Capítulo 4
POV da Riley
Eu avancei até a mesa deles, o coração batendo forte — não só por causa da tequila, mas porque tinha alguma coisa neles que me deixava desconfortável. Os três cravaram os olhos em mim, sem piscar. Eu senti o calor daqueles olhares pressionando a minha pele, denso e pesado como o ar abafado.
Eu estava nervosa, claro. Mas com raiva? Com certeza. Quem eles achavam que eram pra me impedir de pedir mais um drink?
— Ei! — eu rosnei, forçando a voz a sair firme apesar do frio na barriga. — Por que você falou pro barman que eu não posso beber mais? Você é dono deste lugar, é isso?
O mais alto — o primeiro — ergueu o copo, girando o vinho tinto-escuro lá dentro como se fosse algum tipo de veneno. Os olhos cinza-escuros dele pegaram a luz fraca da casa e brilharam com um sorriso de canto preguiçoso e perturbador.
— Somos — ele disse, com a voz baixa e macia.
Eu pisquei, travando por um instante diante da certeza no tom dele. Mesmo assim, eu empurrei as palavras pra fora.
— Tá, mas só porque você é dono daqui não quer dizer que pode controlar quantas doses alguém toma.
Ele arqueou uma sobrancelha, divertido.
— Pelo visto, a gente pode, Riley Grayson.
Aquilo me fez parar na hora.
O segundo homem falou em seguida, a voz um pouco mais suave, mas tão mandona quanto.
— A gente decide quem bebe e quem não bebe, Riley.
Os olhos dele eram da cor de âmbar do mar, como ouro derretido salpicado do azul mais profundo. Pareciam atravessar a minha pele, como se ele enxergasse cada segredo que eu tentava esconder. Ele era bonito, claro, mas mais do que isso — carregava uma confiança que chamava atenção sem esforço.
— Como? — eu gaguejei, tentando segurar a mistura de surpresa e medo retorcendo meu estômago. — Como você sabe meu nome? A gente já se viu antes?
Antes que eles respondessem, a voz do terceiro homem cortou o ar.
— Você não devia estar aqui — ele disse, seco.
Os olhos dele eram frios — prateados, quase — e a expressão, mortalmente séria. Tinha algo assustador naquela calma, como um lobo esperando pacientemente o momento certo de atacar. Os traços bonitos eram precisos, mas o olhar dele carregava um peso que deixava o ar entre nós sufocante.
Ele ergueu uma sobrancelha, a voz gelada.
— O Ethan sabe que a esposa humana dele tá completamente bêbada num clube no centro?
Eu congelei. A boca seca, a mente disparada.
— Como você conhece o Ethan? — eu perguntei, desesperada por respostas.
O homem de olhos escuros, o do sorriso de canto, se inclinou pra frente, estreitando um pouco o olhar.
— A gente sabe muita coisa, linda — ele disse, com um sorriso lento. — E também sabe do seu casamento agora… aberto.
Minha respiração falhou, e eu fiquei de boca aberta, em choque. Por um momento, eu não consegui dizer nada. As palavras arderam — não pelo que significavam, mas porque estava claro que aqueles homens sabiam coisas que nenhum estranho deveria saber.
— Quem diabos são vocês? — eu quase cambaleei pra trás, a voz cortante de choque e desconfiança.
Eles só sorriram de canto, se recostando nas cadeiras como se estivessem curtindo uma piada particular da qual eu não fazia parte.
O segundo, o de olhos cor de âmbar, quase oceânicos, inclinou-se para a frente, prendendo o olhar no meu como se enxergasse cada rachadura da minha alma.
— Você não sabe quem a gente é?
Eu hesitei.
— Não… não sei.
Ele soltou uma risada baixa, lenta e sombria.
— Talvez seja porque a gente ficou fora por um tempo, gata. Fora da cidade por três anos. Mas agora a gente voltou.
Antes que eu conseguisse reagir, o primeiro homem — o dos olhos cinza-escuros e daquele sorriso preguiçoso, perigoso — se levantou num movimento suave, ficando imenso na minha frente. Eu dei um passo involuntário para trás; o calor que vinha do corpo dele tornava até respirar difícil.
— Já que você quer um casamento aberto — ele disse, com a voz baixa e provocadora — a gente pensou em te fazer uma proposta, Riley.
Eu pisquei, confusa e um pouco desconfiada.
— Que tipo de proposta?
O sorriso dele se abriu mais, afiado e perverso.
— Você quer se vingar do seu marido, não quer? Provar que você não é a mulher chata que ele te pintou?
Eu encarei o homem, atônita. Como ele sabia disso? O Ethan nem tinha dito isso em voz alta lá na empresa, então como…?
Eu me peguei assentindo, mais por choque do que por concordar de verdade.
— Ótimo — ele disse, chegando mais perto, sem tirar os olhos dos meus. — Então deixa a gente entrar no seu casamento aberto.
Eu pisquei de novo, as palavras pesando no ar, carregado de fumaça.
— Como dá pra ver, somos três — ele continuou, com um meio sorriso lento nos lábios. — E a gente pode te dar tudo o que você tem desejado nesses últimos três anos com o Ethan.
O olhar dele era intenso, como se me desafiasse a responder.
— Mas — ele acrescentou, baixando a voz para um sussurro provocador — tem uma coisa que você precisa saber: a gente gosta de estar… junto.
O homem de olhos âmbar assentiu, com os olhos brilhando.
— Uma mulher. Três homens. Ao mesmo tempo.
Meu coração disparou, uma mistura de medo, raiva e alguma coisa perigosamente excitante correndo por dentro de mim.
Eu queria recuar, recusar, mas havia algo no jeito como eles me olhavam que tornava isso impossível. Não era só desejo; era um desafio.
— Por que eu? — eu consegui perguntar, sem gostar das imagens que aquilo pintava na minha cabeça, nem do jeito como meu corpo já estava reagindo a elas.
O primeiro homem deu de ombros, o sorriso perverso ainda no rosto.
— Porque você tá cansada de ser passada pra trás. Porque você quer provar que ainda dá conta sem ele. E porque… bom, a gente gosta de uma mulher destruída e pronta pra ser usada pra conseguir o que quer.
O silêncio se esticou, pesado de possibilidades.
Eu engoli em seco, com a voz mal firme.
— E se eu disser que sim?
Eles trocaram olhares, e os sorrisos se abriram um pouco, surpresos. Talvez achassem que eu ia recusar, mas não; um pensamento maldoso já tinha atravessado a minha cabeça, misturado ao álcool pesado que nadava ali dentro naquele momento.
— Então — disse o dos olhos cinza — essa noite ficou muito mais interessante. — A voz dele era baixa, cheia de promessa. — E, quando a gente começa, a gente não para.
