Sequestrada pelo alfa

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J.P. Andrade · Atualizando · 174.1k Palavras

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Introdução

— Escrava sexual? É isso que você pensou?

— Para o que mais teria me arrastado até aqui? — falei, minha voz tremula.

Ele respirou fundo e me encarou, da ponta dos pés até o alto da minha cabeça com uma expressão avaliadora que me fez me encolher.

— Não se tenha em tão alta estima, fêmea, você não preenche os requisitos para uma escrava sexual minha.

— Há! E quais seriam eles?

Ele novamente me olhou com aquela expressão presunçosa e avaliadora, mas dessa vez eu estufei o peito e ele pareceu notar, mesmo que por um segundo.

— O primeiro deles é ser bonita.

— O que? Você acabou de me chamar de feia?

— Isso é importante?

— Mas é claro, primeiro, porque você está errado! Eu não sou feia e preencho todos os requisitos para uma escrava sexual! — Pela deusa o que eu estava dizendo?

Marius me olhou parecendo visivelmente confuso, até que perguntou:

— Por que parece que está se candidatando?

Jane é uma loba órfã e rejeitada, que sonha em receber seu lobo e ir embora do orfanato.
Em uma noite, quando vai para uma festa com sua amiga, Jane se vê em perigo ao perceber que não havia festa, apenas três lobos que tinham as piores intenções com ela. Tudo muda quando o terrível e cruel, lobo Marius, acusado de massacrar sua própria alcateia no passado, a salva. Ou melhor, a sequestra.
Marius deixa claro que Jane será sua prisioneira durante um ano, até receber seu lobo e poder dar a ele o que ele deseja.
Mas como Jane pode confiar em um assassino? E o que fazer com a atração selvagem que ambos sentem, se estão presos um com o outro em uma cabana isolada?

Capítulo 1

Orfanato Delister

  JANE

  — Mas o que significa isso, Jane? — A senhora Calister apontou para as pequenas manchas de café na barra da minha saia, eu olhei imediatamente para Hayley que sorria maldosamente.

  — Senhora Calister... — tentei explicar, mas ela desferiu um tapa contra o meu rosto tão forte que eu caí para trás.

  Arregalei os olhos quando vi um dente meu no tapete.

  — A Luna Clarisse está vindo para cá ver como eu estou administrando o orfanato e você mancha sua melhor roupa! Ah, sua órfã imunda!

  Hayley havia jogado seu café na minha roupa de propósito, mas a senhora Calister não se importava com isso.

  Ela me puxou pelos cabelos e me arrastou para fora da sala, me empurrando em direção as escadas.

  Cai sentada no primeiro degrau, o sangue em minha cabeça fervendo enquanto a dor no meu rosto e na minha boca sem o meu dente, faziam minhas pernas tremerem. A senhora Calister era uma loba muito forte e cruel.

  — Vá para o quarto e fique lá, direi que está doente. Sua idiota.

  Ela fez uma careta de desprezo e saiu.

  Cuspi o sangue em minha boca e meus olhos começaram a arder, odiei o nó que se formou em minha garganta, o formigamento em meu nariz enquanto eu tentava desesperadamente não chorar.

  Apenas mais um ano nesse orfanato, só mais um ano, então eu faria dezoito anos e receberia o meu lobo e poderia me juntar as forças do rei alfa como uma loba rastreadora.

  Em meu pescoço, eu trazia a marca de uma loba rastreadora, um pequeno círculo vermelho. Isso significava que o meu pai havia sido um lobo rastreador, essa habilidade era passada apenas de pai para filho.

  Havia muitos lobos rastreadores, mas todos trabalhavam para o rei Alfa na capital, e eu finalmente sairia da cidade Delister.

  Abri a porta do quarto sentindo o meu sangue ferver.

  Logo atrás de mim, Hayley apareceu acompanhada de suas amigas. Ela estava rindo.

  — Oh, você não poderá ir para o passeio na alcateia de Delister... que peninha. — escarneceu.

  — Hayley, não esqueça de dormir de olhos abertos essa noite, nunca se sabe o que pode acontecer. — ameacei.

  Hayley levantou uma sobrancelha e cruzou os braços.

  — Acha que eu tenho medo de você? A maluca que jura que viu um lobo negro quando tinha dez anos? Oh, vai chamá-lo para me punir?

  Hayley sempre voltava aquele assunto, quando eu havia jurado que vi um lobo negro. Todos sabiam o que havia acontecido anos atrás com um lobo negro na alcateia Lua de prata.

  — Marius Blaine é real. E talvez tenha sido ele que vi.

  — É claro, um assassino que matou a própria alcateia. Cuidado para que ele não venha buscar você, pequena Jane, já que gosta tanto dele... — ela disse e saiu do quarto com suas amigas gargalhando.

  Eu bufei e fui me sentar perto da janela, vendo-as partir no carro.

  Fiquei na janela observando até a noite chegar. Devo ter ficado horas sentada, apenas olhando para o horizonte, para a floresta, até que vi.

  Olhos vermelhos me observando das sombras. Era inconnfundível e estavam flamejantes.

  Meu coração disparou e todo o meu corpo tremeu.

  Cai para trás, em choque.

  — Pela deusa!

  Eu não estava sonhando... aqueles olhos vermelhos.

  . . .

  Daiane abriu a porta do quarto que compartilhávamos horas depois, enquanto eu olhava pela janela todas as lobas retornando com algo em suas mãos.

  Sacolas de presentes, penteados novos. Senti uma pontada de inveja, mas fechei a janela.

  — Jane, você não vai acreditar em tudo que fizemos hoje! A Luna Clarisse nos levou para sua alcateia, comemos, recebemos alguns presentes, olhe essa trança que uma das lobas fez no meu cabelo! — Daiane mostrou uma trança dupla e longa, que havia ficado perfeito em seu cabelo loiro sujo.

  Apenas assenti.

  Daiane deve ter percebido meu desanimo, porque se aproximou rapidamente e se sentou ao meu lado.

  — Um dos lobos que conheci me chamou para uma festa na clareira... podemos fugir e ir depois da meia-noite.

  Fiz uma careta sem qualquer ânimo para uma festa ou para fugir no meio da noite.

  — Vamos Jane, assim você irá se divertir, o que Calister fez hoje foi injusto. Aquela cobra da Hayley fez aquilo porque sabe que você iria conquistar o coração da Luna.

  Eu duvidava muito que Hayley pensasse assim, afinal, ela sabia que mesmo que não tivesse pais, eles haviam morrido no massacre da alcateia Lua de Prata, feito pelo terrível lobo Sombrio.

  Já eu, havia sido abandonada na porta do orfanato.

  Ela trazia uma marca no pescoço que dizia que ela seria uma loba destinada a um Alfa, que seria uma Luna. E eu, com sorte, ficaria arriscando a vida nas estradas seguindo o cheiro de lobos que haviam cometido crimes contra nosso rei Alfa.

  Mas eu sabia que Daiane queria me animar e não pude resistir aos seus olhos esperançosos.

  — Eu vi hoje de novo. — falei.

  Daiane revirou os olhos, assim como todos, ela não acreditava em mim.

  — Jane, mesmo que Marius Blaine, o assassino esteja vivo ainda, ele não está atrás de você. É sua imaginação. Naquela noite que você acha que o viu... A cozinha estava escura, e você deve só ter sentido medo, além do fato que você bateu a cabeça.

  — Por que será que ele matou todos? E imagine como ele deve ser forte para ter feito isso sozinho... — perguntei.

  Daiane balançou a cabeça.

  — Não, nada de falar sobre isso. Mesmo que esteja vivo, deve estar bem longe da vista de qualquer um. Os lobos do rei ainda o procuram pelo massacre. Agora, que tal uma festa? Vamos, por favor... — ela fez beicinho como uma criança pequena.

  — Está bem, vamos escapar durante a noite, mas se o lobo negro nos pegar, a culpa é sua. — brinquei.

  . . .

  Já se passavam da meia-noite quando caminhando pela trilha em direção a clareira onde teria a festa com os lobos amigos de Daiane.

  — Tem certeza de que você sabe o caminho? Está tão escuro aqui... — falei, olhando ao redor. Não parecia estar havendo festa em lugar algum, estava tão silencioso.

  — É claro que sei. Dany me mostrou o caminho que deveria seguir.

  Logo chegamos à clareira, mas não havia festa alguma. Eu não considero três machos ao redor de uma fogueira uma festa.

  Assim que vi isso, senti um pressentimento ruim e segurei o braço de Daiane antes que eles nos vissem.

  — Vamos embora! isso está estranho.

  Daiane puxou seu braço da minha mão e me olhou como se eu fosse uma tonta e neurótica, para meu desgosto, ela se virou para os machos e acenou, gritando:

  — Dany! Dany!

  Dany era o mais alto do grupo, com cabelos claros e rosto quadrado, assim que nos viu, seus amigos se levantaram e sorriram acenando, mesmo assim, eu não pensei que eles pareciam amigáveis.

  Daiane correu em sua direção e o macho a pegou no colo, a beijando profundamente.

  Fiquei sem reação, nunca a vira beijar ninguém.

  Pensei em voltar quando meu olhar se cruzou com os dos outros machos que pareciam me encarar em expectativa, mas como eu poderia deixá-la sozinha no meio de todos aqueles machos?

  Eu deveria ter ido embora...

  Segui em direção a clareira e todos nos cumprimentamos, enquanto Daiane se sentou ao lado de Dany.

  Fiquei entre dois machos e se chamavam Caio e Paul.

  — Acreditei que haveria mais pessoas aqui, já que é uma festa. — falei, meu olhar se estreitando para Dany.

  Dany sorriu de um jeito que não gostei e respondeu:

  — Se há um macho e uma fêmea, é uma festa. — respondeu zombando.

  Senti arrepios no pescoço e foi nesse momento que Caio colocou uma mão na minha perna.

  Bati em sua mão no mesmo instante e ele gargalhou como se estivesse se divertindo.

  — Veja Dany como ela é brava! — zombou Caio.

  Me levantei e olhei para Daiane.

  — Vamos, já está tarde.

 Daiane parecia desconfortável com o que Caio fez comigo e se levantou, Dany a puxou com toda a força a obrigando a se sentar ao meu lado.

 Avancei para resgatá-la, mas senti mãos grandes me puxarem pela cintura e me deparei com Caio me jogando para trás, para cima de Paul, que para meu horror, rasgou minha blusa. 

 Naquele momento os machos explodiram em gargalhadas sinistras.

 Eu estava sozinha agora e eles iriam fazer tudo que quisessem comigo.

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"O que há de errado comigo?

Por que estar perto dele faz minha pele parecer apertada demais, como se eu estivesse usando um suéter dois tamanhos menor?

É só a novidade, digo a mim mesma com firmeza.

Apenas a estranheza de alguém novo em um espaço que sempre foi seguro.

Eu vou me acostumar.

Eu tenho que me acostumar.

Ele é irmão do meu namorado.

Esta é a família do Tyler.

Não vou deixar um olhar frio desfazer isso.

**

Como bailarina, minha vida parece perfeita—bolsa de estudos, papel principal, namorado doce, Tyler. Até Tyler mostrar suas verdadeiras cores e seu irmão mais velho, Asher, voltar para casa.

Asher é um veterano da Marinha com cicatrizes de batalha e zero paciência. Ele me chama de "princesa" como se fosse um insulto. Eu não suporto ele.

Quando minha lesão no tornozelo me obriga a me recuperar na casa do lago da família, fico presa com os dois irmãos. O que começa como ódio mútuo lentamente se transforma em algo proibido.

Estou me apaixonando pelo irmão do meu namorado.

**

Eu odeio garotas como ela.

Mimadas.

Delicadas.

E ainda assim—

Ainda assim.

A imagem dela parada na porta, apertando o cardigã mais forte em torno dos ombros estreitos, tentando sorrir apesar do constrangimento, não sai da minha cabeça.

Nem a lembrança de Tyler. Deixando ela aqui sem pensar duas vezes.

Eu não deveria me importar.

Eu não me importo.

Não é problema meu se Tyler é um idiota.

Não é da minha conta se alguma princesinha mimada tem que ir para casa a pé no escuro.

Não estou aqui para resgatar ninguém.

Especialmente não ela.

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