Capítulo 7
Depois de um momento de silêncio, Sophia ergueu o olhar. “Eu posso fazer o que você está pedindo, mas você tem que concordar com uma condição.”
Bianca assentiu de modo automático. “Nem precisa dizer. Eu sei. No seu aniversário este ano, vamos fazer uma festa grande pra você, igual à da Margaret. Satisfeita?”
Sophia era dois anos mais nova do que Margaret, mas os aniversários delas tinham apenas uma semana de diferença.
Desde a infância, ela sempre comemorara junto com Margaret, usando os vestidos que Margaret não queria, servindo de pano de fundo no dia mais importante do ano.
Ela protestara inúmeras vezes com os pais, querendo um aniversário só dela. Eles sempre concordavam com facilidade, mas, no ano seguinte, era sempre a mesma coisa. Nada nunca mudava.
Bianca provavelmente achava que a obsessão de Sophia ainda era por causa disso.
Mas Sophia balançou a cabeça sem hesitar. “Essa não é a condição que eu quero propor.”
Bianca franziu a testa. Ela nunca tivera paciência com Sophia. Retrucou, impaciente: “Fala logo o que você quer. Quem é que tem tempo de ficar adivinhando as coisas com você?”
Sophia baixou os olhos. “Eu vou dizer na festa.”
Bianca não tolerou aquilo. Estava prestes a explodir ali mesmo.
Vincent deu um passo à frente no momento exato, bloqueando-a.
Ele olhou para Sophia com gentileza e sorriu. “Eu acredito que a Sophia é uma menina sensata. Ela nunca faria um pedido que colocasse a família numa posição difícil. Não é, Sophia?”
Era a terceira vez que Vincent usava a palavra “sensata” para descrevê-la desde que entrou pela porta. Mas a palavra não era tanto um elogio quanto uma chantagem moral.
Todo mundo achava que Sophia era—
Sophia sorriu, amargamente. “Sim. Eu não vou colocar a mamãe e o papai numa situação difícil. A minha condição vai ser, com certeza, uma ótima notícia para vocês dois.”
Bianca ainda estava inquieta, mas Vincent sorriu de verdade. “Que bom. Sua mãe e eu vamos embora agora. Descanse um pouco.”
Quando estavam saindo, a bolsa de Bianca esbarrou sem querer num documento em cima do armário ao lado da porta — o laudo do teste de gravidez que Sophia pegara no caminho de volta do trabalho.
Mas Bianca não se importou. Saiu direto pela porta.
O quarto voltou a ficar silencioso. Sophia ficou parada em silêncio por um instante e então se abaixou para pegar o laudo.
Na verdade, o resultado já estava pronto fazia um tempo, mas ela não tivera coragem de buscá-lo. Primeiro, ela não tinha tempo. Segundo, ela tinha medo de encarar.
Evitar não era solução. Sophia soltou um suspiro baixo e abriu o laudo devagar.
[Cinco semanas de gravidez.]
Ao ver aquelas palavras, a última ponta de esperança de Sophia desapareceu. As pernas falharam, e ela sentou com força no chão.
Ela estava mesmo grávida. Grávida do filho de Robert.
O que ela deveria fazer?
Interromper ou levar adiante?
A lógica dizia a Sophia que, antes que alguém percebesse, interromper a gravidez era a melhor escolha.
Afinal, a postura de Robert com ela era clara. Ele não a amava. Naturalmente, também não iria querer essa criança.
Mas Sophia levou a mão devagar ao ventre ainda plano, com o coração embolado de emoções.
Ela tinha um pai, uma mãe, uma irmã — e, mesmo assim, vivia uma vida solitária e miserável.
Aquela vidinha era a família dela.
Sophia fechou os olhos com suavidade. Acontecesse o que acontecesse, ela não conseguia se decidir.
Naquela noite, ela rolou de um lado para o outro, incapaz de dormir. No dia seguinte, no trabalho, ela estava com uma aparência tão horrível que até o gerente de RH que foi procurá-la se assustou.
“Você está com uma cara de panda. Ah, e saiu o resultado do seu pedido de demissão. Não foi aprovado. Vai perguntar ao Sr. Howard o que está acontecendo.”
Depois de dar a notícia, a gerente do RH foi embora depressa.
Sophia ficou paralisada por um instante e então se levantou e foi até o escritório de Robert.
— Entre. — A voz de Robert era fria e severa.
Quando viu que era ela, a expressão dele ficou ainda mais indiferente.
— Se você veio por causa da sua demissão, pode ir embora agora. — A atitude dele era cristalina: nunca deixaria Sophia ir.
Sophia não se mexeu. Depois de pensar por um momento, disse com calma:
— Os procedimentos de desligamento e a passagem de serviço vão levar, no mínimo, duas semanas. Se o senhor Howard aprovar, não vai atrasar nada.
Afinal, a festa para anunciar a identidade de Margaret seria no próximo sábado. Depois disso, Robert não teria motivo para continuar segurando Sophia.
Assim que ela terminou de falar, uma xícara de chá passou voando pela testa de Sophia, e por pouco ela não caiu no chão de susto.
Desde o incidente com Margaret, Robert havia se tornado volátil e imprevisível.
Ele caminhou a passos largos até Sophia e agarrou seu queixo com brutalidade, forçando-a a olhar para cima.
— Eu já te disse: nesta vida eu nunca vou deixar você ir. Pare de sonhar!
Então o olhar de Robert ganhou um ar de avaliação.
— O que te faz achar que agora você pode me deixar e parar de ser punida? Será que...
O coração de Sophia subiu à garganta.
Depois de forjar a própria morte, Margaret passara três anos no exterior. Só tinha voltado recentemente.
Desde que retornara, estava espalhafatosa — aparecendo em todo lugar: bares, clubes, shoppings.
Robert tinha percebido alguma coisa?
Mas, no instante seguinte, Robert usou o dorso da mão para dar leves tapinhas no rosto dela. Não doeu, mas foi profundamente humilhante.
— Não me diga que você acha que, só porque eu e Victoria estamos noivos, agora você tem alguma vantagem sobre mim?
Era um ângulo em que Sophia nunca sequer tinha pensado.
Ela estava tentando evitar ele e Victoria — como poderia pensar em chantagem?
Mas, antes que a explicação saísse de sua boca, Robert a interrompeu sem piedade:
— Sophia, você é só uma criminosa que matou Margaret. Fora expiar, você não tem direito a fazer mais nada!
Criminosa. Expiar.
Sophia ouvira aquelas palavras por três anos. Aguentara por três anos.
Mas agora ela não aguentava mais.
— E se eu te dissesse que Margaret não está morta? — A voz não era alta, mas era clara. Robert ouviu cada palavra.
As pupilas dele se contraíram bruscamente; em seguida, ele sorriu com desprezo.
— Sophia, que delírio é esse?
Não existia ressurreição no mundo.
Robert presumiu que Sophia estava falando bobagem. O tom dele pingava escárnio:
— Tudo bem. Se você conseguir trazer Margaret de volta à vida, eu deixo você se demitir do Grupo Howard!
Era impossível. Ele disse aquilo com total confiança.
Sophia foi endireitando as costas devagar. Um sorriso satisfeito se desenhou em seus lábios pálidos.
— Está bem. Por favor, lembre-se do que disse hoje, senhor Howard. Vou indo.
Observando as costas de Sophia enquanto ela saía, Robert sentiu de repente um desconforto inexplicável, como se estivesse prestes a perder algo importante.
Só então ele percebeu — Sophia parecia ter emagrecido bastante.
No momento em que um traço de compaixão estava prestes a surgir em seu coração, o rosto radiante e lindo de Margaret apareceu de súbito em sua mente, apagando impiedosamente qualquer suavidade.
Sophia sempre fora calculista. Sempre brigara com Margaret e, de propósito, deixara de atender a ligação que levou à morte dela.
Uma mulher assim não merecia compaixão.
Robert reabriu o computador e se jogou de volta no trabalho, impassível.
