
Segunda Chance: A Herdeira Falsificada
Charlotte York · Atualizando · 375.8k Palavras
Introdução
Eles usaram sua vida para morrer pela filha deles, mas não esperavam - você sobreviveu milagrosamente!
Chega de fingir, você é uma vidente de alto nível e uma rainha poderosa e vingativa!
Retornando a uma família realmente poderosa, aqueles que te prejudicaram, nenhum deles será capaz de escapar!
"Você realmente não está considerando aceitar meu amor?"
O que há de errado com esse homem lindo como um príncipe? Tem que te mimar, te amar e insistir para que você se case com ele!
Você vai aceitá-lo?
Capítulo 1
"Isabella, quando você fizer dezoito anos, venha me procurar em Cascádia. Tenho uma grande fortuna esperando para você herdar..."
Isabella Thornton estava estirada no barranco coberto de grama, olhando para o céu emoldurado pela beirada do penhasco.
Cinco minutos antes, Stella Thornton tinha pegado sua mão, sugerindo que tirassem uma foto juntas. No segundo seguinte, as mãos de Stella a empurravam com força pelas costas.
Se Isabella não tivesse explorado aquele penhasco antes e se preparado para esse momento, teria despencado rumo à morte.
Ela não conseguia entender — depois de dezoito anos sendo criada pela família Thornton, mesmo que tivesse sido tratada como um bichinho de estimação, não deveria existir ao menos um pouco de afeto? Ela já tinha absorvido seis grandes desastres destinados a Stella, e mesmo assim os Thornton ainda queriam vê‑la morta.
Será que a morte dela era mesmo inevitável?
Bem, se era assim que eles queriam jogar, ela se recusava a morrer. Fugiria para Cascádia e buscaria refúgio com sua mentora. Quando dominasse suas habilidades, voltaria para acertar as contas com aqueles três demônios disfarçados de família.
Isabella se levantou irritada e puxou seu baralho de tarô, começando a fazer uma leitura sobre sua sorte e seu futuro.
Seis anos antes, ela e Stella tinham se formado no ensino fundamental juntas. Stella tinha feito um escândalo por causa de “perder a liberdade” no ensino médio, insistindo que as duas se inscrevessem no programa de pesquisa de esqui nas montanhas.
Em uma área restrita, Stella começou a cantar a plenos pulmões. Quando a avalanche caiu, Isabella empurrou Stella para um lugar seguro e acabou soterrada. Passou mais de um mês se recuperando em um hospital em Cascádia.
Sua companheira de quarto era uma mulher de uns sessenta anos, de nariz marcante e fala rápida, embora detestasse conversar.
Depois de dez dias de silêncio compartilhado, a mulher finalmente falou. Apresentou‑se como Jenny Manners, praticante de tarô e de outras artes místicas — essencialmente uma bruxa, embora Isabella não tenha se aprofundado.
Aproveitando a imobilidade de Isabella, Jenny fez das aulas de adivinhação a primeira tarefa de todas as manhãs. Isabella não teve escolha a não ser aprender. E isso continuou por um mês inteiro.
Antes de ir embora, Jenny entregou a Isabella um número de telefone e um endereço, alertando‑a para nunca confiar em ninguém ao seu redor.
Naquela época, os pais Thornton tratavam Isabella muito bem, e ela jamais suspeitou que os desastres que assombravam sua infância tinham sido planejados justamente por quem estava mais perto dela.
Na noite do seu aniversário de dezoito anos, Isabella descobriu a verdadeira natureza dos seus supostos pais e da irmã.
Escondida no andar de cima enquanto preparava uma surpresa para Stella — que fazia aniversário no mesmo dia —, Isabella acabou ouvindo uma conversa que destruiu o mundo em que ela acreditava:
— Mãe, eu não aguento fingir nem mais um dia! Ela não passa de uma bastarda de prostituta — por que tem que dividir meu aniversário? É nojento! — A voz de Stella pingava veneno.
— Stella, você precisa ter paciência. Já se esqueceu do que a vidente revelou sobre o seu destino? — A voz de Julia Winslowe era controlada e fria.
— Você é um espírito errante, mal lembrado pelas forças do inferno. Se não fosse pelo destino da Isabella trazendo sorte pra você, acha mesmo que a gente teria adotado aquela garota? — completou.
— Exatamente, Stella. Não seja mimada — emendou Gareth Thornton. — O adivinho disse que ela tem que te proteger de seis desastres. Só depois do seu aniversário de dezoito anos você pode agir sem restrições.
— Então quer dizer que amanhã eu finalmente posso matar ela? — A empolgação de Stella era evidente. — Ela me enoja! Só porque supostamente é minha irmã, acha que pode competir comigo em tudo! Este ano, nenhuma das famílias da elite convidou ela pros bailes de debutante, e mesmo assim ela teve a cara de pau de mandar uma foto pro concurso — e ainda chegou à final! Essa vaga é minha! Não importa o que eu tenha que fazer — eu vou ser a acompanhante da maior socialite na cerimônia de maioridade!
— Muito bem — respondeu Julia, com suavidade calculada. — Amanhã, crie um último desastre para ela absorver. Depois disso, você pode se livrar dela como bem entender.
Gareth resmungou:
— Não traz ela de volta, não… já tô cansado de olhar pra cara dela.
— Querido, você realmente não devia ter inventado essa história de gêmeas — reclamou Julia. — Agora todo mundo me dá parabéns por ter gêmeos. Eu só tenho uma filha: a Stella. Uma filha bastarda não tem direito nenhum de me chamar de mãe.
Cada palavra atravessava Isabella como gelo. Os afogamentos, incêndios e avalanches que ela sofrera de alguns em alguns anos nunca tinham sido acidentes — tinham sido cuidadosamente planejados pelos Thorntons para transferir as desgraças da Stella pra ela. Ela nem sequer era filha biológica deles.
Então quem ela era?
Quando Isabella levou a mão à bolsa para fugir dali, o celular vibrou.
O nome do avô apareceu na tela. Ele sempre tinha sido carinhoso com ela, praticamente a criando até o dia em que Julia insistiu para que Isabella parasse de visitá‑lo, dizendo que ela atrapalhava a tranquilidade de um idoso. Só aí Isabella entendeu o verdadeiro motivo do rancor de Julia: o velho mimava mais a Isabella do que à própria Stella.
Pensando bem, fazia sentido. No fim das contas, ela era só uma intrusa, enquanto Stella era a filha legítima da família Thornton.
— Vamos descer — sussurrou Gareth. — Aquela vadiazinha da Isabella já já volta com o bolo. Todo mundo mantém o teatrinho, é o último dia. Não vão escorregar logo agora.
Isabella enxugou as lágrimas e desceu do jardim do segundo andar, posicionando‑se perto da porta de entrada. De propósito, ela deixou o bolo cair, depois o pegou, ajeitando a expressão antes de entrar.
— Isabella! Não se preocupa com o bolo — a gente vê o nascer do sol juntas amanhã! Já temos dezoito anos, e eu quero dividir meu primeiro amanhecer de adulta com você! — Stella agarrou a manga de Isabella, a voz melosa demais.
— Claro — respondeu Isabella, o sorriso firme no rosto.
Naquela mesma noite, Isabella subiu a montanha e prendeu cordas e almofadas em pontos estratégicos, só voltando para a mansão às três da manhã. E foi isso que a trouxe até este momento — deitada na grama, tendo escapado por pouco da morte.
Isabella piscou, afastando o ardor nos olhos. Ela jamais poderia voltar para a Mansão Thornton.
Mas para onde poderia ir?
Cascadia parecia sua única opção. Jenny podia ter um gênio difícil, mas não tinha filhos e recentemente tinha mandado mensagem falando em comprar vestidos de princesa e um conversível Beetle para Isabella.
Antes, Isabella tinha ignorado os avisos de Jenny — quem desconfiaria da própria família? Mas agora que sabia a verdade sobre sua origem, as palavras de Jenny ganhavam outro peso.
Quando Isabella estendeu a mão para pegar o celular, uma sombra cobriu seu rosto. Um par de botas de trilha caras e um bastão de caminhada entrou em seu campo de visão, seguido por um homem incrivelmente bonito que bloqueava o sol por completo.
— Já acabou de ficar deitada aí? Eu preciso passar — disse o homem, frio, a voz cortando o calorzinho de adrenalina que ainda aquecia Isabella.
— Ah, você veio pular também? — Isabella se mexeu um pouco para abrir espaço. — Esse é um ponto privilegiado. Quando você cair de cara, provavelmente vai parar bem aqui onde eu tô deitada. Faz assim: deixo o lado esquerdo pra você. Se sobreviver à queda, a gente vira vizinho.
— Você é louca. — Jonathan Hamilton deu um passo à frente, tentando passar por cima dela.
Isabella agarrou a perna dele de repente.
— Solta!
Jonathan nunca tinha sido tocado por uma mulher, principalmente numa área tão íntima. Por um instante, ele até esqueceu que podia simplesmente se desvencilhar com um chute.
Isabella o examinou, reparando em como ele mantinha o equilíbrio perfeito mesmo apoiado em uma só perna.
— Olha, você é bonito demais pra ser desperdiçado. Que tal…
— De jeito nenhum! — O rosto de Jonathan ficou vermelho, as orelhas em brasa.
— …você ser meu cúmplice… quê? — Isabella piscou, confusa.
A negativa de Jonathan morreu na garganta quando ele processou o que ela realmente tinha dito, a vergonha se aprofundando. Sem dizer mais nada, ele se virou e desceu pela trilha da montanha.
— Bom, acho que já fiz minha boa ação do dia: salvei a vida de um homem lindo — murmurou Isabella, sacudindo a roupa ao se levantar.
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