Capítulo 5

A força física de um homem era muito maior do que a de uma mulher, e Sophia acabou perdendo a consciência.

Quando recobrou os sentidos, já era bem tarde da noite. Ela estava deitada na própria cama, com a cintura, a barriga e o rosto doendo.

Mas o que doía mais era o coração — tanto que ela se inclinou para fora da cama e vomitou bile.

Ela não comia nada desde ontem — só tinha bebido um pouco de álcool. O estômago estava vazio, não havia praticamente nada para vomitar.

Nesse instante, a porta do quarto foi aberta, e um filete de luz invadiu o ambiente.

Sophia se endireitou, sem querer que ninguém a visse num estado tão miserável.

Se fossem os pais dela ou a Margaret, nenhum deles a tratava como família, e ninguém sentiria pena. Por que ela iria expor a própria fraqueza e ainda dar motivo para eles zombarem?

— Srta. Sophia Windsor, a senhora está bem? — Ao ouvir aquela voz, Sophia percebeu que, de novo, tinha pensado demais.

Quem veio ver como ela estava não foram seus pais nem a Margaret, e sim Uma, uma das empregadas da casa.

Ela trouxe um copo de água com mel e o colocou com cuidado no criado-mudo.

— É água com mel. A senhora deve se sentir um pouco melhor depois que beber.

Ao ouvir a preocupação de Uma, o nariz de Sophia ardeu.

Ela nunca imaginou que, naquela casa, seria Uma — alguém sem qualquer parentesco com ela — quem lhe mostraria sequer um traço de calor humano.

Sophia pegou o copo e, após uma breve hesitação, não resistiu e perguntou:

— Onde eles estão?

Uma a olhou com pena.

— O Sr. Windsor e a Sra. Windsor levaram a Srta. Margaret Windsor para jantar e comprar roupas.

A mão que segurava o copo tremeu de repente, e a água com mel derramou no cobertor.

Um sorriso amargo repuxou os lábios de Sophia.

Ela era teimosa demais, sempre se colocando na posição de ser humilhada.

Vendo o abatimento dela, Uma logo mudou de assunto para distraí-la.

— Srta. Sophia Windsor, quando eu ajudei a senhora a voltar para o quarto mais cedo, notei que sua roupa estava manchada. É menstruação? A senhora precisa ir ao banheiro se limpar?

Menstruação? A ideia a pegou desprevenida.

O coração de Sophia falhou uma batida.

Com o lembrete de Uma, ela percebeu que a menstruação estava atrasada havia mais de duas semanas.

Será que...?

Isso é impossível!

Robert sempre fazia questão de que ela tomasse a pílula anticoncepcional.

Não. Nem sempre.

As lembranças do que aconteceu no começo do mês passado atravessaram a mente de Sophia.

Na festa da família Russell, um mulherengo conhecido tinha feito alguns comentários insinuantes para Sophia, e isso irritou Robert.

Ele bebeu demais e atormentou Sophia a noite inteira.

Naquela noite, ele estava completamente bêbado, e ela, exausta. Nenhum dos dois lembrou da pílula.

Quando ela contou os dias, as datas batiam perfeitamente.

Sophia balançou a cabeça de leve.

Não adiantava ficar supondo. Ela precisava ir ao hospital fazer um exame.

Na manhã seguinte, pediu um dia de folga ao gerente e foi direto a um hospital no centro da cidade.

A ala de ginecologia estava cheia. Os resultados levariam cerca de uma hora, então Sophia encontrou um lugar para se sentar e esperou.

O rosto dela não demonstrava nada, mas por dentro os pensamentos estavam um caos.

Se ela não estivesse grávida, não haveria motivo para preocupação — ela poderia simplesmente seguir com o plano.

Mas e se estivesse?

Sophia fechou os olhos, mas, por mais que tentasse, não conseguia chegar a uma resposta.

De repente, o celular tocou, chamando a atenção de várias pessoas e arrancando Sophia dos próprios pensamentos.

Ela respirou fundo, se recompôs e viu que a ligação era de Ian Miller, o assistente de Robert.

— Srta. Windsor, surgiu um assunto urgente na empresa que exige sua presença. Por favor, esteja aqui em meia hora.

Ele não deu a Sophia a chance de recusar e desligou na mesma hora.

Ainda faltavam mais de quarenta minutos para o resultado ficar pronto, então Sophia não teve escolha a não ser sair do hospital e correr de volta para a empresa.

No instante em que entrou na empresa, ela sentiu que tinha algo errado.

Algumas recepcionistas jovens estavam juntinhas, cochichando entre si. Assim que viram Sophia, se dispersaram depressa, fingindo se ocupar com o trabalho — era evidente que ela tinha sido o assunto da fofoca.

O coração de Sophia foi parar na garganta, mas ela manteve a compostura ao entrar no elevador.

Quando empurrou a porta do setor da secretaria, entendeu na hora o motivo.

Mais de uma dúzia de assistentes jovens, bem-vestidas, estavam alinhadas, tremendo diante de uma mulher elegantemente vestida.

Victoria Brown, a filha mais velha da família Brown, era a noiva escolhida para o casamento arranjado com Robert.

Ela admirava com displicência as unhas recém-feitas, sem lançar a Sophia sequer um olhar, como se ela não existisse.

Uma das assistentes de repente abriu a boca: “Srta. Brown, ela é a Sophia! A gente aqui só é funcionária, só está fazendo o trabalho direito. Ela é que tem alguma coisa com o Sr. Howard, vive tentando seduzir ele!”

Sophia abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu para se defender.

Gostasse ou não, o que aconteceu entre ela e Robert era real.

Victoria olhou para Sophia algumas vezes, com um olhar de quem avalia uma mercadoria.

“Ela é bem bonitinha. Parece que meu noivo tem bom gosto.”

Sophia baixou os olhos, sentindo-se humilhada.

As outras no escritório mal ousavam respirar, com medo de que um movimento ou um olhar errado ofendesse a futura esposa do chefe.

Victoria se levantou e falou devagar: “Eu não me importo com as ideias que vocês tinham antes. Agora que meu noivado com Robert está acertado, é melhor vocês deixarem de lado qualquer pensamento impróprio e façam o trabalho de assistentes como devem! Se eu descobrir que alguém ainda está tentando passar do limite...”

Nesse ponto, ela olhou de propósito para Sophia antes de continuar: “...então não me culpem pelo que eu vou fazer.”

As assistentes, uma após a outra, responderam: “Entendido.”

Victoria foi até Sophia e, de propósito, a chamou pelo nome. “Sophia, você entendeu o que eu quis dizer?”

Apesar do turbilhão por dentro, Sophia se manteve calma por fora. “Entendi”, respondeu, num tom firme.

No instante seguinte, Victoria acertou um tapa forte no rosto de Sophia.

Suspiros abafados de espanto encheram a sala.

A cabeça de Sophia virou para o lado, e um fio de sangue escorreu do canto da boca.

Ela encarou Victoria, sem acreditar. “Srta. Brown, o que significa isso?”

Victoria soltou duas risadas frias e, sem explicar nada, ergueu a mão para bater em Sophia de novo.

Sophia tentou instintivamente se esquivar.

Percebendo a intenção dela, Victoria lançou um olhar para a assistente que tinha falado antes e ergueu o queixo, arrogante. “Segura ela pra mim.”

A assistente hesitou por um instante e então avançou, ansiosa.

Ela guardava rancor de Sophia e, claro, não deixaria passar uma oportunidade tão boa de se vingar.

Já debilitada, Sophia foi contida com facilidade.

Victoria agarrou o queixo de Sophia, as unhas longas cravando na pele.

“Quem você pensa que é? Eu te dei dois tapas e, em vez de aceitar, você ainda se atreve a desviar?”

Sophia mordeu o lábio com força.

Ela não queria aquilo, mas ninguém nunca se importou com o que ela queria.

Dessa vez, Victoria abriu bem o braço, como se pretendesse derrubar Sophia desacordada.

Quando o golpe estava prestes a cair, uma mão forte segurou o pulso dela.

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