Capítulo 8

Apesar de Robert tê-la humilhado mais uma vez, Sophia se sentiu muito mais leve por dentro.

Quando a festa acabasse, ela finalmente poderia dar um basta nesse tipo de vida.

Para conseguir um emprego o mais rápido possível, Sophia enviou mais de uma dúzia de currículos e passou os fins de semana indo a entrevistas.

Mas ela nunca imaginou que voltaria a encontrar aquele homem do bar — o mesmo que ela tinha ofendido.

Naquele momento, ele usava um terno feito sob medida e óculos sem armação, sentado com postura séria na cadeira do escritório.

Quando viu Sophia entrar, abriu um sorriso caloroso.

— Você se lembra de mim?

Sophia mordeu o lábio, sem jeito.

Ela realmente queria conseguir esquecer.

— Me desculpe mesmo. Eu confundi o senhor com outra pessoa e acabei causando problemas. Peço desculpas.

O homem levou numa boa, rindo.

— Não foi nada. Aliás, deixa eu me apresentar: eu sou o Henry e vou fazer a sua entrevista hoje.

Mesmo ele parecendo simpático e gente boa, Sophia ainda tinha medo de ele guardar rancor daquele dia, então respondeu às perguntas com ainda mais cuidado.

— Srta. Windsor, seu currículo mostra que você se formou numa universidade de ponta, com especialização em bioquímica. Por que você não seguiu trabalhando nessa área depois?

Quando a entrevista já estava prestes a terminar, a pergunta de Henry fez Sophia travar.

Por que ela não trabalhou na própria área… esse era, basicamente, o maior ponto sensível da vida dela.

A tristeza dela afetou Henry, sentado à sua frente. Ele ergueu a mão na hora e disse, com um tom de desculpas:

— Desculpa, eu não quis te deixar desconfortável. É só que um amigo meu tem uma equipe de bioquímica precisando de gente, e eu vi que seu currículo seria perfeito. Eu só queria saber se você ainda teria interesse em trabalhar na sua área.

Aquela pergunta interrompeu a tristeza de Sophia.

Ela nunca tinha imaginado que poderia voltar para a bioquímica, a área que mais a interessava.

— Será que eu poderia mesmo? Mas eu não trabalho com isso há três anos…

Antes que Sophia terminasse, Henry a interrompeu com um sorriso.

— Srta. Windsor, falando com sinceridade, a bioquímica avança rápido, sim, mas um intervalo de três anos não é impossível de compensar. Se você estiver disposta, dá para correr atrás e se atualizar!

O coração de Sophia acelerou.

Mas a razão logo a trouxe de volta.

Aquele homem era praticamente um desconhecido — ela só o tinha visto uma vez. Não podia deixar que ele a conduzisse assim.

— Sr. Smith, obrigada pela sugestão. Vou pensar com calma, e espero que o senhor analise com seriedade a minha candidatura para esta vaga.

Henry foi direto:

— Você é excelente. Se você não for para a equipe do meu amigo, eu com certeza vou te contratar.

As palavras foram objetivas, mas o tom era sincero, sem nenhum vestígio de cantada.

Sophia ficou um pouco atônita de novo.

Durante os três anos em que trabalhou no Grupo Howard, ela só lidou com tarefas miúdas e, mesmo quando pegava algo mais complexo, nunca recebeu elogio algum.

O elogio alto de Henry deixou Sophia sem saber como reagir.

Ela se levantou, um pouco atrapalhada.

— Eu vou indo, então. Vou aguardar o seu retorno oficial!

Mas, assim que ela saiu do escritório, Henry alcançou Sophia.

— Srta. Windsor, será que eu poderia te levar para jantar?

Sophia, por instinto, quis recusar.

Henry percebeu a intenção dela e falou primeiro:

— Ou talvez você possa me levar para jantar — afinal, da última vez no bar, você vomitou em mim e estragou uma jaqueta novinha.

Com isso, Sophia não tinha mais motivo para recusar.

— Tudo bem. Considere como uma forma de compensar, Sr. Smith.

Eles escolheram um restaurante particular recém-inaugurado, que diziam ter uma ótima reputação.

Como não tinham reserva, conseguiram uma mesa perto da janela no térreo.

Henry parecia frio e sério, mas, conversando, era divertido e encantador. Em pouco tempo, ele e Sophia já estavam numa conversa ótima.

Depois do jantar, trocaram contatos, e Henry levou Sophia de carro até o condomínio onde ela morava.

Desde a “morte” de Margaret, Sophia quase não tinha tido nenhuma experiência social normal, muito menos contato com homens.

Ela não sentia nada de especial por Henry — só achou tudo muito agradável, como o começo de uma vida totalmente nova.

No entanto, o entusiasmo dela parou de repente quando viu Robert na entrada.

Naquele instante, Sophia chegou a sentir vontade de dar meia-volta e sair correndo.

Ele estava com uma expressão sombria no rosto, assustadora.

Aos poucos, tentando se acalmar, Sophia caminhou devagar até Robert e perguntou, num tom prático: “Sr. Howard, o senhor precisa de alguma coisa?”

Robert fez um gesto com o queixo em direção à porta. “Não vai me convidar para entrar?”

O tom dele estava calmo, mas era aquela calma antes da tempestade.

Sophia abriu a porta a contragosto, e a primeira coisa que viu foi o laudo do teste de gravidez em cima da mesa de centro!

Ela tinha olhado mais cedo e deixou ali, sem guardar.

Naquela hora, o sangue de Sophia gelou.

Bem naquele lugar, tão na cara, Robert com certeza ia ver!

O que ele faria com ela quando descobrisse?

Sophia não sabia — e nem tinha coragem de pensar.

Quando ela ainda estava ali, sem reação, Robert abriu os braços e a abraçou com força por trás.

A mão grande dele pousou na cintura dela, apertando com uma pressão medida, e a voz ganhou um tom de desejo. “Sophia, você está ficando cada vez mais ousada, hein? Indo a encontros com outros homens pelas minhas costas?”

Aquela frase só aumentou o medo de Sophia.

Como ele sabia disso?

Ele estava vigiando ela o tempo todo?

A constatação fez Sophia estremecer.

Robert tomou o lóbulo da orelha dela na boca e a empurrou em direção ao quarto.

“Deixa eu fazer as contas. Faz vários dias que a gente não transa. Eu não te satisfiz, é por isso que você foi procurar outro.”

Sophia se sentiu humilhada.

Ele sempre fazia parecer que ela era tão barata.

Antes, ela até engolia aquilo, mas agora não.

A resistência de Sophia só deixou Robert ainda mais furioso.

Sem dizer nada, ele a prensou contra a parede e beijou seus lábios com força.

“Sophia, você não tem o direito de dizer não pra mim!”

Robert não admitiria que, quando viu as fotos naquele e-mail anônimo, ele sentiu, sim, um pouco de ciúme.

Então Sophia conseguia sorrir daquele jeito — tão aberta e feliz —, mas na frente de outro homem.

Essa ideia fez a raiva dele queimar, e ele foi direto ao novo endereço dela para tirar satisfação.

Não importava o que ela dissesse naquele dia: ele ia tê-la!

Quando as roupas dela foram rasgadas, Sophia entrou em pânico de vez.

Robert era brutal na cama. Quase toda vez, ela desmaiava, e em algumas ocasiões até sangrou.

Se ela transasse com ele, o bebê na barriga correria perigo.

“Robert, por favor, não faz isso. Hoje eu realmente não estou me sentindo bem!”

Quanto mais ela recusava, mais Robert forçava. A mão dele já tinha chegado entre as pernas dela.

“Você vai gostar.” A voz dele tremia, carregada de desejo sem controle.

Reunindo todas as forças, Sophia se firmou e disse: “Eu estou grávida.”

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