Falso Acasalamento com o Poderoso Inimigo do Meu Ex

Falso Acasalamento com o Poderoso Inimigo do Meu Ex

Syliva.D · Atualizando · 411.4k Palavras

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Introdução

A vida inteira eu fui a filha reserva. Minha irmã, a Beatrice, ficou com tudo — amor, atenção, tratamento de filha perfeita. Eu ficava com as sobras e com os lembretes de que não era boa o bastante.

Até descobrir que Niall, o Alfa maravilhoso da matilha vizinha, era o meu companheiro destinado. Finalmente, chegava a minha vez de ser escolhida.

Deus, como eu fui ingênua.

Quatro anos de noivado infernal. Descolorindo o cabelo pra agradar o gosto dele. Me espremendo em vestidos apertados, fazendo papel de empregadinha particular — só pra ouvir que eu daria uma serva melhor do que companheira.

Tudo porque o coração dele era da minha irmã.

Naquela noite, eu esbarrei sem querer no porta-retrato dos dois. Ele me deu um tapa. Forte. Disse que eu nunca estaria à altura dela.

Então eu dei um tapa de volta, rasguei a foto deles e aceitei a rejeição.

Achei que tinha acabado. Até pegar os dois na boate, rindo de como tinham sido patéticos os meus quatro anos de tentativa. O noivado inteiro tinha sido o joguinho doentio deles.

Bêbada e furiosa, fiz uma loucura com o meu vizinho misterioso. Alfa Hudson — rosto esculpido pelos deuses, perigo em cada linha perfeitamente alinhada do terno.

E, mais importante, ele é o inimigo mortal do meu ex.

Resultado? O melhor sexo da minha vida.

Eu achei que ia ser só uma noite pra esquecer.

Errado de novo.

Ele é mais rico que o Niall, mais poderoso que a minha família e infinitamente mais perigoso.

E ele não vai me deixar ir embora.

Desta vez, eu não vou ser a segunda opção de ninguém.

Capítulo 1

POV da Christina

Paf!

Minha cabeça virou para o lado, a visão embaçou, a pele ardendo como se alguém tivesse encostado um ferro em brasa em mim.

Olhei para cima e encontrei os olhos furiosos de Niall.

Meu parceiro destinado tinha acabado de me bater.

Três minutos atrás, eu estava sonhando acordada em como redecorar essa casa de alcateia ridiculamente cara. Dois minutos atrás, eu esbarrei sem querer numa foto emoldurada no quarto dele. Uma foto da minha irmã.

Agora o sangue rugia nos meus ouvidos — agudo, humilhante. Akira rugia dentro de mim, uma tempestade de traição que tirou o meu ar.

— Você quebrou!? — Niall cuspiu as palavras. — Essa é a única foto que eu tinha com a Beatrice. O seu ciúme me dá nojo.

— Você tá maluco? — rosnei, rangendo os dentes.

— Maluco não, doente é você! — ele rugiu. — Eu já aceitei me casar com você, o que mais você quer? A Beatrice foi embora por sua causa! Porque você forçou o laço de parceiros em mim!

O ódio nos olhos dele cortou mais fundo do que qualquer tapa.

— Ela era sua irmã! E agora você cobiça o que era dela? Você não vai descansar até apagar cada rastro dela, vai? — ele disse, tomado pela raiva, enquanto me empurrava para trás, contra a mesa de centro.

Caí sobre os cacos de vidro. A dor atravessou minha palma, e meu sangue borrões vermelhos sobre o sorriso perfeito de Beatrice.

Que ironia amarga.

Minha bochecha latejava. Minha mão sangrava. Mas nada doía mais do que perceber que o meu suposto parceiro nunca tinha me amado.

— Não fui eu — falei, numa última tentativa de ser racional. — Eu nunca forcei esse laço de parceiros em você. Eu nunca pedi pra ela ir embora.

Racionalmente, eu entendia por que alguém poderia me culpar.

No meu décimo oitavo aniversário, eu me transformei e descobri que Niall era meu parceiro destinado. Burramente, escrevi tudo no meu diário. Planejava contar quando ele voltasse da viagem de negócios. Se ele não conseguisse me aceitar, eu estava pronta pra rejeição.

Mas Beatrice encontrou o meu diário e tornou tudo público.

Privacidade nunca significou nada pra ela. Ela espalhou meu diário pra todo mundo na alcateia Crescent.

Eu fui humilhada em público como a reserva patética que ousou mirar acima da própria posição e alcançar o Alfa perfeito da irmã perfeita.

Depois, Beatrice, toda generosa, foi estudar no exterior, deixando pra trás uma carta dizendo que tinha descoberto meu segredo e decidido abrir mão e deixá‑lo pra mim.

A generosidade dela era tão verdadeira quanto alguém ser generoso com o cartão de crédito que não é dele.

E eu era a vilã que expulsou a princesa perfeita da Alcateia Crescent.

Pra minha família, eu era uma jogadora que sempre ficara no banco e, de repente, foi promovida para o time titular — uma mudança estratégica que eu agora era obrigada a agradecer. Meus pais nunca se importaram de verdade com qual das filhas ia se casar com Niall, só queriam que a aliança entre as alcateias fosse selada. Mesmo que Niall literalmente arrancasse o meu coração, meus pais entregariam guardanapos pra ele limpar a bagunça.

Era como se meus pais sempre tivessem me odiado. Não importava o quanto eu superasse a Beatrice no treino, eles sempre arrumavam desculpas pra ela e encontravam defeitos em mim. Eu era amarga, ingrata, alguém incapaz de valorizar a querida irmã.

Meus dedos se fecharam em volta do anel de noivado. Esse símbolo patético da piada que era o nosso laço de parceiros.

Lágrimas quentes embaçaram minha visão. Pisquei rápido, forçando‑as de volta.

Disparei em direção à porta e saí antes que as lágrimas caíssem.

Niall agarrou meu pulso para me impedir.

— Limpa isso.

— O quê? — encarei ele, sem acreditar, precisando confirmar se tinha ouvido direito.

— Você quebrou o porta-retrato. Junta os pedaços. — A ordem veio gelada.

Pena que eu nunca fui boa em obedecer ordens.

— Não. — Ergui o queixo. Zero espaço pra negociação.

O maxilar dele travou.

— Tem certeza de que quer fazer isso, Christina?

— Tenho. Eu disse que não. — Encarei ele sem piscar.

Se amar significava moer a minha autoestima até virar pó, então foda-se o amor.

O ar entre nós estalou, a tensão subindo como uma tempestade. Ele se inclinou na minha direção, a fúria em brasa.

— Última chance. Se me desobedecer, eu acabo com esse laço aqui e ago—

— A gente acabou — cortei.

O choque congelou o rosto dele.

Por um instante, o ar parou.

Ele não esperava que eu realmente dissesse isso.

Arranquei meu braço da mão dele, o fôlego falhando quando uma fagulha de esperança de fuga acendeu — só pra ele me agarrar de novo, o aperto machucando, os olhos queimando com algo muito perto do ódio.

— Isso é culpa sua, Christina! — rosnou Niall, a voz mais parecendo a de um inimigo jurado do que a do companheiro a que o destino tinha me acorrentado.

— Eu, Niall Granger, Alfa da Matilha Pelofrio, rejeito…

— Cala a porra da boca! — eu rebati.

Se alguém ia acabar com esse laço, ia ser eu.

Meu olhar se prendeu ao dele, firme, sem vacilar.

— Você não tem o direito de me rejeitar. Eu rejeito você, Niall. Agora aceita.

O mundo pareceu rachar ao meio.

Akira uivou dentro de mim, um lamento agudo de perda, enquanto uma dor em brasa rasgava meu peito, o laço se desfazendo fio por fio.

O maxilar dele enrijeceu, mas ele ainda assim obrigou as palavras a saírem por entre os dentes cerrados.

— Eu aceito a sua rejeição. Agora limpa essa bagunça e conserta a porra da foto.

Minhas mãos tremiam quando peguei a moldura despedaçada, os cacos cortando minha pele, meu sangue manchando o vidro. Rasguei a foto ao meio, arrancando o rosto dele do da minha irmã, como se estivesse cortando o último fio que nos prendia.

Sem hesitar, girei o braço e estapeei forte aquele rosto irritantemente bonito e arrogante. O estalo ecoou entre nós.

Eu me inclinei, deixando ele ver o fogo nos meus olhos.

— Agora — sibilei —, acabou…

O silêncio foi absoluto.

Minha palma ardia, mas a satisfação quase abrandou a dor no meu peito.

Niall cambaleou para trás, o choque lampejando nos olhos.

Não era por causa da dor física, e sim por perceber que a garota dócil que ele desprezava não existia mais.

Sorri com frieza.

— Adeus, Niall. Vai lá adorar o seu altar pra Beatrice.

E saí daquele inferno sufocante de cabeça erguida.

Eu preferia me afogar nas minhas próprias lágrimas a deixar que ele visse mais uma gota sequer.

Quando cheguei ao estacionamento, o ar gelado da noite bateu no meu rosto, mas a dor avassaladora desabou sobre mim como uma onda gigante.

Porra, ninguém nunca me contou que romper o laço de companheiros seria tão excruciante assim.

Era como se estivessem fatiando meu coração e servindo pro Hannibal Lecter. Ele provavelmente ia saborear com um bom Chianti e umas favas.

Encolhi-me no banco do motorista, suor frio escorrendo pelo meu rosto.

Akira jazia fraca dentro de mim, gemendo:

— É uma porra de uma sensação esquisita demais! Como se alguém enfiou a mão nas minhas entranhas e arrancou alguma coisa com um soco.

Eu não poderia concordar mais.

Eu queria encontrar minha mãe; ela com certeza saberia como aliviar esse tipo de dor.

Ou talvez qualquer criatura em sofrimento pense instintivamente na mãe.

Enquanto eu hesitava entre mandar um link mental ou ligar, meu celular vibrou.

Meus olhos estavam tão embaçados que eu mal consegui arrastar o dedo pra atender.

— Chrissy, você enlouqueceu de vez! — minha mãe gritou. — Como você ousa humilhar o Niall desse jeito! A aliança entre as matilhas foi pro ralo!

— Mãe, ele me rejeitou — respondi, sem forças. — Tipo, formalmente. E também me bateu. Então tem esse detalhe divertido.

— Ele… o quê? — pela primeira vez, ela pareceu atônita.

A voz do meu pai entrou na linha:

— Não faz drama. Depois de tudo que a Beatrice sacrificou por você? Você vai pedir desculpas pro Niall imediatamente e implorar pra ele casar com você, ou não é mais bem-vinda no nosso território!

Ele desligou antes que eu pudesse responder.

Fiquei encarando o celular, sem entender, as palavras do meu pai ecoando na minha cabeça.

Nada de “Você está bem?”. Nada de “Estamos indo te buscar”.

Só ameaças de me banir da matilha.

Por que, por mais que eu me esforçasse, eu nunca conseguia conquistar nem uma lasquinha da aprovação deles? Rejeitada pelo meu companheiro e morrendo de dor, e tudo em que meus pais conseguiam pensar era na aliança entre as matilhas e na minha porra de irmã que tinha sumido sabe-se lá pra onde!

Beatrice nunca precisou fazer nada, e ainda assim era a joia preciosa deles.

Então é isso?

No dia em que eu rompi o laço com meu companheiro destinado, finalmente percebi que meus pais nunca me amaram.

Aquilo destruiu o restinho miserável e patético de esperança que eu ainda tinha pelo amor deles.

Chega.

Eu tinha terminado de tentar conquistar um amor que nunca seria dado.

Eu tinha terminado de ser a filha reserva conveniente.

Eu ia recuperar o respeito próprio que tinha perdido há muito tempo e ia me libertar desse noivado — custasse o que custasse.

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