Pacto com a Máfia

Pacto com a Máfia

jamilesalvatore · Concluído · 132.6k Palavras

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Introdução

Isabella sempre levou uma vida simples, longe de grandes perigos ou segredos. Uma jovem comum, com sonhos, planos e uma rotina tranquila, ela jamais imaginaria que uma única noite seria capaz de mudar completamente o rumo da sua história. Ao voltar para casa, ela encontra Lorenzo em um beco escuro, ferido e aparentemente à beira de perder a própria vida. Movida pela compaixão e sem pensar nas consequências, decide ajudá-lo, sem saber que aquele gesto de bondade abriria as portas para um mundo perigoso, cercado por mistérios, violência e escolhas difíceis.

Lorenzo, porém, está longe de ser apenas um homem ferido precisando de ajuda. Por trás de seu olhar intenso e de sua personalidade enigmática, existe um passado marcado por poder, lealdades e conflitos. Ele é um dos membros mais importantes da máfia local, um homem acostumado a controlar situações e enfrentar inimigos, mas que agora se encontra encurralado, tentando escapar de um destino que parece inevitável. O encontro com Isabella muda seus planos e desperta sentimentos que ele nunca permitiu sentir.

A atitude de Isabella ao salvá-lo desencadeia uma sequência de acontecimentos que a coloca no centro de uma disputa perigosa. Aos poucos, ela descobre que Lorenzo esconde uma vida completamente diferente daquela que imaginava. Cercada por segredos, ameaças e pessoas dispostas a tudo pelo poder, ela precisa aprender a sobreviver em um universo onde confiar na pessoa errada pode custar caro.

Enquanto se aproxima cada vez mais de Lorenzo, Isabella percebe que seus sentimentos crescem de uma forma inesperada. Ela se apaixona pelo homem por trás da máscara, mas precisa lidar com a verdade sobre sua vida dupla e com os riscos que vêm junto dela.

Capítulo 1

O frio passava facilmente pela lã do meu casaco. E simplesmente já era algo que estava esperando, graças as baixas temperaturas que estava fazendo nos últimos dias. Mas como me considerava um ser humano teimoso, estava pagando para ver.

Naquele horário, não havia muitas pessoas nas ruas, pelo contrário, eram poucas que assim como eu, estavam tentando chegar em seus destinos para fugir do frio.

Faltava dois quarteirões para chegar em casa, estreito ainda mais meus braços ao meu redor, ouvindo os saltos da bota contra a calçada. Entretanto, é ao passar por um beco que meus passos diminuem drasticamente.

Meus olhos se movem pela calçada vazia, enquanto meu cérebro tenta decifrar se o que havia escutado era algo da minha mente ou realmente eu ouvi alguma coisa.

Quando estava prestes a continuar a andar, ouço novamente o mesmo som: um gemido baixo, sufocado, de dor. Vindo daquele beco.

Engulo em seco, olhando fixamente para a escuridão no interior do beco estreito, lembrando com clareza e exatidão das palavras que meu pai sempre usou com frequência quando eu era criança. “Existem pessoas maldosas, que usa todo o tipo de artimanhas para que caia em suas armadilhas”.

Poderia estar diante de uma armadilha. E tudo indicava que sim. Então por que continuava ali ainda parada? Devia ser por causa do meu lado solidário, que acreditava que alguém ali estava mesmo precisando de ajuda.

Sendo contra a todos meus princípios, começo a andar para dentro do beco, forçando meus olhos a se acostumarem com a pouca luz que diminuía gradativamente. Meus passos eram receosos, hesitantes, tentando demonstrar o nervosismo que estava sentindo.

- Olá! - digo com a voz trêmula, respirando pela boca, meus olhos vagando pelo escuro, acabando por me sentir um idiota por achar que poderia enxergar no escuro, sem a ajuda do meu celular que estava em algum lugar dentro da minha bolsa.

Demora apenas alguns segundos para me dar conta, que talvez tivesse me enganado ou havia caído em uma pegadinha da minha mente cansada.

Giro meu corpo na direção da luz, dando apenas dois passos, quando sinto uma mão forte no meu calcanhar.

Um grito fica preso na minha garganta, quando lembro que a pior decisão naquele momento, seria gritar. Minha respiração sai entre cortada e meus olhos se fixam na rua não muito longe, o que me faz só me imaginar correndo naquela direção, acabando por ficar ainda mais vunerável.

Olho para baixo, esperando ver ali quem ainda segurava meu tornozelo, mas o que vejo é apenas um contorno de um corpo.

-... me ajuda - A voz masculina soa quase num sussurro - Por favor - Me afasto bruscamente, inconsciente, com o alerta vermelho ligando automáticamente em minha cabeça. Dando alguns passos para trás, quando não sinto mais sua mão meu meu tornozelo - Eu tenho dinheiro - diz elevando a voz de repente, o que me faz olhar em sua direção.

- E por que acha que vou aceitar, com você dizendo isso?! - Minha voz soa enfurecida, para meu espanto, me fazendo esquecer de onde estava e ainda por cima com um desconhecido.

- Só quero que me ajude.

- Então deveria procurar ajuda de quem possa ajudar - Giro meu corpo dando mais alguns passos, mal conseguindo chegar até a claridade.

- Estou sangrando! E acho que... - Ele se detém por um instante - estou perdendo muito sangue - De onde estava, conseguia o ouvir respirar com dificuldade - Se não me ajudar, irei morrer - Inspirando profundamente e prendendo o ar, olho por cima do ombro, dessa vez conseguindo ver o contorno do seu corpo num canto do beco.

Espero não me arrepender, penso, andando novamente em sua direção, concluindo que não conseguiria dormir, sabendo que uma pessoa havia morrido por minha causa, por eu não ter prestado socorro. Me ajoelho em sua frente, procurando meu celular às cegas dentro da minha bolsa, ligando a lanterna do celular, me vendo surpreendida pela quantidade de sangue que ali havia.

Havia uma poça irregular no chão e a medida que subia o pequeno facho de luz, notava que a camiseta social escura que ele vestia, estava completamente ensopada pelo líquido viçoso, que apesar dele estar fazendo uma certa pressão, continuava a sair.

- Você não é médica, não é? - Sua pergunta faz com que eu o olhe no mesmo instante, notando que seus olhos eram castanhos-claros, rodeado por cílios espessos e grossos. Um olhar penetrante e que transpassava confiança. Além de parecer ser bem mais velho que eu.

- Lidar com sangue nunca foi minha prioridade - digo tentando decifrar o grau da situação - Mas por sorte sei lidar com pequenos ferimentos - Ergo o olhar, notando o olhar dele em mim, fixo - Você precisa de um hospital, já perdeu uma quantidade de sangue significativa - Não precisava ser médica para perceber isso, havia muito sangue ali.

- Não posso ir para um hospital - diz ele, ainda respirando com dificuldade.

Tal frase faz com que eu avalie novamente a situação no geral. Estava diante de um homem ferido, talvez por um tiro ou até mesmo uma faca, que estava se negando a ir para um hospital, o que claramente para mim significava que...

- Você faz parte de uma gangue - digo com toda convicção - Estou certa? - Ergo uma sobrancelha, esperando sua resposta.

Ele respira pesadamente, se movendo com dificuldade.

- Vai me ajudar... ou fazer perguntas? - Inclino a cabeça para o lado, olhando com atenção seus olhos esbranguiçado, assim como sua face.

- Só estou querendo saber se irei me meter em problemas, se ajudar você - Não conhecia as gangues que dominavam o bairro, mas sabia que assim como muitas que existiam, que tudo era baseado em território e principalmente rivalidade. Além do mais, meu pai não iria gostar nem um pouco de saber que havia um deles dentro de casa.

- Tem a minha palavra que não - diz ele sério.

Um breve silêncio se instala e por alguns segundos, percebi que poucos carros passaram na rua logo em frente, diferente de pessoas.

- Apoie seu braço no meu pescoço - digo levantando de repente, sem ainda saber se era uma boa ideia o que estava prestes a fazer.

Claro que não era! Concluí que havia perdido completamente o juízo, se dissesse que era uma boa ideia. Entretanto, uma vida estava em jogo e não deveria julgar, mesmo sabendo que meu pai pensaria muito bem antes de tomar uma decisão e que com certeza, optaria por não ajudar.

Ele geme novamente de dor, tentando reprimir a dor, que deveria ser horrível.

- Tudo bem? - Ele estava perto o suficiente, para que sentisse seu perfume másculo impregnar por completo minhas narinas e se apoderassem do meu interior.

Seu braço era mais pesado do que pensei e se não tivesse um certo preparamento físico, não iria o aguentar por muito tempo.

A outra mão continuava pressionando o ferimento, enquanto se mantinha atento a movimentação ao nosso redor.

- Queria dizer que sim - diz respirando pela boca - Mais não estou numa posição muito boa - Damos mais alguns passos em silêncio, enquanto percebo que a minha pergunta não havia sido muito apropriada - Quanto ainda terei que andar? - Nos olhamos, até que eu quebro o contato, olhando para frente.

- Um quarteirão - digo calculando pelos nossos passos, traçando um plano mentalmente de como esconderia uma pessoa dentro de casa, sem que meu pai nem ao mesmo suspeitasse.

Não era uma tarefa difícil, só precisava ser inteligente o suficiente para não deixar que ele percebesse.

Continuamos a andar o mais rápido que o corpo dele permitia, conseguindo uma vez ou outra, atrair olhares de curiosos em nossa direção. Já que não era todos os dias que viam um homem sangrando e uma mulher tentando ajudar por ali.

O cheiro dele ainda continua impregnado em mim e já não estava falando apenas das minhas roupas. Disfarçadamente, olhava para ele, tentando decifrar pela sua expressão se estava prestes a desistir ou se aguentaria mais um pouco, pelo menos tudo indicava que ele aguentaria.

- Lorenzo - diz ele de repente, fazendo com que olhasse para ele no mesmo instante, temendo estão tão focada em meus pensamentos, que estava alheia ao que me diziam.

- O quê? - Ele revira os olhos, suspirando pela boca.

- Meu nome - diz forçando um sorriso, com os lábios esbranguiçado - É Lorenzo - Sustento o olhar dele, entendendo aquilo como uma forma de tentar criar algum tipo de “amizade” - Você tem um nome. Todo mundo tem um - Sua voz soa novamente, isto faz com que perceba que estava o encarando.

- É claro que sim - Dou um rápido sorriso, me concentrando em andar, sem querer dizer meu nome, mesmo ele estando prestes a saber o essencial - Isabella - digo por fim e a contra gosto.

Ele solta o ar dos pulmões.

- Que bom que conheci você, Isabella - Olho para ele, sem saber

como interpretar aquela frase.

O problema era que eu não tinha certeza se também poderia dizer o mesmo.

Conhecer Lorenzo naquela situação não parecia exatamente o tipo de encontro que alguém desejaria ter. Não havia nada de normal em encontrar um homem ferido em um beco escuro, coberto de sangue, e decidir levá-lo para dentro da própria casa. Se alguém me contasse aquela história, provavelmente eu seria a primeira pessoa a dizer que era uma péssima ideia.

Mas ali estava eu.

Andando ao lado de um completo desconhecido.

Arriscando minha segurança por alguém que sequer sabia quem era.

Quando chegamos em frente ao meu prédio, diminuo os passos, olhando rapidamente para os lados antes de abrir o portão. A rua estava silenciosa, exatamente como alguns minutos antes. Uma parte de mim esperava que algo acontecesse naquele momento. Que alguém aparecesse. Que uma voz gritasse meu nome. Que alguma coisa me impedisse de continuar com aquela loucura.

Mas nada aconteceu.

O que, de alguma forma, era ainda mais assustador.

— Consegue subir? — pergunto em um sussurro.

Lorenzo olha para a entrada do prédio e depois para mim.

— Vou conseguir.

A resposta veio rápida demais, como se ele não quisesse admitir que precisava de ajuda. Um homem como ele, pelo pouco que eu havia percebido, parecia ser o tipo de pessoa acostumada a resolver seus próprios problemas. O orgulho estava estampado em cada palavra, mesmo enquanto mal conseguia permanecer de pé.

Passo seu braço novamente pelo meu ombro e entramos.

O elevador parecia demorar uma eternidade.

Ficamos em silêncio durante aqueles poucos segundos, mas era um silêncio pesado. Eu conseguia sentir a presença dele ao meu lado, a respiração irregular e o esforço que fazia para não demonstrar tanta dor.

Quando a porta finalmente se abre, agradeço mentalmente.

Ainda faltava pouco.

Chegamos até a minha porta e retiro a chave da bolsa com as mãos um pouco trêmulas. Não pelo frio dessa vez.

Era pelo medo.

O medo de estar cometendo o maior erro da minha vida.

Assim que abro a porta, faço um sinal para que ele entre rapidamente.

— Fique quieto — digo, fechando a porta atrás de nós.

Ele arqueia uma sobrancelha.

— Eu pareço alguém que pretende fazer barulho?

Reviro os olhos, apesar da situação.

— Você parece alguém que apareceu sangrando na minha frente e que decidiu não ir para um hospital. Então, sinceramente, não sei o que esperar de você.

Pela primeira vez desde que o encontrei, vejo um sorriso verdadeiro surgir em seu rosto.

Pequeno.

Mas estava ali.

— Justo.

Indico o sofá da sala e ele caminha até lá com dificuldade. Assim que se senta, solta um suspiro pesado, inclinando a cabeça para trás por alguns segundos.

Eu observo aquela cena tentando entender como minha noite havia chegado naquele ponto.

Algumas horas atrás, minha maior preocupação era chegar em casa antes que o frio congelasse minhas mãos.

Agora eu tinha um homem misterioso, provavelmente envolvido em problemas perigosos, sentado no meu sofá.

E o pior?

Eu ainda estava pensando em ajudá-lo.

Pego a caixa de primeiros socorros no armário e volto para a sala. Quando me aproximo, ele abre os olhos e acompanha cada movimento meu.

— Preciso ver o ferimento — digo.

Ele não responde, apenas retira lentamente a mão que pressionava o local.

Minha respiração prende quando vejo melhor.

Não era um corte pequeno.

Também não parecia um simples acidente.

Havia uma profundidade ali que fez meu estômago se revirar.

— Lorenzo... — murmuro.

Ele me encara.

— Eu sei.

— Você foi baleado?

O silêncio dele é a resposta que eu precisava.

Meu coração acelera.

Eu sabia.

Sabia que havia algo errado.

— Você disse que não me colocaria em problemas.

— E não vou.

— Um homem baleado dentro da minha casa parece exatamente o tipo de problema que eu estava tentando evitar.

Ele sustenta meu olhar por alguns segundos.

Era estranho como, mesmo ferido, ele conseguia parecer tão seguro de si.

— Isabella, se eu quisesse colocar você em perigo, eu não teria deixado você ir embora naquele beco.

Aquelas palavras me fazem parar.

Porque ele tinha razão.

Se ele fosse uma ameaça, poderia ter feito algo quando eu estava completamente vulnerável.

Mas isso não significava que eu deveria confiar nele.

Ainda não.

Pego o material necessário e começo a limpar o ferimento, tentando ignorar o fato de que minhas mãos estavam tremendo.

— Você sempre ajuda desconhecidos assim? — ele pergunta.

— Não.

— Então por que me ajudou?

A pergunta me pega desprevenida.

Porque eu também não sabia exatamente a resposta.

Talvez fosse porque, apesar de tudo, eu tinha visto alguém precisando de ajuda.

Talvez fosse porque eu não conseguiria simplesmente virar as costas.

— Porque eu não conseguiria conviver comigo mesma sabendo que deixei alguém morrer.

Ele fica em silêncio.

Por alguns segundos, seus olhos permanecem presos em mim de uma forma diferente.

Como se aquela resposta tivesse significado algo.

— Você é diferente.

Solto uma pequena risada sem humor.

— Você nem me conhece.

— Conheço o suficiente.

Levanto o olhar.

— Não, Lorenzo. Você conhece apenas uma pessoa que decidiu não abandonar você em um beco.

Ele permanece calado.

E, pela primeira vez, tenho a sensação de que aquela frase atingiu algum lugar dentro dele.

Termino o curativo improvisado e me afasto.

— Você precisa descansar.

Ele olha ao redor da minha sala.

— E seu pai?

Meu corpo inteiro fica tenso.

— Como sabe que tenho um pai?

Um pequeno sorriso aparece no canto dos seus lábios.

— Você mencionou.

Franzo a testa, tentando lembrar quando havia falado aquilo.

Talvez durante o caminho.

Talvez sem perceber.

— Ele não pode saber que você está aqui.

— Por quê?

— Porque ele vai achar exatamente o que qualquer pessoa acharia.

— Que sou perigoso?

Não respondo.

E meu silêncio confirma.

Lorenzo me observa por alguns segundos antes de desviar o olhar.

— Talvez ele esteja certo.

A sinceridade inesperada me surpreende.

— Então por que está aqui?

Ele demora a responder.

Quando finalmente fala, sua voz está mais baixa.

— Porque pela primeira vez em muito tempo, eu precisava que alguém acreditasse que eu ainda era humano.

Aquelas palavras ficam presas na minha mente.

Porque por trás do homem perigoso que eu imaginava existir, havia algo que eu não esperava encontrar.

Dor.

Solidão.

E talvez uma história que eu ainda não conhecia.

Mas uma coisa eu sabia.

A partir daquela noite, minha vida nunca mais seria a mesma.

E eu ainda não fazia ideia do quanto Lorenzo mudaria tudo.

O silêncio que se instalou depois daquelas palavras foi diferente de todos os outros.

Não era apenas a falta de sons.

Era como se aquela frase tivesse carregado um peso que nenhum de nós dois estava disposto a admitir.

Lorenzo continuava sentado no meu sofá, com o olhar perdido em algum ponto da sala. Pela primeira vez desde que o encontrei, ele parecia menos ameaçador. Menos como o homem misterioso que surgiu em um beco coberto de sangue e mais como alguém que carregava uma história pesada demais para dividir com qualquer pessoa.

Mas eu ainda não podia esquecer um detalhe importante.

Ele era um desconhecido.

Um desconhecido ferido dentro da minha casa.

— Você precisa ir embora assim que conseguir andar — digo, tentando manter minha voz firme.

Seus olhos voltam para mim.

— Essa é a sua forma de agradecer?

Cruzo os braços.

— Essa é a minha forma de lembrar que eu tenho bom senso.

Ele solta uma risada baixa, mas imediatamente leva a mão ao ferimento, fechando os olhos por causa da dor.

O movimento faz meu coração acelerar.

Apesar de tudo, apesar das dúvidas e do medo, eu ainda me preocupava.

— Você precisa descansar — digo novamente, dessa vez em um tom mais calmo.

Ele apenas concorda.

Levanto do sofá e caminho até o corredor.

— Vou pegar algumas coisas para você.

— Isabella.

Paro ao ouvir meu nome.

Não sabia por que o jeito que ele dizia parecia tão diferente. Como se meu nome fosse algo que ele precisasse memorizar.

Olho por cima do ombro.

— O quê?

Ele fica alguns segundos em silêncio.

— Obrigado.

A simplicidade daquela palavra me pega desprevenida.

Porque Lorenzo não parecia alguém acostumado a agradecer.

Parecia alguém acostumado a receber.

— Não precisa agradecer ainda — respondo. — Você ainda vai precisar me explicar muita coisa.

Um pequeno sorriso surge no rosto dele.

— Imaginei.

Vou até meu quarto e pego uma manta, uma camiseta larga e uma calça de moletom do meu pai que ele havia deixado em casa antes de viajar. Por um instante, penso no que ele diria se soubesse que eu estava emprestando suas roupas para um homem desconhecido.

Provavelmente ficaria furioso.

E talvez com razão.

Volto para a sala e entrego as roupas.

— O banheiro fica no final do corredor.

Ele olha para as peças em suas mãos.

— Seu pai vai gostar de saber que emprestei as roupas dele?

Reviro os olhos.

— Você está muito preocupado com a opinião de uma pessoa que nem conhece.

— Talvez porque ele seja a pessoa que vai querer me expulsar daqui.

— Você entendeu rápido.

Ele sorri novamente.

Era estranho.

Muito estranho.

Porque eu esperava encontrar alguém arrogante, frio e completamente sem sentimentos.

Mas havia algo nele que confundia minhas certezas.

Enquanto ele se levanta, percebo o quanto ainda estava machucado. Seu corpo inteiro parecia lutar contra a dor, mas ele insistia em esconder.

— Lorenzo.

Ele para.

— Se sentir que vai desmaiar, me chama.

— Você vai ficar?

A pergunta me faz franzir a testa.

— Na sala.

— Por quê?

Dou de ombros.

— Porque eu não conheço você o suficiente para deixar alguém sangrando sozinho na minha casa.

Ele me encara por alguns segundos.

Então, sem dizer nada, entra no banheiro.

Fico parada no meio da sala, tentando entender por que aquela situação parecia tão absurda e, ao mesmo tempo, estranhamente inevitável.

Pego meu celular e olho as horas.

Meu pai chegaria em algumas horas.

Horas.

Eu tinha esse tempo para resolver o maior problema da minha vida.

Ou pelo menos era o que eu achava.

Porque, no fundo, eu sabia que o problema não era apenas esconder Lorenzo.

O problema era a curiosidade que começava a crescer dentro de mim.

Quem era aquele homem?

Por que alguém tentou matá-lo?

E por que um homem que parecia tão perigoso carregava aquele olhar de alguém que já havia perdido demais?

Alguns minutos depois, ele volta para a sala.

A camiseta simples do meu pai parecia completamente diferente nele. Talvez fosse pelo jeito como ele carregava a própria presença. Mesmo ferido, mesmo usando roupas comuns, Lorenzo ainda parecia alguém que pertencia a outro mundo.

Um mundo que eu deveria manter distância.

— Melhor? — pergunto.

Ele faz um movimento afirmativo.

— Um pouco.

Aponto para o sofá.

— Sente.

Ele obedece dessa vez sem discutir.

Fico de pé, observando-o.

— Agora você vai me contar.

Ele levanta o olhar.

— Contar o quê?

— A verdade.

O rosto dele perde o pouco sorriso que tinha.

— Isabella...

— Não. Você apareceu na minha vida do nada. Eu arrisquei minha segurança para ajudar você. O mínimo que merece é me dizer no que eu me meti.

O silêncio dele confirma que eu tinha acertado.

Havia algo.

Algo grande.

Ele passa a mão pelo rosto, pensativo.

— Meu nome é Lorenzo Moretti.

O sobrenome não significava nada para mim.

Ainda.

— E?

Ele me encara.

— E algumas pessoas fariam qualquer coisa para destruir minha família.

Meu corpo fica imóvel.

— Família?

Ele desvia o olhar.

— Eu faço parte de uma organização.

A palavra parece escolhida cuidadosamente.

Organização.

Não gangue.

Não grupo.

Organização.

Mas eu sabia o que ele queria dizer.

Meu estômago se aperta.

— Máfia?

Pela primeira vez, Lorenzo não tenta negar.

Ele apenas sustenta meu olhar.

E aquele silêncio foi a confirmação.

Meu coração começa a bater mais rápido.

Porque naquele momento eu percebo que meu pai estava certo.

Existiam pessoas perigosas.

Pessoas que usavam palavras bonitas para esconder coisas terríveis.

E eu havia acabado de levar uma delas para dentro da minha casa.

Mas então olho novamente para Lorenzo.

Para o homem ferido sentado diante de mim.

E percebo que a maior confusão não era saber se ele era perigoso.

Era saber por que, mesmo depois de descobrir a verdade, uma parte de mim ainda queria acreditar nele.

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Sou a Eileen, a excluída da academia de metamorfos, tudo porque eu não tenho um lobo. Minha única salvação é um talento para cura que me garantiu uma vaga na Divisão dos Curandeiros. Aí, numa noite, na floresta proibida, encontrei um estranho à beira da morte. Um toque, e algo primitivo se quebrou entre nós. Aquela noite me prendeu a ele de um jeito que eu não consigo desfazer.

Semanas depois, nosso novo instrutor de combate Alfa entra na sala. Regis. O cara da floresta. Os olhos dele se fixam nos meus, e eu sei que ele me reconhece. Então o segredo que venho escondendo me acerta como um soco: estou grávida.

Ele vem com uma proposta que nos liga ainda mais. Proteção… ou uma prisão? Os sussurros ficam venenosos, a escuridão se fecha ao redor. Por que eu sou a única sem lobo? Ele é a minha salvação… ou vai me arrastar para a ruína?
A Híbrida Rejeitada: Herança de Sangue

A Híbrida Rejeitada: Herança de Sangue

3.3k Visualizações · Concluído · Diene Médicci
Kaya nunca pediu para ser especial, mas nasceu marcada pelo impossível: filha de vampiro e lobo, herdeira de uma força proibida que ninguém deveria carregar. Criada à base de controle, mentiras e magia selada, ela sempre acreditou que suas dores e instintos eram sinal de fraqueza, até descobrir que, na verdade, representavam sua maior arma.
Quando retorna à cidade onde tudo começou, Kaya descobre a verdade brutal: ela faz parte de uma profecia antiga, ligada a uma herança de sangue que pode salvar ou condenar todos os clãs. Agora, desejada por uns, temida por outros e rejeitada por quem mais deveria protegê-la, Kaya precisa enfrentar sua natureza obscura antes que o caos domine.
Mas o destino decide ser ainda mais cruel.
Kaya e sua irmã se apaixonam pelo mesmo lobo, o único destinado a apenas uma delas. Enquanto amor, sangue e dever se entrelaçam, o destino exige sacrifícios… e alguns deles custam mais do que a própria vida.
Entre guerras de poder, segredos antigos e uma herança que clama por sangue, Kaya terá que escolher: ser a híbrida quebrada que tentaram controlar… ou a criatura implacável que nasceu para comandar.
Casada com o Bilionário que Me Traiu

Casada com o Bilionário que Me Traiu

267.8k Visualizações · Atualizando · Tintedverry
Minerva “Mina” Hayes achou que se casar com Tristan Johnston significava para sempre — até a noite em que o casamento deles foi anunciado e ele ficou ao lado de outra mulher, deixando o mundo rotular Mina como a descarada terceira envolvida. Traída, grávida e abandonada, ela desapareceu sem deixar rastros, jurando nunca mais amá-lo.

Três anos depois, Mina volta — não como a mulher despedaçada que ele deixou para trás, mas como uma CEO poderosa, com seu próprio império. Agora, o bilionário que um dia a destruiu está desesperado para tê-la de volta. Mas Mina aprendeu a lição. Desta vez, ela se recusa a ser sua esposa escondida — ela vai ser a mulher que fará ele se arrepender de tudo.

Só que, à medida que verdades enterradas começam a vir à tona, as fronteiras entre traição e sacrifício passam a se confundir… Tristan foi mesmo o homem que arruinou a vida dela, ou aquele que abriu mão de tudo para proteger…
Reivindicada Pelo Bilionário

Reivindicada Pelo Bilionário

875.2k Visualizações · Atualizando · Khey Coco
—Assine.

A voz dele era fria, afiada como aço.

—Espera... tem alguma coisa errada.

—Assina essa porcaria de papelada —ele disse, a voz baixa e cortante como lâmina.

Eu engoli em seco.

As ameaças do meu pai ecoaram na minha cabeça: Se você não assinar, nunca mais vai ver seu filho.

E eu assinei.

Elizabeth Harper nunca deveria se casar com ele. Ele era perigo dentro de um terno sob medida, riqueza embrulhada no silêncio, poder disfarçado por olhos azuis e gelados.

Um erro, uma assinatura na sala errada, e agora ela está presa a Christian Reed, o bilionário implacável conhecido por destruir impérios... inclusive a própria linhagem.

Ela devia ser invisível. Obediente e descartável.
Minha tentação usa terno

Minha tentação usa terno

2.9k Visualizações · Concluído · roseana2701
Maria Lua tinha a vida que qualquer mulher podia sonhar: linda, rica e com uma família perfeita. Mas por trás da garota sortuda e com carinha de anjo, se escondia uma menina rebelde, que fugia do passado e tinha como objetivo ser feliz e fazer tudo que tivesse vontade, especialmente com relação aos homens.
Imersa no mundo dos CEO's desde que nasceu, sua vida sempre se enlaçou a homens que usavam ternos. E ela cabia despir cada peça de roupa que os envolvia, a começar pelas gravatas, aproveitando-se dos belos corpos que cruzavam seu caminho, dos donos e herdeiros das maiores empresas de Noriah Norte.
O que ela não esperava era ser envolvida num grande escândalo no dia de seu noivado, armado por alguém que estava dentro de sua própria casa. Disposta a dar a volta por cima, já que nada lhe abalava e tudo que queria era mostrar-se uma mulher forte, Malu não esperava pelo segundo tombo, agora para destruí-la por completo.
Tendo que deixar seu próprio lar, e obrigada a amadurecer e ter responsabilidades, deixando a vida de bebedeiras e homens de uma noite para trás, agora ela tinha que escolher o caminho a tomar: recuperar seu noivo, seguir com o amante ou lutar pelo seu verdadeiro amor.
O que Maria Lua não esperava era que em meio a todas as suas dúvidas, imersa num mundo de negócios, chantagens, roubos e antiético, um novo homem cruzasse seu caminho. Seria ele a sua redenção? Ou estaria disposto a destruir o coração dela por completo, como ela fez a vida inteira com os homens?
Tudo poderia ser incerto e catastrófico na vida de Maria Lua Casanova, exceto os homens de terno... Estes sim, sempre foram a sua tentação.