
Destinado ao Lycan
Mhina Zhaq · Concluído · 121.4k Palavras
Introdução
Ashlyn Ambrosia, filha de Khalid Ambrosia, é uma vampira híbrida fraca que não age como tal. Incapaz de tirar sangue de uma alma viva e incapaz de matar. Ela é zombada por isso até pela própria família. Seu mundo desmorona quando é levada pelo adversário mais odiado de seu Clã...
Lucifer Saunron é um alfa lycan implacável da alcateia Nightwing, conhecido por sua bravura, habilidades em guerra e um gosto insaciável por mulheres. Na longa disputa entre os lycans e os vampiros e na batalha que se seguiu, para seu maior desgosto, ele está destinado à filha do rei dos Vampiros.
Ele a toma como sua amante, contrariando o que a deusa da lua propõe...
Com uma vida cheia de segredos e mistérios que Ashlyn descobriria, será que ela conseguirá suportar seu inferno enquanto ele luta contra seu demônio interior, apesar de sua crueldade?
Capítulo 1
POV da Ashlyn
Lá fora, no ar gelado, eu observava pela janela Lúcifer lutar com um dos membros da matilha dele, enquanto o resto assistia.
Desde o dia em que me trouxeram pra cá, eu percebi que era pra mostrar o quão forte o alfa era e como ele conseguia derrotar os inimigos com facilidade.
A luta não demorou. Lúcifer jogou o oponente no chão e o deixou paralisado. Os outros, que estavam assistindo, vibraram, ergueram-no nos ombros e começaram a cantar o apelido dele.
—Lúcifer! O cão do inferno! —continuavam gritando.
Eu me afastei da janela e suspirei. Eu queria, eu rezava, pra que ele me esquecesse hoje à noite. Eu torcia pra que a vitória ocupasse a cabeça dele… mas eu estava errada.
Alguns minutos depois, a própria imagem do que eu temia entrou no meu quarto, caminhando como se não fosse nada.
—Vira de costas —Lúcifer ordenou, com aquela voz de alfa. E, sem muita resistência, eu obedeci. Fui até a cama, de costas pra ele, o rosto longe do dele. Lúcifer Saunron é o alfa dos licantropos e o meu dono.
Ele tinha me mandado virar pra satisfazer os desejos sexuais dele e depois acabar comigo. Era uma vida à qual eu estava me acostumando.
Ele não perdeu tempo me usando e se dando prazer.
Ele me beijou com brutalidade, e eu senti quando ele gozou dentro de mim.
Com mais duas estocadas, ele se puxou pra fora e me empurrou. Eu quase bati a cabeça no criado-mudo.
Eu nem me dei ao trabalho de olhar pra cima. Eu já sabia qual seria a expressão no rosto dele. Uma expressão nojenta. Ele sempre ficava enojado de mim depois do sexo. Sexo era a única hora em que ele ficava menos hostil. Do que eu tô falando? Até na cama ele era um bruto! Eu não passava de uma escrava sexual. A puta dele. E essa não era quem eu era antes, mas eu aceitei o fato de que essa era a minha nova vida.
Eu me encolhi na cama, com o cabelo cobrindo o rosto, e então ouvi a porta bater com força. Ele tinha ido embora.
Eu afastei o cabelo do rosto e, pela primeira vez desde que esse massacre começou, não derramei uma única lágrima esta noite.
Saí da cama e fui me lavar no banheiro, deixando a água escorrer pela minha pele. Não importava o quanto eu tentasse: o toque dele parecia estar eternamente impregnado em mim.
Alguns minutos depois, saí do banheiro e vesti uma camisola simples. Peguei a que ele tinha largado antes e guardei. Então ouvi o trovão ribombar no céu, enquanto o vento entrava pelas cortinas. Eu me aproximei da janela, me perdendo na escuridão enquanto a chuva caía.
O trovão que ecoava lá fora me deu arrepios, e eu estremeci com um pouco de medo. Mesmo assim, não me afastei da janela. Continuei espiando por entre a cortina e vi gotas enormes de chuva escorrerem pelo vidro.
Essa mesma noite me lembrou da noite em que me senti traída pela minha família. Principalmente pelo meu pai, que eu sentia que faria qualquer coisa pra se livrar de mim.
Nessa mesma noite, eu vivi o que achei que era o destino mais brutal da minha vida. Um destino que eu teria feito qualquer coisa pra mudar no passado. Um destino que eu teria preferido enfrentar a forca a ter que viver com ele.
A escuridão sempre pareceu ser onde eu encontro conforto e alívio. Eu passo as noites lembrando das coisas no escuro e, na maioria das vezes, chorando até não aguentar mais. Ele sempre me consolava. Eu passei a amar a escuridão mais até do que a luz. Talvez esse fosse um dos “benefícios” de ser vampira. Mas eu duvidava. Eu estava começando a achar a escuridão… exuberante, desde que o meu destino resolveu mudar.
Eu sorri. Olá, escuridão, minha velha amiga… eu vim conversar com você de novo. O vento frio e silencioso que passou por mim —como sempre passava quando eu queria desabafar— me garantiu que ele estava ouvindo.
Por onde eu começaria? Eu sempre começo pelo meu nome. Às vezes eu sinto que ele esquece, e eu preciso lembrá-lo… ou talvez lembrar a mim mesma quem eu era.
Escuridão, minha amiga, eu sou Ashlyn Ambrosia, e esta é a minha história.
•
Eu não sou o tipo de garota “padrão”. Eu sou uma vampira, nascida assim, numa família de vampiros mestres capazes de controlar qualquer pessoa ligada a eles —ou até mesmo através de um juramento de sangue. Vampiros não procriam, mas eu era de uma linhagem completamente diferente. Eu sou uma híbrida. Meu pai era meio vampiro e meio lobisomem.
Minha mãe era humana até ele transformá-la depois do nascimento do meu irmãozinho.
Numa cidade onde os vampiros mandavam, era fácil viver e ter liberdade pra revelar os monstros que existiam dentro da gente. As áreas de caça normalmente não ficavam tão longe de casa, mas eu não era do tipo que caçava. A vida inteira eu tive medo de arrancar a vida das pessoas num rompante. Eu era o único fraco da minha família, e meus irmãos encararam isso como uma oportunidade de tirar sarro. Eu era o palhaço da família, aquele de quem riam quase sempre.
Não era nada bom pra mim, porque eu sempre acabava chorando — o que fazia eles zombarem ainda mais. Uma vez eu tentei de verdade, durante uma caçada, mas não consegui. Nem a visão do sangue, nem o cheiro me embriagavam como embriagavam eles. Nem os pulsos acelerados, nem as batidas do coração me mexiam por dentro.
Aquilo foi só uma das minhas experiências. Em outra ocasião, trouxeram até mim uma humana que já tinha sido mordida, com o sangue escorrendo do pescoço. Meus olhos ficaram vermelhos, as presas cresceram. A besta dentro de mim ameaçou vir à tona, e eu esperei que ela surgisse… mas ela se encolheu.
Eu não consegui devorá-la como todo mundo fazia com a própria refeição. Em vez disso, eu fugi, incapaz de cumprir a tarefa diante de mim, e desde então meus irmãos não me deram mais sossego. Meus pais às vezes entravam na brincadeira e às vezes repreendiam eles.
Meu pai sempre dizia: “Vampiros não têm medo de matar, e lobos também não.” E todo mundo concordava com ele, inclusive minha mãe.
Às vezes eu me pergunto se ela realmente foi humana antes. A vontade dela de se alimentar de outros humanos me fazia pensar o contrário. Ela tinha pouquíssima compaixão quando devorava alguém ou drenava a vida até o fim.
Deixa eu deixar uma coisa bem clara. Eu sou um vampiro e eu não me alimento de humanos. Isso não quer dizer que eu não beba sangue. Eu bebo. Eu sou um vampiro, afinal, e existe essa fome crua dentro de nós que precisa ser saciada. Eu precisava me manter. Mas, por um tempo, eu me abstive de sangue, e eu não sei por quê.
Bolsas de sangue costumam ficar guardadas pra quando é difícil se alimentar, e é daí que eu tiro o meu sangue. Meu pai sempre conseguia essas bolsas nos hospitais, e eu nunca soube como — só fui descobrir bem mais tarde.
Chegaram até a montar uma loja na cidade onde se vendia sangue, e nunca faltava. Era uma cidade estranha pros viajantes, mas normal pra nós.
A maioria dos vampiros dessa cidade não era aparentada. A maioria das crianças não tinha sido concebida pelos próprios pais. Os que podiam conceber e procriar eram aqueles que tinham sido gerados pelo meu pai. Ainda assim, vampiros e híbridos estavam todos sob o comando e o controle total do meu pai.
Meu pai, Khalid Ambrosia, era o rei da nossa cidade. O que ele dizia virava lei, e ninguém podia se recusar. Como um homem tão brutal quanto ele conheceu minha mãe e se apaixonou era um mistério que eu nunca consegui entender. Como um rei vampiro egocêntrico, ele tinha muitos inimigos e poucas alianças.
O maior inimigo dele eram os licantropos. Deixa eu reformular: o nosso maior inimigo eram os licantropos. Desde que nós, vampiros, nos mudamos e nos estabelecemos nessas terras, foi uma carta de ameaça atrás da outra. Eles alegavam que a terra pertencia a eles e que meu pai nunca buscou a permissão deles antes de se instalar ali. Diziam que ele precisava cumprir certos ritos antes de finalmente reivindicar a terra como dele.
Mas meu pai, orgulhoso e teimoso como era, não deu atenção. Por muitos anos as cartas continuaram chegando, e então o tom mudou. Eles já não queriam que meu pai buscasse permissão nenhuma, nem que cumprisse rito algum. Eles queriam que meu pai e todos os vampiros da cidade abandonassem aquelas terras. Essa carta específica foi enviada como um aviso, mas ele chamou aquilo de blefe.
A carta seguinte veio, e meu pai ainda assim se recusou. Ele não acreditava que os licantropos fossem cumprir as ameaças. Se eles tinham passado uma década mandando cartas sem fazer nada, então eram só cães que latiam e não mordiam. Era isso que ele pensava.
Eu, de verdade, nunca imaginei que a batalha que vinha chegando ia mudar minha vida e o rumo do meu destino para sempre.
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