A Garota Chamada Echo

A Garota Chamada Echo

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Introdução

A Garota Chamada Echo

Ninguém sabia o nome dela.
E isso era a única coisa que a mantinha viva.

Bella vivia nas sombras por um motivo. Num mundo governado por poder, sangue e segredos, o anonimato era a única proteção que ela tinha. Até que um erro — um único instante — a coloca diretamente no caminho do homem mais perigoso que ela poderia ter cruzado.

Draco.

Um chefão da máfia que não pergunta. Não hesita. Não perdoa.

Ele nunca deveria tê-la notado.
Ele nunca deveria tê-la desejado.
Mas, no momento em que deseja… não tem volta.

Quando a identidade dela é exposta e o nome de Bella começa a se espalhar pelo submundo como fogo em palha seca, ela vira alvo da noite para o dia. E o Draco? Ele não foge do perigo — ele se torna o perigo.

Agora, qualquer um que diga o nome dela vira uma ameaça.
E Draco destrói ameaças.

O que começa como proteção se transforma em algo mais sombrio. Possessivo. Obsessivo, de um jeito que nenhum dos dois consegue controlar.

Porque, no mundo do Draco…
quando ele reivindica alguma coisa,
é dele.
Para sempre.

Capítulo 1

POV da Isabella

“O evento principal desta noite: Darren ‘O Ceifador’ Williams enfrentando Isabella Lorenzo”, anunciaram pelos alto-falantes do clube.

— Amiga, você dá conta. Esse cara não é nada. Só um babaca marombeiro. Só força e zero cérebro — a Jasmine diz, me incentivando.

Estou dobrada, tentando encostar as mãos nos dedos dos pés, querendo arrancar o último alongamento.

— Ei, gostosinha. Por que você não vem aqui e empina pro papai? — um cara grita.

Eu reviro os olhos e balanço a cabeça. É, é exatamente por isso que a Jaz vive arrumando confusão com a polícia.

— Não, Jaz. — eu seguro o braço dela e impeço que ela vá até o cara. — Não vale a pena. Aquele idiota não ia nem saber o que fazer se eu encostasse a bunda nele. — eu solto um sorrisinho.

— Certo, lutadores, pro ringue — anunciam.

O Darren já estava lá, parado no canto dele.

Músculos… caramba, os músculos dele. Ele tem mais de um metro e oitenta e os braços são maiores que as minhas coxas — e eu tenho coxas bem grossas. Nem vamos falar das pernas: uma só é larga como a minha cintura. Então ele está, basicamente, andando em cima de duas de mim. A cabeça raspada, os olhos azul-gelo. Droga, aqueles olhos são hipnóticos. Eles puxam você pra dentro. Anda, sino, reage. Eu me repreendo enquanto subo pro ringue.

— Olha só, chefe, ela nem consegue subir com esse corpinho sexy. Porra! O que essa gatinha tá fazendo no covil dos leões? — um cara do canto do Darren grita.

Eu me viro pra Jasmine.

— Shhh, Jaz. Deixa pra lá. Não vale a pena, de jeito nenhum, outra confusão. — reviro os olhos e volto a encarar o ringue.

Empurro as cordas com o pé e entro.

— Caramba, ela é uma graça. Posso levar ela pra casa, chefe? — o mesmo cara continua abrindo a maldita boca.

Eu entendo. Eu sou pequena. Tenho um metro e cinquenta e sete, cabelo castanho longo e ondulado, olhos cor de mel, peso uns cinquenta quilos. Meus peitos são só um 44, mas eu tô bem com isso. Eu treino e malho bastante, então minhas coxas são grossas e minha barriga é bem definida, com um leve tanquinho de quatro gomos. Então, sim, eu sou bonitinha — mas, porra, cala a boca.

— Chefe, não machuca a gatinha. Ela é bonitinha demais — ele fala de novo. Meu Deus, será que esse desgraçado nunca vai calar a porra da boca?

— Lutadores — o locutor faz sinal pra gente se preparar. Aí o sino tocou. Eu nem pisquei.

Dou dois passos à frente e entro na guarda. Ele dá um passo enorme e vem com um soco de direita. Eu me inclino pra trás e ele erra.

Ele tenta um uppercut. Eu me jogo no chão e varro as pernas dele, derrubando-o. Eu volto a ficar de pé num pulo. Eu sabia que não ia demorar pra ele levantar.

—Maldita putinha —diz Darren, enquanto tenta me acertar no rosto com toda a força que tem. Eu desvio para a direita, salto e giro para chutar a bochecha dele, fazendo-o recuar e perder o equilíbrio. Aproveito a brecha, me abaixo, apoio as mãos no tatame e giro o corpo, varrendo as pernas dele de novo. Ele cai com tudo. Tomba para trás, a cabeça batendo de leve nas cordas.

Enquanto ele ainda está no chão, apoio as mãos nas coxas dele e me impulso para subir nos ombros. Em seguida, giro as pernas, me posiciono e encaixo ele num mata-leão.

Continuo fazendo pressão. Apertando mais e mais. Ele bate nos meus braços, tentando me fazer afrouxar.

Tô acostumada com isso. Não é minha primeira vez.

Seguro com mais força. Ele começa a enfiar os cotovelos nas minhas costelas. Uma pancada longa e agonizante atrás da outra. Minhas costelas estão berrando, mas eu não vou parar. Com certeza vou sair daqui com uma costela trincada.

Mesmo assim, não solto. Ele começa a cambalear. Aí acontece. Ele desiste, batendo no tatame. Porra. Isso. Finalmente. Esse desgraçado não largava o osso.

—Isabella Lorenzo vence por desistência! —anuncia o locutor, e eu solto a chave. Pulo para trás, saindo das costas dele. O locutor levanta meu braço.

—Bom trabalho, macaquinho-aranha —Darren me diz, dando um tapinha no meu ombro. Ele balança a cabeça e vai para o canto onde os homens dele estão.

Eu caminho até Jasmine e abro um sorriso.

—Viu? Eu te falei. Só músculo, zero cérebro. Mandou bem, Bella. Tô tão orgulhosa de você —Jasmine diz, pulando de um lado pro outro, e então se joga em cima de mim num abraço. —Ugh —eu gemo quando ela acerta em cheio minhas costelas arrebentadas.

—Credo, isso dói? —ela pergunta, cutucando com o dedo os roxos nas minhas costelas.

—Sério, Jaz. Você não existe —eu balanço a cabeça pra ela enquanto a gente abre caminho no meio da galera.

—E agora, amiga? Quer ir tomar alguma coisa? MEU DEUS!!! Vamos subir pro Obsidian —ela guincha, empolgada, enquanto a gente pega meu dinheiro.

A gente caminha em direção à porta.

—Ei, gatinha, posso te pagar um drink? —ele aponta pro bar.

—A gente tá indo embora. Foi mal, quem sabe na próxima —respondo, desviando pra passar por ele. Ele agarra meu braço com grosseria e aperta forte demais.

—Olha, eu não tava perguntando —ele rosna.

Eu acerto uma cotovelada na barriga dele e piso com força no pezão dele. Ele solta meu braço.

—Sua vadia maldita —ele cospe.

—Bella, ei. Tá acontecendo algum problema aqui, Brad? —Alex diz, chegando perto da gente. Ele encara Brad e ergue uma sobrancelha.

—Que se foda essa vadia maluca —Brad resmunga, antes de sair pisando duro em direção ao bar.

—Valeu, Alex. Quando você chegou? —pergunto, levantando os braços pra abraçá-lo.

—Tempo suficiente pra ver que você não perdeu um segundo pra derrubar aquele brutamontes e fazer ele bater —ele diz, com um sorriso convencido.

—Vocês duas querem tomar alguma coisa antes de eu levar vocês pra casa? —ele aponta pro bar.

Eu balanço a cabeça, e ele nos guia até o balcão, sem soltar minha mão em nenhum momento.

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