Capítulo 5 0005

Veja P.O.V

Deitada na minha cama, ouvi a batida alta da bateria ecoando do lado de fora. Lágrimas escorriam livremente pelo meu rosto. Hoje foi o Festival da Lua de Sangue, e todo mundo estava lá fora comemorando, rindo, dançando... se divertindo.

Todos, exceto eu.

Meu pai, King Raze, ordenou que eu ficasse no meu quarto antes mesmo de o festival começar. Ele me avisou para nunca sair. Eu sabia o porquê. Ele tinha vergonha de mim. Tenho vergonha de deixar os convidados verem que eu era sua filha, aquela tratada pior do que uma escrava.

Ele não queria que ninguém me visse.

Eu virei meu rosto no travesseiro e chorei baixinho.

Eu gostaria de poder sair, mesmo que por um momento. Talvez eu encontre meu companheiro hoje à noite. Talvez ele me levasse para longe desse lugar. Talvez eu finalmente estivesse livre.

Mas eu não podia sair desta sala.

Se eu soubesse, meus ossos pagariam o preço.

“Mira, pare de chorar”, disse Elena, minha loba, suavemente na minha cabeça.

Ela era a única que eu tinha. Por causa do pai, todo o grupo me odiava. Ninguém queria ter nada a ver com a filha amaldiçoada do Alfa.

“Como posso parar de chorar?” Eu sussurrei. “Ninguém gosta de mim.”

“Você não precisa de ninguém”, respondeu Elena com firmeza. “Tudo o que precisamos é do nosso companheiro. Ele nos levará para longe daqui.”

“E se eu não tiver um?” Eu perguntei trêmula. “E se ele me odiar?”

“Nosso companheiro nunca nos odiará”, disse Elena. “Ele vai nos amar.”

Só então, um perfume me atingiu.

Doce. Poderoso. Irresistível.

“Nosso companheiro está aqui,” Elena engasgou. “Ele está aqui, eu posso senti-lo!”

Meu coração pulou violentamente quando pulei da cama e corri para a janela. Olhei para a grande multidão reunida do lado de fora. Havia tantas pessoas que seria impossível encontrá-lo.

Então eu o vi.

Um jovem bonito saiu de uma carruagem real.

Meu coração parou.

Não... isso não poderia ser real.

Nosso companheiro era da realeza. Um Alfa.

“Mira, seja feliz”, disse Elena animada. “Nosso companheiro é um Alfa!”

Em vez disso, o medo se apoderou de mim.

“E se ele não nos quiser?” Eu sussurrei. “A realeza não se casa com maldições.”

“Pare de dizer isso”, retrucou Elena. “Não estamos amaldiçoados. E eu preciso dele.”

Eu engoli e continuei observando ele. Ele se manteve firme e dominante, apenas sua presença fazendo com que a multidão se separasse por ele. Mesmo com sua expressão fria, ele parecia irreal, como se a própria Deusa da Lua o tivesse criado perfeitamente.

Ele olhou em volta lentamente, como se estivesse procurando.

“Ele está procurando por nós”, eu respirei.

“Sim! Vá até ele!” Elena insistiu.

Mas eu não consegui.

Desobedecer ao pai significava a morte.

Eu observei ele caminhar em direção ao corredor. Meus olhos o seguiram impotentes. Ele era tão bonito mais do que qualquer cara que eu já vi.

De repente, ele parou.

Ele levantou a cabeça e nossos olhos se encontraram.

O mundo congelou.

Naquele momento, eu esqueci tudo. A dor. O ódio. O sofrimento. Só havia ele.

Minha companheira.

Meu coração acelerou descontroladamente. Eu queria correr até ele, me jogar em seus braços e implorar que ele me levasse para longe desse inferno.

Mas o medo destruiu essa esperança.

E se ele me rejeitasse?

A rejeição era o pior pesadelo de todo lobo, ver seu cônjuge escolher outro enquanto seu coração se despedaçava pedaço por pedaço.

Lágrimas encheram meus olhos.

Antes que eles caíssem, eu rapidamente me escondi da janela.

Quando olhei novamente... ele tinha sumido.

**

Asher estava sentado no grande salão, com uma taça de vinho na mão enquanto tomava goles lentos. Seus olhos aguçados examinaram a multidão repetidamente, esperando e orando para vê-la.

Seu companheiro.

Ela não estava em lugar nenhum.

Ele viu casais dançarem no chão, risadas e música enchendo o ar, mas sua mente estava longe. Tudo o que ele conseguia pensar era nela, em seu perfume, aquele cheiro doce e inebriante que o deixava quase louco.

Algo não estava certo.

Ela deveria estar aqui como qualquer outra mulher no corredor. Por que ela estava se escondendo?

Sua mandíbula se contraiu. Não importava o que acontecesse, ele tinha certeza de uma coisa: uma vez que a encontrou, ele a estava levando de volta para sua mochila. Ele não partiria sem sua companheira.

Ele a encontraria.

“Olá”, disse uma voz suave ao lado dele. “Você está procurando alguém?”

Asher se virou levemente para ver Mila parada ao lado dele, sorrindo docemente. Ela o observava há algum tempo, incapaz de parar de admirar o quão bonito e poderoso ele parecia. Em seu coração, ela esperava, desesperadamente, que ele fosse seu companheiro e fizesse dela sua Luna.

Asher imediatamente a reconheceu como filha do Rei Raze.

“Parece que você está entediado”, continuou Mila enquanto se sentava ao lado dele. “Achei que poderia te fazer companhia.”

“Não preciso de companhia”, respondeu Asher friamente, sem sequer lhe poupar uma olhada.

Mila congelou.

Ninguém nunca a havia dispensado daquele jeito antes. A vergonha a invadiu, mas ela se forçou a manter a calma. Não era um lobo qualquer; ele era um poderoso Alfa.

“Eu só estava pensando...” ela começou.

“Você conhece uma garota que se parece com você?” Asher cortou bruscamente.

Os olhos de Mila se arregalaram em estado de choque.

Uma garota que se parecia com ela?

Só uma pessoa me veio à mente, Mira.

Sua irmã gêmea.

Mas isso era impossível.

O pai ordenou que Mira ficasse trancada em seu quarto. Ela não poderia ter sido vista. Ela não deve ter sido vista.

“Princesa Mila”, disse Asher, finalmente olhando para ela. “Você me ouviu?”

“Hein?” Mila forçou um sorriso, rapidamente desviando o olhar. “EU... Eu acho que você está enganado. Ninguém se parece comigo.”

Ela mentiu suavemente. Ela não podia deixá-lo saber sobre Mira.

Asher a estudou por um momento e depois desviou o olhar. “Tudo bem. Obrigado.”

“Você gostaria que eu lhe mostrasse o pacote?” Mila perguntou docemente, tentando novamente.

“Não”, disse Asher com firmeza. “Eu quero ficar sozinho.”

Esse foi o golpe final.

Mila cerrou os punhos, seu sorriso desapareceu enquanto a raiva percorria seu rosto. Sem dizer mais uma palavra, ela se virou e foi embora.

Mas no fundo de seu peito, o medo surgiu.

Quem era a garota que ele estava procurando?

Asher viu Mila ir embora, seus olhos se estreitando um pouco. Algo no fundo dele lhe disse que ela havia mentido.

Mas por quê?

Ele suspirou pesadamente e bebeu o vinho de uma só vez, batendo a xícara na mesa. Seu olhar aguçado se ergueu para Dax, que ficou quieto ao lado dele.

“Me sirva outra bebida”, disse Asher.

“Meu Senhor, você vai ficar bêbado”, respondeu Dax com cautela.

Asher se virou lentamente, fixando-o com um olhar frio e mortal.

“Você tem um desejo de morrer?” Asher perguntou baixinho.

Dax balançou a cabeça imediatamente e correu para encher o copo.

Asher pegou o copo e o esvaziou com a mesma rapidez.

“Você pode parar de beber e ir procurar nosso companheiro?” Ryn rosnou dentro de sua cabeça, com a voz cheia de frustração. “Ela deve estar por perto.”

“Fique quieto antes que eu perca a paciência”, disse Asher mentalmente. Ryn pode ser insuportavelmente irritante.

“Não”, argumentou Ryn. “Você precisa se levantar e procurar nosso companheiro. Ela está aqui... Eu posso sentir isso.”

“Ela não gosta de nós, Ryn”, disse Asher, com a mandíbula apertada. “Ela se escondeu quando nos viu.”

“Isso é porque você a assustou com aquela sua cara fria”, respondeu Ryn. “Você nem sorriu para ela.”

Asher ficou quieto.

Talvez Ryn estivesse certo.

Ele poderia ter sorrido, mesmo que só um pouco. Ele estava tão perdido na beleza dela que esqueceu todo o resto. Ainda assim, isso não era motivo suficiente para ela se esconder dele. Ele a procurou por anos.

“Ou talvez ela seja apenas tímida”, acrescentou Ryn.

“Fique quieto”, rosnou Asher, e imediatamente o impediu de sair.

Asher recostou-se na cadeira, olhando para a multidão mais uma vez.

Não importa o que aconteça, ele pensou, eu vou encontrá-la.

Enquanto isso, Mila caminhou furiosa até o quarto de Mira, sem bater, ela abriu a porta e entrou. Ela encontrou Mira limpando o chão, ela se aproximou dela e lhe deu um chute forte.

Mira olhou para a surpresa de Mila, imaginando o que ela fez de errado.

“Pare de olhar para mim com esses olhos e me responda. Você saiu do seu quarto?” Mira perguntou, ela teve a sensação de que Ausher a viu, quem mais se parecia com ela, se não Mira,

Mira segura a barriga enquanto as lágrimas escorrem pelo rosto, ela olha fracamente para Mila e balança a cabeça enquanto as lágrimas escorrem pelas bochechas.

“Melhor, você não deveria sair desta sala até o fim do festival”, disse Mila com os dentes rangendo.

Mira acena com a cabeça,

Mila olha para Mira desolada enquanto ela se afastava.

Mira estava sentada lá enxugando os olhos.

Tornou-se obrigatório que um dia não passe sem que ela receba uma surra de Mila ou de seu pai, sua vida é muito miserável.

Mila invadiu furiosamente o quarto de Mira. Sem bater, ela abriu a porta com um chute e entrou.

Mira estava sentada no chão, chorando. Mila se aproximou e deu um forte chute em seu lado.

Mira ofegou de dor e olhou para Mila em estado de choque, confusa e assustada, imaginando o que ela havia feito de errado.

“Pare de olhar para mim com esses olhos e me responda”, retrucou Mila. “Você saiu do seu quarto?”

A voz dela estava nítida. Mila já tinha a sensação de que Asher tinha visto alguém. E quem mais se parecia com ela, se não Mira?

Mira apertou sua barriga enquanto mais lágrimas escorriam por seu rosto. Fracamente, ela balançou a cabeça, incapaz de falar apesar da dor.

“Bom”, disse Mila com os dentes cerrados. “É melhor não sair desta sala até que o festival termine.”

Mira acenou com a cabeça silenciosamente.

Mila olhou para ela com nojo antes de se virar e ir embora.

Mira permaneceu no chão, enxugando as lágrimas enquanto Mila fechava a porta atrás dela.

Tornou-se normal, nenhum dia passou sem que Mira fosse espancada por Mila ou pelo pai deles. A vida dela não passava de miséria.

“Eu a odeio. Ela é tão má para nós,” Elora chorou com raiva.

“Não diga isso”, sussurrou Mira, enxugando as lágrimas. “Ela ainda é minha irmã. Eu não posso odiá-la.”

“Mas eles não gostam de nós”, argumentou Elora. “Ela não vê você como irmã. Ela é má.”

“Um dia ela vai perceber que eu sou sua irmã”, disse Mira suavemente. “Ela vai mudar.”

Embora Mila a tenha tratado cruelmente, Mira ainda a amava. Tudo o que ela queria era uma família feliz, onde pudesseser amado, não visto como uma maldição.

“Até lá, precisamos encontrar nosso companheiro”, disse Elora com urgência.

“Não posso sair desta sala até o fim do festival”, respondeu Mira fracamente. “A menos que você queira que sejamos mortos.”

“Estamos falando da nossa companheira”, insistiu Elora. “Se não o encontrarmos, ele partirá e sofreremos para sempre.”

Elora estava certa.

Mas o risco era muito grande.

Se ela saísse, seu pai a mataria e jogaria seu corpo fora como lixo.

“Eu não posso”, sussurrou Mira, já se sentindo tonta.

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