Meu querido professor

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Victoria Figueiredo · Atualizando · 69.5k Palavras

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Introdução

Você sabe quando nosso coração dispara?
Mas o que fazer quando esse coração rebelde se apaixona não por um, mas por dois professores ao mesmo tempo?
E quando o conto de fadas se transforma em um pesadelo, quem vai te salvar?

Capítulo 1

Era mais um dia como todos os outros. As mesmas pessoas medíocres, os mesmos ambientes entediantes, a mesma velha rotina. Como de costume, o professor de geografia, que comia demais, deu cinco páginas de dever de casa, e ai de quem não trouxesse o dever no dia seguinte. A odiosa aula de geografia. E justo quando eu pensava que nada poderia torná-la mais detestável, aparece esse ser repugnante com sua cabeça careca polida e suas calças de cós alto. Em resumo, eu realmente odiava o Sr. Hammings.

O irritante sinal tocou, anunciando o início de mais uma aula de biologia, a penúltima do dia. Pelo menos o Sr. Suan não sofria de falta de sex appeal como o Sr. Hammings. Ele não parecia que deveria estar sofrendo, com aqueles ombros largos, aquele sorriso experiente e sempre relaxado, como se nada pudesse tirar sua tranquilidade. Além daquele corte de cabelo que lhe dava um ar de 20 anos quando, na verdade, ele tinha dez anos a mais. Um rosto bonito que arrancava suspiros por onde passava, e uma voz confiante que captava a atenção de todos os alunos e fazia com que entendessem o assunto mais complexo do mundo em um segundo eram os últimos detalhes que faltavam para torná-lo o professor perfeito.

Para mim, ele era um ótimo educador. Articulado ao falar, paciente e muito bem informado sobre tudo, ele sabia eliminar todas as possíveis dúvidas dos alunos com um sorriso no rosto e palavras simples. Minha facilidade em biologia me dava bastante tempo para analisar seu jeito de falar, andar, gesticular e agir, em vez de prestar atenção no assunto. O que eu adorava fazer, mesmo sem querer. Como agora.

  • Bom dia, professor - ouvi a voz da retardada Kelly Smithers resmungar assim que pude ver a cabeça cabeluda do Sr. Suan entrar na sala. Bem daquele jeito "oi-sou-uma-vadia-quero-te-dar-na-sala-dos-professores", enquanto mastigava seu chiclete de forma vulgar, como a maioria das pessoas naquela escola estúpida costumava fazer.

  • Sabia, Srta. Smithers, que uma pessoa que mastiga chiclete de boca aberta engole muito mais bactérias do que uma pessoa que mastiga de boca fechada? - disse Steve Suan, meu professor de biologia, enquanto colocava seu material na grande mesa.

Segurei o riso com um sorriso, praticamente devorando aquele homem com os olhos. Adorava a maneira como ele simplesmente colocava aquela vadia da Smithers no lugar sem se rebaixar ao nível dela. E, incrivelmente, ela continuava do mesmo jeito superficial, mastigando furiosamente seu chiclete de morango, enquanto sua amiga fazia uma cara chocada (de vadia). A única razão pela qual eu não continuei me divertindo com a cara azeda dela enquanto era consolada pela amiga era porque havia algo muito melhor para ser observado naquela sala. Algo que tinha nome, sobrenome e um sorriso deslumbrante.

Você deve estar pensando que eu sou a maior pervertida da face da terra. Mas você só diz isso porque seu professor de biologia não é o cara mais bonito que você já viu pessoalmente. Ter que aguentar 50 minutos por semana com um homem assim sem ter pensamentos como os meus era impossível, acredite. Eu sabia que era errado, que nunca conseguiria a atenção de um homem como o Professor Suan, mas me esforçava para ser sua melhor aluna. E claro que eu conseguia.

  • Onde eu parei, Velarde? - ouvi sua voz firme perguntar enquanto se aproximava da minha mesa com um sorriso animado, apoiando uma mão nas costas da mesa à minha frente e se inclinando para ler minhas anotações.

  • Na última aula você começou a explicação sobre genética - respondi, inalando o perfume do homem cheiroso que eu adorava sentir sempre que ele estava por perto. Sempre me disseram que esses caras conectados à natureza têm uma tendência meio hippie, ou seja, não tomam banho e, consequentemente, fedem. Steve Suan era a prova viva de que isso era puro mito. Ou então ele era uma bela exceção.

  • Alguma dúvida sobre o que já expliquei? - murmurou, com sua habitual simpatia por mim. Ele sempre fazia essa mesma pergunta quando começava um novo conteúdo, como se precisasse da minha opinião sobre a qualidade da aula dele. E eu sempre respondia a mesma coisa, com um sorriso gentil no rosto:

  • Nenhuma, professor.

Aliás, tenho uma: quando você pretende se tornar um pedófilo?

A aula de biologia passou sem novidades. O professor perfeito explicando o assunto que eu já sabia de cor enquanto Smithers parecia confusa, ainda engolindo zilhões de bactérias. As coisas fluem tão bem durante a aula do Sr. Suan que ele sempre faz tudo o que precisa e ainda sobram uns 10 minutos para as pessoas conversarem ou fazerem perguntas mais complicadas. Se eu dissesse que nunca tinha dúvidas e odiava praticamente todos na minha turma, você provavelmente pensaria que eu não me encaixo em nenhuma dessas duas opções. Mas se eu dissesse que parte do corpo docente da escola simpatiza comigo, você poderia entender como são os finais das minhas aulas de biologia.

  • Geografia de novo? - ouvi a voz daquele homem mais velho perguntar atrás de mim, em um tom amigável, e tirei os olhos do caderno onde acabara de copiar o assunto do Hammings. Vi aqueles dois olhos castanhos brilhantes me encarando, acompanhados pelo sorriso de alguém que ainda não percebeu que é bonito de qualquer maneira, e foi preciso muito autocontrole para apenas sorrir normalmente.

  • Sim, está virando rotina - respondi, voltando a escrever para evitar que minha baba escorresse - Por mais que eu tente, não consigo ler esse garrancho.

  • Não posso falar muito, minha caligrafia também não é das mais legíveis - ele riu, sentando-se na mesa agora vaga à minha frente e se virando para falar comigo - Mas pelo menos tento poupar vocês de entender o que escrevo.

  • Você nunca escreve nada no quadro - falei, rindo um pouco e olhando para ele. Sério, me diga como você consegue ficar corado assim 24 horas por dia?

  • É verdade - o Sr. Suan sorriu, piscando para mim de um jeito que fez meu coração ter uma crise epiléptica - e eu sei que, mesmo se eu escrevesse algo, você seria a última pessoa a copiar.

  • Por que você acha isso? - perguntei, quase ofendida, e ele apenas respondeu calmamente:

  • Porque você praticamente sabe tanto de biologia quanto eu, e copiar o que eu escrevo seria um desperdício de papel, tinta e do seu tempo.

Fiquei com aquele sorriso de picolé no rosto, e tudo o que consegui dizer depois de um tempo foi:

  • Vamos pensar positivo... Pelo menos eu estaria evitando o desmatamento de algumas árvores ao economizar papel.

O Sr. Suan, que antes estava olhando para a Amy Houston dormindo, fechou os olhos e riu da minha frase ruim. Como se ele já não tivesse que aguentar coisas piores, eu ainda disse uma besteira dessas.

  • Se eu não soubesse que você pode formular frases melhores, eu te daria um ponto de participação pela sua brilhante conclusão - ele zombou, sorrindo de forma divertida antes de se levantar e ir acordar Houston para que ela não começasse a roncar mais alto. Preciso descrever o estado de profunda melancolia em que me encontrei depois desse momento? Eu sabia que não precisaria.

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