Vendida para o Don 2

Vendida para o Don 2

Edilaine Cargnin Beckert · Concluído · 304.7k Palavras

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Introdução

Filho do temido Don Antony, Vinícius Strondda herdou o sangue frio do pai, só que nunca aprendeu a lidar com algo que não pudesse controlar.
E Lucia Bianchi era exatamente isso: indomável, corajosa, e capaz de despertá-lo como nenhuma outra mulher.
Ela não tem medo do seu olhar. Não se cala diante das suas ordens, mas carrega cicatrizes que gritam segredos, e que podem destruir ambos se forem revelados.
Ele jurou que ninguém a teria.
Ela jurou que jamais seria de um homem como ele.
Agora, entre poder, obsessão e um segredo capaz de destruir tudo, Vinícius terá que decidir até onde vai para tomar para si uma mulher que já pertence a outro homem.
"Você é a minha maior fraqueza, Lucia… e eu não sei se vou te salvar ou te destruir.”

Capítulo 1

Capítulo 1

Vinícius Strondda

Maicon, meu tio e consigliere do meu pai, entrou no reduto sem bater. O homem sabe que o respeito que tenho por ele é grande, mas isso não significa que possa invadir meu espaço como se fosse a casa dele.

Eu estava com a taça de vinho na mão, observando o jardim do palazzo pela parede de vidro.

— O conselho decidiu que chegou a hora, Vinícius. — Ele cruzou os braços, direto ao ponto. — Assim que seu pai voltar da viagem, quer a resposta: você vai assumir o posto de Don ou vai continuar agindo como se não fosse o herdeiro da família Strondda?

Me virei devagar.

— “Assumir” não é bem o problema, tio. O problema é a condição ridícula que eles colocaram pra isso.

Ele arqueou a sobrancelha.

— A tradição é clara: precisa estar casado antes de ser nomeado oficialmente.

— Casado… — repeti, dando um meio sorriso irônico. — Interessante. Meu pai derrubou um aliado por tentar mandar nele, e agora querem me forçar a usar aliança?

— Não estamos falando de qualquer casamento. — Maicon se aproximou, apoiando as mãos na mesa. — É estratégico, algo político. Eu me casei por uma ordem do seu pai. Olha só pra mim hoje... Estou ótimo assim.

Olhei para ele e bebi mais um gole.

— Estratégico pra eles, bom pra você, talvez. Pra mim, é só uma armadilha.

Ele suspirou, e pela primeira vez percebi um cansaço genuíno no rosto dele.

— O conselho e os acionistas estão no jardim. — Enfim falou. — Seu pai me deixou encarregado disso. Querem saber se vai assumir o posto de Don quando ele voltar da viagem ou não.

Olhei para ele por cima da borda da taça.

— E aposto que vão querer empurrar uma esposa junto ao pacote, certo?

— É tradição. — Maicon não piscou. — Você sabe.

Sorri de canto. É... Eu sabia.

— Não lembro de tradição nenhuma que me obrigue a colocar uma coleira no pescoço. — larguei a taça e caminhei até a porta do terraço. — Por que não faço como ele fez? Escolho a mulher que eu quiser… e pronto.

Ele aproximou um passo, baixando o tom.

— Antony só não explodiu essa regra no tiro no passado, porque escolheu a dele antes que o forçassem.

— É e agora a visão do meu querido pai mudou, não é? Acho que ele pretende passar mais uns trinta anos como Don.

— Está rejeitando o cargo? Pra mim não tem problema, já me aposentei e meu filho João Miguel termina de resolver com seu pai.

Respirei fundo. Eu sabia que abandonar não era uma opção.

Deixei a taça sobre a mesa e fechei o casaco preto.

— Vamos acabar logo com isso.

Atravessei o corredor e segui até o jardim. O sol da manhã iluminava as rosas vermelhas alinhadas e a mesa comprida onde meia dúzia de homens de terno me aguardavam. Entre eles, duas mulheres jovens, imaculadamente vestidas, maquiagem impecável, perfume caro que dava para sentir a três metros. Soberba demais. Arrumadas demais. Não eram para mim. Que saco!

Um dos acionistas mais velhos, Mario Lombardi, se levantou antes mesmo que eu chegasse.

— Finalmente, o princeso herdeiro resolveu aparecer. — O tom dele já me fez parar no meio do caminho. — Achei que fosse deixar os negócios da família para homens de verdade.

O jardim inteiro pareceu prender a respiração. Maicon me olhou de lado, como se tentasse prever a merda.

Continuei andando até ficar a menos de um metro dele.

— O que você disse? — perguntei, baixo. Tirando um chiclete do bolso.

Ele inflou o peito, satisfeito por ter plateia.

— Disse que, se não tem coragem de seguir as regras, não merece a cadeira que o seu pai vai deixar.

Olhei para Maicon, depois de volta para ele. E sorri. Amassei a embalagem do chiclete e joguei sobre ele.

— Entendo… — Minha mão já estava na 357 quando terminei a frase. — Mas eu não sigo regras de nenhum maledetto, figlio de puttana, que não vai viver para ver o que acontece.

O disparo ecoou seco, e o corpo dele caiu para trás, derrubando uma cadeira. As duas mulheres se sobressaltaram, mas ninguém gritou. Todos sabiam que, aqui, é território do Don. Se meu pai não está, sou eu que mando.

Guardei a pistola e limpei a mão na lapela do meu terno.

— Que sirva de exemplo pra qualquer figlio de puttana. — Passei por cima do corpo sem desacelerar.

Foi então que algo no canto do jardim chamou minha atenção, movendo-se rápido.

— Don Vinícius... — leccaculo (uma das mulheres tentou puxar meu saco).

— ZITTO! (Cala a boca). — Prestei atenção por entre as rosas.

Uma mulher corria pelo gramado lateral, contornando a fonte. Calça justa preta, blusa simples, coque bagunçado que deixava escapar mechas escuras e vermelhas. Ela se movia como quem está acostumada a correr, e estava usando o meu jardim para isso.

— Quem é aquela? — perguntei a Maicon sem tirar os olhos dela.

— Não faço ideia. Até porque com tanto monitoramento ela já deveria estar morta. — Ele puxou a arma rapidamente, segurei seu braço.

— Não, ainda. — Ele ficou me olhando.

A intrusa parou por um instante para respirar, apoiando as mãos nos joelhos, sem perceber que estava sendo observada.

— Tragam ela pra mim. — ordenei.

— Como é? — Maicon arqueou a sobrancelha.

— Você ouviu, tio. Quero ela aqui.

Dois homens se afastaram da mesa da varanda e atravessaram o gramado. A mulher percebeu tarde demais e tentou correr de volta, mas um deles segurou o braço dela com força. Ela se debateu, chutou, xingou, mas foi puxada até onde eu estava.

— ME SOLTEM! EU NÃO FIZ NADA!

Quando parou diante de mim, seu olhar verde veio afiado, como se quisesse me cortar no ato.

— Soltem ela. — Falei baixo, tirando a 357 do bolso e lustrando com a roupa.

— O que acha que está fazendo? — perguntou, ofegante.

Dei um passo à frente, estudando seu rosto.

— Garantindo que ninguém entre no meu território e saia viva. — Olhou para todos os lados. Diferentes ângulos.

— Eu só estava correndo. — respondeu com um tom que parecia mais raiva do que medo.

Inclinei a cabeça, um meio sorriso se formava.

— Odeio mentirosos e intrometidos. — Empurrei a moça com força, puxei pelo braço e a encurralei numa árvore.

Ela respirava rápido. Belíssima presa, aliás.

— Tem um minuto pra me convencer a te deixar viver.

— Está louco? Eu só fugi de um cara.

— Perdeu alguns segundos. Seja mais eficiente.

— Eu pulei seu muro porque é o mais alto e isso é bom pra mim que tenho facilidade. É só fingir que não viu e está tudo certo. Me deixe ir embora.

Passei as mãos pelo corpo dela bem firme.

— Que ragazza... — sussurrei.

Alisei desde os braços até a bunda, depois entre os seios. Fui para a barriga e também a cintura.

— Me solta! Me solta! — ela gritava, mas nem ouvi o que dizia.

Eu só estava verificando se não estava armada, mas essa puttana me deixou excitado.

— Mamamia.

Ela tinha a bunda farta, cheguei até as coxas grossas.

— De onde você é? Qual seu nome? Quantos anos tem? É solteira?

— E... Eu...

— VAMOS PORRA! DIGA!

— Sou Lucia Bianchi. 24 anos, italiana.

— É solteira? — ela pareceu pensar.

— Sim.

— Agora não é mais. — Arrastei ela pelo braço e entreguei para meu tio.

— Prendam ela. E veja quando meu pai volta. Vinícius Strondda vai casar.

— Não! Eu não posso! Não vou casar! — começou a espernear, mas virei as costas.

Maicon se aproximou e perguntou baixinho:

— Não perguntou se é virgem?

— Não. Tanto faz, não sei se vou esperar até a cerimônia.

— Merda! Seu pai vai matar nós dois.

— É só ele não saber... — brinquei. Nada passa por Don Antony se chegou até Maicon.

Foda-se. Se a regra era ser casado, bastava.

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