
Vendida para o Don 2
Edilaine Cargnin Beckert · Concluído · 304.7k Palavras
Introdução
E Lucia Bianchi era exatamente isso: indomável, corajosa, e capaz de despertá-lo como nenhuma outra mulher.
Ela não tem medo do seu olhar. Não se cala diante das suas ordens, mas carrega cicatrizes que gritam segredos, e que podem destruir ambos se forem revelados.
Ele jurou que ninguém a teria.
Ela jurou que jamais seria de um homem como ele.
Agora, entre poder, obsessão e um segredo capaz de destruir tudo, Vinícius terá que decidir até onde vai para tomar para si uma mulher que já pertence a outro homem.
"Você é a minha maior fraqueza, Lucia… e eu não sei se vou te salvar ou te destruir.”
Capítulo 1
Capítulo 1
Vinícius Strondda
Maicon, meu tio e consigliere do meu pai, entrou no reduto sem bater. O homem sabe que o respeito que tenho por ele é grande, mas isso não significa que possa invadir meu espaço como se fosse a casa dele.
Eu estava com a taça de vinho na mão, observando o jardim do palazzo pela parede de vidro.
— O conselho decidiu que chegou a hora, Vinícius. — Ele cruzou os braços, direto ao ponto. — Assim que seu pai voltar da viagem, quer a resposta: você vai assumir o posto de Don ou vai continuar agindo como se não fosse o herdeiro da família Strondda?
Me virei devagar.
— “Assumir” não é bem o problema, tio. O problema é a condição ridícula que eles colocaram pra isso.
Ele arqueou a sobrancelha.
— A tradição é clara: precisa estar casado antes de ser nomeado oficialmente.
— Casado… — repeti, dando um meio sorriso irônico. — Interessante. Meu pai derrubou um aliado por tentar mandar nele, e agora querem me forçar a usar aliança?
— Não estamos falando de qualquer casamento. — Maicon se aproximou, apoiando as mãos na mesa. — É estratégico, algo político. Eu me casei por uma ordem do seu pai. Olha só pra mim hoje... Estou ótimo assim.
Olhei para ele e bebi mais um gole.
— Estratégico pra eles, bom pra você, talvez. Pra mim, é só uma armadilha.
Ele suspirou, e pela primeira vez percebi um cansaço genuíno no rosto dele.
— O conselho e os acionistas estão no jardim. — Enfim falou. — Seu pai me deixou encarregado disso. Querem saber se vai assumir o posto de Don quando ele voltar da viagem ou não.
Olhei para ele por cima da borda da taça.
— E aposto que vão querer empurrar uma esposa junto ao pacote, certo?
— É tradição. — Maicon não piscou. — Você sabe.
Sorri de canto. É... Eu sabia.
— Não lembro de tradição nenhuma que me obrigue a colocar uma coleira no pescoço. — larguei a taça e caminhei até a porta do terraço. — Por que não faço como ele fez? Escolho a mulher que eu quiser… e pronto.
Ele aproximou um passo, baixando o tom.
— Antony só não explodiu essa regra no tiro no passado, porque escolheu a dele antes que o forçassem.
— É e agora a visão do meu querido pai mudou, não é? Acho que ele pretende passar mais uns trinta anos como Don.
— Está rejeitando o cargo? Pra mim não tem problema, já me aposentei e meu filho João Miguel termina de resolver com seu pai.
Respirei fundo. Eu sabia que abandonar não era uma opção.
Deixei a taça sobre a mesa e fechei o casaco preto.
— Vamos acabar logo com isso.
Atravessei o corredor e segui até o jardim. O sol da manhã iluminava as rosas vermelhas alinhadas e a mesa comprida onde meia dúzia de homens de terno me aguardavam. Entre eles, duas mulheres jovens, imaculadamente vestidas, maquiagem impecável, perfume caro que dava para sentir a três metros. Soberba demais. Arrumadas demais. Não eram para mim. Que saco!
Um dos acionistas mais velhos, Mario Lombardi, se levantou antes mesmo que eu chegasse.
— Finalmente, o princeso herdeiro resolveu aparecer. — O tom dele já me fez parar no meio do caminho. — Achei que fosse deixar os negócios da família para homens de verdade.
O jardim inteiro pareceu prender a respiração. Maicon me olhou de lado, como se tentasse prever a merda.
Continuei andando até ficar a menos de um metro dele.
— O que você disse? — perguntei, baixo. Tirando um chiclete do bolso.
Ele inflou o peito, satisfeito por ter plateia.
— Disse que, se não tem coragem de seguir as regras, não merece a cadeira que o seu pai vai deixar.
Olhei para Maicon, depois de volta para ele. E sorri. Amassei a embalagem do chiclete e joguei sobre ele.
— Entendo… — Minha mão já estava na 357 quando terminei a frase. — Mas eu não sigo regras de nenhum maledetto, figlio de puttana, que não vai viver para ver o que acontece.
O disparo ecoou seco, e o corpo dele caiu para trás, derrubando uma cadeira. As duas mulheres se sobressaltaram, mas ninguém gritou. Todos sabiam que, aqui, é território do Don. Se meu pai não está, sou eu que mando.
Guardei a pistola e limpei a mão na lapela do meu terno.
— Que sirva de exemplo pra qualquer figlio de puttana. — Passei por cima do corpo sem desacelerar.
Foi então que algo no canto do jardim chamou minha atenção, movendo-se rápido.
— Don Vinícius... — leccaculo (uma das mulheres tentou puxar meu saco).
— ZITTO! (Cala a boca). — Prestei atenção por entre as rosas.
Uma mulher corria pelo gramado lateral, contornando a fonte. Calça justa preta, blusa simples, coque bagunçado que deixava escapar mechas escuras e vermelhas. Ela se movia como quem está acostumada a correr, e estava usando o meu jardim para isso.
— Quem é aquela? — perguntei a Maicon sem tirar os olhos dela.
— Não faço ideia. Até porque com tanto monitoramento ela já deveria estar morta. — Ele puxou a arma rapidamente, segurei seu braço.
— Não, ainda. — Ele ficou me olhando.
A intrusa parou por um instante para respirar, apoiando as mãos nos joelhos, sem perceber que estava sendo observada.
— Tragam ela pra mim. — ordenei.
— Como é? — Maicon arqueou a sobrancelha.
— Você ouviu, tio. Quero ela aqui.
Dois homens se afastaram da mesa da varanda e atravessaram o gramado. A mulher percebeu tarde demais e tentou correr de volta, mas um deles segurou o braço dela com força. Ela se debateu, chutou, xingou, mas foi puxada até onde eu estava.
— ME SOLTEM! EU NÃO FIZ NADA!
Quando parou diante de mim, seu olhar verde veio afiado, como se quisesse me cortar no ato.
— Soltem ela. — Falei baixo, tirando a 357 do bolso e lustrando com a roupa.
— O que acha que está fazendo? — perguntou, ofegante.
Dei um passo à frente, estudando seu rosto.
— Garantindo que ninguém entre no meu território e saia viva. — Olhou para todos os lados. Diferentes ângulos.
— Eu só estava correndo. — respondeu com um tom que parecia mais raiva do que medo.
Inclinei a cabeça, um meio sorriso se formava.
— Odeio mentirosos e intrometidos. — Empurrei a moça com força, puxei pelo braço e a encurralei numa árvore.
Ela respirava rápido. Belíssima presa, aliás.
— Tem um minuto pra me convencer a te deixar viver.
— Está louco? Eu só fugi de um cara.
— Perdeu alguns segundos. Seja mais eficiente.
— Eu pulei seu muro porque é o mais alto e isso é bom pra mim que tenho facilidade. É só fingir que não viu e está tudo certo. Me deixe ir embora.
Passei as mãos pelo corpo dela bem firme.
— Que ragazza... — sussurrei.
Alisei desde os braços até a bunda, depois entre os seios. Fui para a barriga e também a cintura.
— Me solta! Me solta! — ela gritava, mas nem ouvi o que dizia.
Eu só estava verificando se não estava armada, mas essa puttana me deixou excitado.
— Mamamia.
Ela tinha a bunda farta, cheguei até as coxas grossas.
— De onde você é? Qual seu nome? Quantos anos tem? É solteira?
— E... Eu...
— VAMOS PORRA! DIGA!
— Sou Lucia Bianchi. 24 anos, italiana.
— É solteira? — ela pareceu pensar.
— Sim.
— Agora não é mais. — Arrastei ela pelo braço e entreguei para meu tio.
— Prendam ela. E veja quando meu pai volta. Vinícius Strondda vai casar.
— Não! Eu não posso! Não vou casar! — começou a espernear, mas virei as costas.
Maicon se aproximou e perguntou baixinho:
— Não perguntou se é virgem?
— Não. Tanto faz, não sei se vou esperar até a cerimônia.
— Merda! Seu pai vai matar nós dois.
— É só ele não saber... — brinquei. Nada passa por Don Antony se chegou até Maicon.
Foda-se. Se a regra era ser casado, bastava.
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