Capítulo 5
Emily sabia exatamente o que estava fazendo.
Ela só precisava "fazer a introdução" — se algo sairia disso não era responsabilidade dela.
Sua prioridade era recuperar sua pulseira.
E agora, ela usaria essa jaqueta como desculpa para se encontrar com Michael.
Gavin a havia informado de que Michael estaria em um café próximo naquela manhã. Aproveitando a oportunidade para demonstrar sua gratidão, Emily sugeriu que se encontrassem para comer em um restaurante ali na esquina.
Ela esperou nervosamente pela resposta de Michael, perguntando-se se ele viria.
A resposta dele foi surpreendentemente seca — um simples e clínico "OK".
Na hora marcada, Emily viu-se sentada em uma cabine do restaurante, com a jaqueta recém-passada descansando ao seu lado enquanto esperava.
As janelas do chão ao teto ofereciam uma visão clara da rua lá fora.
O sol batia forte, deixando-a um pouco tonta.
O tempo passava lentamente, sem nenhum sinal de Michael.
Emily ficava cada vez mais ansiosa, com medo de que ele não viesse.
De repente, houve um alvoroço lá fora, com as pessoas começando a correr e se dispersar.
Os clientes no restaurante começaram a discutir o que estava acontecendo.
Emily olhou para fora, com as pupilas dilatadas de choque.
Um Jeep avançava desgovernado pela rua, indo diretamente em direção a uma figura familiar.
Com um forte impulso de suas longas pernas, ele mergulhou para o lado em um movimento rápido e fluido.
Os pneus rasparam sobre o local onde ele estava de pé um segundo antes. Michael ajoelhou-se no chão, limpando o sangue do lábio.
O veículo arrancou novamente, inacreditavelmente avançando contra ele uma segunda vez!
Michael se levantou e correu para um beco estreito.
O Jeep não conseguiu segui-lo pela passagem apertada, mas buzinou furiosamente.
Quatro ou cinco homens pularam do carro e correram atrás dele.
O coração de Emily veio parar na boca.
Sem pensar nas consequências, ela correu para fora.
Michael absolutamente não podia se machucar!
No beco, Michael se moveu rapidamente em uma direção.
O labirinto de passagens era complexo — qualquer um que não estivesse familiarizado com a área se perderia, mas ele navegou sem hesitação, como se conhecesse a rota intimamente.
— Pare bem aí! — Alguém gritou de trás.
Michael não olhou para trás, simplesmente mudando de direção.
Um homem forte apareceu para bloquear sua curva à esquerda, outro para bloquear à direita, forçando Michael a recuar.
No entanto, os homens agora o cercavam por todos os lados.
Michael franziu a testa levemente. Reforços?
— Sr. Wilson, apenas venha conosco. Nosso chefe está esperando por você — disse o líder, um homem tatuado que sorria de forma ameaçadora, segurando um bastão elétrico.
Os olhos de Michael escureceram, como um predador ocultando seu poder enquanto se tornava mais intimidador.
— Quem mandou vocês? — ele perguntou friamente.
— Isso não é da sua conta. Apenas venha em silêncio e você descobrirá! — o homem respondeu.
Embora parecessem bandidos comuns, as facas e os bastões elétricos que carregavam sugeriam o contrário. Um combate corpo a corpo inevitavelmente resultaria em ferimentos.
Michael deu um passo para trás, calculando rapidamente suas opções.
Ele não estava pensando em escapar, mas sim em como ganhar tempo.
Vendo-o sem reação, os homens ficaram impacientes, erguendo suas armas e prestes a atacar.
— Parem! — Uma voz feminina clara interrompeu os movimentos de todos.
Emily estava parada ali, com o rosto pálido como porcelana, os lábios pressionados um contra o outro até mostrarem apenas um toque de cor.
Seus olhos revelavam seu medo, e o cano de metal em sua mão tremia levemente.
Emily lutava para controlar a tremedeira, tentando não demonstrar medo.
Ela havia encontrado o cano de metal instantes atrás — deveria servir como alguma proteção, certo?
Apesar de seu preparo mental, ver tantos homens armados fez Emily tremer incontrolavelmente.
Michael encarou com espanto a figura esbelta, porém firme, parada à sua frente, sentindo de repente como se algo tivesse abrasado seu coração.
"O que você está fazendo aqui?" exigiu ele, com a voz carregada de raiva.
Ele planejava resolver aquilo antes de encontrá-la no restaurante, achando que não levaria muito tempo.
"E-eu..." Emily gaguejou, virando o rosto. "Eu vi do restaurante que você estava sendo perseguido, então vim ajudar."
"Ajudar ele?" disse um dos capangas.
"Hahaha!" O grupo caiu na gargalhada. "Com esses bracinhos e perninhas finas? Eu poderia quebrar você no meio como um graveto, e você acha que vai salvar alguém?"
"Sr. Wilson, nosso chefe só quer mesmo conversar. Venha com a gente e não machucaremos a mocinha", disse o líder.
Eles continuaram a rir com deboche.
Embora soubessem que não era uma boa ideia se meter com Michael, eles tinham o apoio do chefe.
O rosto de Emily ficou vermelho. "Ele não vai a lugar nenhum com vocês!"
"Vão embora agora, ou eu chamo a polícia!" declarou ela com firmeza.
Suas palavras provocaram mais uma rodada de gargalhadas estridentes.
"Bom, mocinha, já que você não quer ir embora, não vamos mais ser tão educados." Vários homens armados com facas começaram a avançar na direção de Emily.
Ela fechou os olhos de medo, mas continuou plantada na frente de Michael.
Vendo que ela tentava protegê-lo, Michael achou a situação comovente e, ao mesmo tempo, absurda. Ele deu um passo à frente, segurou o pulso dela e a puxou para trás de si, cobrindo-a por completo.
"Fique aqui. Não se mexa", ordenou ele em voz baixa, tirando o cano de metal das mãos dela.
Emily olhou fixamente para ele e, apesar de perceber que ele estava prestes a lutar, balançou a cabeça com força. "Sr. Wilson, são muitos..."
Antes que ela pudesse terminar, Michael já havia avançado contra o grupo, movendo-se com agilidade entre os agressores e golpeando as pernas deles com o cano.
"Ahh!" Gritos de dor ecoaram.
Os que conseguiram se recuperar puxaram suas facas para revidar, mas, no instante seguinte, uma pistola preta surgiu diante deles.
A arma reluziu sob a luz, fazendo as pernas de todos fraquejarem. "Ele... ele tem uma arma..."
Os homens recuaram, sem coragem de se aproximar.
Uma voz furiosa cortou o ar. "Seus covardes inúteis, se acovardando só de ver uma arma."
Um homem com uma cicatriz no rosto deu um passo à frente, cravando um olhar malévolo em Michael antes de sacar a própria arma.
"Michael, você acha que eu tenho medo de você?" zombou ele.
Assim que ele terminou de falar, o estrondo de um helicóptero ecoou no alto, e vários guarda-costas de terno preto desceram.
O homem com a cicatriz arregalou os olhos, incrédulo. "Você... você me atraiu de propósito?"
"Levem todos", ordenou Michael de forma ríspida, jogando a arma para seu assistente.
Ele sequer lançou um olhar para o homem com a cicatriz. "Você achou que estava em um filme de espionagem?"
Colocando sua jaqueta sobre os ombros de Emily, Michael olhou para ela. "Entre no carro."
Dentro do espaçoso veículo, Emily sentou-se de frente para Michael, que estava de olhos fechados, descansando.
Apesar de ter mil perguntas na cabeça, ela não ousou quebrar o silêncio pesado.
Só agora, com as coisas mais calmas e o pânico diminuindo, Emily percebeu o quanto seu corpo doía.
Entre as corridas e esquivas de antes, seus machucados haviam se aberto novamente, agora sangrando e causando ondas de dor.
"Ai..." Ela tentou se conter, mas não conseguiu evitar um pequeno gemido de dor.
