Mais do Que Eu Sabia

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Noa Blake · Atualizando · 214.7k Palavras

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Introdução

Quando Amelia Pierce finalmente admite que seu casamento é uma gaiola dourada, um vidro estilhaçado e um voto arrepiante — Eu nunca vou me divorciar de você — a lançam direto para a órbita de Bryson Hearst: seu novo chefe, seu segredo mais antigo e o homem que, em silêncio, comprou um anel para ela seis anos atrás e o trancou em seu cofre.

Num mundo de salas de reunião em coberturas e escândalos sussurrados, Bryson é o tipo de perigoso que parece segurança. Ele a coloca sob proteção, prepara para ela um banho perfumado de jasmim em vez de ultrapassar um limite e promete destruir o marido dela à luz do dia e adorá-la no escuro. Mas a liberdade de Amelia tem um preço: acordos na Costa Oeste que se tornam explosivos, uma ex-assistente com provas e rancor, e uma família poderosa que acredita que mulheres Pierce nunca vão embora.

Enquanto uma investigação clandestina expõe mais do que um acobertamento — e um depósito cheio de pecados —, Amelia abre mão de qualquer direito sobre a fortuna do marido: ela não quer o dinheiro dele, só quer a vida de volta. O relógio corre: quatro semanas até a data no tribunal, quatro semanas de manhãs roubadas e confissões em caixas de veludo, quatro semanas para um homem que a amou de longe provar que consegue amá-la de perto sem tocá-la até que ela esteja livre.

Luxuriante, viciante e de tirar o fôlego em sua contenção, More Than I Knew é um romance contemporâneo de alto calor e alto risco, em que o consentimento é o movimento de poder mais sexy, proteção soa como possessão, e uma mulher escolhe a si mesma — e depois o homem que vem escolhendo ela o tempo todo.

Capítulo 1

Amelia Pierce não tinha planejado pôr os pés no escritório de Bryson Hearst naquele dia.

Não estava na agenda dela.

Nem sequer orbitava na mente dela.

O dia deveria ser simples: finalizar os últimos detalhes do baile beneficente do Bellamy Grand, enviar as confirmações aos doadores e, quem sabe — só quem sabe — atravessar uma manhã sem Carl criticar alguma coisa nela.

Mas, em vez disso, ele tinha levantado os olhos do celular no café da manhã, só o suficiente, e disse:

— Me encontre no meu escritório ao meio-dia. A gente pega alguma coisa rápida entre uma reunião e outra.

Almoço.

Juntos.

Eles não almoçavam juntos havia anos.

Quando ela desceu uma hora depois, Carl já estava na cozinha, em pé ao lado da bancada, usando um terno azul que nunca combinava com ele e uma gravata vermelha que ela gostaria de poder proibir por decreto. A luz de outubro entrando pela janela piorava o choque das cores, mas ele não percebeu. Estava ocupado demais rolando a tela do celular.

Ele nem levantou a cabeça quando ela entrou.

Amelia largou a bolsa, foi até a bancada e começou a preparar um chá para si. Camomila. Quente. Calmo. Um ritual pequeno que parecia uma fresta de ar.

— Recebemos mais uma doação para o programa de artes hoje cedo — disse ela, conferindo o tablet. — Isso nos deixa mais perto de—

— Que bom pra você — Carl cortou.

Ela engoliu um suspiro, passou manteiga numa fatia de pão e então colocou a panela elétrica sobre a bancada. Carne, batatas, cenouras, cebolas — as mãos se moviam no automático. Acrescentou caldo, fechou a tampa e pegou o chá.

Carl finalmente ergueu o olhar.

Não para o rosto dela.

Para a roupa dela.

— É isso que você vai vestir hoje?

Amelia piscou e olhou para si mesma. Uma blusa creme por dentro de uma saia grafite com uma barra discreta. Simples, profissional, inegavelmente apropriado.

— O que tem de errado com a minha roupa? — ela perguntou.

A expressão de Carl se fechou. — Só se certifica de aparecer com uma aparência apropriada. Não me faça repetir.

Amelia arqueou uma sobrancelha e estalou os dedos duas vezes.

— Opa, hoje você tá todo cheio de charme, hein?

Ele franziu a testa, confuso.

Ela se recostou na bancada e soltou uma risada baixa, balançando a cabeça. — Falando sério, Carl… eu falei o que falei. Não tem nada de errado com a minha roupa.

O maxilar dele deu uma contraída. — Eu falei o que falei.

Ela tomou um gole do chá, calma como uma brisa leve — o que o irritou ainda mais.

— Tô saindo — ele resmungou, pegando as chaves. — Vamos em carros separados. O Ben te leva. Ele trabalha pra gente agora.

Ela não respondeu.

A porta da garagem bateu atrás dele.

Amelia ficou completamente imóvel por três segundos. Então expirou, longo e devagar, como se estivesse prendendo o ar desde cedo.

Carl sempre fora controlador em pequenas coisas — comentava sobre o cabelo dela, as roupas, o corpo (chegou a afirmar que os seios dela estavam “em exposição” com uma maldita gola alta), olhava torto para as conversas dela com a melhor amiga e fazia observações sobre quanto ela comia, apesar de ela ter saudáveis setenta quilos, um corpo definido e curvas nos lugares certos.

Mas, ultimamente?

Ele vinha tentando controlar tudo.

E se ele queria começar pela roupa dela naquela manhã?

Ótimo.

Ela subiu as escadas com propósito.

Amelia abriu o closet e pegou algo que raramente deixava Carl ver. Não porque não pudesse usar — ela podia vestir a droga do que quisesse —, mas porque tinha se cansado das brigas. Hoje não era um dia de briga. Hoje era um dia de deixar um recado bem claro.

Ela puxou um macacão preto ajustado, de peça única.

Mangas longas.

Cintura marcada.

Linhas lisas, esculpidas, abraçando o corpo dela.

Nos tornozelos, pequenos laços bem-feitos amarravam as barras afuniladas, transformando tudo em algo feminino e devastadoramente chique.

Ela vestiu a peça, alisando o tecido sobre os quadris. Era como vestir a própria confiança.

Depois, escolheu os sapatos.

Seus Christian Louboutin Lady Z pretos, salto 120 mm — verniz brilhante, perversamente altos, solas vermelhas afiadas o bastante para serem consideradas uma arma. Davam altura, postura, poder.

Por fim, a camada perfeita de acabamento: um casaco cor de pele, na altura da cintura, num tom camelo suave, estruturado nos ombros e aberto na frente. A barra batia alto nas coxas, emoldurando o macacão preto de linhas elegantes e destacando a força da sua silhueta.

As joias eram simples e intencionais.

Argolas de ouro amarelo que captavam a luz.

Uma corrente fina de ouro que roçava a clavícula.

Uma pulseira delicada no pulso.

Minimalista, elegante, impossível de ignorar.

Ela encarou o próprio reflexo e sentiu um sorriso lento e confiante repuxar seus lábios.

Era ela.

Sem medo.

Sem se diminuir.

Sem pedir desculpas.

Se Carl quisesse começar a microgerenciar tudo naquela manhã...

Ela daria a ele um motivo para microgerenciar.

Lá embaixo, um sedã preto elegante esperava junto ao meio-fio.

O motorista saiu — por volta dos quarenta e poucos, terno bem passado, uma compostura calma e firme que lhe lembrava vagamente disciplina militar.

“Senhora Pierce?”, ele perguntou.

“Amelia”, ela corrigiu com um sorriso caloroso. “E você é o Ben?”

“Sim, senhora. O Sr. Pierce pediu que eu a levasse aonde a senhora precisar hoje.”

Claro que pediu.

Controle embrulhado em cortesia.

“Obrigada, Ben”, ela disse, entrando no carro.

O trajeto pelo bairro deles, ladeado por bordos, foi silencioso. Amelia tomou o último gole do chá e observou as ruas familiares se embaralharem do lado de fora. Ela costumava amar as manhãs — a suavidade, a quietude, a promessa. Agora, pareciam uma contagem regressiva para alguma briga que ela não queria ter.

Manhattan surgiu rapidamente no horizonte, o Bellamy Grand erguendo-se como um palácio de vidro. Lá dentro, o salão de baile zumbia com um caos organizado: floristas ajustando arranjos imensos, garçons polindo prata, técnicos de iluminação aquecendo o ambiente com uma aura dourada.

Fazia bem ser necessária ali.

Ser respeitada.

Ter autoridade sem precisar lutar por ela.

Ela circulou pelo salão conferindo toalhas, linhas de visão, iluminação, reposicionando mesas e a disposição do leilão silencioso. Cada detalhe importava. E dava para ver.

Vinte minutos depois, Ben já estava estacionado do lado de fora, esperando.

A ida até a Hearst & Pierce Global pareceu mais pesada.

Talvez porque ela soubesse que Carl estava lá.

Talvez porque aquele prédio lembrasse anos demais fingindo que estava tudo bem.

Talvez porque o destino estivesse empurrando-a para um lugar onde ela nunca imaginou estar.

O carro parou suavemente diante da fachada espelhada do arranha-céu.

Ben abriu a porta.

“Boa sorte, Amelia.”

“Obrigada”, ela disse com um sorriso contido, antes de entrar.

O saguão era de tirar o fôlego, como sempre — piso de mármore reluzente, colunas com veios dourados, um enorme lustre de cristal espalhando luz como diamantes pelas superfícies polidas. O ar tinha um leve cheiro de dinheiro e influência.

E então ela o viu.

George.

O segurança que ela conhecia havia anos.

O homem que a tinha salvado na primeira vez que ela visitara Carl ali, quando seu nome não estava na lista de visitantes e ela precisou ficar parada, constrangida, fingindo ler uma revista de esportes.

George levantou os olhos, a viu, e abriu aquele sorriso caloroso e verdadeiro que ela apreciava mais do que ele imaginava.

“Bom dia, Sra. Pierce”, ele cumprimentou. “Veio ver seu marido?”

Amelia se aproximou, devolvendo o sorriso — suave, honesto, familiar.

“Sim”, ela disse, inclinando-se um pouco. “E estou imaginando que não estou na lista de novo, né?”

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