Amor e Vingança

Amor e Vingança

A.L. De Leon · Atualizando · 66.5k Palavras

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Introdução

Não há nada mais constrangedor do que encontrar um cara nu no meio do nada, mas ele está pedindo ajuda, e Sybil não tem coragem de deixá-lo sozinho. Então, ela o leva para casa. Ace prova ser um cara decente. Mas o que pode ser pior do que dois estranhos sem memórias se apaixonarem e depois descobrirem a triste verdade que suas memórias escondem?
Mal sabem eles... o pior ainda está por vir.
Estão preparados para isso?
A história de amor deles terá um final feliz ou eles escolherão a vingança em vez do amor?

Capítulo 1

"Você quer que eu traga alguma coisa para você?" Sybil perguntou enquanto pegava a chave do carro na gaveta.

"Você vai sair?" Sonja se virou na direção dela.

"Sim. Estamos ficando sem quase tudo aqui, então decidi que é hora de ir até a cidade e comprar algumas coisas." Ela sorriu e colocou a lista de compras na mesa. "Aqui, fiz uma lista ontem à noite. Anote o que você precisar, e eu compro para você."

Sonja deixou a pia e secou as mãos.

"Você poderia pegar meus óculos para mim? Estão em cima da cômoda, eu acho. E, ah, pegue uma caneta para mim também."

"Óculos e caneta, já vou pegar!" Ela estalou os dedos e foi até a cômoda.

"Acho que isso é demais," Sonja disse quando voltou para a cozinha.

"Demais?" Ela olhou para sua lista de compras. "O que é demais?"

"Isto." Sonja balançou o papel na mão. "Você deveria comprar apenas o necessário, Sybil."

Ela suspirou.

"Desculpe por isso. Você pode riscar se achar que é desnecessário."

"Esta não é a primeira vez que você faz compras, mas ainda não aprendeu o que eu te ensinei."

Sybil mordeu o lábio inferior.

"Desculpe. Acho que tem algo errado comigo." Ela segurou a lateral da cabeça.

"Oh, Sybil..." A expressão de Sonja mudou quando olhou para ela novamente. "Não quis te ofender."

Ela balançou a cabeça lentamente.

"Não, não estou ofendida. É... bem... uh..."

"Vamos deixar isso pra lá," Sonja disse e sorriu um pouco. "Talvez precisemos delas em breve."

"Certo." Ela entregou a caneta e os óculos para ela.

"Devo ir com você? O que você acha, hmm?" Sonja puxou uma cadeira e se sentou. Ela então começou a escrever.

"Não precisa. Eu consigo me virar sozinha. Não há nada com que você deva se preocupar."

Sonja levantou a cabeça e olhou para ela atentamente.

"Vou levar o carro de qualquer forma."

"Lembre-se, você não tem carteira de motorista—"

"Eu sei. Não devo dirigir o carro além do limite. Vou estacionar no Diner da Sra. Collin e caminhar até o ponto de ônibus."

"Ótimo."

Sonja colocou a lista de compras na bolsa e se levantou. Ela a acompanhou até o carro.

"Espere."

Ela se virou na direção de Sonja quando ela segurou seu braço.

"Sim?"

"Se alguém te vir e perguntar, quem você é—"

"Vou dizer que sou Sybil Wellins." Ela sorriu.

"Isso mesmo."

"Tenho que ir agora. Não posso perder o ônibus."

"Hm." Sonja soltou o braço dela e deu um tapinha no carro. "Dirija com cuidado. E me ligue se algo acontecer."

"Nada vai acontecer." Ela fez uma saudação e entrou no banco do motorista.

Sonja ficou parada do lado de fora da cabana e observou o carro se afastar.

Era apenas uma viagem de dez minutos da cabana até o diner. Sybil estacionou em seu lugar favorito e entrou no restaurante primeiro para cumprimentar a dona.

"Sra. Collin!"

"Sybil, querida!" a dona a cumprimentou de volta enquanto saía do balcão. "Como você está? Faz tempo."

"Eu estive aqui na semana passada." Ela riu.

"Oh, foi só na semana passada?" A Sra. Collin inclinou a cabeça para o lado. "De qualquer forma, venha... Vou fazer um sanduíche para você—"

"Não, obrigada, Sra. Collin." Sybil acenou com a mão com um sorriso. "Preciso ir até a cidade fazer compras. Estou com um pouco de pressa. Sinto muito. Só entrei para avisar que deixei o carro no seu estacionamento. Sonja ficaria brava se eu chegasse tarde em casa."

"Oh. Sem problema." A Sra. Collin deu um leve tapinha no ombro dela. "Você sabe que pode estacionar aqui sempre que precisar."

"Obrigada." Ela fez uma saudação para a Sra. Collin e saiu do diner.

Sybil correu para o ponto de ônibus do outro lado da rua quando viu o ônibus chegando. Ofegante, ela se sentou no fundo e esperou até chegar na cidade.

O barulho e a pressa da cidade a faziam se sentir livre. Era bem diferente da vida que ela vinha levando há um ano no meio do nada, nos arredores. Mas ela não desprezava sua vida naquela cabana com Sonja; pelo contrário, era grata por isso.

"Com licença," disse a mulher atrás dela.

Sybil deu um passo para o lado e deixou a mulher passar. Ela então pegou a lista de compras da bolsa e começou sua agenda.

"AQUI está seu sanduíche havaiano para viagem." Susan sorriu e entregou a sacola de papel contendo o pedido dela.

"Obrigada!"

Ela saiu do diner e entrou no carro. Era hora de voltar para casa. Mas seu telefone tocou justo quando ela estava prestes a ligar o motor. Claro, Sonja ligaria para ela. Já eram sete da noite, e ela ainda estava fora. Talvez Sonja estivesse preocupada com ela.

"Ei, onde diabos você está agora?" O tom de Sonja estava um pouco alto, como ela esperava.

"Estou a caminho de casa." Ela ouviu um suspiro. "Não se preocupe. Estarei em casa em dez minutos. Só passei no diner e peguei sanduíches para nós."

"Oh... ok."

A ligação terminou.

Sybil só pôde suspirar enquanto ligava o carro. Na verdade, ela não tinha nenhuma relação com Sonja. Elas eram estranhas que se encontraram quando algo trágico aconteceu com ela. Mas, infelizmente, elas não têm ideia do que aconteceu. Ela simplesmente acordou um dia dentro da cabana com Sonja cuidando de seus ferimentos; pior, ela não conseguia se lembrar de nada, nem mesmo do seu nome.

Já fazia um ano desde que Sonja a encontrou, e até agora ninguém a procurou. Talvez sua família presumisse que ela estava morta ou talvez ela nem tivesse família. A única maneira de saber era recuperar suas memórias, mas ela estava longe disso. Ela queria se lembrar, mas sua mente parecia estar corrompida. Ela só podia assumir a identidade da irmã morta de Sonja, Sybil Wellins, e tentar viver uma nova vida o mais feliz possível. Tudo foi difícil para ela no começo, mas ela acabou superando. Talvez perder suas memórias e ganhar uma segunda chance na vida tenha um propósito.

Ela estava quase na metade do caminho para a cabana quando alguém apareceu de repente à frente.

"Ah, droga!" Ela pisou no freio imediatamente. "O que..."

Sua boca se abriu quando viu o que estava na frente do carro naquele momento—uma pessoa. Mas o que a deixou ainda mais chocada foi que ele estava nu. Ele estava cobrindo a frente com as mãos e olhando ao redor freneticamente.

Sybil respirou fundo e abaixou um pouco o vidro do para-brisa.

"O-oi, estranho... precisa de ajuda?"

O lugar era um pouco isolado. Apenas algumas pessoas moravam ali, pois era muito longe da cidade. E ela podia dizer que tinha sido muito tranquilo ali no último ano. Era a primeira vez que encontrava alguém como ele.

"S-sim..." ele disse ofegante e caiu de joelhos.

Ela percebeu que a voz dele também estava tremendo.

"Oh, Deus..."

Ela saiu imediatamente do carro e correu até o porta-malas para pegar o cobertor. Foi uma bênção disfarçada ela ter comprado um.

Sybil correu até o estranho nu e envolveu o cobertor ao redor dele.

"Obrigado—"

Ele não conseguiu terminar o que estava dizendo quando de repente desmaiou.

"Ah, droga!"

Ela tentou sacudi-lo para acordá-lo, mas ele não abria os olhos. Ele era muito grande e pesado para ela carregar sozinha até o carro. Sybil precisava de ajuda. Mas eles estavam no meio do nada. A cabana mais próxima era a de Sonja, e isso era uma viagem de cinco minutos de carro. Ela trouxe o carro com ela; levaria ainda mais tempo para Sonja chegar até eles se ela viesse a pé. Mas ela não podia deixá-lo para trás. E se a vida dele estivesse em perigo?

"Ah, certo! O diner!"

Ela correu de volta para o carro e ligou para o diner.

"Susan!" ela disse quando a ligação conectou.

"É o James. Quem está falando—"

"Oh, graças a Deus é você, James. Sou eu, Sybil. Lembra de mim?"

"Oh, a irmã dos Wellins, certo?"

"Sim! Sim! James, preciso de ajuda. Você pode vir até mim agora?"

"Onde você está?"

"Estou a caminho de casa, no beco. Encontrei alguém, e ele acabou de desmaiar. Por favor... preciso de ajuda."

"Certo. Calma, e eu estarei aí."

James levou quase dez minutos para chegar até ela.

"Sybil? O que aconteceu?" ele perguntou assim que desceu da moto.

"Você pode me ajudar a carregá-lo até o carro, por favor?"

"Claro—espera." James olhou para ela com as sobrancelhas franzidas. "Você conhece esse cara, Sybil?"

"Ele precisa de ajuda—"

"Ele com certeza precisa de ajuda. Mas não sabemos se ele é um cara mau—"

"Saberemos depois. O que importa agora é cuidar dos ferimentos dele. Ele também está inconsciente."

James e Sybil se encararam por alguns segundos. Ela venceu, no entanto.

"Não sei o que a Sonja vai dizer sobre isso—"

"Ela não vai ficar brava comigo." Ela sabia disso.

James carregou o estranho inconsciente nas costas e o colocou no banco de trás.

"Obrigada," ela disse depois. "E, por favor, não mencione isso a ninguém no diner ainda."

"Talvez seja melhor chamar a polícia, Sybil. Não tenho um bom pressentimento sobre ele."

"Eu vou. Amanhã, talvez." Ela apertou as mãos de James e entrou no carro.

Sonja estava esperando por ela na porta quando ela chegou em casa. Ela correu até Sybil assim que ela desceu do carro.

"O que te demorou tanto?" Sonja perguntou ansiosamente.

Sybil suspirou profundamente e abriu a porta do banco de trás.

"Desculpe pelo atraso. Alguém precisa de ajuda."

Sonja olhou para o estranho inconsciente no banco de trás e olhou para ela com a boca aberta.

"E quem é esse estranho, Sybil?" ela murmurou.

"Eu não sei. Ele simplesmente apareceu na minha frente enquanto eu dirigia de volta para casa. Não tive a chance de questioná-lo mais quando ele de repente desmaiou." Ela olhou nos olhos de Sonja. "Podemos ajudá-lo, certo?"

Sonja olhou para o estranho e assentiu com a cabeça em concordância.

"O hospital é muito longe de qualquer maneira, e parece que ele precisa de ajuda imediata."

Fazendo uma careta, elas o carregaram para dentro da cabana.

"Ele está nu?" Sonja exclamou quando o cobertor escorregou para o chão enquanto colocavam o estranho na cama. "Pelo amor de Deus, Sybil!"

Ela pegou o cobertor imediatamente e o cobriu novamente.

"Eu não faço ideia do que aconteceu. Ele já estava nu quando—"

"Vá pegar algumas roupas para ele, para que ele pelo menos pareça decente."

"Você não se importa, né?"

"Sou enfermeira, e já vi o pior do pior, Sybil." Sonja levantou uma sobrancelha e fez um gesto em direção à porta. "Agora, vá e faça o que eu te disse. Preciso limpar e desinfetar os ferimentos dele."

Ela caminhou até a porta e foi para o seu quarto. Talvez ela devesse voltar à cidade amanhã e comprar algumas roupas para ele usar. Enquanto isso, ela emprestaria suas roupas. Ainda bem que ela gostava de usar camisetas largas. Isso pelo menos poderia cobri-lo para parecer decente.

"Espero que esse pobre coitado não seja como você, Sybil."

Ela caminhou até o lado da cama e observou enquanto Sonja cuidava dos ferimentos dele.

"Não acho que ele tenha amnésia. Parece que ele está fugindo de alguém."

As pupilas de Sonja se dilataram quando ela se virou para Sybil.

"O que você disse?"

"Ele estava olhando ao redor freneticamente." Ela soltou um suspiro e se sentou na beirada da cama.

"Sybil..."

"O quê?" Ela encontrou o olhar de Sonja.

"Você deve manter distância quando ele acordar. Não sabemos que tipo de pessoa ele é—"

"Você não manteve distância de mim naquela época—"

"É diferente." Sonja apertou os lábios.

"Tudo bem."

"Não é que estamos tirando conclusões precipitadas. É melhor prevenir. Ele é um estranho, afinal."

"Eu entendo."

"Agora, me traga uma bacia de água morna e uma toalhinha."

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