, para impedir que a profecia se cumprisse, eu precisava ser morta.

Capítulo 1

Por três dias, uma guerra feroz devastou a Matilha Nightwood. O sangue encharcava o chão enquanto lobisomens se chocavam, matando uns aos outros sem misericórdia. O ar estava pesado de morte, dor e desespero.

Dentro da casa do Alfa, longe do campo de batalha, travava-se outro tipo de guerra.

A Rainha Lyra gritava de agonia enquanto seu corpo se esforçava para trazer vida ao mundo. O suor encharcava sua pele, e seus dedos se cravavam nos lençóis enquanto ela fazia força com tudo o que ainda lhe restava.

— Minha Rainha, faça mais uma força — insistiu a parteira.

Lyra gritou, a voz falhando enquanto empurrava, e, instantes depois, o choro agudo de um recém-nascido encheu o quarto.

— É o meu bebê? — perguntou a Rainha Lyra, fraca, com o peito arfando.

— Sim, minha Rainha — respondeu a parteira, sorrindo. — É uma menina.

Antes que o alívio pudesse se instalar, outra parteira arregalou os olhos, ofegante.

— Tem outro bebê vindo.

O medo atravessou o rosto de Lyra.

— Minha Rainha, faça força! — gritou a parteira, em urgência.

Lyra reuniu o pouco de força que ainda tinha e empurrou de novo. O tempo pareceu se esticar interminavelmente até que, por fim, o segundo bebê nasceu.

Mas desta vez… não houve choro.

O quarto mergulhou em silêncio.

— Ela… está morta? — sussurrou uma das parteiras, esfregando o corpinho minúsculo, tentando desesperadamente fazê-la chorar.

Nada.

— Posso pegar a minha bebê? — disse a Rainha Lyra, forçando-se a se sentar apesar da dor.

A parteira hesitou antes de colocar a criança em seus braços.

Lyra encarou o bebê por um longo momento. Seu coração se despedaçou.

— Ela está fraca — sussurrou Lyra, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Ela pode morrer. Minha bebê… minha bebê pode morrer.

— O que vamos fazer? — perguntou uma das parteiras, em pânico.

— Poder precisa ser derramado nela — disse a Rainha Lyra, baixinho. — É o único jeito de ela sobreviver.

Nesse instante, a porta se escancarou.

O Rei Raze entrou às pressas, com as roupas manchadas de sangue e os olhos selvagens de medo.

— O que está acontecendo? — exigiu.

— Uma das bebês está morrendo — disse Lyra, desesperada. — Ela está fraca demais. Não podemos deixá-la morrer.

Raze cerrou o maxilar.

— Tudo bem — disse friamente. — Ainda temos a outra bebê.

Lyra ergueu a cabeça num sobressalto.

— Não! — ela gritou. — Eu não posso deixar minha filha morrer. Vou dar a ela o meu poder.

Antes que o Rei Raze pudesse impedi-la, a Rainha Lyra começou a murmurar um feitiço antigo. Um brilho prateado a envolveu, fluindo do seu corpo e entrando na bebê frágil em seus braços.

— NÃO! — berrou o Rei Raze, correndo em sua direção.

Mas era tarde demais.

O brilho se apagou.

O corpo de Lyra desabou.

—Me desculpa —sussurrou, fraca, ao colocar o bebê nos braços de Raze. Seus olhos se fecharam devagar, e sua respiração cessou.

A rainha Lyra se fora.

O rei Raze caiu de joelhos, segurando a criança, enquanto um grito de dor lhe rasgava o peito, ecoando pelos corredores de Nightwood.

DEZESSETE ANOS DEPOIS

Ponto de vista de Mira

Acordei antes de o sol nascer e saí da cama depressa, com o corpo fraco e dolorido. Mesmo assim, eu não ousava me deitar de novo. Se eu fizesse isso, meus ossos pagariam o preço. Eu apanharia como se fosse uma coisa sem vida.

Sou uma das princesas da Matilha Nightwood, e mesmo assim todos me tratam como uma escrava. Só porque o meu nascimento trouxe dor em vez de alegria — a alegria que outros filhotes trazem quando nascem.

Meu pai me odeia.

Toda vez que ele olha para mim, os olhos dele se enchem de fúria. Ele se arrepende de ser meu pai. Todos os dias, ameaça me matar ou me banir da matilha.

Tudo porque eu sou o motivo de a minha mãe ter morrido.

Foi isso que me disseram.

Disseram que minha mãe entregou a vida por mim. Que, na noite em que minha irmã gêmea e eu nascemos, ela descobriu que eu era fraca, que estava morrendo. Para me manter viva, ela derramou todo o poder dela em mim e acabou perdendo a própria vida no processo.

Disseram que meu pai tentou impedi-la, mas minha mãe se recusou. Disse que não podia ver a filha morrer.

Às vezes… eu queria que ela tivesse escutado ele.

Às vezes, eu queria que ela tivesse me deixado morrer.

Porque qual é o sentido de viver quando todo mundo te odeia?

Eu me forcei a sair da cama e fui para o banheiro. Depois do banho, vesti o uniforme de escrava e prendi o cabelo com capricho. Diante do espelho, encarei meu reflexo.

Eu não sabia por que fazia isso todas as manhãs.

Talvez eu esperasse que, um dia, meus olhos mudassem, ficassem normais como os de todo mundo da matilha.

Meus olhos são diferentes. Nem eu sei a cor verdadeira deles. São estranhos… antinaturais. Alguns dizem que é uma maldição.

Mas eu sei que não sou amaldiçoada.

Ainda assim, eu não entendo por que meus olhos são diferentes dos de todo mundo.

Às vezes me pergunto se, um dia, quando eu encontrar meu companheiro, ele vai me amar pelo que eu sou ou me odiar, como todo mundo.

Já ouvi histórias de companheiros tratando suas mulheres como rainhas. Eu sonho com isso. Sonho com o dia em que meu companheiro vai me levar para bem longe desta matilha, para um lugar onde eu finalmente possa ser feliz.

Mas e se ele não gostar de mim?

—Mira, pare de pensar besteira —disse Elena, minha loba interior, com gentileza. —Claro que o nosso companheiro vai gostar da gente.

Sorri de leve.

— Espero que sim — sussurrei.

— Mira, você já está atrasada — alertou Elena.

Meus olhos se arregalaram quando olhei para o relógio na parede. Eu estava vinte minutos atrasada para preparar o café da manhã.

O medo me atravessou.

Sem perder mais um segundo, saí correndo do quarto.

Fui depressa para a cozinha com toda a velocidade que meu corpo conseguia. Meu coração martelava enquanto eu fervia água para o chá. Peguei os ovos e comecei a quebrá-los num prato, com as mãos tremendo de leve.

Eu estava quase terminando o café da manhã quando senti alguém entrar na cozinha.

Virei-me, e meu coração afundou.

Era minha irmã, Mila.

Bastou um olhar para o rosto dela para eu entender tudo. Eu não precisava que ninguém me explicasse. Eu estava encrencada.

Eu estava atrasada.

Antes que eu conseguisse dizer uma única palavra, uma dor aguda explodiu na minha bochecha.

Tapa!

Mila tinha me esbofeteado.

Agarrei a bochecha enquanto lágrimas quentes escorriam pelo meu rosto, a ardência queimando fundo.

— Dá pra me dizer por que o café da manhã ainda não está pronto? — ela gritou, erguendo a jarra de água quente do balcão.

Meus olhos se arregalaram de terror. Eu sabia exatamente o que ela ia fazer.

Ela ia despejar em mim.

Então, uma voz cortou a tensão.

— Abaixa isso, Mila.

Kael.

Nosso irmão mais velho.

Mila revirou os olhos, irritada, antes de largar a jarra de volta no balcão.

— Vou te dar um minuto pra trazer meu café da manhã — disse ela, fria. — Se você não trouxer, você não vai estar viva no minuto seguinte.

Ela me lançou um olhar venenoso antes de ir embora.

— Você está bem? — Kael perguntou baixinho.

Assenti e enxuguei as lágrimas depressa, sem confiar na minha voz.

Ele me olhou por um longo momento, como se quisesse dizer alguma coisa, e então se virou e foi embora.

Engoli em seco e continuei preparando o café da manhã.

Kael é a única pessoa que me ama e me trata bem. Mesmo que o pai nunca fique feliz com isso, Kael ainda fica do meu lado.

Ao contrário de Mila, minha própria irmã gêmea, que me odeia.

Às vezes eu me pergunto por que ela me odeia tanto. Ela está sempre procurando qualquer oportunidade para me machucar.

Ela é a favorita do pai. Ele a trata como a princesa que ela é, sempre a defendendo mesmo quando ela está errada.

Às vezes… eu tenho inveja dela.

Às vezes, eu queria que o pai me tratasse como trata ela, só uma vez.

Depois que terminei de preparar o café da manhã, carreguei as bandejas até o grande salão de jantar. Pai e Mila já estavam sentados, provavelmente esperando que eu os servisse.

Enquanto eu arrumava a comida na mesa, eu sentia o olhar furioso do pai queimando em mim. Eu me perguntava se ele algum dia se cansava de me encarar com tanto ódio. Pelo amor de Deus, eu ainda era filha dele. O sangue dele ainda corria nas minhas veias. Será que ele não podia ser gentil comigo nem uma vez?

Quando terminei de servir a refeição, fiz uma reverência respeitosa e me virei para sair.

— Mira.

A voz fria do pai me deteve.

Minhas pernas congelaram no lugar. Devagar, eu me virei para encará-lo, e meu coração despencou ao ver o sorriso cruel no rosto dele.

— Por que você demorou tanto pra preparar o café da manhã? — ele rosnou. — Como você ousa nos deixar esperando?

A voz dele me deu arrepios na espinha. Olhei para Mila e vi que ela sorria de forma maldosa, claramente aproveitando o momento.

Abri a boca para explicar, mas antes que eu dissesse qualquer coisa, o pai agarrou de repente a jarra de chá quente e despejou sobre a minha cabeça.

Eu gritei de dor quando o líquido ardente encharcou meu cabelo e minhas roupas, me obrigando a cair de joelhos.

— Se isso acontecer de novo, eu não vou poupar você — ele rosnou.

— Eu queria que você estivesse morta — ele gritou. — Eu queria que você nunca tivesse nascido!

— Pai, chega!

A voz de Kael cortou o salão quando ele entrou correndo.

— Não me diga o que eu tenho que fazer! — berrou o pai.

— Você não pode continuar tratando a Mira desse jeito — Kael disse, firme. — Ela não fez nada de errado. Você precisa parar.

— Ela fez alguma coisa! — rugiu o pai. — Ela matou a minha Luna. Ela é o motivo de sua mãe estar morta!

— Ela era só um bebê — Kael respondeu. — Ela não sabia de nada.

— Mais uma palavra sua — trovejou o pai — e eu vou te lembrar que eu ainda sou o Alfa desta matilha! Você não fala comigo desse jeito!

Então ele se virou para mim, apontando com raiva.

— Sai da minha frente!

Ignorando a dor ardente por todo o meu corpo, eu me forcei a ficar de pé e corri para fora do salão de jantar, com as lágrimas me cegando enquanto eu fugia.

Corri direto para o meu quarto e arranquei minhas roupas. Minha pele já estava ficando pálida e vermelha por causa da água quente.

Minhas mãos tremiam quando abri a torneira. Água fria caiu sobre o meu corpo, e eu desabei, soluçando, enquanto a dor queimava ainda mais fundo na minha carne. Minhas pernas cederam, e eu deslizei encostada na parede, me abraçando enquanto a água continuava a correr.

A dor era demais para suportar.

Era mesmo por isso que a Deusa da Lua tinha me criado?

Só para sofrer?

As lágrimas se misturavam à água no meu rosto enquanto meu peito apertava.

Talvez ela também não goste de mim…

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