Sexy Atrás da Máscara

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Ellie Wynters · Atualizando · 336.9k Palavras

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Introdução

Ela se esconde atrás de ternos feios e nomes falsos. Ele já não confia em mulher nenhuma. Quando eles se encontram em um clube de sexo com máscaras, nenhum dos dois percebe que vem brigando com o outro em mesas de reunião há dezoito meses. Na Taylor Industries, ela é Joy Smith — a diretora financeira sem graça que afoga suas curvas em poliéster sem forma e usa peruca. Em casa, ela é a esposa esquecida de um advogado infiel, que não a toca há tanto tempo que ela começa a se perguntar se tem algum problema.

Quando ela encontra uma calcinha de renda rosa‑choque enfiada entre as almofadas do sofá… definitivamente não é dela, não é exatamente um coração partido que ela sente. É liberdade.

Grayson Taylor não se envolve mais em relacionamentos. Não depois de flagrar sua noiva atriz na cama com outra mulher. Agora ele canaliza tudo para aquisições hostis e reuniões de diretoria, especialmente aquelas em que sua diretora financeira exageradamente cautelosa enfrenta cada maldita compra que ele quer fazer. Joy Smith é brilhante, irritante e engraçada quando ele aperta todos os botões dela.

Mas Honey está cansada de ser invisível. Cansada de nunca ter sentido prazer de verdade. Então, quando a melhor amiga lhe passa os detalhes do The Velvet Room — o clube mascarado mais exclusivo de Manhattan — ela se promete apenas uma noite. Uma noite para descobrir se o marido tem razão, se ela é mesmo frígida, ou se só nunca foi tocada pelas mãos certas.

Ela não espera que o estranho mascarado a reclame no segundo em que ela entra. Não espera a química que explode entre os dois, o jeito como ele faz o corpo dela cantar, nem os orgasmos que a deixam tremendo. Não espera que ele lhe entregue um endereço de e‑mail com uma única ordem:

— Só eu. Ninguém mais encosta em você.

Capítulo 1

Quinta-feira, 5 de outubro

Grayson sabia que já devia estar em Boston a essa hora e, ainda assim, ali estava ele, parado em frente ao brownstone que tinha no Upper West Side, vítima do clima imprevisível de Nova York. O granizo tinha castigado a pista do aeroporto, o que, por sua vez, tinha acabado com qualquer esperança de viagem aérea e o mandado de volta pra casa naquela noite. Ele remarcou um voo bem cedo na manhã seguinte, com tempo suficiente pra chegar à reunião em Boston… por um triz.

Em compensação, isso lhe dava a chance de surpreender Morgan.

Olhando a fileira de brownstones pela rua, ele pensou que aquele era um ótimo lugar pra criar filhos e, quando tinha colocado o anel de noivado no dedo de Morgan seis meses antes, ela concordara em se mudar e ter a família deles ali um dia.

Usando a chave, ele entrou em casa; um jazz suave vinha pelo corredor para recebê-lo. Grayson largou a pasta de trabalho perto da porta e afrouxou a gravata. Pensou em chamar, anunciar que tinha chegado, mas parou quando ouviu risadas vindo do quarto principal. Duas mulheres. Morgan e… outra pessoa. Ficou desapontado por eles não terem a noite só para eles dois, mas não podia reclamar de verdade. Ele nem deveria estar ali. Se Morgan tinha chamado uma amiga pra fazer companhia, tudo bem pra ele.

Grayson sorriu. Mais risadas ecoaram pelo corredor, seguidas de sussurros que ele não conseguiu entender direito. Pendura o casaco no cabideiro, decidiu pegar um drinque antes de interromper a conversa entre elas. Foi até a sala para pegar um uísque antes de ver o que Morgan estava aprontando. Com a sorte que ele tinha, as duas deviam estar fuçando o guarda-roupa de Morgan e haveria uma montanha de roupa espalhada pela cama.

As risadas foram ficando mais altas à medida que ele se aproximava do quarto. Risadinhas. Palavras sussurradas. Um som que podia muito bem ser um gemido. Ele parou, a mão pairando sobre a maçaneta.

Uma voz que não era a de Morgan disse:

— Amor, assim mesmo.

Morgan respondeu com um som que Grayson conhecia bem demais. Prazer.

O estômago dele despencou. Os pelos de seus braços se arrepiaram. Um frio se espalhou pelo peito. Ele soube, antes mesmo de tocar a porta, o que estava prestes a encontrar.

Mesmo assim empurrou a porta. Não podia fugir daquilo. Precisava encarar a situação — e as duas — de frente. Do jeito que lidava com negócios.

Mas não estava exatamente preparado para a cena que o recebeu.

Morgan estava esparramada na cama king size deles, nua, o cabelo loiro espalhado pelo travesseiro dele. Em cima dela estava uma mulher morena, igualmente nua, os dedos de uma mão enfiados nos cabelos de Morgan; a outra mão ele não via, mas podia imaginar onde estava.

O tempo parou. O mundo saiu do eixo enquanto Grayson ficou congelado na porta, incapaz de processar o que via. Ele sabia — claro — até tinha se preparado para essa possibilidade, mas ver era outra história.

Então Morgan levantou o olhar, como se o tivesse sentido ali, os olhos se arregalando de choque.

— Grayson! — Ela se desvencilhou da outra mulher, tentando sair de baixo dela e puxando o lençol. — Era pra você estar em Boston!

A morena se sentou, sem fazer o menor esforço para se cobrir, um meio sorriso brincando nos lábios.

Grayson a reconheceu. Tina. Amiga da irmã dele, Emma. A mesma que ele tinha conhecido na festa de noivado da irmã.

— Cancelaram o voo — a voz dele soou distante, como se fosse de outra pessoa. — Granizo.

Morgan puxou o lençol até o queixo.

— Amor, eu posso explicar.

Tina riu, um som curto e cortante.

— Pode mesmo?

Grayson entrou no quarto. O jazz ainda tocava no som no canto, o que explicava por que elas não tinham ouvido quando ele entrou. Ele não tinha tentado fazer silêncio, porque não tinha percebido do que ela estava se escondendo dele. Esse pensamento o levou à pergunta seguinte.

— Há quanto tempo? — A voz dele estava firme. Bem mais calma do que ele se sentia.

Morgan olhou para Tina e depois de volta para ele.

— Não é o que você está pensando.

— Há. Quanto. Tempo. — Cada palavra saiu cortante, precisa.

— Não é nada sério, só...

— Responde à pergunta, Morgan. — As mãos dele se fecharam em punhos ao lado do corpo.

Ela baixou os olhos para os lençóis amarrotados.

— Logo depois da festa de noivado da Emma.

Oito meses. Oito meses de mentiras. A festa de noivado. O dia em que Morgan tinha conhecido Tina também. Devem ter começado em questão de dias depois de se conhecerem. Aí, dois meses depois, ele tinha pedido Morgan em casamento, e ela tinha dito sim enquanto transava com outra mulher às escondidas.

— Oito meses — ele repetiu as palavras, testando o peso delas. — Vamos deixar claro: você está transando com a amiga da minha irmã há oito meses.

— Não seja grosseiro. — Morgan pegou um robe de seda que estava pendurado no pé da cama. — É só físico. Não significa nada.

Tina se espreguiçou, felina e despreocupada.

— Não se menospreze, Morgan. Pra mim significa alguma coisa. — Claramente pouco ligando por ter sido pega no flagra. Grayson nunca tinha gostado de Tina. Mas ele não podia dizer para a irmã mais nova com quem ela podia ou não ser amiga. Emma tinha vinte e sete anos, afinal.

Grayson passou a mão pelos cabelos. Oito meses. Todo o noivado deles. Uma mentira. Não só o noivado, mas todo o relacionamento.

— Você trouxe ela pra nossa cama. — Não só pra cama, mas pra vida deles.

Morgan vestiu o robe, amarrando na cintura.

— Você está fazendo um drama enorme por nada. É só sexo.

— Na nossa cama. — Ele sentiu vontade de vomitar. Ia queimar a cama antes de dormir nesse quarto de novo.

— Por que não? — Tina perguntou, finalmente pegando as roupas espalhadas pelo chão. — A Morgan disse que você só voltava amanhã.

Grayson não olhou na direção dela. Ela não parecia se importar nem um pouco em estar pelada na frente dele. A mulher não demonstrava vergonha nenhuma.

A naturalidade da traição o atingiu como um golpe físico. Elas tinham planejado aquilo. Esperado ele sair. Quantas outras vezes aquilo tinha acontecido? Será que tinham rido dele, achando que ele era um idiota?

— Cai fora. — Ele direcionou as palavras para Tina.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Como é?

— Cai da porra da minha casa.

Morgan se aproximou dele com as mãos erguidas num gesto apaziguador.

— Sério, Grayson, eu só não entendo por que você está tão irritado. Vamos conversar sobre isso como adultos.

— Como adultos? — Ele riu, o som oco. — Você está me traindo há oito meses e quer conversar como adultos?

— Não é traição. — Morgan pousou a mão no peito dele. — Não de verdade. A Tina é mulher, não homem.

Grayson se afastou da mão dela, os olhos arregalando ao perceber que ela não entendia que traição era traição, não importava o sexo da outra pessoa. Será que ela era realmente tão idiota, ou tinha a moral de um gato de rua? Não era alguém com quem ele queria criar filhos, muito menos manter na própria vida.

Se ele achava que já estava em choque antes, as palavras seguintes dela tornaram tudo ainda pior.

— A gente podia te chamar pra participar algum dia. Você talvez goste. Não é o sonho de todo homem ter duas mulheres ao mesmo tempo?

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