Capítulo 3: Dois homens
O brilho frio das unhas feitas de Stella refletiu a luz quando ela avançou.
Isabella cambaleou para trás, mas não foi rápida o bastante — a ponta afiada acertou seu braço, deixando uma linha fina de sangue que começou a se formar em gotinhas e escorrer pela pele.
— Vou te ensinar uma lição que você nunca vai esquecer! — rosnou Stella, inflada pela coragem de ter feito o primeiro ferimento.
Quando Stella levantou a mão na direção do rosto de Isabella, dois punhos fortes agarraram seus braços ao mesmo tempo, interrompendo o golpe no meio do caminho.
Um pertencia a um homem de cabelo perfeitamente penteado para o lado, o terno sob medida de três peças destacando os ombros largos e a cintura fina — daquele tipo caro que denunciava muito dinheiro.
A outra mão pertencia a alguém de cabelo na altura dos ombros, maxilar marcado e olhos penetrantes que deixavam claro que não era alguém com quem se devesse mexer. Ele era ainda mais alto que o homem de terno, e os punhos e pulsos bem definidos revelavam uma força controlada.
A respiração de Isabella falhou. Ela o reconheceu — o alpinista de antes!
— Da outra vez você não estava toda cheia de respostas afiadas? Cadê aquele fogo? — O alpinista se dirigiu diretamente a Isabella, sem sequer lançar um olhar para Stella.
Com um movimento casual do pulso, os dois homens soltaram Stella ao mesmo tempo, fazendo-a cair de costas no asfalto.
— Isabella! Eu sou seu irmão — Brandon Tudor! — O homem de terno passou na frente do alpinista, colocando-se diante de Isabella. As mãos dele passaram nervosas pelo próprio cabelo, enquanto ele hesitava entre oferecer um aperto de mão ou um abraço, claramente dividido entre a formalidade e o afeto de família.
Isabella sorriu com calor e estendeu a mão.
— Oi, Brandon. É muito bom finalmente te conhecer.
— Espera — você não vai nem perguntar se eu sou mesmo seu irmão? — As explicações cuidadosamente ensaiadas de Brandon morreram na garganta diante da aceitação imediata dela.
Isabella inclinou a cabeça, divertida.
— Brandon, se você olhasse no espelho, ia ver que a gente é praticamente gêmeo, não acha?
A percepção caiu sobre Brandon como um raio. Ele sempre parecera com a mãe — os traços finos, o nariz arrebitado, os lábios perfeitamente desenhados.
Quando ele tinha visto Isabella na televisão pela primeira vez, não tinha sido justamente porque ela lembrava tanto a mãe deles? O que significava que Isabella compartilhava pelo menos sessenta por cento dos traços dele.
— Desculpa, é que… é muita coisa pra processar. Ah! Esqueci as apresentações — esse é meu melhor amigo, Jonathan Hamilton! — Brandon apontou para o alpinista.
Jonathan?
O olhar de Isabella deslizou até a banca de jornal ali perto, onde o cartaz “Novos Bilionários” deste ano estava em destaque. Aquele contorno — era o perfil de Jonathan.
Então era assim que ele realmente era? O CEO bilionário de trinta anos? Amigo do irmão dela — o que fazia dele um futuro aliado poderoso?
Jonathan ficou ali de braços cruzados, a impaciência evidente enquanto a equipe de segurança abordava com eficiência qualquer pessoa que levantasse um celular — um segurança oferecendo dinheiro, outro apagando fotos com prática profissional.
— Olá… Jonathan — arriscou Isabella, sem saber bem como se dirigir a ele.
— A gente não é tão próximo assim. Não presume nada — o tom de Jonathan era gelado.
Mas Stella, ainda estirada no chão, se animou de repente. Tinha ficado atordoada demais com a queda para ouvir a apresentação de Brandon, mas tinha captado a parte importante.
— Sr. Hamilton! O senhor é O Sr. Hamilton! Eu sou a Stella — com certeza o senhor se lembra? Sua mãe organizou o Baile de Debutantes de Eltheron! Eu fui a vice-campeã deste ano! — Stella estendeu a mão com elegância treinada, claramente esperando que Jonathan a ajudasse a se levantar.
A boca de Jonathan se curvou em algo que podia ser um sorriso.
— Vice-campeã? Então quem foi a vencedora?
A competição de Debutantes de Eltheron exigia bem mais do que pedigree — as candidatas precisavam ter um histórico familiar impecável, estudo em escola internacional e pelo menos um talento reconhecido em nível nacional.
Além disso, a aparência delas passava por uma avaliação rigorosa dos melhores cirurgiões plásticos de Eltheron, que examinavam tudo, desde a densidade dos folículos capilares até a estrutura óssea. Só a elite absoluta chegava à final.
Isabella tinha sido a campeã incontestável. A colocação de Stella como vice só existia porque Isabella tinha exigido isso como condição para participar. A ousadia de Julia em esperar que Isabella entregasse sua coroa para Stella era simplesmente ridícula.
Sem Isabella, Stella não era nada.
Stella mordeu o lábio, sem querer admitir a superioridade de Isabella, e em vez disso passou a pestanjear sedutoramente para Jonathan.
Mas a atenção de Jonathan estava presa no sangue que ainda escorria do braço de Isabella. Quando Brandon não deu sinal algum de ir embora, o maxilar de Jonathan enrijeceu e ele pressionou a língua contra a bochecha — um claro sinal de irritação crescente.
Brandon percebeu o clima gelar de repente e se virou, vendo a expressão de Jonathan escurecer. Hora de ir.
— Isabella, a gente devia ir pra casa agora — disse Brandon, estendendo a mão para segurar o braço dela.
Stella e Julia trocaram um olhar carregado de significado antes de Stella agarrar o outro braço de Isabella.
— Isabella, você não devia confiar tão fácil em estranhos. E você não quer saber mais sobre as suas verdadeiras origens? — sussurrou, aflita.
Isabella se soltou e enlaçou os braços tanto no de Jonathan quanto no de Brandon.
Ela disse friamente:
— Dispenso. Agora eu tenho família, e não posso me dar ao luxo de ter parentes como vocês. Vamos, Brandon.
— Solta. — A voz de Jonathan saiu neutra enquanto ele encarava o braço de Isabella entrelaçado no seu.
Assustada com o tom, Isabella largou o braço de Jonathan imediatamente.
Jonathan bufou e avançou pelo meio dos dois, assumindo a dianteira. No instante em que ele se mexeu, a equipe de segurança, que estava espalhada pela multidão, se reorganizou atrás dele — dois, oito, trinta homens.
— Brandon! Ele anda com trinta seguranças? — Isabella sussurrou, espantada.
A mão de Brandon se ergueu instintivamente para afagar a cabeça dela, mas hesitou no meio do caminho, com medo de passar dos limites. Isabella percebeu o gesto suspenso e guiou a mão dele até o topo da sua cabeça.
— Brandon, relaxa! A gente pode não ter crescido junto, mas sangue é sangue, né? Eu senti uma ligação com você na mesma hora em que te vi!
— Isabella, eu só me sinto péssimo por ter te encontrado tão tarde. Eu falhei com você — a voz de Brandon embargou, e seus olhos ficaram vermelhos de emoção.
Isabella enlaçou o braço no de Brandon enquanto eles seguiam atrás do comboio de seguranças, se afastando da multidão.
— Ei! Isabella! Você não pode ir embora sem a minha permissão! — Stella avançou num impulso, mas cinco seguranças de terno preto formaram uma parede impenetrável, bloqueando tanto a passagem quanto a visão dela.
Na rua, uma fila interminável de Bentleys pretos se estendia até onde a vista alcançava.
— Por favor, entre! — A voz potente fez Isabella se sobressaltar justo quando ela ia jurar lealdade a Brandon.
— Essa é a minha surpresa? — Isabella se virou para Brandon, de olhos arregalados.
Jonathan estava parado ao lado do Rolls-Royce Lightning Speed que vinha na frente, mãos nos bolsos, ainda emanando mau humor.
— Ideia do Jonathan. É melhor a gente ir com ele — ele fica de mau humor se não for assim — murmurou Brandon.
Enquanto ainda estavam longe o bastante para Jonathan não ouvir, Isabella cochichou, aflita:
— Brandon, você é mesmo amigo próximo daquele homem frio, sem expressão?
— Com certeza. A gente cresceu junto — a Hamilton Manor e a nossa propriedade ficam na mesma serra. Eles têm o lado da montanha, com os estábulos e os parques de floresta, a gente tem o lado do mar, com as praias e os jardins à beira-mar. Isabella, você precisa saber que quando você e o Jonathan eram crianças...
— Chega de conversa. — Jonathan cortou seco, deixando claro que sabia exatamente o que Brandon estava prestes a revelar.
