
Quando o Amor se Cala
Lily · Concluído · 10.7k Palavras
Introdução
Eu queria surpreender meu marido com a notícia.
Em vez disso, acabei ouvindo uma conversa sobre como “me tirar de vez” da vida dele e da nossa filha.
Capítulo 1
Eu apertava com força o resultado do teste de gravidez na mão, parada do lado de fora da porta do escritório do Ethan.
Eu queria surpreender meu marido com a notícia.
Em vez disso, ouvi por acaso uma conversa sobre como me “tirar de vez” da vida dele e da nossa filha.
...
O corredor estava silencioso. Cheguei perto da porta de carvalho, entreaberta, com a mão levantada para bater—
—Sinceramente? Eu tô ficando maluco.
Eu congelei.
Era a voz do Ethan. Eu reconhecia aquele tom — o que ele usava com o Dave, o colega de quarto da faculdade, aquela sinceridade crua que homem solta quando acha que ninguém está ouvindo.
—E agora? — perguntou Dave.
—É ela — disse Ethan. — A Cathy. Agora ela vigia tudo o que a Lily come, confere a lancheira todo dia, manda e-mail pros professores perguntando do cardápio. Semana passada ela ainda foi até a escola de dança e encurralou a Mia no estacionamento.
—Briga no estacionamento? Isso parece pesado.
—Dá pra acreditar? — a voz do Ethan subiu. — Ela encurralou a Mia, exigindo saber por que ela fica “um tempo a sós” com a Lily depois de toda aula.
—A Mia só tá fazendo o trabalho dela como professora de dança. O que ela quer? Marcando território que nem cachorro raivoso?
Minhas unhas cravaram nas palmas das mãos.
—Ela ainda acusou a Mia de estar tentando me seduzir.
—Ué, você não gostava disso nela? — Dave deu uma risada fria. — Você dizia que o ciúme provava que ela te amava. Dizia que ela cuidava tão bem da Lily—
—Aquilo era antes — Ethan cortou. — Antes eu achava que era dedicação. Agora ela só é… sufocante. Sabe o que a Lily me disse ontem? Que queria que a Mia fosse a mãe dela. A Mia leva ela pra tomar sorvete, elogia a dança, não aparece na frente das amigas dela usando moletom cheio de bolinhas de remédio.
Dave ficou em silêncio por um instante.
—Então o que você vai fazer?
—Eu tenho um plano. — Havia algo na voz do Ethan que eu não ouvia fazia muito tempo: leveza. — Vou dizer pra ela que vou levar a Lily pra aquele acampamento de dança em Montana. A Lily vai topar. Ela já me ajudou a encobrir antes.
—E na realidade?
—Vou levar a Mia pra Europa. — Ethan baixou a voz. — Ela sempre quis ir pra Toscana. Diz que a luz de lá é perfeita pras fotos. A gente aluga uma vila por três meses.
Minhas pernas amoleceram. Eu me apoiei no batente da porta.
—A Cathy não vai desconfiar?
—A Lily vai me acobertar. A gente já fez isso antes, dá certo toda vez. — Ethan riu. — Eu já falei com ela. É o nosso segredinho. Vou dar escondido pra ela os lanches que a mãe não deixa. Criança de oito anos… dá uns docinhos e ela faz qualquer coisa.
—Você acha que a Cathy vai cair nessa história do acampamento?
—Claro que vai — disse Ethan. — Ela confia na Lily. E agora— — ele fez uma pausa — ela anda meio estranha ultimamente. Tonta o tempo todo, engordou um pouco. Daqui a três meses, quando a gente voltar, vai ter acabado.
—Vai ter acabado o quê?
Ethan não respondeu na hora.
—Eu não sei — ele disse por fim. — Talvez esse amor sufocante dela.
Eu devia ter entrado.
Devia ter jogado o teste de gravidez na cara dele e dito que o “ganho de peso” era porque eu estava carregando o segundo filho dele.
Mas eu não fiz isso.
Soltei o batente. Me virei. O corredor parecia não ter fim, como se eu nunca fosse chegar do outro lado.
A luz do lado de fora era ofuscante. Eu fiquei ali, o laudo agora uma bolinha amassada e úmida na minha mão.
Eu dirigi até a escola de dança, precisando saber o que a Lily achava.
Faltavam vinte minutos pra aula terminar. Estacionei do outro lado da rua e fiquei no banco do motorista, observando as outras mães chegando. Elas usavam legging e maquiagem impecável, celular na mão, se cumprimentando, rindo, conversando.
Olhei pra mim.
Um moletom que eu usava fazia quatro dias seguidos. Cabelo preso de qualquer jeito com um elástico, fios soltos pra todo lado. Sem maquiagem, olheiras que nem corretivo dava conta.
Desde que essa gravidez começou, eu vivia enjoada e exausta. Não sobrava energia pra nada daquilo.
Só que eu nunca tinha ligado esses sintomas à gravidez — eu e o Ethan já dormíamos em quartos separados fazia tempo demais. Tirando aquela única noite depois da festa do escritório, quando ele chegou em casa bêbado fora de si.
O sinal tocou.
As crianças começaram a sair. Eu vi a Lily andando na frente com duas meninas. Ela estava com a saia rosa de dança, cabelo num rabo de cavalo bem alto.
—Lily! — eu abaixei o vidro, me inclinei pra fora até a metade, acenei.
As meninas ao lado dela olharam primeiro.
—Lily, aquela é sua mãe?
—Ah, para — uma delas debochou. — A Lily falou que a mãe dela usa roupa de grife todo dia, mil vezes mais elegante do que a Miss Mia.
A Lily virou, me viu. Naquele instante, a expressão dela mudou. O sorriso sumiu.
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Por isso foi mais do que um pouco confuso quando chegou uma carta com o meu nome já impresso em um horário de aulas, um dormitório me esperando e matérias escolhidas, como se alguém me conhecesse melhor do que eu mesma. Todo mundo conhece a Academia, é onde bruxas aperfeiçoam seus feitiços, metamorfos dominam suas formas e todo tipo de criatura mágica aprende a controlar seus dons.
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Eu nem sei o que sou. Nada de mudança de forma, nada de truque mágico, nada. Só uma garota cercada por gente que consegue voar, conjurar fogo ou curar com um toque. Então eu fico nas aulas fingindo que faço parte daquilo, e escuto com atenção qualquer pista que possa me dizer o que está escondido no meu sangue.
A única pessoa mais curiosa do que eu é Blake Nyvas, alto, de olhos dourados e, com toda certeza, um Dragão. As pessoas sussurram que ele é perigoso, me avisam para manter distância. Mas Blake parece determinado a resolver o mistério que sou eu e, de algum jeito, eu confio mais nele do que em qualquer outra pessoa.
Talvez seja imprudente. Talvez seja perigoso.
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"O que há de errado comigo?
Por que estar perto dele faz minha pele parecer apertada demais, como se eu estivesse usando um suéter dois tamanhos menor?
É só a novidade, digo a mim mesma com firmeza.
Apenas a estranheza de alguém novo em um espaço que sempre foi seguro.
Eu vou me acostumar.
Eu tenho que me acostumar.
Ele é irmão do meu namorado.
Esta é a família do Tyler.
Não vou deixar um olhar frio desfazer isso.
**
Como bailarina, minha vida parece perfeita—bolsa de estudos, papel principal, namorado doce, Tyler. Até Tyler mostrar suas verdadeiras cores e seu irmão mais velho, Asher, voltar para casa.
Asher é um veterano da Marinha com cicatrizes de batalha e zero paciência. Ele me chama de "princesa" como se fosse um insulto. Eu não suporto ele.
Quando minha lesão no tornozelo me obriga a me recuperar na casa do lago da família, fico presa com os dois irmãos. O que começa como ódio mútuo lentamente se transforma em algo proibido.
Estou me apaixonando pelo irmão do meu namorado.
**
Eu odeio garotas como ela.
Mimadas.
Delicadas.
E ainda assim—
Ainda assim.
A imagem dela parada na porta, apertando o cardigã mais forte em torno dos ombros estreitos, tentando sorrir apesar do constrangimento, não sai da minha cabeça.
Nem a lembrança de Tyler. Deixando ela aqui sem pensar duas vezes.
Eu não deveria me importar.
Eu não me importo.
Não é problema meu se Tyler é um idiota.
Não é da minha conta se alguma princesinha mimada tem que ir para casa a pé no escuro.
Não estou aqui para resgatar ninguém.
Especialmente não ela.
Especialmente não alguém como ela.
Ela não é meu problema.
E vou garantir que ela nunca se torne um.
Mas quando meus olhos caíram nos lábios dela, eu quis que ela fosse minha."
A Última Chance da Luna Doente
Mas tudo mudou no dia em que me disseram que minha loba havia adormecido. O médico me avisou que, se eu não marcasse ou rejeitasse Alexander dentro de um ano, eu morreria. No entanto, nem meu marido nem meu pai se importaram o suficiente para me ajudar.
Em meu desespero, tomei a decisão de parar de ser a garota dócil que eles queriam que eu fosse.
Logo, todos me chamavam de louca, mas era exatamente isso que eu queria—rejeição e divórcio.
O que eu não esperava era que meu marido, antes arrogante, um dia implorasse para eu não ir embora...












