Reapers MC: Coroada pela Morte

Reapers MC: Coroada pela Morte

McKenzie Shinabery · Concluído · 235.7k Palavras

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Introdução

A mão de Knox se fecha em torno da gola do meu colete, puxando-me para trás só o bastante para que eu sinta o calor dele contra a minha coluna.

— Você continua olhando para a encrenca desse jeito — ele murmura junto à minha orelha, a voz áspera e baixa — e um dia ela vai olhar de volta.

Ergo o queixo, encontrando o olhar dele por cima do ombro.

— Ótimo — sussurro. — Estou contando com isso.

A boca dele se curva devagar, sombria e perigosa.

— Cuidado, Shade — ele diz. — Os Reapers não pegam leve.

— Eu também não.

Eu cresci em volta do MC dos Reapers.
O ronco das motos, o cheiro de gasolina e couro, o tipo de lealdade que corre mais fundo do que o sangue. Mas esse nunca era para ser o meu mundo. Esse mundo pertencia ao meu irmão.
Ghosteye.
Ele usava o patch. Ele vivia pela Coroa. Ele acreditava no clube com tudo o que tinha.
E então, um dia… ele simplesmente sumiu.
Todo mundo diz que foi resolvido.
Todo mundo diz que o clube cuidou disso.
Mas havia algo que nunca pareceu certo.
Então eu fiz a única coisa que ninguém esperava — eu mesma entrei para os Reapers.
Como prospect. Provando que eu pertenço a um mundo em que homens como Knox, Lucian e o meu próprio pai mandam com punhos de ferro e lealdade manchada de sangue.
Cavando covas. Fazendo serviços. Sobrevivendo a homens que acham que eu nem deveria estar aqui.
Quanto mais fundo eu vou, mais eu percebo que esse clube é construído sobre segredos… e Ghosteye foi enterrado com um dos maiores.
Mas, se os Reapers me ensinaram alguma coisa enquanto eu crescia, foi isto:
Você não veste a Coroa a menos que esteja disposto a sangrar por ela.
E eu estou pronta para queimar este reino inteiro até o chão, se for isso que for preciso para descobrir a verdade.

Capítulo 1

02:17 DA MANHÃ — LOCAL DESCONHECIDO

A primeira coisa que ela percebeu foi o frio.

Não o tipo que vinha do ar de inverno ou de paredes úmidas, mas o tipo que se alojava fundo nos ossos, piorado pela cadeira de metal pressionada contra a pele. Seus pulsos estavam amarrados atrás das costas com abraçadeiras plásticas.

Seus tornozelos estavam presos às pernas da cadeira com fita. Faixas grossas de silver tape enroladas vezes demais, beliscando a pele, cortando a circulação. Outra faixa cruzava suas coxas.

Uma única lâmpada balançava acima dela, lenta e hipnótica, lançando o cômodo em fatias alternadas de luz e sombra. Fazia as figuras ao redor parecerem irreais, como se estivessem entrando e saindo da existência.

Máscaras. Todos eles.

Caveiras de plástico. Tecido preto com sorrisos costurados. Um rosto branco e liso, com buracos para os olhos cortados largos demais. Uma parecia porcelana rachada, com a boca pintada congelada num sorriso. Ela não reconhecia nenhum deles.

Seu pulso martelava na garganta. Ela engoliu em seco e sentiu gosto de metal, agudo e familiar. Medo.

“Pare de tremer”, disse uma voz.

Baixa. Calma. Quase entediada.

Ela se obrigou a ficar imóvel, mas o tremor em suas mãos se recusava a obedecer. Uma risada abafada veio em seguida, alguém circulando por trás da cadeira, as botas triturando a sujeira no chão. Algo roçou seu cabelo, dedos ou tecido, ela não soube dizer, e ela se encolheu com tanta força que a cadeira arrastou para trás, o som ecoando pelas paredes.

A mão apertou seu cabelo, puxando o bastante para fazer seus olhos arderem.

“Não faça isso”, advertiu a voz calma. “Você só vai piorar as coisas.”

A respiração dela falhou. Tentou estabilizá-la. Não conseguiu.

O aperto se desfez de repente. Sua cabeça tombou para a frente.

“Por favor”, ela disse antes que pudesse se impedir.

O cômodo ficou imóvel, como se estivesse ouvindo.

“Por favor”, repetiu a voz calma, levemente divertida. “É um bom começo.”

Ela encarou o chão entre suas botas. Concreto manchado de óleo velho, borrões escuros que ela se recusava a identificar.

Uma figura entrou na luz. Máscara de caveira. Olhos ocos perto demais dos dela.

“Você sabe por que está aqui”, disse a máscara de caveira.

“Eu...” Sua garganta se fechou. “Não.”

Uma mão bateu na parte de trás da cadeira, seca, alta. Ela se sobressaltou.

“Não minta”, retrucou a máscara de caveira. “Não temos paciência para mentiras.”

“Eu não sei quem vocês são”, ela disse, a voz vacilando apesar do esforço. “Não sei o que vocês querem.”

O calmo suspirou. “Sabe, sim. Só está esperando que a gente diga primeiro.”

Metal raspou no concreto. Uma cadeira dobrável foi arrastada para a frente. O calmo se sentou diante dela, os cotovelos apoiados nos joelhos. Sua máscara era simples, de tecido preto, sem marca nenhuma, só buracos para os olhos e a boca.

Aquela máscara era a que mais a assustava.

“Sem teatrinho”, ele disse baixinho. “Sem gritos. Sem jogos. Você responde, vai embora. Não responde...” Ele deu de ombros. “A gente encontra outra pessoa que responda.”

A boca dela secou.

“Outra pessoa”, ela repetiu.

Uma figura mascarada diferente soltou um muxoxo. “Ela acha que é importante.”

Ela puxou de novo as abraçadeiras, o pânico atropelando a lógica. Elas afundaram mais. Seus olhos arderam.

“O que vocês querem?”, ela sussurrou.

“Informação”, disse o calmo. “Simples.”

A máscara de caveira se inclinou para mais perto. “Nomes.”

O estômago dela despencou.

“Eu não—”

A máscara de caveira bateu a mão em seu ombro, prendendo-a na cadeira. Ela arfou, as costelas protestando sob a fita.

“Tente de novo”, ele disse. “Não desperdice o nosso tempo.”

A respiração dela ficou curta. Ela contou. Um. Dois. Três. Não ajudou.

O calmo inclinou a cabeça. “Me fale sobre a sede.”

Ela encarou ele, a confusão cortando o medo. “O quê?”

“O lugar”, ele disse, paciente. “O bar. O terreno. Os cômodos dos fundos. Quem fica lá. Quando.”

Os lábios dela se entreabriram. Nada saiu.

“Você pode começar devagar”, ele continuou, a voz ficando só um pouco mais cortante. “Algo inofensivo. Pra provar que você entende o que acontece se não fizer.”

“E-eu não sei horários”, ela disse.

Ele soltou o ar devagar. “Você não sabe horários.”

“Não.” A mentira teve um gosto ralo.

A máscara de caveira riu. “Ela é uma graça.”

“Olha pra mim”, disse o calmo.

Os olhos dela subiram a contragosto. Ela encontrou os buracos escuros da máscara dele.

“Você sabe horários”, ele disse. “Você sabe quem entra e quem sai. Quem fica de olho nas portas e quem não. Você sabe quando fica quieto — e por quê.”

A garganta dela se moveu. “Mesmo que eu soubesse… por que eu te contaria?”

Ele assentiu, como se estivesse satisfeito. “Aí está.”

Ele olhou de lado. “Mostra pra ela.”

Uma figura mascarada deu um passo à frente, segurando um celular. A tela acendeu.

Uma varanda. Um corrimão. Uma porta que ela conhecia tão bem que sua visão afunilou.

O ar travou dolorosamente no peito dela.

“Não”, ela soprou.

“Não”, disse o calmo, em voz baixa. “Não me faz ter que explicar isso como se você fosse lenta.”

“Você não pode—”

“Não pode o quê?”, perguntou a máscara de caveira, animada. “Ir até uma casa? Ficar esperando do lado de fora? Tranca não significa nada.”

Ela balançou a cabeça com tanta força que o couro cabeludo doeu. “Deixem eles fora disso.”

“Nunca estiveram fora disso”, disse o calmo. “Eles são o motivo de você ainda estar respirando.”

O celular foi abaixado.

O cômodo pareceu menor. A lâmpada balançando fazia as paredes parecerem mais próximas, se fechando.

“Quem é protegido?”, perguntou o calmo.

A boca dela se abriu. Nada. O maxilar tremeu.

“Responde”, insistiu a máscara de caveira.

Ela apertou os olhos. Uma lágrima escapou, e ela se odiou por isso.

“Eu não quero que ninguém se machuque”, ela sussurrou.

“Então fala.”

“Eles têm homens”, ela disse por fim, a voz quase inaudível. “Nas bordas. Observando. Nem sempre dá pra ver.”

“Quem?”

“Eu não sei nomes”, ela mentiu de novo, o desespero deixando-a imprudente.

“Você tá fazendo de novo”, disse a máscara de caveira, satisfeita.

A cadeira deu um tranco quando alguém chutou uma das pernas. Ela gritou, o coração disparando tão rápido que tudo ficou turvo.

“Chega”, rosnou o calmo.

O cômodo congelou.

Ele se levantou e se aproximou devagar, certeza em cada passo. Agachou-se até que a máscara ficasse na altura do rosto dela.

“Você não é burra”, ele disse, suave. “Para de agir como se fosse. Nomes. Um.”

Ela balançou a cabeça.

“Um”, ele repetiu, mais frio.

A lâmpada piscou. A máscara dele sumiu na sombra e então reapareceu.

“Normalmente… ele”, ela disse, trêmula. “Aquele que todo mundo escuta.”

“E quando ele não tá lá?”

A mente dela correu. Demais condenava eles. De menos condenava ela.

“Tem brechas”, ela admitiu. “Às vezes as pessoas acham que outra pessoa está vigiando.”

“Rotas”, disse o calmo.

“Eu não—”

Algo estalou no braço da cadeira ao lado dela, seco e alto. Ela gritou.

“Para!”, ela soluçou. “Por favor — eu vou falar.”

“Ótimo.”

“Tem um caminho por trás”, ela disse, tremendo. “Estrada de serviço. Caminhões usam. Não tem câmeras em uma parte.”

“Horários.”

“Tarde. Depois que o bar fecha. Antes do amanhecer.”

Silêncio. Então—

“Você quer ir pra casa.”

“Sim”, ela sussurrou. “Eu quero ir pra casa.”

“Desamarrem ela”, disse a máscara de caveira.

O pânico subiu. “Espera—”

“Se você correr, a gente te encontra”, disse o calmo. “Se você mentir, a gente sabe. Se você avisar alguém, a gente sabe.”

Mãos estalaram as enforca-gatos. O sangue voltou, dolorido, para os pulsos dela. A fita foi arrancada em puxões lentos e ardidos.

Eles a ergueram. Os joelhos dela mal aguentaram.

Na porta, o calmo falou de novo.

“Isso não acabou.”

A garganta dela apertou.

“Eu sei.”

O ar frio da noite bateu no rosto dela quando a porta se abriu.

E o único pensamento ecoando na mente dela era aquele que ela não conseguia parar—

O que foi que eu acabei de fazer?

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