Renascida aos Dezoito: A Segunda Chance do Bilionário

Renascida aos Dezoito: A Segunda Chance do Bilionário

CalebWhite · Concluído · 274.7k Palavras

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Introdução

Morri engasgada com minhas próprias lágrimas e comprimidos, assistindo Julian Vane beijar a noiva enquanto meu mundo desmoronava. Na minha vida passada, alguém colocou algo na minha bebida, e eu passei uma noite devastadora com o homem que era dono do meu coração. Mas, depois, Julian olhou pra mim como se eu fosse sujeira debaixo do sapato dele, o rosto lindo retorcido em pura repulsa. “Você é igual a todas as outras”, ele rosnou, “uma vagabunda patética e interesseira.” Essas palavras me quebraram mais do que qualquer pancada poderia.

Quando eu dei à luz a filha dele, o ódio só piorou. Ele assistiu, com uma frieza quase satisfeita, enquanto mentiras e traições destruíam nós dois. Minha menininha inocente morreu por causa dos monstros que ele deixou chegar perto da gente e eu... eu não aguentei a dor.

Mas, de alguma forma, eu tenho dezoito anos de novo — um dia antes daquela noite que amaldiçoou nós dois. Desta vez, eu vou acabar com todo mundo que fez mal pra minha filha. Vou fazer todos implorarem pela misericórdia que nunca tiveram com a gente.

Só que agora o Julian está completamente diferente. Sumiu o homem que cuspia veneno só por eu existir. Em vez disso, ele me toca como se eu fosse de vidro precioso, os olhos ardendo de um desejo desesperado. “Por favor”, ele sussurra contra a minha pele, “deixa eu te amar do jeito que eu devia ter amado antes.”

Como é que o mesmo homem que me destruiu agora olha pra mim como se eu fosse a salvação dele?

Capítulo 1

Elara

Os flocos de neve caíam como cinzas sobre o prédio cinza do crematório. Eu estava do lado de fora das portas de vidro, observando pelas janelas embaçadas pela condensação enquanto o casal de meia-idade do lar adotivo assinava papéis na recepção.

Meus pés estavam dormentes dentro dos tênis gastos. O casaco de segunda mão que eu tinha comprado num brechó do Bronx não servia de nada contra o vento de Nova York. Quando encostei a palma da mão na porta de vidro, o frio queimou — mas não tanto quanto a visão daquele pequeno caixão branco no canto do saguão da funerária.

Tão pequeno. Como uma caixinha de joias.

Não é minha filha.

— Com licença, senhorita Vance.

Um homem de terno sob medida apareceu ao meu lado — um daqueles advogados corporativos com um Rolex que custava mais do que o salário anual da minha mãe.

— De acordo com a ordem de curatela médica assinada pelo Tribunal de Família de Nova York, a senhora não tem autoridade legal para participar dos preparativos do funeral da menor Lily Vance. — Ele puxou um documento da pasta de couro. — Esta é uma ordem de restrição. Se a senhora continuar tentando fazer contato, vamos avisar as autoridades.

Eu caí de joelhos na neve enlameada.

— Por favor. Só deixa eu ver ela. Só mais uma vez. Eu sou a mãe dela...

— O tribunal decidiu o contrário.

A frase disparou alguma coisa — uma lembrança que eu estava tentando manter trancada.


Três dias antes.

— É a Elara Vance?

A voz da assistente social tinha aquela simpatia cuidadosamente controlada que devem ensinar na faculdade. Profissional. Distante.

— É. Quem tá falando?

— Aqui é Jennifer Marks, do Serviço de Proteção à Criança de Nova York. Eu estou ligando sobre a Lily Vance. — Uma pausa. Longa demais. — Senhorita Vance, sinto muito informar que a Lily morreu hoje de manhã às 11h32. Choque anafilático.

O pincel escorregou dos meus dedos. Tinta vermelha espirrou no chão de concreto — parecendo sangue demais.

— Como assim, morreu? O que aconteceu? Cadê a caneta de adrenalina dela?

— A família acolhedora aplicou a EpiPen imediatamente, mas a reação foi grave demais. De acordo com o relatório preliminar... biscoitos de aveia. Com pedaços de noz.

— Isso tá no prontuário dela! — Eu já estava gritando. — Alergia grave a nozes! Eu falei pra eles! Eu falei pro juiz!

— Eu entendo que a senhora está abalada, senhorita Vance, mas a família acolhedora agiu dentro dos...

Eu desliguei. Depois vomitei dentro do balde de tinta.


Foram precisos três ônibus e um trem até eu chegar ao Rochester General. Quando cheguei, já tinham levado ela pro necrotério.

O funcionário puxou o lençol só o suficiente pra eu ver o rosto dela.

Lily. A minha Lily.

Pele acinzentada. Lábios levemente entreabertos. Farelos ainda no queixo — dos biscoitos que mataram ela.

Eu estendi a mão pra tocar a bochecha dela. Fria. Tão fria.

— O laudo do médico-legista ainda é preliminar — disse o funcionário, com cuidado. — Mas tudo indica que a família acolhedora deu pra ela biscoitos caseiros de aveia com pedaços de noz. A alergia está claramente documentada no prontuário médico dela.

Meus dedos apertaram a borda da mesa de aço.

— Onde eles estão?

— Os pais acolhedores? Lá em cima. Com o advogado deles. — Ele se mexeu, desconfortável. — Existe uma cláusula de responsabilidade no acordo de acolhimento. O Estado assume a responsabilidade pelas decisões de encaminhamento, mas os pais acolhedores individualmente ficam protegidos de...

— Ela tinha quatro anos.

Ele desviou o olhar.

Eu fiquei ali por muito tempo depois que ele saiu, só olhando pra ela. Decorando cada detalhe que eu tinha sido proibida de ver durante um ano.

Depois peguei o celular e disquei o número do Julian.

Uma vez. Duas. Dez vezes.

Na décima sétima ligação, ele atendeu.

"Julian. A Lily morreu."

Silêncio.

"Você me ouviu? Nossa filha está morta. A família adotiva... eles mataram ela. A gente pode processar. Você tem advogados, você tem dinheiro—"

"Elara." A voz dele era gelo. "Vou dizer isso pela última vez. Eu não tenho uma filha assim."

As palavras queimaram.

"A única criança que vai me chamar de ‘papai’ é a que a Sloane vai dar à luz. Se você continuar com esse assédio, vou mandar meu jurídico entrar com uma ordem de cessar e desistir."

Ao fundo, ouvi a risada dela — a risada cristalina, feliz da Sloane. Depois a voz dela, brincalhona: "Amor, a cerimonialista tá ficando impaciente~"

A ligação caiu.


[Presente]

"Senhorita Vance?"

Pisquei. A lembrança se desfez como fumaça. Uma funcionária da funerária estava parada na minha frente. Eu ainda estava ajoelhada na mistura de neve e lama do lado de fora das portas do crematório.

Pelo vidro, eu via que a capela já estava vazia. O velório tinha acabado.

Minha filha se foi.

"Sinto muito", disse a atendente, com delicadeza. "A cerimônia terminou faz uns vinte minutos." Ela olhou em volta, nervosa. "Os pais adotivos... eles assinaram a papelada e foram embora. Não levaram ela com eles."

Meu coração parou. "Como assim?"

"Eles disseram que já tinham se despedido. Que não precisavam..." Ela fez um gesto, impotente. "Olha, isso não era pra acontecer. Mas eu não posso simplesmente deixar uma criança esquecida numa prateleira."

Ela sumiu por um instante e voltou com algo nos braços — uma urna de plástico barata, com um canto rachado preso com fita adesiva. Na tampa, alguém tinha rabiscado com marcador permanente: Lily Vance, 2019-2023.

Quatro anos. A vida inteira dela reduzida a dez números e uma caixa de plástico.

"Eu não deveria estar fazendo isso", sussurrou a atendente, enfiando a urna nos meus braços. "Se alguém perguntar, você nunca esteve aqui. Mas nenhuma criança deveria ser esquecida desse jeito."

A urna era mais leve do que eu imaginava. Apertei-a contra o peito, e as lágrimas vieram de uma vez só.

"Obrigada", solucei. "Muito obrigada."

"Só cuida dela. É tudo o que qualquer mãe pode fazer."

Tirei meu casaco e o enrolei com cuidado em volta da urna. Me certificando de que nenhum frio chegaria até ela.

"Lily", murmurei. "A mamãe não vai deixar você passar frio."

Foi aí que a Mercedes S-Class preta passou deslizando — tão perto que eu poderia ter tocado. Pelo vidro escuro, vi o perfil do Julian. Afiado. Perfeito. Ele falava ao telefone, sorrindo.

"Eu sei, amor. A cerimonialista tá esperando. Eu chego em casa já, já."

O carro não diminuiu a velocidade. Só seguiu pela rua congelada, o interior aquecido protegendo quem estava lá dentro da nevasca.

Eu fiquei ali, com meu suéter fino, segurando as cinzas da minha filha, e vi ele ir embora.

Então eu entendi pra onde eu precisava ir.

Não pra implorar. Não pra suplicar.

Pra devolver algo que nunca deveria ter sido dado em primeiro lugar.


A passagem de ônibus até a Mansão Blackwood custou US$ 6,50. Contei as moedas com os dedos dormentes. O motorista me observava pelo retrovisor, com uma impaciência mal disfarçada.

Pelos vidros embaçados, vi Nova York se transformar. O amontoado industrial dando lugar a mansões com jardins perfeitos. Muros de pedra. Portões de ferro.

O território da família Vane.

Quando o ônibus parou na entrada de serviço da Mansão Blackwood, o motorista olhou pra mim pelo espelho.

"Tem certeza disso, moça? Lá é propriedade privada. E a tempestade só tá piorando."

Minha mão foi até a garganta — até a corrente de prata que estava ali há tanto tempo que eu já nem notava mais o peso.

"Tenho, sim", eu disse. "Só vou devolver uma coisa que eu peguei emprestada."

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"Tire o vestido, Meadow."

"Por quê?"

"Porque seu ex está assistindo," ele disse, recostando-se na cadeira. "E eu quero que ele veja o que perdeu."

••••••••••••*
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Ele também sofre de uma condição neurológica—não pode sentir. Nem objetos, nem dor, nem mesmo o toque humano.

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