Capítulo 5

POV da Riley

Engoli em seco, sabendo que o inteligente, o sensato, o “Riley-Grayson-CEO” a se fazer era dar meia-volta e sair deste clube agora mesmo.

Sair de perto dos três homens que me olhavam como se eu já estivesse nua nos lençóis deles.

Sair de perto da vingança que tinha gosto de mel na minha língua.

Então eu me virei.

Um passo. Foi tudo o que eu consegui dar antes de uma mão se fechar no meu pulso — grande, quente, implacável — e me puxar de volta com tanta força que eu tropecei, meu salto enganchando no nada. Minha visão inclinou quando minhas costas bateram na parede de um corredor estreito que levava sabe-se lá para onde. O grave do som do clube pulsava através do reboco.

O de olhos cinzentos apareceu de repente na minha frente, me encurralando com o corpo. O cheiro dele me atingiu em cheio: couro e alguma coisa mortal que fez meus joelhos quererem ceder.

— O quê… — minha voz falhou. — O que você está fazendo?

Ele não respondeu. Só me encarou de cima, as pupilas dilatadas até sobrar apenas um anel fino de cinza-tempestade.

As luzes do corredor tremeluziram sobre o recorte afiado das maçãs do rosto dele.

— O que você diz da nossa oferta, Riley? — A voz dele saiu baixa.

Tentei puxar meu pulso, mas o aperto só aumentou, os dedos pressionando bem em cima do meu pulso acelerado.

— Não… eu… eu não quero isso — consegui dizer, e a mentira tinha gosto de cinza. — O meu casamento ser aberto não significa que eu possa transar com qualquer um.

Os olhos dele faiscaram, virando prata derretida, escorrendo por dentro do cinza, e o ar ao redor pareceu cair dez graus. Atrás dele, os outros dois se levantaram do reservado. Ninguém no clube olhou. Ninguém ousou.

— Qualquer um? — ele repetiu, suave e venenoso.

Ele deu um passo para perto e eu recuei, minha coluna encontrando a parede fria. Mais um passo. Outro. Até o peito dele roçar no meu e eu não ter mais para onde ir.

Ele baixou a cabeça, os lábios roçando a borda da minha orelha.

— Se eu decidisse começar agora — sussurrou, o hálito quente no meu rosto — eu puniria essa sua boca primeiro. Eu faria você ajoelhar nesse chão imundo e engasgar em mim até esquecer como se diz não.

O calor me inundou tão rápido que eu cambaleei. Minhas coxas se contraíram involuntariamente, vergonha e desejo se enroscando numa coisa cruel. Eu odiei que meu corpo respondesse a ele. Odiei até ter pintado a cena na minha cabeça.

— Sai de perto de mim — rosnei, mas saiu sem fôlego, quebrado.

Ele riu, baixo e maldoso.

— Você quer isso. Eu já consigo sentir.

Lá de trás, o de olhos âmbar falou, a voz cruel:

— Olha os olhos dela, Cane. A humana já tá toda molhada e a gente mal encostou.

O terceiro, de olhos prateados e o mais frio, se apoiou na parede oposta, braços cruzados, me observando com atenção.

— Ela ainda acha que tem escolha — disse, quase entediado. — Adorável.

Cane. Então esse era o nome dele. Cane arrastou o nariz pela minha mandíbula, inspirando como se estivesse memorizando meu cheiro.

— Me diz de novo que não tá interessada — murmurou. — Mais uma vez e a gente te dobra naquela mesa na frente de todo mundo nesse clube. Eu vou fazer questão de que todos vejam exatamente o quanto de “sem graça” você não é, Riley.

Minha respiração travou. Uma lágrima escapou pelo meu rosto — luto, raiva, tesão; eu já nem sabia. Ele a pegou com o polegar e a limpou.

— O Ethan tirou algo de você hoje — disse o de olhos âmbar, chegando mais perto. A voz dele era suave, mas gelada. — Seu filho. Sua dignidade. Suas ilusões. Deixa a gente tirar algo de volta por você.

Balancei a cabeça, mas o gesto saiu fraco.

— Por quê? Por que você quer me ajudar a me vingar dele?

Cane demorou a responder.

— Porque pegar o que ele jogou fora — disse ele, num tom baixo, cortante — é a única coisa que vai fazer destruir ele parecer bom.

O de olhos prateados finalmente se mexeu, se enfiando à minha esquerda até eu ficar encurralada entre três paredes de músculo, calor e ameaça. Ele não me tocou, mas a voz dele escorreu pela minha coluna como água gelada.

— A gente divide tudo, Riley. Território. Mulheres. Principalmente mulheres que entram aqui desabando de coração partido, pedindo pra ser destruídas.

Meus joelhos cederam de verdade, e ele pegou meu outro pulso, prendendo os dois braços acima da minha cabeça contra a parede com uma mão só. O alongamento queimou quando as coxas de Cane se enfiaram entre as minhas pernas, forçando-as a se abrir, o tecido do meu vestido subindo até ficar alto demais.

— Fala — rosnou Cane, contra a minha garganta. — Diz pra gente que aceita a oferta e que quer isso.

— Eu… — A palavra quebrou na minha garganta. A voz de Ethan ecoou dentro do meu crânio [Você é chata, patética, uma tragédia ambulante]. Fechei os olhos e vi Wendy curvada sobre a mesa dele, ouvi o último batimento do meu bebê no monitor.

Alguma coisa dentro de mim estalou pela segunda vez hoje.

— Vai se foder — eu sussurrei.

A mão de Kain apertou com brutalidade.

— Resposta errada.

— Não — eu disse mais alto, encarando os olhos dele. — Vai se foder ele. Vai se foder o Ethan. Me usem. Me destruam. Façam eu esquecer.

O silêncio caiu entre nós — duro, pesado. Então os três sorriram, cruéis.

E, no mesmo instante, a boca de Cane se chocou contra a minha sem aviso, sem nenhuma suavidade, sem pedir, só tomando. Os dentes dele rasparam meu lábio inferior até eu sentir gosto de sangue. A língua dele invadiu, tomando cada canto como se estivesse marcando território. Eu gemi baixo contra ele, odiando o quanto eu o beijava de volta, desesperada.

O de olhos prateados deslizou a mão pela minha coxa, por baixo da barra do meu vestido, os dedos traçando a borda da minha calcinha de renda, já encharcada.

— Meu Deus do céu — ele murmurou no meu pescoço. — Ela tá escorrendo pra gente.

Ele ainda segurava meus pulsos; a mão livre subiu e fechou no meu cabelo, puxando minha cabeça para trás para Cane poder devorar a minha garganta.

Eu tremia tanto que meus dentes batiam. O rosto do meu filho morto tremeluzia por trás das minhas pálpebras. Ethan rindo enquanto comia minha melhor amiga. O casamento aberto que eu tinha jogado na cara dele.

Olhei para os três homens que podiam me destruir mais completamente do que Ethan jamais tinha conseguido.

E eu disse as palavras que queimaram minha alma até virar cinza.

— Me pega.

Os olhos de Cane escureceram. O outro soltou meu pulso só para Cane me erguer pelas coxas, batendo minhas costas com mais força contra a parede. Minhas pernas se fecharam em volta da cintura dele por instinto. Eu senti — o volume enorme, duro, pressionando contra mim por cima do jeans — e um gemido assustado escapou quando ele me encarou, fixo.

— Não aqui, Cane — disse o outro, a voz áspera de tanto se segurar. — Sala privada. Agora.

Cane soltou meu cabelo quando o ar frio invadiu o espaço onde o corpo dele estava, mas ele não me colocou no chão. Só virou e me carregou mais para dentro do corredor como se eu não pesasse nada, meu vestido encolhido até os quadris, minha calcinha exposta para qualquer um que tivesse coragem de olhar.

Mas ninguém olhou.

Cane chutou uma porta no fim do corredor e disse:

— Quando a gente terminar com você, vamos te mandar de volta pra ele tão marcada que ele vai sentir o nosso cheiro em você por semanas e vai saber exatamente quem é o seu dono agora.

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