
Feita Como o Karma: Um Guia de Uma Garota Plus Size para a Retribuição
Shay Robinson · Concluído · 271.5k Palavras
Introdução
Meu coração parou.
A voz de Kendall respondeu:
— Mas, cara… o que as pessoas iam pensar se você assumisse ela como sua mina? Isso ia ser loucura.
— Eu não sou idiota — Jalen disse, seco. — Eu nunca faria dela minha. É só sexo, nada além disso. E, pra ser sincero? Nem tá tão bom assim mais. Eu ia terminar de um jeito tranquilo antes do recesso.
......
Aria, uma beleza plus size, achava que a bolsa de estudos e o esquema do apartamento eram um sonho — até conhecer sua colega de quarto, Talia. Rica, mimada e cruel desde o primeiro instante, Talia fez da vida de Aria um inferno.
O novo namorado de Talia, Jalen, era o queridinho do campus. Quando Aria e Jalen foram colocados juntos num trabalho, eles se conectaram de um jeito que nenhum dos dois esperava — de conversas madrugada adentro a segredos compartilhados e uma química sexual impossível de negar.
Na noite de Halloween, durante uma festa do campus inteiro, Aria vê Talia traindo Jalen. Uma noite emocional levou a um caso que mudou tudo… até Jalen dizer ao colega de quarto algumas coisas realmente destrutivas — imperdoáveis — e serem ouvidas por Aria, que antes estava feliz e agora só conseguia sentir a raiva e a dor. Decepcionada, no limite e de coração partido, Aria vai embora do campus e nunca mais olha para trás.
DEZ ANOS DEPOIS
Aria volta para a reunião de dez anos: confiante, deslumbrante e uma CEO que se fez sozinha. Jalen continua lindo… mas preso a um casamento miserável com Talia.
Ela o ignora. Talia tenta humilhá-la. Aria domina o ambiente.
Quando está indo embora, Jalen a beija. Ela se permite sentir aquilo — então dá um tapa nele e vai embora.
A FUSÃO DE NEGÓCIOS
A companhia de cruzeiros de Jalen precisa da marca de Aria para repaginar a imagem. Ela aceita, a contragosto.
Agora eles são obrigados a trabalhar lado a lado, presos entre feridas antigas e faíscas novas.
Algumas histórias de amor nunca morrem. Mas algumas podem queimar você duas vezes.
Capítulo 1
Ponto de vista de Aria
Terminal 2 do Aeroporto de Madison
— Cheguei, gata — digo, arrastando minha mala atrás de mim, enquanto Nia dá um gritinho, ladeada pela filha Maya, de cinco anos, e pelo filho Cameron, de três.
— Você veio! Eu não acredito que você veio mesmo! — ela guincha, me envolvendo num abraço apertado que me ergue um pouquinho do chão.
Maya pega minha mão com aquele sorrisão de que eu senti tanta falta. — Anda, Tete! O papai tá no carro esperando a gente!
E, assim, num piscar de olhos, eu voltei.
De volta a Madison, Wisconsin.
O último lugar em que eu queria pôr os pés de novo.
O lugar onde minha vida virou de cabeça pra baixo. Onde tudo o que eu achava que sabia sobre mim, sobre amor, sobre confiança, foi destruído.
Faz mais de dez anos que eu fui embora. Desde que virei as costas para a Creighton Elite Business University, o tal “futuro da inovação nos negócios” e a maldição da minha existência.
Quando chegamos ao Tahoe preto parado na guia, com o motor ligado, Matt salta pra fora e abre um sorriso. — Tia! Você veio!
Eu bufo. — Oi, Matt — murmuro, dando nele um abraço rápido de lado.
Matt e Nia continuam enjoativamente fofos juntos. Os dois agora são professores na universidade. E Nia, grávida do bebê número três, ainda teve que planejar uma reunião de ex-alunos da nossa turma. Uma década inteira desde que a gente se formou. Como o tempo voa quando você está ativamente evitando o seu passado.
Eu entro no banco de trás com as crianças enquanto saímos. — Então… quem é que vai? — pergunto, tentando soar casual.
Nia se vira pra mim com um sorriso malandro. — Amiga, todo mundo. Tipo, aquela bruxa de colega de quarto que você teve por três anos, lembra? E a minha antiga colega de quarto viciada em drogas, a Sam? Ela é conselheira agora. Dá pra acreditar nessa porra?
— Porra! Porra! Porra! — Cameron canta do assento infantil.
Maya arregala os olhos. — Mamãe, o Cameron falou porra!
Eu caio na risada. Não deu pra evitar. Aquele menino tinha um timing perfeito.
Matt geme. — Tá vendo? É por isso que a gente não pode xingar perto deles.
— Papai, por favor — Maya diz, toda convencida. — Você chamou a Ms. Rider de vadia ontem e falou pra eu não contar pra mamãe.
Matt coça a nuca. Pegou.
Eu rio ainda mais quando entramos no drive-thru do Portillo’s. As crianças agora discutem se “bruxa” é palavrão.
— Eu só vou pegar uma salada Caesar com frango — digo, rolando o cardápio no meu celular.
Nia revira os olhos. — Aham. Tô vendo você firme na dieta. Esse corpo é o que as mulheres estão pagando hoje em dia, principalmente essa bunda.
Cameron começa a cantar, — Bunda! Bunda! Bunda! — e Maya entra junto.
Eu sorrio de canto. — Relaxa, eu exagero às vezes… e queimo depois.
Quando finalmente estacionamos em frente à casa grande deles, em estilo colonial, eu prendo a respiração. É linda, acolhedora, familiar e segura. O exato oposto de como eu me sinto por dentro.
Porque, não importa quanto tempo tenha passado…
Não importa o quanto eu esteja bem agora…
Eu não consigo impedir as lembranças de se infiltrarem.
O que aconteceu no meu último ano…
Como ele destruiu a minha vida…
Como aquela vadia terminou o serviço.
E agora?
Agora eu voltei.
E nenhum deles faz ideia do que vem por aí.
Matt ergueu minha mala do porta-malas enquanto eu pegava minha bolsa e me abaixava para segurar a mãozinha da Maya. Nia carregava Cameron apoiado no quadril, bufando de esforço enquanto ajeitava a barriga sob o moletom de gestante soltinho.
— Vamos, amiga — ela disse com um sorriso provocador, me cutucando de leve com o cotovelo. — Deixa eu te levar até o seu quarto, já que você nunca ficou nesta casa antes. Porque alguém se recusou a vir me visitar aqui.
Revirei os olhos e bufei.
— Eu te vejo em Chicago o tempo todo, Nia.
— Eu sei — ela disse, fazendo bico pela metade. — Mas às vezes eu também quero que você venha na minha casa, porra.
Entramos, e o cheiro familiar de canela e baunilha quente me atingiu como um abraço macio. As crianças correram para a sala de jantar, e nós as acomodamos à mesa com suas caixinhas e copinhos. Matt se sentou com elas, já desembrulhando o sanduíche de carne como se fosse um ritual sagrado.
— Não encosta nas minhas batatas — ele avisou Cameron, brincando.
Cameron imediatamente esticou a mão para pegar uma.
— Minha agora.
Eu ri, balançando a cabeça, enquanto Nia e eu subíamos.
O quarto de hóspedes era lindo. Simples e acolhedor, com tons de cinza suave e detalhes em rosé gold. Uma cama queen, um espelho de corpo inteiro e, sim, um banheiro privativo.
— Amiga, isso aqui é chique — eu disse, girando no lugar com um assobio baixinho de aprovação.
Nia abriu um sorriso.
— Só o melhor pra você, senhora CEO.
Parei perto da janela, as mãos apertando a alça da bolsa.
— Você acha que eles vão estar lá? — perguntei baixinho.
O sorriso de Nia sumiu. Ela encontrou meu olhar com uma preocupação suave.
— Sim. Os dois confirmaram presença. Eles vêm.
Eu me joguei na cama como se alguém tivesse arrancado o ar dos meus pulmões.
— Porra… eu não sei se eu consigo fazer isso, Nia.
Nia parou na minha frente, braços cruzados.
— Aria. Você não é mais aquela garota de 21 anos, gordinha e tímida pra caralho. Você é uma chefe gostosa, cheia de curvas, com a própria empresa bombando. Que se fodam aqueles valentões.
Soltei o ar devagar, meus dedos mexendo sem perceber no zíper da bolsa.
— Tem uma coisa que eu nunca te contei — eu disse, com a voz baixa.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Ai, meu Deus… o quê?
— Na verdade, eu nunca contei pra ninguém.
Nia sentou ao meu lado, agora com toda a atenção presa em mim.
Eu me levantei e fui até o armário, pendurei a capa de roupa, abri o zíper e fingi alisar o tecido só pra ganhar um segundo.
— Eu transei com o Jalen… naquela época.
Um segundo de silêncio.
Aí…
— VADIA, O QUÊ?! — ela gritou tão alto que eu juro que as paredes tremeram.
— Shhh! As crianças! — eu sussurrei-gritei, caindo na risada apesar de mim.
Nia tapou a boca com uma mão.
— Ai, garota. Você vai ter que sentar e contar tudo. Agora.
Eu me virei para ela, o coração disparado.
— Foi complicado. E confuso. E aí tudo desmoronou.
— Então não é à toa que você sumiu no último ano! Caralho. Você largou todo mundo no vácuo sem explicação nenhuma!
— É — eu murmurei. — Porque eu estava destruída. Porque… ele não foi só uma transa. Pelo menos, não pra mim.
O sorriso de Nia se desfez em algo mais suave, mais sério.
— Ai, Ari…
— Ver eles de novo vai reabrir tudo — eu disse.
Ela pegou minha mão e apertou.
— Então vamos começar dizendo mentalmente: que se fodam.
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