A Esposa Contratada: Casamento de Maldade

A Esposa Contratada: Casamento de Maldade

Cherie Frost · Concluído · 513.7k Palavras

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Introdução

"Eu não sei," eu disse desesperadamente, minha voz falhando. "Eu estava lá, sim, mas eu não toquei nela. Ela—ela escorregou, James. Foi um acidente."

"Um acidente?" ele cuspiu, seus olhos se estreitando. "Assim como a morte da minha irmã foi um acidente? Assim como nosso bebê—" Ele gritou, passando a mão pelo cabelo desgrenhado.

"Não," eu sussurrei, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. "Não coloque nosso filho nisso."

"Por que não?" ele disse, sua voz aumentando, seus olhos ardendo de fúria. "É a verdade, não é? Você tira vidas, Ella. É tudo o que você sabe fazer. Minha irmã, meu filho, e agora o bebê da Victoria. É como se você fosse amaldiçoada."


A infância de Ella foi marcada pelo bullying implacável de Cecília, apenas para ser injustamente culpada após um misterioso incidente de afogamento. Anos depois, para salvar seu irmão injustamente preso e seu avô doente, ela é forçada a se casar com James—sua paixão de infância que agora a despreza.
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Quando James a descobre anos depois, com a verdade finalmente revelada, será que ele conseguirá reparar a dor que causou e reconquistar seu coração?

Capítulo 1

Sentei-me à mesa de jantar, olhando para os pratos de comida fumegante que eu havia preparado mais cedo, e então para o Vovô. Suas mãos calejadas descansavam sobre a mesa, os dedos batendo levemente enquanto seus olhos continuavam a se fixar na porta. A cânula nasal em seu nariz sibilava suavemente, conectada ao tanque de oxigênio ao seu lado. Ele não estava comendo e nem sequer tinha pegado o garfo.

A comida estava intocada, o vapor subindo no ar, seu aroma rico preenchendo a pequena sala de jantar. Passei a tarde inteira fazendo os pratos favoritos do Vovô—ensopado de carne cozido lentamente, purê de batatas e pão de milho fresco. O tipo de refeição que costumava trazer calor para nossa casa, o tipo que fazia até as noites mais frias parecerem aconchegantes. Mas hoje à noite, o ar estava carregado com uma tensão não dita. A mente do Vovô não estava na refeição à sua frente—estava em Theo.

Eu podia perceber pelo jeito que ele continuava olhando para o relógio acima da porta, seu rosto enrugado pela esperança, mas também por algo mais—algo mais triste.

Estendi a mão sobre a mesa e coloquei minha mão sobre a dele, sentindo a pele fina e frágil sob meus dedos. Suas veias eram uma rede de rios azuis, sua pele áspera pelos anos de trabalho duro. “Vovô, o Theo vai conseguir vir desta vez,” eu disse suavemente, apertando sua mão só um pouquinho. “Acabei de falar com ele, e ele prometeu. Ele vai vir.”

Vovô suspirou, seu peito subindo e descendo pesadamente com o esforço. “O trabalho do Theo o mantém ocupado demais para a família hoje em dia,” ele murmurou, sua voz carregada de decepção. “Ele deveria ter vindo na semana passada também. E na semana anterior.”

Engoli seco, sem saber o que dizer. Ele não estava errado. Theo havia feito promessas antes—dezenas delas. E cada vez, algo surgia. Uma reunião, um acordo de última hora, uma emergência no trabalho. As mesmas desculpas, repetidas vezes.

Ainda assim, forcei um sorriso, tentando trazer um pouco de alegria para o ambiente. “Bem, ele está arranjando tempo hoje. E além disso, estou quase terminando de costurar seu novo terno. Só mais alguns pontos, e você vai estar elegante.”

Vovô me deu um pequeno sorriso, as rugas ao redor de seus olhos se aprofundando. “Você está sempre fazendo algo para mim, Ella. Mas eu nem saio mais de casa hoje em dia.” Sua voz era suave, mas a tristeza nela era inconfundível.

Eu queria dizer a ele que ele estava errado, que ele merecia se sentir bem, se sentir bonito. Mas antes que eu pudesse, ele suspirou novamente e pegou o garfo. “Devemos comer antes que a comida esfrie.”

Assim que abri a boca para responder, a porta da frente rangeu ao se abrir. Os olhos do Vovô se iluminaram, a tensão em seu rosto se desvanecendo.

Um momento depois, Theo entrou com a energia de uma rajada de vento, seu sorriso largo e contagiante. “Vovô!”

Seu casaco estava desabotoado, sua gravata frouxa, mas de alguma forma ele ainda parecia elegante—elegante demais, como se pertencesse a um mundo tão distante desta pequena casa.

A postura do Vovô mudou completamente. Seu semblante carrancudo desapareceu, substituído por um calor genuíno. “Theo,” ele disse, sua voz suave, mas cheia de alívio.

Theo não perdeu tempo. Ele se abaixou e abraçou o Vovô, envolvendo-o em um abraço apertado que fez meu peito doer. Vovô riu, dando tapinhas nas costas de Theo com mãos frágeis, seus dedos tremendo levemente. Quando Theo finalmente se afastou, ele se virou para mim, exibindo um sorriso que tornava fácil esquecer os meses de silêncio entre nós. "Oi, Ella."

"Oi," eu disse, minha voz mais baixa do que eu pretendia. Não sabia por que de repente me senti tão constrangida.

Theo se jogou na cadeira em frente a mim, esfregando as mãos. "Nossa, está cheirando maravilhoso aqui! Mana, você se superou."

"Obrigada," eu disse, oferecendo um pequeno sorriso. "Estou feliz que você pôde vir. O Vovô estava esperando por você."

"Bem, estou aqui agora." Ele se virou para o Vovô e sorriu. "Como você está, velho? Ainda mantendo a Ella na linha?"

Vovô riu—um som raro nos dias de hoje—e balançou a cabeça. "É ela que me mantém na linha, garoto. Não se deixe enganar."

Theo riu, aquele tipo de riso que ecoa pela sala e a enche de vida. Eu me recostei e observei os dois interagirem, sentindo uma mistura estranha de emoções. Alívio por Theo estar aqui, alegria pelo Vovô, mas também uma leve dor—uma que eu não conseguia nomear.

Theo começou a contar uma história sobre um grande negócio que ele acabara de fechar, sua voz animada ao descrever as negociações. Vovô ouvia atentamente, assentindo e oferecendo uma palavra de incentivo ocasional.

Eu observei Theo, notando como ele gesticulava com as mãos, sua confiança quase esmagadora. Fazia seis meses desde a última vez que o vi, mesmo morando na mesma cidade.

Seis meses.

Eu até fui ao escritório dele uma vez, esperando surpreendê-lo. Fiquei no saguão elegante, sentindo-me deslocada entre os pisos polidos e os móveis de couro. Quando liguei para ele, ele parecia irritado, dizendo para eu esperar em um café em vez de subir. Esperei quase uma hora antes que ele aparecesse, agindo como se nada estivesse errado.

Mas esta noite, nada disso importava. Ele estava aqui, sentado à minha frente, e pelo bem do Vovô, eu estava feliz.

Enquanto comíamos, Theo elogiava a comida, fazendo piadas sobre como ele precisava visitar mais vezes só para "comer uma comida caseira de verdade". Vovô riu, mas eu percebi uma leve tristeza em seus olhos.

"Você deveria visitar mais, Theo," Vovô disse de repente, sua voz firme apesar da fraqueza. "Família é o que mais importa. Você nunca sabe quanto tempo tem."

A sala ficou silenciosa por um momento, o peso de suas palavras pairando sobre nós.

A expressão de Theo vacilou, mas apenas brevemente. "Eu sei, Vovô. Vou fazer melhor. O trabalho tem sido... exigente."

"Não deixe isso te consumir," Vovô respondeu gentilmente. "Há mais na vida do que trabalho."

Theo assentiu, embora eu não tivesse certeza se ele realmente absorveu as palavras.

Eu o observei enquanto ele voltava a comer, sua postura relaxada, mas sua mente claramente em outro lugar. Ele já estava pensando no próximo negócio? Na próxima reunião?

Eu queria dizer algo, lembrá-lo de que Vovô não estaria por aí para sempre. Que este momento—este jantar, estas risadas—importava mais do que qualquer negócio. Mas as palavras ficaram presas na minha garganta.

Pelo resto da noite, eu escutei enquanto Vovô e Theo conversavam, ocasionalmente entrando na conversa e participando.

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