Sua Luna Abandonada

Sua Luna Abandonada

Gratsiya Far · Concluído · 228.4k Palavras

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Introdução

"Eu tenho um companheiro," eu disse.
"É mesmo?" O olhar de Alaric se estreitou. Ele se inclinou mais perto, seu hálito acariciando meu nariz e tudo o que eu conseguia pensar era em beijá-lo.
"Sim, e não é você," eu reprimi meus impulsos enquanto sussurrava. Por que não podia ser ele?
Um rosnado feroz saiu de seus lábios enquanto ele me puxava para mais perto, "Você é MINHA!"
☆☆☆☆☆☆
Traída. Abandonada. Deixada para morrer. Lilac tinha dado tudo ao Rei Alfa Kael—seu amor, sua lealdade, sua própria alma—apenas para ser descartada quando a companheira destinada dele chegou. A frágil Ômega não só roubou o coração de Kael, mas destruiu tudo o que Lilac havia construído, deixando-a quebrada e vendo sua família perecer. Quando Lilac deu seu último suspiro, a última coisa que viu foi Kael segurando a mulher que a havia arruinado.
Mas a morte não foi o fim.
Quando os olhos de Lilac se abriram, ela estava de volta, seis anos no passado, no momento da cerimônia onde foi escolhida como companheira de Kael pela primeira vez. A deusa lhe concedeu uma segunda chance. Mas desta vez, ela não seria a mesma mulher ingênua que amava cegamente. Desta vez, ela lutaria. Ela retomaria o que era seu.
No entanto, com cada escolha que faz, o futuro começa a mudar. O meio-irmão de Kael, Alaric, apareceu na história. O destino já não é mais previsível, e o destino do reino não está mais gravado em pedra. Enquanto Lilac trilha um novo caminho, uma pergunta a assombra: ela está reescrevendo sua salvação... ou sua perdição?

Capítulo 1

|| Ponto de Vista de Lilac ||

"Por favor," sussurrei, minha voz tremendo enquanto me virava para Kael. "Deixe-os ir."

As palavras pareciam estranhas, amargas, como cinzas na minha língua. Eu nunca tinha implorado antes, nunca pensei que teria que fazer isso. Mas por eles - pelos meus pais - eu engoliria meu orgulho.

Eu já tinha implorado antes a Kael. Eu tinha suplicado a Kael para lembrar dos votos que fizemos, das promessas que ele sussurrou no escuro quando o mundo parecia seguro.

"Você sempre será a primeira," ele me disse, sua voz um bálsamo para os meus medos.

Isso foi antes de Coco. Antes de ela invadir o palácio como uma tempestade, deixando ruína em seu caminho. Ele jurou que nada mudaria, que eu ainda seria sua rainha, seu amor. Tudo foi uma mentira. Uma mentira bela e cruel.

Os olhos dourados de Kael brilharam com algo indecifrável, desaparecendo antes que eu pudesse entender. Seu silêncio cortava mais fundo que uma lâmina. Minhas mãos se fecharam em punhos, unhas cravando nas palmas, mas a dor não era nada comparada à angústia dentro de mim.

O ar cheirava a sangue e traição, espesso e sufocante. O grande salão, antes um lugar de celebração, parecia um túmulo. As imponentes colunas de mármore, esculpidas com a história do nosso clã, pareciam inclinar-se para dentro, como se elas também não suportassem testemunhar isso. Ele matou todos os meus guerreiros de confiança, garantindo que minha família ficasse vulnerável. A luz tremeluzente das tochas lançava sombras irregulares pelo chão polido, fantasmas zombando de mim, sussurrando sobre minha queda.

Meu coração batia forte, cada batida um lembrete doloroso de quão longe eu tinha caído. Meus joelhos cederam, e eu caí no chão frio de pedra. O impacto mal foi percebido. Meu vestido, antes um símbolo do meu status como Rainha Luna, agora parecia pesado, sufocante, sem significado.

Levantei meu olhar, e lá estava ele. Kael. O Rei Alfa. Meu marido há cinco anos. O homem a quem eu tinha dado tudo. Seus ombros largos estavam rígidos, seu queixo firme, seus olhos dourados mais frios do que eu já tinha visto. Este não era o homem que uma vez me segurou perto, que jurou me proteger. Não, este era um estranho usando seu rosto.

E em seus braços, aninhada como algo precioso, estava Coco. Envolta em seda, seu cabelo negro caindo sobre os ombros, ela era deslumbrante. Para mim, ela não passava de uma víbora envolta em seda e segredos. Seus lábios se curvaram em um sorriso triunfante, cruel. Ela desfez minha vida com nada mais que um olhar, observando enquanto tudo que eu construí desmoronava aos seus pés.

Atrás deles, guerreiros permaneciam imóveis, espadas desembainhadas, apontadas para meus pais. Minha mãe e meu pai, outrora guerreiros orgulhosos e inflexíveis, estavam de joelhos, cabeças baixas. Correntes de prata amarravam seus pulsos e tornozelos, o metal encantado queimando suas peles. A visão deles assim - quebrados, humilhados - era uma adaga no meu coração.

"Ele é seu Beta, Kael. Ele é o orgulho do nosso país," eu disse.

Meu pai, o homem que uma vez se manteve firme mesmo diante da guerra, agora se curvava sob o peso de sua vergonha. Os olhos ferozes da minha mãe estavam vazios, sem esperança. A mulher que me ensinou a lutar pelo que amava agora não passava de uma prisioneira no reino pelo qual uma vez sangrou.

Engoli em seco, forçando para baixo o soluço que tentava escapar. Eu não podia desmoronar. Ainda não.

"Kael," engasguei, minha voz falhando. "Se você já me amou, mesmo que um pouco... deixe-os ir."

A risada de Coco ecoou no silêncio - afiada, zombeteira.

"Ah, querida," ela ronronou, inclinando a cabeça. "O amor não tem nada a ver com isso."

Ela deu um passo à frente, lenta e deliberadamente, um predador circulando sua presa. Em sua mão, uma adaga brilhava sob a luz tênue. Ela a apontou para mim, seu sorriso gotejando falsa doçura.

"Eu os deixarei ir," ela ponderou, "se você morrer no lugar deles."

As palavras me atingiram como um soco no estômago. Antes que eu pudesse reagir, seu sorriso se alargou.

"Tarde demais," ela sussurrou. "Mudei de ideia."

Ela arremessou a adaga.

O tempo desacelerou. A lâmina girou pelo ar em um arco mortal.

Os olhos do meu pai encontraram os meus - firmes, fortes, do jeito que sempre foram. Mas agora, estavam cheios de tristeza. Com um pedido de desculpas que ele nunca conseguiria dizer.

A adaga atingiu. Um baque doentio.

Um gemido estrangulado escapou de seus lábios. Seu corpo se contraiu violentamente enquanto a prata queimava através dele. Seus dedos tremeram, alcançando - alcançando por mim - mas sua força falhou. Ele desabou no chão. Convulsionando. Morrendo.

"Não!"

O grito rasgou minha garganta, cru e quebrado.

Eu me lancei em sua direção, desesperada, frenética.

Mas antes que eu pudesse alcançá-lo, antes que eu pudesse tocá-lo uma última vez, Coco arremessou outra adaga.

Esta atingiu o peito da minha mãe.

Um suspiro agudo. Seu corpo se contraiu. Suas mãos trêmulas agarraram o cabo, como se pudessem desfazê-lo, como se pudessem afastar a lâmina. O carmesim floresceu em seu vestido, violento contra a seda pálida.

Seu olhar encontrou o meu.

Seus olhos ferozes e amorosos - os que me vigiaram a vida toda - agora estavam cheios de outra coisa. Arrependimento. Não por ela mesma. Por mim. Pela dor que ela não podia impedir.

Seus lábios se entreabriram. Nenhuma palavra saiu. Apenas uma respiração trêmula.

Ela desabou ao lado do meu pai.

Um som oco e agudo subiu do meu peito, uma dor tão crua que me partiu ao meio. Meus pais - minha casa, meu âncora - se foram. Assim, de repente. Suas vidas, reduzidas a manchas de sangue em pedra fria e insensível.

O mundo ficou turvo. Minha visão escureceu enquanto a raiva e a tristeza me engoliam por completo. Minha loba avançou, seu rosnado sacudindo o salão. Minhas garras se alongaram, minhas presas à mostra. Eu estava pronta para despedaçar Coco.

Mas Kael se colocou na frente dela, sua figura imponente a protegendo da minha fúria. Seus olhos dourados perfuraram os meus, frios e inflexíveis, e naquele momento, eu vi a verdade.

Eu não era nada para ele. Meu amor era menos que nada.

O vínculo que compartilhamos, o amor em que acreditei, foi uma ilusão, despedaçada pela chegada de sua verdadeira companheira.

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