
A Companheira Dourada do Príncipe Lycan
Alice Moore · Concluído · 221.9k Palavras
Introdução
Foi a primeira coisa que meu noivo me disse depois que eu expus publicamente o vídeo dele me traindo.
Todo mundo sabe que eu sou só uma órfã mestiça acolhida pela família Sterling.
Covarde. Comum. Escondida atrás de óculos grossos — o mais baixo dos baixos aos olhos dos lobisomens de sangue puro.
Então eles tinham certeza de uma coisa —
Mesmo que meu noivo me traísse, eu não ousaria revidar.
Mas o que eles não sabem é que a linhagem mais rara do mundo dos lobisomens corre nas minhas veias: o Lobo Dourado.
Por acidente, eu salvei o homem mais nobre — e mais perigoso — do mundo dos lobisomens: Alexander, herdeiro dos Lobos do Ártico.
Frio. Poderoso. Intocável… e, ainda assim, só ele perde o controle quando se trata do meu cheiro.
E, à medida que ele se aproxima, eu começo a perceber:
As mentiras do meu noivo, o controle do meu tio sobre mim, o desaparecimento dos meus pais…
Tudo isso tem tudo a ver com o sangue do Lobo Dourado no meu corpo.
Todos eles querem me usar.
Mas Alexander me aprisiona em seus braços, fixa os olhos nos meus e diz:
“Fiona, você pode me odiar — mas nunca pense que pode me deixar.”
Eu achei que ele fosse a minha salvação.
Até eu descobrir —
Que o interesse dele por mim talvez sempre tenha sido pelo sangue do Lobo Dourado dentro de mim.
Se até ele estava mentindo para mim,
então, desta vez… em quem eu posso confiar?
Capítulo 1
Ponto de vista de Fiona
—Fiona, por que você está aí olhando pro nada? Já terminou de montar todo o equipamento de que a gente precisa?
—Quantas vezes eu tenho que te lembrar? O seminário de hoje é importante, e os convidados que vão comparecer são todos gente de muita influência. Não pode haver um único erro.
—Sinceramente, se não fosse pelo fato de o duque Sterling ser tio dela, quem é que aguentaria essa garota idiota arrastando a gente pra cá, pra dentro da nossa própria biblioteca?
—Tá vendo? É isso que dá lobisomens e humanos se casarem com tanta leviandade. Claro, existe uma chance de uma em dez mil de uma criança mestiça acabar sendo algum prodígio, mas a maioria é só um ninguém inútil. Não herdam nem o intelecto refinado dos humanos nem a força bruta dos lobos.
—Eu nunca imaginei que o professor Thorne fosse mesmo aceitar o noivado. Pelo visto, o clã do Lobo Cinzento não é tão rígido com linhagem quanto todo mundo pensava.
—Ele não tinha muita escolha. Dizem que a família Thorne está prestes a se tornar peça-chave no próximo Conselho de Coexistência entre Humanos e Lobisomens. Escolher uma noiva meio-sangue é a promessa deles de correção política — o cartão de visitas, por assim dizer. E, além disso, o duque Sterling prometeu um dote generoso.
Eu fiquei ali, agarrada a uma pilha grossa de apostilas da palestra, enquanto esses colegas, que deveriam estar organizando o espaço, me davam ordens, me empurrando e me acotovelando de todos os lados.
Bem na minha frente, eles fofocavam à vontade sobre a minha família, a minha origem, o meu noivo, os pais biológicos que tinham sumido anos atrás, e sobre o meu cabelo vermelho opaco e os meus óculos, com lentes grossas como o fundo de uma garrafa de bebida.
—Cuidado, Fiona.
Eu me virei e tropecei direto no peito de um homem.
Ele franziu a testa e baixou a cabeça com um traço de impaciência, claramente preocupado que eu amassasse a roupa dele.
Era meu noivo, Caleb Thorne.
Hoje ele estava vestido com um cuidado incomum — um terno de três peças cinza-chumbo, perfeitamente ajustado, acompanhando as linhas do seu corpo alto e esguio. No colarinho, uma gravata de veludo vermelho-escuro, a cor característica da família Sterling.
Aquele par de óculos de aro dourado — marca registrada — repousava na ponte do nariz e, por trás das lentes, seus olhos estreitos sempre traziam um olhar de escrutínio condescendente.
Para os de fora, ele era o mais jovem professor associado de literatura da Universidade St. Mary’s, um cavalheiro refinado e erudito, a estrela brilhante da nova geração do clã do Lobo Cinzento.
Mas eu sabia que tipo de alma podre se escondia sob aquela casca bonita.
—Desculpe, Caleb — murmurei, enquanto uma das mãos, discretamente, enfiava alguma coisa no meu bolso.
—Escute. Num ambiente como este, você vai me chamar de professor Thorne. E aqui — devolva este livro. Eu não preciso mais dele.
Caleb não estendeu a mão para me firmar de imediato. Simplesmente me deixou cambalear contra ele por alguns segundos.
Só depois de confirmar que nenhum dos convidados tinha notado a cena constrangedora é que ele estendeu a mão e, com a pose de um cavalheiro, ajeitou os óculos pesados no meu nariz.
Ao mesmo tempo, colocou nas minhas mãos o exemplar de O Amante de Lady Chatterley que ele havia pegado emprestado naquela mesma manhã no balcão da biblioteca onde eu trabalhava.
Os dedos dele eram longos e frios e, no instante em que roçaram minha bochecha, eu senti um cheiro — uma mistura de almíscar, suor e algum creme de mãos barato com aroma de morango.
O cheiro que pertencia apenas a Emily.
Eu sabia que, naquele exato momento, ela estava escondida atrás da porta com cortina logo ali adiante.
Terminar o encontrozinho deles e então sair, um logo depois do outro, era a rotina não dita dos dois.
Tum!
Por um instante, eu perdi o foco, e o livro bateu com força no chão.
—Fiona, quando é que você vai aprender a ser um pouco mais esperta?
Caleb se abaixou para pegar o livro, me lembrando mais uma vez, com aquela impaciência na voz.
—Vá conferir o projetor. Eu preciso garantir que a apresentação aconteça sem nenhum problema.
—Sim, professor Thorne.
Apertando as apostilas contra o peito, eu recuei em silêncio até a mesa de controle.
Caleb se virou e seguiu a passos largos em direção ao púlpito.
Havia algo sutilmente rígido no jeito como ele andava — a perna direita dava um passo um pouco mais curto do que o normal.
Meu olhar pousou naquela gravata de veludo vermelho-escuro.
O nó estava frouxo, claramente refeito às pressas. E ali, no colarinho da camisa sob a gravata, uma pequena marca vermelho-escura aparecia.
Não era mancha de batom.
Era um arranhão.
Um arranhão fundo, fundo o bastante para ter feito brotar uma gota de sangue.
Eu empurrei os óculos para cima e desviei o olhar.
Como era de se esperar, vi a silhueta de Emily escorregando de trás da cortina, como um esquilo cinzento assustado.
Tendo escapado mais uma vez das mandíbulas do predador, ela exibiu, presunçosa, aqueles dentinhos da frente.
Baixei os olhos para o exemplar de O Amante de Lady Chatterley que eu tinha nos braços. O canto de uma das páginas trazia uma dobra reveladora.
Eu o abri. Linha após linha estava circulada a lápis.
Aquilo era uma tradução em klingon.
Juntas, as frases diziam—
Sua presa o aguarda no lugar de sempre, e o corpo úmido sob a carne jaz aberto para você.
O número da página era o horário do encontro.
Bem debaixo do meu nariz, eles vinham trocando esses sinaizinhos românticos sem parar, substituindo o tempo todo por edições traduzidas diferentes. Toda vez, um deles devolvia um livro, e o outro aparecia logo em seguida para pegá-lo emprestado.
E parecia que eles nunca sequer suspeitaram — que eu, essa caipira que só tinha feito faculdade comunitária, pudesse ser fluente em mais de uma dúzia de idiomas.
Chegara a hora da apresentação, e Caleb já estava posicionado no púlpito.
Ele primeiro olhou para o relógio de bolso e, em seguida, lançou um olhar para um grupo de cadeiras vazias na primeira fila, com algo parecido com ansiedade.
O anfitrião do evento foi até ele e disse alguma coisa.
Forcei os ouvidos para escutar — parecia que algum convidado importante, por causa de um pequeno imprevisto, não tinha conseguido comparecer por enquanto.
“Não há o que fazer. Vamos ter que começar sem esperar.”
Caleb soprou no microfone e apertou o controle da grande tela de projeção.
Nada?
Ele voltou os olhos para mim, cheios de reprovação, claramente exigindo saber por que, depois de tantos avisos, algo tinha dado errado mesmo assim.
Mas o que ele não sabia era que o interruptor remoto de todo o console multimídia estava no meu bolso o tempo todo.
“Desculpem, pessoal. Parece que nosso equipamento multimídia está com um pequeno problema. Peço que aguardem só um momento.”
Caleb continuava me lançando olhares, sinalizando para eu subir e consertar aquilo o mais rápido possível.
Mas, naquele exato instante, a tela de repente se acendeu.
E o que surgiu diante dos olhos de todos foi um vídeo em alta definição.
A imagem tremia um pouco, claramente filmada em algum espaço apertado e isolado. A iluminação era fraca, com apenas alguns fios de luz do sol passando pelas frestas das persianas e desenhando manchas no chão.
Então a figura de um homem apareceu na tela.
Ele usava camisa branca, a gravata puxada de lado, os óculos de aro dourado pendurados na ponta do nariz — uma imagem ao mesmo tempo acadêmica e obscena.
Era Caleb.
Ele mantinha a mulher presa contra uma mesa, com movimentos brutos e urgentes.
“Ah! Caleb… eu vou gozar! Mais rápido, mais rápido!”
Os gemidos melosos da mulher, amplificados pelo sistema de som de primeira linha da sala de conferências, ecoaram com clareza em cada canto.
Ela vestia um suéter de tricô vermelho, cuja gola já estava rasgada, revelando uma vasta extensão de pele branca como neve. O cabelo caía solto e embaraçado sobre os ombros, e seu rosto trazia uma expressão presa entre a dor e o prazer.
Não era outra senão Emily, uma estudante do terceiro ano de literatura na faculdade de Caleb.
Naquele momento, ela se contorcia como uma cadela no cio, as pernas enlaçadas na cintura de Caleb, acompanhando cada investida.
“Fala!” A voz de Caleb no vídeo soou baixa e indecente. “Diz em voz alta — de quem você é mulher!”
“Eu sou sua… eu sou sua guarda-caças… eu sou a ovelhinha que você pastoreia.”
Emily soluçou as palavras, a voz transbordando o êxtase da rendição.
A plateia abaixo ficou completamente atônita.
Alguns estavam de boca aberta, outros cobriam os olhos, e alguns até tinham tirado os celulares e começado a gravar.
“Droga! Que porra é essa?!”
Caleb socou freneticamente o console, mas cada botão parecia ter sido deliberadamente soldado no lugar, recusando-se a se mexer.
“Seus desgraçados! Cortem a energia!”
No instante em que desligaram o interruptor principal, a sala inteira mergulhou na escuridão.
Ainda assim, a bateria reserva que eu havia sabotado antes continuou funcionando a todo vapor.
Com as luzes apagadas, a imagem do projetor parecia ainda mais nítida.
“Não adianta, professor Thorne.”
Caminhei devagar até a frente do palco, com um controle remoto preto na mão e um sorriso frio se formando no canto da boca.
“Mesmo que você corte a energia da biblioteca inteira, não vai adiantar de nada.”
Eu vinha planejando esse momento havia mais de um mês.
Eu pretendia arrancar sua máscara hipócrita e desprezível — e expor seu verdadeiro rosto diante de todos!
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#165 Capítulo 165
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Última Atualização: 7/31/2026
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