
Três Motoqueiros Alfa Querem um Casamento Aberto
Constance Luna · Atualizando · 333.9k Palavras
Introdução
— Você entregou seu corpo a um homem que nem sabia o que fazer com ele — murmurou Cane, com o hálito quente na pele dela. — Deixa a gente te mostrar o que significa ser desejada… por três.
Riley deu tudo pelo casamento, até o dia em que pegou o marido e a meia-irmã dele na cama, traindo ela.
A traição a despedaçou… mas só por um instante, porque ela propôs justamente a única coisa que ele sempre quis: um casamento aberto. Ele achou que ela ia desmoronar.
Em vez disso, ela escolheu vingança. E nada dói mais do que o fato de ela ter escolhido os três melhores amigos dele para ajudar.
Três motoqueiros implacáveis.
Três homens que não dividem nada — a menos que valha o risco.
Três Alfas que fizeram Riley ser deles no momento em que ela disse sim para os três.
Agora, todas as noites, ela dá a eles o que o marido dela sempre tratou como garantido — gemidos, entrega e algo perigosamente perto do amor. Ele assiste de fora. Ardendo. Se arrependendo, mas tarde demais.
Porque ela não está apenas retomando o próprio poder — ela está fazendo questão de que ele sinta como é ser substituído.
E a pior parte? Ele nunca esperou que ela fosse se apaixonar por eles. E que eles fossem se apaixonar por ela. E a Riley? Ela só está começando.
Capítulo 1
“Eu sinto muito, Sra. Riley… mas seu filho não resistiu.”
As palavras do cirurgião ainda ecoavam na minha cabeça enquanto eu apertava o volante com mais força e acelerava, o couro mordendo as minhas palmas. Eu ainda conseguia ver o rosto dele — a tristeza nos olhos, o jeito contido de falar, como se nem ele encontrasse as palavras certas para amenizar o golpe que tinha acabado de me dar.
Mas não existe um jeito delicado de dizer a uma mãe que o bebê dela se foi.
Ele tinha oito meses.
Oito meses lutando.
Oito meses esperando.
Meu menino.
Meu pequeno guerreiro, que chegou a este mundo com pulmões fracos e mãozinhas minúsculas, mas com um coração que roubou o meu na primeira vez que eu o peguei no colo. Ele estava doente desde o primeiro dia. Uma infecção atrás da outra. Idas ao hospital. Remédios. Noites sem dormir. Eu vivia entre a empresa e a UTI neonatal.
E, agora, a noite passada tinha sido a pior. Ele voltou a ter dificuldade para respirar, e a saturação de oxigênio despencou para um nível perigosamente baixo. Eu corri com ele para o hospital de pijama, embalando aquele corpinho febril junto ao meu, sussurrando que ia ficar tudo bem.
Mas não ficou.
Os médicos disseram que ele precisava de uma cirurgia de emergência. Eu passei a noite inteira sozinha no corredor do hospital, rezando. Implorando. Me agarrando à esperança como se fosse a única coisa me impedindo de desabar de vez.
Eu liguei para o Ethan, meu marido. Contei o que estava acontecendo. Falei que era grave — que, dessa vez, parecia diferente. Falei que eu estava com medo.
Eu precisava dele. Nosso filho precisava dele.
Mas ele não veio.
Ele não atendeu na segunda vez. Nem na terceira.
E, horas depois, ele finalmente atendeu… A resposta dele?
“Eu tô ocupado. Dá um jeito aí e garante que não aconteça nada com ele.” Só que agora… alguma coisa realmente aconteceu com ele.
E agora… aqui estou eu. Vestida de preto. Não só porque enterrei meu filho hoje de manhã, mas porque alguma coisa dentro de mim morreu junto com ele.
Eu devia ter ficado em casa. Eu devia estar na cama, ou encolhida em algum canto, segurando o último body que ele vestiu, chorando até ficar sem ar. Mas eu não tinha direito a esse tipo de paz. Não nesta vida. Não quando eu tinha uma empresa para tocar e uma reputação para manter intacta.
Então eu vim.
Porque hoje não foi só o dia em que eu enterrei meu próprio filho. Hoje também era o dia em que alguns investidores supostamente “importantes”, segundo o Ethan, iam se encontrar com a gente — amigos dele, homens com quem ele vinha conversando havia anos, tentando convencê-los a investir na empresa. Ele disse que era fundamental eu estar presente. Que a gente não podia se dar ao luxo de estragar isso.
E nem mesmo o luto era uma desculpa boa o bastante.
Nossa empresa fica na margem de Crescent Hollow, uma cidade onde humanos vivem lado a lado com matilhas — na maioria das vezes, numa trégua desconfortável. É um lugar onde dá para sentir a dominância no ar, e a hierarquia pesa mais do que as leis. Dá para notar no jeito como as pessoas se movimentam. Nos acenos discretos trocados entre nós. Nas regras silenciosas que separam humanos de lobos.
O carro parou devagar do lado de fora do prédio em frente à nossa empresa — aquela que construímos juntos, embora só um de nós realmente a mantivesse de pé. Sou eu quem a toca todos os dias, enquanto ele… faz o que bem entende.
Puxei fundo o ar, limpei os cantos dos olhos e desci. A cidade não parou por causa da minha dor. O sol continuou nascendo. A rua continuou barulhenta, cheia da mistura de humanos e metamorfos seguindo com a própria vida. Dois lobos em forma humana passaram em motocicletas, deixando rastros de cheiro no ar — fortes, selvagens, inconfundíveis.
E eu? Eu estava fingindo que vivia.
Entrei pela porta principal. Eu sentia os olhares em cima de mim. Lá dentro, as conversas morreram no meio das frases quando perceberam minha presença. A mão da recepcionista congelou sobre o teclado. Os olhos dela ficaram marejados, os lábios entreabertos, como se quisesse dizer “meus sentimentos”, mas não soubesse se podia. Ninguém falou nada. Talvez por medo. Talvez por respeito. Talvez porque ninguém saiba o que dizer a uma mulher que acabou de enterrar o próprio filho e, mesmo assim, aparece para trabalhar.
Todo mundo já ficou sabendo. Em Crescent Hollow, notícia corre mais rápido do que fofoca. Talvez já tivesse se espalhado que Riley Grayson — CEO, humana, companheira de um lobo de alto escalão — tinha perdido o bebê e ainda assim apareceu no trabalho horas depois do funeral dele.
Eu não me importava.
Meus saltos batiam no piso de porcelanato enquanto eu seguia para os elevadores, cada passo mais pesado do que o anterior. O luto se acomodava no meu peito como um peso, pressionando minhas costelas, mas eu mantive o queixo erguido. As costas retas. Ninguém ia me ver desmoronar.
Nunca. Ainda não.
Eu devia ir direto para a sala do conselho agora. Eu sabia que eles estariam esperando. Eu sabia que provavelmente estavam cochichando a portas fechadas, tentando adivinhar que versão da Riley apareceria hoje.
Mas, em vez disso, virei para a ala executiva, porque eu precisava ver o Ethan — nem que fosse por um instante.
Eu nem sabia por quê. Talvez eu estivesse procurando alguma coisa no rosto dele. Algum sinal de que ele se importava. Um lampejo de culpa. Ou talvez eu só quisesse ouvi-lo dizer alguma coisa — qualquer coisa que provasse que eu não era a única me afogando nisso e, quem sabe, me desse coragem para encarar o conselho apesar da tristeza que apertava cada parte de mim.
O corredor estava silencioso enquanto eu passava pelas salas e parei diante da porta dele. Minha mão ficou suspensa sobre a maçaneta, hesitando. Meu coração batia no peito, rápido e alto, como se quisesse fugir — mas eu não ia fazer isso. Riley Grayson não foge, ela luta.
Puxei fundo o ar, empurrei a porta e entrei.
Mas eu não estava preparada para o que estava prestes a encontrar.
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